Daily Archives: 2011/09/10

Vítor Bento sobre a subavaliação da moeda chinesa e o movimento deflacionário nas manufaturas

Vítor Bento (www.jornalimpresso.com)

Vítor Bento (www.jornalimpresso.com)

“Em termos económicos e como fator típico da alimentação de crises financeiras, certos países, como a China, mantiveram as suas moedas subavaliadas, acumulando com isso vastas reservas cambiais que ajudaram a inundar os mercados de liquidez e a fomentar o enchimento da bolha.”

> Um dos múltiplos dumpings que a China lançou sobre o mundo por forma a se tornar na “fábrica de mundo” e no maior sorvedouro de Emprego da História foi o dumping monetário: aproveitando a visão estreita dos puritanos do monetarismo no poder no Bundesbank (leia-se BCE) e a sua obsessão por moedas caras, a China durante 30 anos manteve o seu Yuan em valores de câmbio artificialmente baixos, enfrentando apenas o mutismo babaca europeu e a oposição pífia dos EUA. Isto tem que acabar. Abrindo uma guerra cambial, frontal e corajosa, se necessário.

“Mas, além disso e no que constitui um factor muito específico desta crise, um despercebido movimento deflacionário nas manufaturas – resultante do abaixamento dos custos de produção aportado pela entrada das economias emergentes no mercado global – ajudou a conter as pressões inflacionarias criadas pelo excesso de liquidez na economia mundial”.

> Em 2008, o grande problema da economia mundial era já precisamente esse: o excesso de liquidez. Os grandes investidores não sabiam onde aplicar o seu dinheiro e a crise que surgiu em 2008 e que se prolongou até hoje. O problema do excesso de liquidez explica a extrema volatilidade e nervosismo dos Mercados que num único dia transacionam todo o PIB anual da Alemanha… Os valores transacionados são simplesmente extraordinários, completamente desregulados (mesmo depois do ineficaz e oco pacote regulatório de Obama) e ocorrem quase sempre a partir de uma das entidades mais malfazejas para a economia real: o offshore, que devia ter sido já há muito banido pelos países do G20.
Fonte:
Economia, Moral e Política
Vítor Bento

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Sobre o grande problema da Economia Portuguesa: a Baixa Produtividade

“Entre 1974 e a atualidade, a produtividade portuguesa apenas se aproximou dos países mais ricos 5% (metade da aproximação do PIB per capita) e que a mini-idade do ouro de 1986 a 1992 pouco de notável tem a este respeito”.
(…)
“No futuro, nem as disponibilidades de financiamento externo nem a reserva de mão-de-obra voltarão a estar disponíveis da mesma forma. Torna-se assim claro o grande problema da economia portuguesa: a produtividade a longo prazo”.

Economia Portuguesa, As Últimas Décadas
Luciano Amaral

Com efeito, a dívida externa, o anémico crescimento do PIB (uma média anual de 1.5% desde 1974) são apenas reflexo deste problema: a baixa produtividade. As suas causas são múltiplas e complexas. Passam pela existência de elevados custos de contexto (preços da energia e das comunicações superiores às médias comunitárias), por um sistema judicial lento e inepto, por uma baixa qualidade média dos nossos gestores e pelos custos que decorrem da posição periférica do nosso país. Mas sobretudo, esta baixa produtividade resulta da má qualidade geral do nosso sistema de ensino e dos maus resultados de um esforço intenso (7% do PIB, o dobro da média dos países desenvolvidos). Com efeito, o Nó Górdio do nosso desenvolvimento é aqui que tem que ser desatado em primeiro lugar. Os restantes problemas de contexto que aqui enumerei, são importantes. Mas importa reformar profundamente o sistema de ensino, introduzindo a meritocracia, racionalizando os cursos e suprimindo aqueles que não são úteis nem correspondem a vida profissionais bem sucedidas. Não importa gastar mais na Educação, importa gastar menos e melhor. E isso só se pode fazer premiando os melhores (professores e alunos) e incentivando todos os demais, pela via dupla da exigência e do prémio ao mérito.

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O Governo vai mudar a estrutura de formação de preços dos medicamentos

Brevemente, o Governo vai apresentar uma importante alteração nos mecanismos de formação dos preços dos medicamentos que os colocarão mais próximos dos praticados em países com um PIB semelhante ao nosso (como a Hungria): a Lei que estabelece atualmente o preço do medicamento a partir da média de preços em Espanha, Itália, França e Grécia vai ser alterada por forma a substituir estes países por uma lista mais semelhante aos nossos padrões de riqueza e desenvolvimento: Hungria, Croácia, Eslovénia, Malta e Chipre.

