Daily Archives: 2011/09/01

Tiago Pitta e Cunha: “A realidade da geografia foi substituída pelo movimento político de adesão à Europa”

Tiago Pitta e Cunha (http://convention.biomarine.org)

Tiago Pitta e Cunha

“A realidade da geografia foi substituída pelo movimento político de adesão à Europa. A opção de vinculação política à Europa foi tomada com o alívio, quase euforia, de quem deixa para trás centenas de anos de isolamento e solidão.
Todavia, a sensação de alívio que se sentiu com a decisão de substituir o mar pela Europa, que foi uma decisão de rutura com pelo menos 500 anos de História de Portugal,  tem vindo nos últimos anos a esmorecer. Com efeito, essa decisão, que foi então encarada como uma decisão altamente libertadora e progressista, dado o corte que fazia com o passado, começa hoje, no que respeita ao abandono do mar, a ser vista como uma desvantagem.”

Portugal e o Mar
Tiago Pitta e Cunha

Esta “viragem de costas” para o Mar foi em 1986 uma afirmação do europeísmo do país e uma negação radical não somente do passado recente que a sociedade de então deixava para trás no projeto identitário do Antigo Regime que era o do “império”, mas também do Mar que lhe servia de Ponte. Em consequência desta viragem estratégica usámos o essencial dos fundos europeus em vias de comunicação que nos permitissem reduzir a nossa condição periférica em relação ao centro europeu. Em consequência também desse novo desígnio nacional, deixámos que a Europa pagasse (“subsidiasse”) a destruição da nossa frota de pesca e que as nossas águas fossem devoradas pela segunda maior frota pesqueira do mundo: a de Espanha.

Mas Portugal está agora confrontado com um projeto europeu esgotado e descredibilizado. Perante a emergência da crise financeira dos “países periféricos”, os europeus do norte optaram por medidas punitivas esquecendo que durante décadas a UE e o BCE foram cúmplices de sobre-endividamentos tolerados a favor do aumento das exportações dos países do norte, do aumento dos lucros dos grandes bancos franceses e alemães e da desindustrialização e abandono dos campos dos países do sul a favor da agricultura industrial do centro e norte europeu.

A crise da Europa é evidente e – tudo o indica – fatal a curto prazo. Portugal tem assim que refletir sobre a sua condição europeia e reavaliar estratégias. Sem a Europa o país tem que inevitavelmente contemplar uma de três hipóteses: o Iberismo, o Isolacionismo ou a Lusofonia.

A opção iberista passa pela integração de todas as nações da Península Ibérica numa única entidade política. A tradição – visível hoje em “Espanha” – é que todas as “uniões ibéricas” passadas sejam dominadas pelo eixo Madrid/Castela, que procura absorver a identidade nacional e linguística das nacionalidades ibéricas.

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Categories: Economia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | 8 comentários

Os piratas somalis estão a mudar as suas táticas…

Os piratas somalis têm conhecido no último ano serias dificuldades para levarem a bom porto (literalmente…) as suas operações devido à intensificação das operações das marinhas presentes nos seus mares. Uma das suas respostas foi levaram as suas operações para ainda mais longe, para perto da Índia e, para sul, quase até Moçambique (onde deveriam ter esperando-os navios portugueses ou brasileiros). Mas recentemente, estão a usar outra estratégia: à semelhança dos alemães em 1942 estão a reunir-se em grandes grupos e a realizarem assim as suas ações de pirataria.

Este comportamento já foi observado pelo menos duas vezes. Na última (ao largo da costa eritreia) uma frota de sete embarcações aproximaram-se primeiro de um cargueiro, dois, depois separaram-se do grupo principal, tendo cada um entre 3 a 5 piratas armados, aproximando-se do cargueiro a alta velocidade. O cargueiro conseguiu aumentar a velocidade enquanto a tripulação (com excepção do pessoal da ponte) se juntava numa “sala segura”. Na ocasião, a rapidez da reação permitiu evitar a captura do navio. No primeiro ataque, também junto à Eritreia doze embarcações com 5 a 8 piratas cada  aproximou-se de um cargueiro. A tripulação respondeu lançando foguetes de sinalização, o que não dissuadiu os piratas, que só largaram a presa quando os seguranças do navio dispararam munições reais de aviso. Nao sem que disparassem também e seguissem o navio ainda durante algumas milhas.

A nova tática é potencialmente muito perigosa e está a ser usada – aparentemente – por um grupo de piratas ativo no mar da Eritreia. Outra mudança de atitude foi registada com ataques a navios em condições de mar difícil, o que também é uma novidade com a pirataria somali e pode indicar um aumento da sua atividade durante os próximos meses…

Segundo uma ONG internacional em meados de agosto os piratas somalis tinham sob o seu jugo 18 navios e 355 reféns aguardando resgate já que… salvamentos, esses têm havido poucos.

