Daily Archives: 2011/08/27

Paul Krugman: “Portugal, a Grécia e Irlanda estão fundamentalmente insolventes”

Paul Krugman (www.princeton.edu)

Paul Krugman (www.princeton.edu)

Segundo o Prémio Nobel Paul Krugman, alguns países deverão conseguir vencer a crise da dívida soberana. Mas os casos mais extremos, como Portugal, a Grécia e a Irlanda, não. Segundo Krugman estes três países estão “fundamentalmente insolventes” e não têm a prazo outra opção além de realizarem uma “depreciação da dívida”, isto é, uma reestruturação ou declaração de bancarrota parcial ou total.

Paulo Krugman acredita que os dois mais recentes alvos dos especuladores, Espanha e Itália deverão conseguir evitar a bancarrota, mas isso só será possível se os políticos europeus conseguirem lançar medidas credíveis, eficazes e aplicadas em tempo oportuno que consigam “evitar o pânico”, o que a ter conta pelos últimos exemplos parece muito longe de estar assegurado…

O economista acredita que uma das consequências do incumprimento será a saída dos países incumpridores do Euro e estima mesmo que a probabilidade de saída da Grécia como 50%. Para Itália, estima 10%, acrescentando que se um país como Espanha ou Itália se tornar insolvente e for obrigado a abandonar a Moeda Única estaríamos perante um “cenário de pesadelo” de proporções e consequências hoje difíceis de imaginar, mas que teriam impactos mundiais, tendo em conta que o bloco económico europeu é a maior economia do mundo e uma das zonas mais prósperas e… o principal importador das regiões que até agora têm conseguido escapar a toda esta turbulência.

Se Krugman está correto, isso significa que estes pacotes de “resgate” sucessivos (a Grécia receberá pelo menos dois) nao estão a ser eficazes e que a austeridade imposta pelos mesmos não só não está a resolver o problema, como até o está, aparentemente a agravar ainda mais. Se a Bancarrota e a consequente saída do Euro são assim cada vez mais inevitáveis, porque não começam os países afetados a prepararem essa opção, por forma a minorarem os seus efeitos e a reduzirem o impacto dos danos que a saída da Moeda Única trará a estes economias tão interligadas e integradas? A prioridade não deverá ser assim a austeridade, já que responder a cada agravamento da crise com mais austeridade e aumento de impostos não está – manifestamente – a funcionar e se exigem soluções mais ambiciosas, visionárias e radicais. A saída do Euro, a declaração de Bancarrota e o abandono da União Europeia deveriam estar assim, já, sobre a mesa.

Fonte:
http://www.agenciafinanceira.iol.pt/financas/bancarrota-insolvencia-krugman-nobel-crise-agencia-financeira/1274095-1729.html

Categories: Economia, Política Nacional, Portugal | 59 comentários

Luciano Amaral: “A economia portuguesa não consegue exportar o suficiente para compensar o que importa, do que resulta o endividamento externo”

Luciano Amaral (http://www.ffms.pt)

Luciano Amaral (http://www.ffms.pt)

“A economia portuguesa não consegue exportar o suficiente para compensar o que importa, do que resulta o endividamento externo. (…) Por um lado, as exportações têm tido um bom comportamento. Desde os anos 90 que elas vêm crescendo a uma taxa anual entre 4% e 5%. (…) Apesar disto, Portugal tem perdido quotas de mercado a nível mundial. Note-se que a perda não é para os seus mais diretos competidores, Espanha, Grécia e Itália (que também as perderam), mas para os novos países membros da UE e para a China, economias cujos salários são muito mais baixos.”

Economia Portuguesa, As Últimas Décadas
Luciano Amaral

A Europa – pressionada pelos lobbies financeiros – deixou-se enganar nas negociações do GATT: deixou abrir as suas fronteiras às importações do oriente (China, sobretudo) sem garantir que a sã concorrência não era prejudicada pela adoção de Dumpings de toda a ordem: ambientais, ecológicos, democráticos e de direitos humanos. Em consequência, deixou que o essencial do seu tecido industrial se evaporasse e que as deslocalizações levassem a sua indústria para a China. Durante algumas décadas (desde o ECU, em 1990) pareceu possível tercializar a Europa, comprar praticamente tudo na China e compensar as balanças comerciais desequilibradas com o recurso à dívida. Mas a partir de 2008, esse modelo de neoliberalização globalista esgotou-se. A dívida parou de crescer e os credores começaram a exigir juros cada vez maiores, compreendendo por fim que o sistema era insustentável a prazo.

Este é o momento em que vivemos: um momento histórico em que a globalização neoliberal assente em torno das deslocalizações para a China e no vício do crédito se esgotou. Resta agora à Europa inverter este processo e retomar o seu controlo sobre a sua própria economia, deixando o abundante mercado interno chinês substituir o papel dos consumidores europeus, enquanto reconstrói o seu setor primário e o defende contra os numerosos dumpings (comerciais, de direitos humanos, ecológicos e ambientais) que a China usa desde a década de 90 para se tornar na “fábrica do mundo” que é hoje.

