O que tem falhado? “O rácio de professores por aluno deverá ser hoje o mais alto dos países desenvolvidos e o de médicos por habitante conta-se também entre os mais elevados”

“O rácio de professores por aluno deverá ser hoje o mais alto dos países desenvolvidos e o de médicos por habitante conta-se também entre os mais elevados, tendo ambos os valores sido acompanhados pela construção das respetivas infra-estruturas (escolas e hospitais). Não é por falta de pessoal nem de estabelecimentos que os níveis educacionais e de saúde do país são ainda hoje baixos em comparação com os outros países desenvolvidos.”

Economia Portuguesa, As Últimas Décadas
Luciano Amaral

Meritocracia. É isso que falta em Portugal nestes dois setores da nossa economia. É também certo que quando dizemos que a Alemanha gasta 4% do seu PIB e nós 7% na Educação, falamos de valores absolutos muito diferentes. Mas a verdade é que mesmo introduzindo esta correção é evidente para todos que apesar da universalização do acesso ao Ensino ter sido um dos sucessos de Abril, os resultados continuam a ser escassos.

A generalização do Ensino à maioria do população não se traduziu numa melhoria significativa da produtividade, como se esperava. E após décadas de “prioridade na Educação” os resultados dos alunos portugueses continuam a ser medíocres (apesar de uma melhoria recentes nos testes Pisa). A explicação radica – como sempre – num cruzamento de fatores de origens bem diversas:
1. Apesar do valor do investimento em Educação relativamente ser um valor elevado (7% do PIB) em termos absolutos anda ainda longe da maioria dos valores investidos na maioria dos países europeus.
2. Alguma da recuperação estatística dos últimos anos tem sido feita à conta do facilitismo nas provas, exames e avaliações. Não existe ainda uma cultura de excelência ou de exigência, que premeie os melhores e incentive os piores.
3. A mesma cultura não existe na maioria dos professores: a antiguidade continua a ser o principal fator de diferença salarial entre professores e não o seu mérito ou os seus resultados
4. Não existe um sistema eficaz, rápido e adequado às realidades locais de avaliação dos professores. Sem um bom sistema de avaliação, os piores confundem-se com os melhores e não há mecanismos de incentivo à melhoria contínua que é preciso introduzir no sistema
5. A admissão à classe docente não cumpre critérios de rigor e seleção comparáveis aos que se exigem nas empresas privadas: faltam testes de certificação de conhecimento (uma Ordem dos Professores), testes psicotécnicos e entrevistas presenciais, perante júris de seleção que garantam que apenas os mais bem preparados e os mais motivados ascendem à classe docente.
6. Falta descentralizar os estabelecimentos de Ensino: entregando às câmaras municipais a sua gestão financeira e toda a demais gestão escolar aos conselhos diretivos, eleitos democraticamente por pais, professores e alunos (em pesos relativos diferentes)
7. Reavaliar os resultados dos programas “Magalhães” e de “digitalização” das Escolas: se os seus resultados não forem claramente positivos, estes programas devem ser abandonados e os seus recursos concentrados em áreas mais vitais.
8. Devem ser criados estímulos aos melhores alunos em todos os níveis de Ensino: o pagamento de Bolsas generosas deve ser contemplado desde mudo cedo, premiando bons comportamentos e bons resultados escolares, especialmente em escolas situadas em “zonas de risco”.
9. As Propinas devem ser ajustadas aos Rendimentos totais e património (não somente IRS) dos pais, por forma a corrigir algumas distorções que se podem hoje observar.

Categories: Educação, Política Nacional, Portugal, Sociedade Portuguesa | 10 comentários

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10 thoughts on “O que tem falhado? “O rácio de professores por aluno deverá ser hoje o mais alto dos países desenvolvidos e o de médicos por habitante conta-se também entre os mais elevados”

  1. Odin

    Sobre o sistema educacional de Portugal, eu sei que a hierarquia começa no pré-escolar, e o ensino básico é dividido em 9 anos escolares. Depois vem o ensino secundário, do 10º ao 12º ano. Depois, o superior.