Fonte:
http://www.defpro.com/news/details/27057/

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Sobre o recente falhanço de um cargueiro russo Progress

Cargueiro Progress (http://astroprofspage.com)

Cargueiro Progress (http://astroprofspage.com)

A perda recente de um cargueiro russo Progress, carregado com 3 toneladas de comida, combustível e águas para a Estação Espacial Internacional (ISS) deixou a estação e os seus astronautas numa situação preocupante.

A Progress terá sofrido uma falha no estádio superior do foguetão Soyuz, o mesmo lançador das cápsulas tripuladas Soyuz do qual agora – depois do último voo do Space Shuttle – depende a ISS para renovar as suas tripulações.

A ISS pode viver durante alguns meses sem os abastecimentos que se perderam na reentrada da Progress nos céus da Sibéria, especialmente porque o último Space Shuttle deixou na Estação abastecimentos suficientes para um ano. Mas, mesmo assim, sem estes abastecimentos é seguro que será preciso adiar o envio previsto de uma nova tripulação a 22 de setembro. Curiosamente, a falha desta Progress é a primeira desde que em 1998 começaram os voos de abastecimento para a ISS.

De qualquer modo, a Europa e o Japão também estão a enviar cargueiros para a ISS, mas a um ritmo sempre inferior aos russos e as empresas norte-americanas SpaceX e Orbital Sciences ainda nao estão prontas. Ou seja, sem as Progress a ISS fica em dificuldades, logo há que terminar rapidamente as investigações em curso e corrigir os problemas que levaram a que a Rússia – outrora tão fiável – registasse dois falhanços seguidos, um com um Proton o outro com uma Progress. Se nada for feito e feito de uma forma eficiente, o próximo falhanço pode ser com uma Soyuz tripulada, deixando os astronautas na ISS sem outra opção além de regressarem de urgência à Terra na Soyuz que têm sempre atracada como “saída de emergência”.

Fonte:
http://news.discovery.com/space/rocket-glitch-doomed-space-station-cargo-ship-110824.html#mkcpgn=rssnws1

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tQuids S1: Múmias Loucas, Tardi

Múmias Loucas (http://images.portoeditora.pt)

1. Como se chama o assassino contratado com uma obsessão por gatos?
2. Adéle Blanc-Sec recebe uma oferta de um bilhete – na qualidade de passageiro convidado – enviado por
3. A entrada para o subterrâneo onde reuniam as seitas coligadas de Pazuzu e dos adoradores de Satanás ficava no

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Da necessária Refundação de Portugal

“(Na segunda intervenção, entre 1983 e 1984 houve) êxito em termos de equilíbrio externo. Ao contrário do programa anterior, no entanto, o efeito na atividade económica e no desemprego foi muito pesado. O crescimento do PIB foi negativo em 1983 e 1984, a inflação atingiu cerca de 30% e o desemprego chegou a 8.5%. No meio das perturbações, o problema orçamental continuou por resolver, subindo aliás a valores recorde nestes anos: próximo de 10% do PIB em 1984.”

Economia Portuguesa, As Últimas Décadas
Luciano Amaral

Este é o elemento principal da História das intervenções passadas do FMI que importa reter: nenhuma conseguiu corrigir os nossos desequilíbrios. Os seus efeitos foram sempre transititivos e nunca resolveram de forma definitiva ou duradoura os dois grandes estrangulamentos da nossa economia:
a baixa produtividade do Capital
a baixa intensidade do Capital

Reduzindo drasticamente o poder de compra dos portugueses é possível, novamente, corrigir o desequilíbrio da balança de pagamentos. Reduzindo a amplitude do Estado Social e aumentando a extensão (já enorme) da cobrança de impostos, é possível equilibrar despesas com receitas no OGE. Mas os dois fenómenos responderão sempre e apenas a questões de curto prazo, superficiais e provisórias.

Há que definir um autêntico “Plano Marshall” para a Economia portuguesa, que injete na nossa economia primária (e não mais na “formação profissional” e nas infra-estruturas) Capital. Este Capital tem que ser proveniente de fontes externas e ser emprestado ou a fundo perdido ou a juros muito baixos e tem que ser aplicado nos setores primários, em novas indústrias, na produção de energia, no desenvolvimento da exploração do mar e na recuperação de todos os terrenos agrícolas que abandonámos nas últimas décadas.

Portugal tem que receber um surto intenso e comprimido no tempo de Capital ou não conseguirá jamais entrar no dito “clube das nações desenvolvidas” da Europa. A aposta nas auto-estradas, nos Bancos e Seguradoras e no Turismo falhou rotundamente. Importa des-tercializar a nossa economia e re-localizar a produção e isso, a curto prazo, só pode ser feito pela injeção massiva de Capital.