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E o campeão europeu das bancarrotas é…

Perante a perspetiva – cada vez mais certa – de que, a prazo, os EUA serão obrigados ou a reestruturar a sua dívida monstruosa ou a simplesmente declararem bancarrota, a possibilidade de que – numa economia global tão interligada como a nossa – outros países, em efeito dominó, alcancem o mesmo estado é muito elevada.

A bancarrota de países não é uma novidade dos nossos tempos. Na Europa, o campeão europeu das bancarrotas é a Espanha, país que já declarou 18! (sete das quais no século XIX). Portugal já esteve sete vezes nesta situação… Mas o primeiro país europeu a declarar bancarrota, não foi nem nenhum destes países ibéricos, mas… a Inglaterra, em 1340. França, que hoje se considera (a par da Alemanha) a estas dificuldades, declarou bancarrota oito vezes entre 1500 e 1800.

É verdade que a maioria destas bancarrotas europeias ocorreram no contexto de guerras, algo que é especialmente verdadeiro com a Espanha, líder europeu neste “campeonato dos incumpridores”.

A Alemanha, que agora lança conselhos e ordens aos países periféricos do alto da sua incólume torre de cristal também declarou bancarrota seis vezes entre finais do século XVII e o século XX, a última das quais em 1953.

Tal panorama indica que a bancarrota de um Estado Soberano não é o cenário de apocalipse que os banqueiros e alguns economistas a seu soldo querem fazer crer. Um ministro das Finanças francês do século XVIII, Abbe Terray, chegou mesmo a dizer que “os governos deviam entrar em incumprimento uma vez por século para restaurar o equilíbrio”. Nenhuma destas bancarrotas levou ao fim (morte) do Estado que a declarou e desta vez, tal não será diferente, como demonstra de resto, o exemplo argentino, país que declarou bancarrota em 2000 e que hoje tem uma dívida externa mínima e que já regressou aos mercados.

Não há riqueza que chegue no mundo, para que os países altamente endividados consigam para as dívidas monstruosas (e que ainda não pararam de crescer!). As medidas de austeridade, supostamente lançadas para aplacar o “deus mercado” não são resposta, já que levam à recessão, e consequentemente, à diminuição das receitas fiscais. A prazo (curto) a opção só pode passar por uma via: a declaração simultânea de bancarrota por parte dos países em maiores dificuldades (Estados Unidos, Canadá, Portugal, Espanha, Irlanda, Reino Unido, Dinamarca, Bélgica e Itália). A passagem a zero destas dívidas externas (reset) permitira criar condições para recuperar as economias em recessão ou pré-recessão destes países criando condições – libertando recursos para o investimento e apoio social dos juros e do serviço da dívida – para uma recuperação económica sólida e duradoura.

Fonte:
http://economico.sapo.pt/noticias/os-paises-europeus-que-mais-vezes-entraram-em-bancarrota_124158.html

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Tiago Pitta e Cunha: “Ao substituirmos a ideia de que habitávamos a terra onde o mar começa pela ideia da terra onde a Europa acaba, começámos a reduzir as nossas opções e deixámos de beneficiar daquele que foi sempre o nosso trunfo principal: a geografia”

Tiago Pitta e Cunha (http://www.cargoedicoes.pt)

Tiago Pitta e Cunha (http://www.cargoedicoes.pt)

“Ao substituirmos a ideia de que habitávamos a terra onde o mar começa pela ideia da terra onde a Europa acaba, começámos a reduzir as nossas opções e deixámos de beneficiar daquele que foi sempre o nosso trunfo principal: a geografia, que nos faz uma grande plataforma oceânica entre importantes massas continentais. Ao invés, passámos a lutar contra essa geografia, que apelidámos de madrasta, vitimando-nos e lastimando-a. Um exemplo claro dessa luta contra a nossa geografia é bem visível nos esforços nacionais de encurtar, primeiro, pelas auto-estradas e, mais recentemente, pelo comboio de alta velocidade a distância maldita que nos afasta do centro do poder e da economia europeia. Note-se que os esforços na modernização dos transportes terrestres não são negativos em si mesmos. Ao contrário, são até bastante necessários. O que é negativo é quando eles representam um tudo, de que o nada é o mar, os portos ou os transportes marítimos nacionais”.

Portugal e o Mar
Tiago Pitta e Cunha

Portugal não é um “país periférico”. Com a sua imensa zona económica marítima, dezoito (!) vezes maior que o seu território terrestre, Portugal tem que encarar o Mar como o seu novo Centro. O país deve libertar-se do complexo da periferia, que o afasta dos centros de decisão do norte da Europa e encarar o Mar e aquilo que está para além dele (a Lusofonia) como um novo desígnio nacional. Sem virar – de novo – as costas à Europa, o país deve saber complementar esse seu carácter europeu com um atlantismo que lhe é mais natural e inato. Em vez de investir em auto-estradas e TGVs, o país deve investir no transporte marítimo, nas pescas, na produção de energia offshore e nos recursos que se sabe existirem no leito oceânico. Saibamos encontrar no Mar Português o nosso futuro. Antes que outros encontrem nele, o seu…

Categories: Ecologia, Economia, Lusofonia, Política Nacional, Portugal | 14 comentários

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