Obviamente, o poderoso Lobby das farmacêuticos está a fazer todo o trabalho de bastidores que está ao seu alcance para bloquear esta alteração que irá poupar aos contribuintes e doentes largos milhões de euros. Veremos em breve quem tem mais força: se o Lobby se a troika que tinha sugerido a alteração desse mecanismo de cálculo. Como o peso da Troika é muito grande, o Lobby concentra-se na alteração da lista de países por uma que seja menos favorável que a anterior, mas não tanto como aquela que o Governo ambiciona selecionar.

Esperemos então pelo desenlace destas negociações e pressões mais ou menos subterrâneas e que o novo ministro da Saúde, Paulo Macedo consiga demonstrar na Saúde o mesmo desempenho que demonstrou no seu consulado à frente dos Impostos… a bem de todos nós, neste caso!

Fonte:
http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=27737

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Tiago Pitta e Cunha: “Portugal duplicou praticamente em dez anos o número de doutorados e mestrados nas ciências do mar”

Tiago Pitta e Cunha (radix.cultalg.pt)

Tiago Pitta e Cunha (radix.cultalg.pt)

“Portugal duplicou praticamente em dez anos o número de doutorados e mestrados nas ciências do mar e, conseguindo catapultar-se para um lugar cimeiro a nível mundial na produção de artigos científicos referentes ao mar. Esta massa crítica, (…) não foi contudo suficiente até hoje para que o país conseguisse, verdadeiramente, gerar a partir do mar valor económico significativo.”

Portugal e o Mar
Tiago Pitta e Cunha

A massa cinzenta existe. Ou melhor: existe a que resta, aquela que ainda não emigrou, há portanto “ouro negro mental” suficiente para alavancar uma indústria científica ligada às atividades marítimas. Cumpre-se assim uma das quatro condições essenciais para erguer uma Economia do Mar:
1. Massa cinzenta

Faltam as restantes três:
2. Espírito empreendedor
3. Projetos estratégicos
4. Ninhos de Empresas

2. Espírito Empreendedor
A sociedade portuguesa tem um dos índices de empreendedorismo mais baixos do mundo ocidental. As razoes são de várias ordem, e passam por uma economia demasiado dominada pelo Estado (que controla mais de 60% da economia e que cativa os melhores quadros), por um setor bancário demasiado focado no crédito imobiliário e ao consumo e por razões culturais muito antigas (que recusam à inquisição). Não é fácil inverter esta tendência. Sendo cultural, é estrutural e portanto, muda apenas muito lentamente… Resta apenas manter o esforço na Ciência e na Investigação Científica (um dos legados positivos do socretismo) e concentrar os recursos do Estado nas restantes duas condições:
3. Projetos estratégicos
4. Ninhos de Empresas

3. Projetos estratégicos:
O Estado deve dar instruções às instituições universitárias públicas para que desenvolvam estudos de viabilidade económica sobre projetos de exploração do Mar, escolhendo entre:
Aquacultura Inshore
Aquacultura Offshore
Aerogeradores flutuantes Offshore
Parque fixos de aerogeradores Offshore
Energia das Ondas
Construção naval de navios mercantes
Construção naval de navios militares
Construção naval de navios de recreio
Construção naval de grandes plataformas de transshipping
Desenvolvimento dos portos nacionais, com ligação de Sines à rede europeia de Alta Velocidade de mercadorias
Investigação dos leitos marinhos com vista à exploração dos recursos minerais
Desenvolvimento do setor das pescas

As universidades devem assim escolher entre estes (e outros) projetos aqueles que são mais prioritários para o país, do ponto de vista do desenvolvimento do setor do Turismo, da redução da dependência das importações em alimentos e energia.

4. Ninhos de Empresas
Uma vez estabelecidas as prioridades estratégicas para o setor do Mar, o Governo deve criar o ambiente propício a que surjam investidores e empreendedores privados capazes de criar novas empresas e desenvolver as já existentes explorando as oportunidades estratégicas de negócio identificadas pelos estudos de viabilidade produzidos pelas universidades. O meio universitário, pode ser, aliás, o meio mais adequado a que se criem “ninhos de empresas” onde projetos de alunos e professores possam ter continuidade, beneficiando de preços baixos de escritório, armazenagem e laboratórios comuns e de fundos provenientes de um “fundo de desenvolvimento do Mar” com capitais públicos e privados.

Tiago Pitta e Cunha

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Do impacto (profundamente negativo) da adoção do Euro em Portugal. E da solução para este problema.

“Desde 2002, as contas públicas começaram a apresentar saldos negativos inaceitáveis no contexto da UEM. (…) Ao assentar numa expansão interna que a economia não conseguiu pagar colocando os seus produtos no mercado internacional. Este quadro parece resultante de um problema estrutural grave, para o qual não se vislumbra solução fácil: a adoção de uma moeda demasiado forte (o euro) para o nível de produtividade da economia.”

