E o campeão europeu das bancarrotas é…

Perante a perspetiva – cada vez mais certa – de que, a prazo, os EUA serão obrigados ou a reestruturar a sua dívida monstruosa ou a simplesmente declararem bancarrota, a possibilidade de que – numa economia global tão interligada como a nossa – outros países, em efeito dominó, alcancem o mesmo estado é muito elevada.

A bancarrota de países não é uma novidade dos nossos tempos. Na Europa, o campeão europeu das bancarrotas é a Espanha, país que já declarou 18! (sete das quais no século XIX). Portugal já esteve sete vezes nesta situação… Mas o primeiro país europeu a declarar bancarrota, não foi nem nenhum destes países ibéricos, mas… a Inglaterra, em 1340. França, que hoje se considera (a par da Alemanha) a estas dificuldades, declarou bancarrota oito vezes entre 1500 e 1800.

É verdade que a maioria destas bancarrotas europeias ocorreram no contexto de guerras, algo que é especialmente verdadeiro com a Espanha, líder europeu neste “campeonato dos incumpridores”.

A Alemanha, que agora lança conselhos e ordens aos países periféricos do alto da sua incólume torre de cristal também declarou bancarrota seis vezes entre finais do século XVII e o século XX, a última das quais em 1953.

Tal panorama indica que a bancarrota de um Estado Soberano não é o cenário de apocalipse que os banqueiros e alguns economistas a seu soldo querem fazer crer. Um ministro das Finanças francês do século XVIII, Abbe Terray, chegou mesmo a dizer que “os governos deviam entrar em incumprimento uma vez por século para restaurar o equilíbrio”. Nenhuma destas bancarrotas levou ao fim (morte) do Estado que a declarou e desta vez, tal não será diferente, como demonstra de resto, o exemplo argentino, país que declarou bancarrota em 2000 e que hoje tem uma dívida externa mínima e que já regressou aos mercados.

Não há riqueza que chegue no mundo, para que os países altamente endividados consigam para as dívidas monstruosas (e que ainda não pararam de crescer!). As medidas de austeridade, supostamente lançadas para aplacar o “deus mercado” não são resposta, já que levam à recessão, e consequentemente, à diminuição das receitas fiscais. A prazo (curto) a opção só pode passar por uma via: a declaração simultânea de bancarrota por parte dos países em maiores dificuldades (Estados Unidos, Canadá, Portugal, Espanha, Irlanda, Reino Unido, Dinamarca, Bélgica e Itália). A passagem a zero destas dívidas externas (reset) permitira criar condições para recuperar as economias em recessão ou pré-recessão destes países criando condições – libertando recursos para o investimento e apoio social dos juros e do serviço da dívida – para uma recuperação económica sólida e duradoura.

Fonte:
http://economico.sapo.pt/noticias/os-paises-europeus-que-mais-vezes-entraram-em-bancarrota_124158.html

Categories: Economia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | 13 comentários

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13 thoughts on “E o campeão europeu das bancarrotas é…

  1. Duas notas:

    1) A curto-médio prazo isso seria o equivalente à destruição de 90% do comércio internacional e da maior parte dos equilibrios políticos na Ásia. Ah e a uma pobreza Europeia como já não é vista deste a Grande Guerra senão mesmo antes.

    2) Em boa verdade no século XVII não se pode falar de Alemanha… até ao século XIX (a data varia de país para país) até tenho dificuldade quase em falar em Estados como nós os entendemos. As propriedades dinásticas não eram bem estados… e variavam imenso na sua configuração ao longo do tempo.

    • Odin

      Concordo com o Nicolau. É verdade.

    • Esta era do comercio internacional “livre” e desregulado está a aproximar-se do fim: a tremenda divida privada (ainda maior que a publica) assim o ditara: anteve-se um novo periodo de desenvolvimento das economias locais, para mercados locais, e os dias da hiperespecializacao e da China “fabrica do mundo” estao contados… O secar da torneira do credito assim o dita.

      • Por muito que se tenha contra este sistema não devemos ser cegos às consequências humanas que o seu fim poderá trazer…

        • Nao ha nada eterno (mutatis mutandis…) e a ultrapassagem da fase atual do capitalismo global será inevitavelmente violenta. Sabe-se que nestas crises, as sociedades se comportam como os vulcoes: quanto mais tempo passa a tentar-se adiar o pico da crise, mais violenta ‘e a sua resolucao.
          E ‘e isto que fazemos desde 2008! Adiar o inevitavel, com o preço que ai vira!

          • Não quero ser mais profeta da desgraça do que aquilo que tiver que ser. Mais uma vez penso que encara as consequências reais (daquelas em que as ruas explodem e nações se partem e mil pedaços) de um colapso económico em larga escala de forma demasiado certa e demasiado leve. Isso a acontecer seria um desastre para todos e o facto de poder vir a existir uma eventual reconstrução é um fraco consolo para quem passar pelo processo (e ainda menos para os que não saírem do outro lado do túnel por assim dizer…).

            • fada do bosque

              Nem quero pensar no que poderá acontecer se a economia colapsar ao nivel dos EUA e Europa… Não sou capaz de imaginar-me numa situação de caos absoluto… o meu cérebro não consegue sequer visualizar tal situação e considero-me uma pessoa de imaginação fértil… 😦

              • Odin

                Sabe o que eu imagino que possa acontecer se houver a bancarrota global?
                Uma ditadura mundial ou, um conjunto de ditaduras.

                • A divisao do mundo por uma serie de multinacionais… Ha um livro de fc assim, mas nao me lembro do titulo…

                • Há uma série de autores de FC que abordam o tema nas suas obras, assim de momento lembro-me já de dois: Philip K Dick e Richard Morgan.

              • O mundo hoje – fruto da maldita globalizacao – está interligado como nunca antes esteve. Bastaria ate que apenas os eua estivessem em crise financeira para que – se estes fossem à bancarrota – para que todo o mundo fosse impactado! E a China tambem nao está imune, ja que tem uma economia de vocacao fortemente exportadora.

                • fada do bosque

                  Ainda por cima a UE já pediu aos EUA para que façam a regulamentação das armas climáticas e nada!

                  Vejam este filme do Canal História.

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