Comentário a artigo do jornal “Avante” sobre a guerra civil na Líbia

http://www.gazetadeluanda.com

Recolhemos esta pérola no site do jornal do PCP, o Avante… Eis o nosso comentário a alguns segmento de um extraordinário artigo:

“Ao fim de seis meses de insurreição, cinco dos quais apoiados por persistentes bombardeamentos da NATO”

> Persistentes? Em seis meses, os aviões da NATO realizaram 55 missões de bombardeamento. Tendo em conta que – no papel – o exército de Kadafi tinha mais de 50 mil homens e quase dois mil blindados, não é difícil perceber que o principal fator nesta vitória dos rebeldes não foram os “bombardeamentos persistentes”, como alardeava a propaganda do regime, aqui veiculada pelo PCP, mas o próprio esforço dos rebeldes líbios.

“os contra-revolucionários tomaram a capital da Líbia.”

> Os “contra-revolucionários”?! Tive que ler esta frase umas três vezes até acreditar que o Avante tinha mesmo escrito esta palavra obsoleta, anacrónica e vinda de uma outra Era… Contra que “revolução”? A “verde”, do Coronel que acumulou em contas bancárias nos estrangeiro mais de 90 mil milhões de dólares, o equivalente ao PIB do seu país?… a mesma “revolução” que perseguiu e matou quase todos os opositores internos que se atreveram a sê-lo durante os 40 anos de “revolução verde”? É esta “revolução” que defende o PCP? Já sabia que defendia a tirania de Pequim sobre o povo chinês e a colonização do Tibete, mas isto é realmente demagogia a mais.

“No assalto a Tripoli, a Aliança Atlântica e os mercenários e fundamentalistas islâmicos afetos ao Conselho Nacional de Transição (CNT) mataram tantas pessoas como as vítimas civis estimadas pelo governo líbio durante todo o conflito.”

> “mercenários”?… então e os zimbabweanos, chadianos e angolanos que o regime recrutou e que eram o cerne da resistência do regime nestes últimos seis meses? E onde estão as provas, as imagens e o treino militar que provam a presença destes mercenários nas forças do CNT? Quando à presença de mercenários nas forças de Kadafi esta é conhecida desde há muito… por exemplo a força aérea líbia (uma das maiores de África) é praticamente totalmente dependente de mercenários.

“Misrata em mãos pró-colonialistas interrompendo a ligação costeira entre as martirizadas Zliten e Sirte.”

– A verborreia anacrónica continua… “pró-colonialistas”?! Como assim? Isso quer dizer que os rebeldes líbios vão agora correr para Roma clamando pelo regresso do braço paternal do colonialismo italiano?! Não duvidamos que as formas de que o capitalismo global e as multinacionais petrolíferas (como a italiana Eni) se aproximam de certas formas de neocolonialismo, mas esse destino é muito diferente do “colonial” e depende em última instância do próprio povo líbio.

“Não deixa de surpreender que o regime líbio tenha resistido tanto tempo. Não raras vezes, empurrou as hordas contra-revolucionárias para o desespero da derrota.”

– “hordas”?… e então como classificar a legião de mercenários ao serviço do exército do regime?

“No último momento, foram sempre os imperialistas a evitar a aniquilação dos bandos do CNT. Na conquista de Tripoli não foi diferente.”

– “bandos”? Sim, no sentido em que são apenas civis armados, muito mal treinados e comandados e sem outro equipamento pesado além daquele que conseguiram roubar ao exército do regime.

“O banho de sangue em que Tripoli foi afogada começou na noite de 20 de Agosto, quando células de jihadistas acoitadas na cidade foram chamadas à ação pelos imãs das mesquitas.”

– este é o discurso quase literal do regime desde que a revolta começou: na tentativa de colar os revoltosos ao extremismo islâmico para anular a honorabilidade internacional que têm merecido. Na verdade, o islamismo radical nunca foi forte na Líbia, e a população segue uma variante do Islão muito moderada, não somente nos círculos urbanos, como no deserto. Não é impossível que a revolta resvale, mas tudo indica que até ao momento os radicais são muito pouco numerosos e influentes entre a liderança do CNT, quase toda oriunda da antiga elite que rodeava Kadafi.

“Para espanto geral, Saif surge horas depois junto ao hotel onde se alojam os jornalistas garantindo que o pai está em Tripoli e que a cidade será retomada pelo exército regular.”