Resta agora saber qual será a origem deste Capital… Os EUA não têm hoje nem a motivação nem os recursos nem o interesse em tal. A Europa está “queimada” porque durante décadas recebemos milhões e milhões de euros mas fizeram-nos gastá-los nos setores não-transaccionáveis e em importações. Não resta muitas outras fontes possíveis: o FMI empresta, mas cobra juros elevados e reserva as suas intervenções para emergências pontuais e além do mais exige sempre o cumprimento de um denso caderno de encargos que passa sempre pela austeridade e raramente pelo investimento. Restam… os países da Lusofonia? Duvidoso… o mais “rico” de todos é o Brasil, mas esta nação tem ainda demasiados problemas com pobreza, desenvolvimento e educação para estar disponível a financiar um “plano Marshall português”. O mesmo se pode dizer de Angola e de Timor, que apesar das suas presentes disponibilidades atuais em Capital têm prioridades sociais ainda mais urgentes a resolver.

Não ocorrem assim soluções simples para o problema português.  Só radicais… E estas têm que passar necessariamente pela sua refundação. Segundo as opções propostas pelo MIL, acreditamos nós.

Categories: Economia, Lusofonia, Política Nacional, Portugal | 44 comentários

Os problemas de juventude do satélite sino-brasileiro Cbers-3

O Brasil prepara-se para lançar em novembro do ano que vem o satélite Cbers-3. O lançamento terá lugar com um atraso de 5 anos.

O satélite será o quarto (o anterior era o Cbers 2-B) de uma série que começou em 1988 com Cbers 1. Estes satélites sino-brasileiros de observação dos recursos terrestres foram lançados dentro do ritmo previsto até 2007, mas a partir de então o Brasil deixou de conseguir cumprir os prazos de entrega dos equipamentos, atrasos que resultaram da dificuldade que a indústria brasileira tem em desenvolver os equipamentos que no acordo bilateral se previam serem fabricados no Brasil. O problema agravou-se no Cbers-3 porque enquanto que nos anteriores a incorporação de componentes brasileiros era de 30%, neste será de 50%…

O atraso será resolvido pela contratação pelo Inpe (“Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais”) de 60 novos especialistas que serão enviados para a China, durante um ano, por forma a adquirem aqui o know-how que falta à indústria espacial brasileira e que esteve por detrás deste atraso de cinco anos.

Fonte:
http://info.abril.com.br/noticias/ti/pais-lancara-satelite-brasil-china-em-2012-23082011-24.shl

Categories: Brasil, China, Ciência e Tecnologia, SpaceNewsPt | 2 comentários

Tiago Pitta e Cunha: “Com a adesão de Portugal à CEE assistiu-se a um mudar de agulha, com a África a passar para um lugar secundário e a dar o lugar cimeiro do nosso posicionamento geopolítico ao continente europeu”

Tiago Pitta e Cunha (http://radix.cultalg.pt)

Tiago Pitta e Cunha (radix.cultalg.pt)

“Com a adesão de Portugal à CEE assistiu-se a um mudar de agulha, com a África a passar para um lugar secundário e a dar o lugar cimeiro do nosso posicionamento geopolítico ao continente europeu. Tudo se alterou: se antes virávamos as costas à Europa, e em particular à Espanha, passámos depois a virar as costas ao mar.”
Portugal e o Mar
Tiago Pitta e Cunha

Agora que o projeto europeu está esgotado e os “líderes” (palavra exagerada) europeus se preocupam em diferenciarem-se uns dos outros e, sobretudo, dos países do sul da europa, Portugal tem que encontrar um novo pólo estratégico. A Europa não pode continuar a ser a “alternativa única” para o nosso desenvolvimento. Se insistirmos em nos mantermos agarrados a um navio que se afunda acabaremos por ir ao fundo, junto a ele. Importa assim procurar e seguir já, imediatamente, vias alternativas que assegurem a prazo a nossa sobrevivência num continente europeu que está cada vez mais condenado à cisão e à desunião.

Portugal tem duas grandes opções estratégicas, mas ambas atravessam o Mar Português: ou nos libertamos das grilhetas que a Europa nos impôs e que levaram à destruição da nossa frota de pesca e à entrega submissa dos nossos recursos piscícolas à segunda maior frota mundial (de Espanha) e tomamos o Mar como prioridade económica, diplomática e estratégica nacional para as próximas décadas ou usamos – de novo – o Mar como veículo para a reaproximação com aqueles povos que mantêm connosco até hoje laços muito especiais e com os quais poderemos ainda refundar o nosso país e tornamos a transformação da CPLP numa “União Lusófona” de pleno direito e suprema ambição capaz de mudar radicalmente a vida de todos os cidadãos que compõem hoje a comunidade de fala lusófona no mundo. Na verdade, as duas vias (o Mar e a Lusofonia) não são alternativas, são complementares e uma só se pode realizar com o concurso da segunda, e vice-versa.

Está assim traçada uma estratégia salvadora, polarizado, motivadora, consistente, ambiciosa e de futuro para Portugal. Implementando os princípios do MIL: Movimento Internacional Lusófono. Haverá eco no mundo da Política para a implementar? Se não houver, teremos (todos) que fazer algo quanto a isso…

Categories: Economia, Política Nacional, Portugal | 1 Comentário

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