Economia Portuguesa, As Últimas Décadas
Luciano Amaral

O próprio diagnóstico do problema contêm a sua solução, desde que seja lido com coragem e frontalidade: o maior desequilíbrio induzido nos últimos anos na economia portuguesa foi a adoção do Euro. Assim, e na impossibilidade de ajustar rapidamente os níveis de Produtividade ao uso de uma Moeda Forte, resta assim logicamente, abandonar esta Moeda, e após ter passado o turbilhão que seria criado por essa saída, encetar a aplicação de um plano de correção desses níveis de Produtividade, realista e passível de obter resultados (uma vez fora do Euro).

É irrealista acreditar que após uma sucessão de planos recessivos, de contenção quase cega da despesa pública e de emagrecimento do Estado Social matizados por um aumento contínuo de Impostos, é possível mobilizar recursos para atacar o problema central da nossa Economia que é o da baixa produtividade do Trabalho. Precisa-se de mais Formação e melhor Educação, de mais eficácia na despesa com Educação, já que os atuais 7% do PIB são superiores ao nível de despesa no setor de muitos países desenvolvidos. Precisa-se de mais cuidado na seleção de professores e de um modelo de avaliação funcional e adequado que premeie os melhores e que termine com as “promoções automáticas” que garantem no final da carreira regalias desligadas do mérito. Precisamos de reduzir o Estado, por forma a salvar o Estado-Providência, adaptando o seu nível de Despesa ao crescimento do PIB mas precisamos ainda mais de reencontrar uma moeda – soberana e independente – que seja adequada aos padrões de desenvolvimento reais da nossa economia. E essa moeda não é, decididamente, o Euro.

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Tiago Pitta e Cunha: “Portugal está cada vez mais ligado economicamente ao mundo lusófono do Atlântico Sul, nomeadamente a Angola e ao Brasil”

Tiago Pitta e Cunha (http://radix.cultalg.pt/)

Tiago Pitta e Cunha (radix.cultalg.pt/)

“A marcada geografia marítima de Portugal. Ela foi fundamental na história política do passado, quando foi necessário encontrar vias de acesso aos mercados, às matérias-primas e até à própria comunidade internacional, barrados que estávamos pela Espanha no interior da Península Ibérica. Ela será fundamental igualmente no futuro, porque o nosso acesso rodoviário à Europa será cada vez mais restringido e condicionado e porque Portugal está cada vez mais ligado economicamente ao mundo lusófono do Atlântico Sul, nomeadamente a Angola e ao Brasil”.

Portugal e o Mar
Tiago Pitta e Cunha

Desde 1986 que a prioridade económica para Portugal tem sido a ligação à Europa. Foi em nome dessa prioridade que o país cumpriu boçalmente os ditames europeus que nos mandavam desindustrializar, reduzir a agricultura e as pescas (a troco de subsídios “desinteressados”) e tornar o país num gigantesco “ressort” de férias para os reformados e turistas do norte da Europa.

O essencial dos fundos europeus serviram assim para pagar ligações rodoviárias a Espanha e à Europa do norte que embarateceram os produtos importados destes países, contribuindo assim para a destruição da nossa independência agrícola, pesqueira e industrial. Tendo vivido durante a maioria da sua existência, de costas para a Europa, o país virou assim brutalmente de eixo, e virou as costas ao Mar e à lusofonia que estava para além dele e que, subitamente, passou a ser percepcionada como “coisa do passado” e ligada ao “antigo regime”, que urgia assim esquecer em nome da modernidade de uns novos tempos que se queriam, apenas, europeus.

Virando as costas ao Mar e à Lusofonia, Portugal empobreceu. Mas agora que a europa oscila entre a dissolução provocada pela inépcia, falta de capacidade e subordinação acéfala aos interesses da Banca dos seus líderes, a Europa hesita entre dois extremos: ou a dissolução (começando pelo fim do Euro) ou o federalismo. Este federalismo representa uma perigosa “fuga para a frente”, como se “mais europa” pudesse resolver os problemas de uma europa egoísta, ademocrática e sem rumo. Federar a europa, sem democracia, deixando o seu rumo nas mãos dos arrogantes “senhores do norte” e criando – numa fase inicial – um “ministério das Finanças europeu” ou um “governo económico” europeu corresponderia a dar um golpe fatal, não legitimado democraticamente nas soberanias, tornando os países mais pequenos ou periféricos em “colónias” ou “protetorados” dos Grandes. Perder a independência não pode ser solução para crise nenhuma. E, mesmo se for, não será certamente uma solução aceite pela maioria dos povos, por muito que os eternos “vendilhões do templo” da indústria mediática (sempre tão servis para com os grandes interesses económicos) queiram vender o federalismo como a “única solução possível” para as dificuldades que atravessa presentemente a Europa.

Categories: Economia, Lusofonia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | 23 comentários

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