– Saif, com os bolsos cheios dos petro-dólares que a família Kadafi desviou do Estado Líbio durante 40 anos pagou a sua libertação ao bando de rebeldes desenquadrados e mal militarizados que o capturou. Não se tratou de desinformação, mas de corrupção, uma arma que o regime sempre soube jogar.

“Saliente-se que no Iraque como na Líbia e na Síria, a transformação de dezenas ou centenas de pessoas em multidões avassaladoras através de planos aproximados ou imagens de telemóveis distorcidas e sem qualidade, cumprem o mesmo objetivo de retocar a realidade ao sabor dos interesses imperiais”

– e assim se revela que o PCP também se opõe à revolta do povo sírio contra a ditadura alauíta… Mas que Partido é este que durante décadas combateu a ditadura em Portugal e que agora defende duas das ditaduras mais tirânicas e repressivas do Mundo Árabe?!… Que falta mais? Defende a ocupação militar do Tibete? Ah, não. Espera. Isso já o PCP defende.

“A queda de Tripoli é uma derrota para todos os progressistas e amantes da paz, mas não a sua rendição ou deserção da luta contra a barbárie.”

> esta frase final é um autêntico hino à demagogia… Em primeiro lugar, estes comunistas do PCP parecem esquecer que o regime de Kadafi nunca se assumiu como “comunista” ou mesmo aliado do Pacto de Varsóvia, bem pelo contrário, foi sempre apenas um cliente de armamento soviético e nunca um verdadeiro “aliado”. Os líderes soviéticos eram então mais sábios que os portugueses atuais reconhecendo no Coronel aquilo que efetivamente é um ditador alucinado, embriago por petróleo bruto e poder absoluto. Não se trata de um “progressistas”, mas de um ditador que não hesitou em disparar artilharia pesada sobre o seu próprio povo (os rebeldes não tinham então qualquer peça de artilharia) e com todas as intervenções colonialistas (estas sim, de pleno direito a usar este termo) no Chade não merece certamente o título do Avante de “amante da Paz”. E para “barbárie”, que dizer do financiamento ao terrorismo internacional e das mortes de civis inocentes em Lockerbie?…

Este artigo do Avante é de bradar aos céus e autêntico escândalo se nos recordarmos dos dignos pergaminhos de resistência à Ditadura Salazarista do PCP e dos sofrimentos pagos pela sua convicção e coragem contra um regime que era pelo menos tão opressivo como o regime do Coronel Kadafi.

Fonte:
http://www.avante.pt/pt/1969/internacional/115988/

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19 thoughts on “Comentário a artigo do jornal “Avante” sobre a guerra civil na Líbia

  1. Pingback: Comentário a artigo do jornal “Avante” sobre a guerra civil na Líbia « 25 de Novembro sempre !

  2. Venha o diabo e escolha…

  3. Ok e vamos fazer de conta que a NATO não foi quem travou esta guerra e que o rebeldes não teriam sido esmagados como moscas sem a sua constante ajuda, intervenção e fornecimento. Vamos também esquecer que qualquer novo regime não passará de uma sombra do que as potências militares ocidentais quiserem ou acharem oportuno (vulgo “colonialismo”, só que, inteligentemente, não se dá o nome de “protectorado” ao território). E para terminar em beleza vamos fingir que a cobertura mediática (empresas do ramo) têm o mais leve interesse no conceito de verdade ou equilíbrio. Tirando elementos liberdade de estilo do autor (que também terá direito a eles suponho… se os que estão a soldo de empresas o fazem diariamente suponho que não seja interdito a um pertencente a um partido político) penso que está lá tudo…

    Mas suponho que os ódios de estimação por vezes levem a que se esqueçam algumas destas coisas 🙂

    • Nao ha duvida: sem o apoio aereo, logistica e treino da nato os rebeldes teriam libertado bengazi, resistido aqui uns dias e sido batidos pelos mercenarios de kadafi. Como fez assad na decada de 80 de resto…
      Tento nao me deixar cegar por “odios de estimacao” (o imperialismo chines, por exemplo), mas reconheco que isso ‘e dificil… Mas prefiro a nato aos talibans, aos caos que era a ex-jugoslavia ou a libia de kadafi. Serve interesses dos paises que a compoem? Decerto. Nem tudo o que resulta da sua intervencao ‘e mau: decerto.

      • O facto de encontrar um factor positivo em algo não o justifica moralmente. O partido nazi construiu um grande rede de estradas nacionais. Estão justificados os 6 anos de guerra?