    O que eu não sei é o que é ensinado a partir de quando. Por exemplo, quando começam a ensinar História e Geografia? Quando começam a ensinar Física e Química? Quando começam a ensinar idiomas? E quais idiomas estrangeiros são ensinados nas escolas portuguesas? Só o inglês? Como que é o ensino escolar em Portugal?

    • Bem, so posso falar por mim, e ja deixei a escola ha uns anos… Geografia era ensinada na primaria, agora, a minha filha no segundo ano ainda nada de geografia… Na segunda classe (primaria) tem ingles, portugues, matematica e estudo do meio (os trabalhos de casa sao fundamentalmente de portugues e matematica). O ingles ‘e dominante, e o frances minoritario. O espanhol tambem ‘e ensinado, mas pouco.
      O sistema de ensino vai mal, contudo… Gastamos 7 por cento do pib, a alemanha 4… O sistema ‘e muito facilitista com passagens automaticas de ano e exames de 3 ou 4 anos. Ha exames demasiado faceis, os testes Pisa colocam o pais mal nas comparacoes estatisticas.
      Nem tudo ‘e, contudo, mau… Temos uma percentagem de mulheres no ensino superior rara entre os paises desenvolvidos. O numero de alunos no superior comeca a ser semelhante a outros paises da ocde, mas os maiores progressos foram na ciencia e na investigacao cientifica onde se fizeram grandes progressos, embora muitas universidades publicas estejam ‘a beira da falencia.

      • Odin

        Vi o que a Fada do Bosque postou em outro lugar, de que História só é ensinada no nível superior??????

        E nas escolas, a maioria só aprende o inglês? Num país da UE, deviam no mínimo aprender inglês, francês, espanhol e alemão.

        Por outro lado, tenho notado que outros europeus têm se interessado em aprender o português, o que me deixa feliz.

        • Otus scops

          Odin

          no Brasil que línguas estrangeiras aprendes na escola???

          • Odin

            Inglês e espanho,pois é o essencial para o nosso contexto. Por mim, podiam ensinar mais idiomas ainda, como alemão, francês, mandarim… mas para o contexto de Portugal, é interessante que os alunos portugueses aprendam também francês e alemão, além do inglês e do espanhol.

          • Otus scops

            Odin

            em Portugal aprende-se basicamente português (agora desfigurado com o (des)AO90, o poior virá com o tempo…) e inglês. as restantes que mencionas são opções e que não encontras em todos os estabelecimentos de ensino, o CP resumiu bem a situação.
            em regra os portugueses são bons falantes de inglês (sobretudo as novas gerações).

            os alunos portugueses devem saber a sua língua e inglês, que é a língua franca mundial, doa a quem doer, não precisam de saber essas todas como sugeres em tom de subtil provocação… estou-te a ver! 😈
            se alguém precisa de aprender alguma língua específica faça-o, mas não como política educativa de estado.
            essa de aprender espanhol nem conta, qualquer nativo em língua portuguesa com apenas boa vontade aprende essa língua “em 3 tempos”.

            • Odin

              Ah, essa coruja do Minho… 😀
              1º- A proposta de aprender idiomas não prejudica a ninguém, até faz bem a saúde, na minha opinião;
              2º- Se não querem aprender e nem ensinar mais idiomas além do inglês, façam o que julgarem ser o melhor, principalmente com o advento futuro dos Estados Unidos da Europa;

              “como sugeres em tom de subtil provocação… estou-te a ver… 😈 ” … PÁ!
              Hein? Oi?

        • Nao, de todo. A historia ‘e ensinada no Secundario, e logo desde cedo… Mas os programas sao extensos e raramente se chega ao seu fim.
          Ha alguns alunos dessas linguas, mas com excepcao do frances, os seus alunos sao raros… Pelo menos eram, no meu tempo!

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