Luciano Amaral: “Portugal continua a ser um país com baixa acumulação de capital por comparação com os mais desenvolvidos”

“Portugal continua a ser um país com baixa acumulação de capital por comparação com os mais desenvolvidos; se há relação que a teoria económica conseguiu estabelecer com clareza até hoje é aquela entre intensidade de capital e crescimento económico. A outra: para além de ser baixo, o stock de capital português é usado com pouca eficiência. A razão para isso deverá residir num enviesamento dos incentivos ao investimento favorável ao setor não-transaccionável, cuja produtividade é baixa, não permitindo ao mesmo tempo aumentar suficientemente a produtividade do setor transaccionável. A solução para este problema não é fácil, uma vez que grande parte desses incentivos resulta de objetivos políticos que fazem parte do código genético da democracia portuguesa: a participação na UE, a participação na UEM e a construção do Estado-Providência. É de crer que, no futuro, se quiser conciliar o Estado-Providência com o crescimento económico, Portugal tenha de vir a fazer escolhas difíceis”.

Economia Portuguesa, As Últimas Décadas
Luciano Amaral

Fala-se e escreve muito sobre a “baixa produtividade” do trabalhador português. Já não se fala tanto porque é que este trabalhador é exemplar no estrangeiro e tão pouco produtivo intra-muros. Luciano Amaral esclarece aqui essa questão: Portugal padece de uma baixa intensidade de capital. E não somente: também emprega mal aquele capital que consegue reunir.

Desde 1986 o país recebeu quantidades extraordinárias de “fundos de coesão”. Mas malbaratou-os. Especialmente, durante a década de 90 (o Cavaquismo) o país recebeu por dia uma quantia que se dizia ser superior ao período mais próspero dos diamantes do Brasil e da pimenta da Índia. Para onde foi todo esse dinheiro? Para a compra de uma das maiores frotas de Ferraris do mundo (no Vale do Ave), para auto-estradas, para obras de regime e para subsídios que financiaram a destruição do nosso setor produtivo. Todo esse capital foi assim, desperdiçado. Consumiu-se em infra-estruturas e luxo o que devia ser gasto em novas empresas e na renovação das já existentes.

Depois dessa década perdida (mas onde apesar de tudo o país registou um crescimento superior à média de 2.5% desde 1974), Portugal aderiu à UEM (União Económica e Monetária) nos finais dessa década. A política de câmbios altos provocou um autêntico vendaval entre o setor produtivo nacional, que encerrou em massa… Isto levou a que quem possuía capital recuasse do setor produtivo e o transferisse para setores não-produtivos, como a distribuição e a especulação bolsista. Datam desta época a fundação dos grandes impérios do retalho que tanto emprego têm destruído no setor do comércio familiar e que estrangulam até à morte os preços da agricultura nacional. Datam também daqui os processos turvos de concessão da Galp ao grupo Amorim…

Categories: Economia, Política Nacional, Portugal | Deixe um comentário

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