        Já agora de onde surgiram os talibans? E quem incentivou a fragmentação da Jusgoslávia? E quem manteve e mantém ditadores do petróleo no sitio? Pois. Toda esta intervenção é um pantano moral sem redenção possivel.

  4. Guilherme

    Por mais tendencioso que seja o artigo em questão não se pode ser tão ingênuo a ponto de aceitar a “versão oficial” dos acontecimentos, propagada pela mídia e pelo lado que nos apresentam como vencedor, até agora NADA GARANTE que a Líbia vai sair dessa confusão melhor do que entrou.
    – O lider dos rebeldes já foi preso pela CIA como integrante da da Al-Qaeda, antes do 11 de setembro atuava no afeganistão do taleban, acredite se quiser!
    – Vários jordalistas foram ameaçados de morte por homens ocidentais vestidos como reporteres da CNN, presentes no hotel onde se concentra a imprensa. Deixaram claro que não deviam mensionar a Al-Qaeda.
    – Nada impede que seja implantada no país uma teocracia islâmica, os militantes falam claramente em guerra-santa(jihad) e implantar a sharia(lei islâmica) coisa que não exite no país atualmente.
    – A NATO deseja claramente um controle total do mediterrãneo, a ultima vez que os EUA ajudaram gente como esse comandante rebelde colocou o taleban no controle total do afeganistão.

    • Licas

      Não me surpreede que os Marxistas-Leninistas
      apoiem um diatador snguinário como foi Khadafi.
      Não rstão a ver que qualquer coisa que se passe
      no mundo que sirva para atacar a NATO é logo
      aproveitado por eles?
      O que há a fazer será escrutinarmos com a
      informação possível o que foi a denominada
      “Revolução Verde” do defunto Coronel líbio,
      e daí concluir quão necessário foi a intervenção
      militar a bem dos Líbios e do resto das gentes.

  5. fada do bosque

    Ora que chatice… o embaixador em França, Seixas da Costa também referiu esse texto do PCP sobre a Líbia e diz: ” Há textos que ficam para a história (pequena ou grande, cada um que escolha) do nosso jornalismo. Hoje chegou-me um deles. É uma interpretação do que se passa na Líbia, sob uma perspetiva e um estilo lexical que eu pensava já arquivados nos escaparates da memória. Mas não, pelos vistos.
    Read more: http://duas-ou-tres.blogspot.com/search/label/L%C3%ADbia#ixzz1YW2URFTo

    Resumindo, cada um vê do seu prisma… eu estou como o HSMW… fala o roto do esfarrapado.

    • Fada,

      A piada é achar-se que o texto é de alguma forma de “mau tom” por usar uma certa terminologia (que não ninguém se dá ao trabalho de averiguar se será apropriada ou não, simplesmente parece “velha”, algo de outros tempos e nós queremos é novidades e um léxico novo, reluzente, acabado de sair da “fábrica”) sem nunca se conseguir negar o sumo daquilo que diz… quer se goste ou não, quer se partilhe matriz ideológica ou não, está lá tudo preto no branco. O resto parecem ser mais embirrações de ordem pessoal (e um ou outro que se sente picado por tudo o que vem daquelas áreas) do que qualquer outra coisa.

      • fada do bosque

        Claro que o Niccolau tem toda a razão, mas aqui quando digo fala o roto do esfarrapado, refíro-me à nATO por um lado e aos seus apoiantes, por outro. Quanto ao artigo, será que se esqueceram de ver o pormenor das fontes? As fontes são a GlobalResearch e o The econo mist, pelos vistos e assim sendo… Quanto à forma da escrita, deixo o mesmo que deixei no blogue “duas ou três coisas”.

        «Se uma das fontes é o Economist, deveria ter o link de acesso… custa a crer pois esse é um dos media do capitalismo e por isso sujeito ao filtro por eles inventado.
        Quanto a esse tipo de Media ou difusor de informação, faz parte do lequedos manipulados pelo poder capitalista.
        Nos EUA, na Alemanha, na França, na Itália os detentores do poder proclamam que a democracia política atingiu um patamar superior nas sociedades desenvolvidas do Ocidente. Mentem. A censura à moda antiga não existe. Mas foi substituída por um tipo de manipulação das consciências eficaz e perverso. Os factos e as notícias são seleccionados, apresentados, valorizados ou desvalorizados, mutilados e distorcidos, de acordo com as conveniências do grande capital. O objectivo é impedir os cidadãos de compreender os acontecimentos de que são testemunhas e o seu significado.»
        Viva o “políticamente correcto”! Que interessam os factos?! O problema não é esse… o problema é que os do PCP escrevem de uma forma não políticamente correcta!
        Ocidente a lavar cérebros de uma forma muito “asseada”!

      • Continuo a partilhar a opinião do Clavis!

        Linguagem velha e caduca! Totalmente obsoleta.
        Parece que estou a ler um discurso do regime norte coreano ou cubano…
        Mas não! É mesmo em Portugal no século XXI.

        E o mais grave é que desde o inicio do conflito não consigo defender ou apoiar a 100% nenhuma das facções…
        Ditadores socialistas ao estilo dos anos 70 ou extremistas islâmicos com cultura do séc. V ou ainda guerras por controlo de petróleo…
        Estou tão indeciso em escolher o meu favorito….

        • Meu caro para linguagem nova e reluzente vinda de todo o tipo de “especialistas” crediveis e aprovados pelo sistema só tem que ligar a tv 🙂 não falta escolha para todas as estéticas, o discurso é que tende para o repetitivo…

          Curioso… eu penso que estou em Manila cada vez que olho pela janela e vejo a pobreza e miséria a crescer. Mas não. É mesmo Portugal no século XXI.

        • fada do bosque

          Penso que aqui não há favoritismo, muito menos apoio a 100% de qualquer das facções… mas sim uma questão de bom senso.

    • Pois. Pelos vistos houve mais gente a ler este monumento.
      Felizmente, ha gente mais inteligente no pcp, que o editor do avante, ja que esta posicao (oficial?) Do pcp nao tem tido praticamente nenhum eco.

  6. jonh Doe

    Doravante mesmo os cegos podem ver e compreender o que está a acontecer na Líbia:

    1. O que se passa é uma guerra promovida e desencadeada pela OTAN. Esta verdade acaba por se revelar até mesmo nos órgãos de “informação” burgueses. No La Stampa de 25 de Agosto, Lucia Annunziata escreve: é uma guerra “inteiramente externa, ou seja, feita pelas forças da OTAN”; foi “o sistema ocidental que promoveu a guerra contra Kadafi”. Uma peça doInternational Herald Tribune de 24 de Agosto mostra-nos “rebeldes” que se regozijam, mas eles estão comodamente instalados num avião que traz o emblema da OTAN.

    2. Trata-se de uma guerra preparada desde há muito tempo. O Sunday Mirror de 20 de Março revelou que “três semanas” antes da resolução da ONU já estavam em ação na Líbia “centenas” de soldados britânicos, enquadrados num dos corpos militares mais refinados e mais temidos do mundo (SAS). Revelações ou admissões análogas podem ser lidas no International Herald Tribune de 31 de Março, a propósito da presença de “pequenos grupos da CIA” e de uma “ampla força ocidental a actuar na sombra”, sempre “antes do desencadeamento das hostilidades a 19 de Março”.

    3. Esta guerra nada tem a ver com a protecção dos direitos humanos. No artigo já citado, Lucia Annunziata observa com angústia: “A OTAN que alcançou a vitória não é a mesma entidade que lançou a guerra”. Nesse intervalo de tempo, o Ocidente enfraqueceu-se gravemente com a crise económica; conseguirá ele manter o controle de um continente que, cada vez mais frequentemente, percebe o apelo das “nações não ocidentais” e em particular da China? Igualmente, este mesmo diário que apresenta o artigo de Annunziata, La Stampa,em 26 de Agosto publica uma manchete a toda a largura da página: “Nova Líbia, desafio Itália-França”. Para aqueles que ainda não tivessem compreendido de que tipo de desafio se trata, o editorial de Paolo Paroni (Duelo finalmente de negócios) esclarece: depois do início da operação bélica, caracterizada pelo frenético ativismo de Sarkozy, “compreendeu-se subitamente que a guerra contra o coronel ia transformar-se num conflito de outro tipo: guerra económica, com um novo adversário: a Itália obviamente”.

    4. Desejada por motivos abjectos, a guerra é conduzida de modo criminoso. Limito-me apenas a alguns pormenores tomados de um diário acima de qualquer suspeita. O International Herald Tribune de 26 de Agosto, num artigo de K. Fahim e R. Gladstone, relata: “Num acampamento no centro de Tripoli foram encontrados os corpos crivados de balas de mais de 30 combatente pró Kadafi. Pelo menos dois deles estavam atados com algemas de plástico e isto permite pensar que sofreram uma execução. Dentre estes mortos, cinco foram encontrados num hospital de campo; um estava numa ambulância, estendido numa maca e amarrado por um cinturão e tendo ainda uma transfusão intravenosa no braço”.

    5. Bárbara como todas as guerras coloniais, a guerra actual contra a Líbia demonstra como o imperialismo se torna cada vez mais bárbaro. No passado, foram inumeráveis as tentativas da CIA de assassinar Fidel Castro, mas estas tentativas eram efectuadas em segredo, com um sentimento de que se não é por vergonha é pelo menos de temer possíveis reacções da opinião pública internacional. Hoje, em contrapartida, assassinar Kadafi ou outros chefes de Estado não apreciados no Ocidente é um direito abertamente proclamado. O Corriere della Sera de 26 de Agosto de 2011 titula triunfalmente: “Caça a Kadafi e seus filhos, casa por casa”. Enquanto escrevo, os Tornado britânicos, aproveitando também a colaboração e informações fornecidas pela França, são utilizados para bombardear Syrte e exterminar toda a família de Kadafi.

    6. Não menos bárbara que a guerra foi a campanha de desinformação. Sem o menor sentimento de pudor, a OTAN martelou sistematicamente a mentira segundo a qual suas operações guerreiras não visavam senão a protecção dos civis! E a imprensa, a “livre” imprensa ocidental? Ela, em certo momento, publicou com ostentação a “notícia” segundo a qual Kadafi enchia seus soldados de viagra de modo a que eles pudessem mais facilmente cometer violações em massa. Como esta “notícia” caiu rapidamente no ridículo, surge então uma outra “nova” segundo a qual os soldados líbios atiram sobre as crianças. Nenhuma prova é fornecida, não se encontra nenhuma referência a datas e lugares determinados, nenhuma remessa a tal ou tal fonte: o importante é criminalizar o inimigo a liquidar.

    7. Mussolini no seu tempo apresentava a agressão fascista contra a Etiópia como uma campanha para libertar este país da chaga da escravidão; hoje a OTAN apresenta a sua agressão contra a Líbia como uma campanha para a difusão da democracia. No seu tempo Mussolini não cessava de trovejar contra o imperador etíope Hailé Sélassié chamando-o “Negus dos negreiros”; hoje a OTAN exprime seu desprezo por Kadafi chamando-o “ditador”. Assim como a natureza belicista do imperialismo não muda, também as suas técnicas de manipulação revelam elementos significativos de continuidade. Para clarificar quem hoje realmente exerce a ditadura a nível planetário, ao invés de citar Marx ou Lénine quero citar Emmanuel Kant. Num texto de 1798 (O conflito das faculdades), ele escreve: “O que é um monarca absoluto? Aquele que, quando comanda: ‘a guerra deve fazer-se’, a guerra seguia-se efectivamente”. Argumentando deste modo, Kant tomava como alvo em particular a Inglaterra do seu tempo, sem se deixar enganar pela forma “liberal” daquele país. É uma lição de que devemos tirar proveito: os “monarcas absolutos” da nossa época, os tiranos e ditadores planetários da nossa época têm assento em Washington, em Bruxelas e nas mais importantes capitais ocidentais.

    27/Agosto/2011

    O original encontra-se em http://domenicolosurdo.blogspot.com/ ;

  7. Luiz Ely Silveira

    Tenho na memória uma frase de meu avô, que era militar, dizendo mais ou menos isso: “A insônia de todo ditador é o armamento civil”. Falo isso a propósito dos insurgentes líbios que conseguiram derrubar o ditador Kadaffi, mas com a preocupação de que, aqui no Brasil, o governo quer desarmar a população. Num absurdo de quem é incapaz de combater o crime organizado, preocupa-se com o cidadão de bem, desorganizado mesmo na hora de um eventual mau uso da sua arma. Que país é este, que querem seus governantes?

    • Bem, quanto ‘as armas nas maos dos populares, sou o mais contra possivel. Cada arma nas suas maos acaba facilmente nas maos da criminalidade. O ideal era nao haver armas, mas em Portugal diz-se que existem 3 milhoes de armas, num pais de posse de arma proibida!

    • Licas

      Ditador é aquele que detendo o poder absoluto
      despreza completamente as exigências da moral.:
      O seu alvo é a perpetuação no comando e a sua
      praxis consiste em eliminar toda a oposição pelo terror
      nem que para isso chegue ao assassínio.

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