Fim ao Proibicionismo

Os danos provocados pelo uso de Drogas nas sociedades modernas são conhecidos de todos… assim como as suas consequências no que respeita à sua utilização por via intravenosa, como a Hepatite C e o HIV. Em todo o globo dezenas de milhões de seres humanos vêm as suas vidas destroçadas por causa deste terrível flagelo.

Mais de metade de todos os detidos nas prisões portuguesas (numa proporção que, de resto, segue de perto as médias mundiais) está nessa condição precisamente por crimes diretamente ligados ao tráfico de estupefacientes. Terminar com este problema libertaria uma proporção relativamente importante de recursos no sistema judicial, policial e prisional, diretamente e, indiretamente reduziria consideravelmente todos os dramas sociais, familiares e individuais que a Droga inevitavelmente arrasta consigo. Num contexto global de apertos financeiros a poupança assim obtida seria crucial para libertar recursos para áreas prioritárias ligadas à amortização da dívida, ao estímulo ao emprego e à produção local e permitiria que os próprios legisladores se concentrassem nessas áreas cruciais. As cidades seriam muito mais seguras e, sobretudo, a transferência de recursos do combate para o seu tratamento e prevenção permitiria a prazo, realizar uma sensível e duradoura redução dos afetados por este flagelo.

As sociedades modernas nunca serão “sociedades livres de drogas”, como defendem os proibicionistas. Nunca o foram, e nunca o serão. Cinquenta anos de Guerra aberta e incapaz de lograr uma só vitória decisiva já deviam ter ensinado isto. Mas os interesses de manter o Proibicionismo são muito fortes… desde logo aos poderosos cartéis globais de Droga interessa sobremaneira manter o seu negócio clandestino, isentando-o de impostos e mantendo altos os seus preço. Os políticos (muitos deles corrompidos pelos cartéis) querem manter o proibicionismo porque isso permite-lhes impor leis “contra a criminalidade” fundadas no medo coletivo que, de outro modo, não conseguiriam impor. Até as corporações judiciais, policiais e a certos grupos no funcionalismo o Status Quo convêm, já que justifica muitas das suas despesas e empregos… Não será nunca fácil “proibir o proibicionismo” nas Drogas. Mas tal é cada vez a única forma de acabar com uma “guerra” que já demonstrou cabalmente que não pode ser vencida.

Fonte principal:
http://www.alternet.org/story/151424/why_ending_the_war_on_drugs_is_a_social_justice_imperative/?page=2

Categories: Justiça, Política Nacional, Portugal, Saúde, Sociedade, Sociedade Portuguesa | 13 comentários

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13 thoughts on “Fim ao Proibicionismo

  1. Otus scops

    T-O-T-A-L-M-E-N-T-E D-E A-C-O-R-D-O !!!

    “o funcionalismo o Status Quo ”
    essa é que é a questão, bem dito!!!

    falta uma pergunta: será que viver sem drogas é uma coisa assim tão boa???

    • Sim. Mente clara e sem nevoeiros… Falando por mim, o meu maior opio ‘e… A falta de sono. ‘E isso que mais perturba a minha mente. Isso e a falta de paciencia, o meu maior defeito isolado.

      • Otus scops

        bem, então estamos em ligeiro desacordo neste caso.
        as drogas tem dado ao mundo obras-de-arte notáveis, estimulam o cérebro.

        ou então a mente pode ser potenciada, ver para além da nossa “visibilidade” normal.
        há vários rituais por esse mundo fora de consumo de drogas, autênticas experiências transcendentais, sobretudo na América central.

        sabias que existe autenticamente meio-mundo que não se vicia, que não é adicto???

        • Seja, mas aqui neste respeito sou sigo os meus mestre budistas: a clareza da mente ‘e uma coisa demasiado preciosa para ser toldada por distorcoes induzidas por quimicos.
          Dito isto: nota o conteudo do texto: defendo um fim total e absoluto de todo o proibicionismo…

  2. Odin

    Eu prefiro alterar o estado de consciência pela meditação e até com ajuda do
    jejum, não me apetece o uso de drogas, exceto se for para tratamento medicinal.

    Mas acho que o uso das drogas deve ser deixar de ser crime e de ser proibido também. Cada um faz o que quer consigo mesmo.

    • Infelizmente, a meditacao comigo nunca funcionou… Nem mesmo com mestres tibetanos… Tenho a mente demasiado ocidental, analitica e agitada, penso eu de que! No maximo, consigo ensonar, e nada mais…

      • Odin

        Você já tentou com o Yoga propriamente?
        O método que eu me empenho é este:

        Mas considero o uso de elixir, de droga, como perigoso. 🙄

        • Otus scops

          porra Odin, este assunto é droga!!!

          😀 😀 😀 😀 😀

          • Odin

            Fugi só um pouco do assunto, porque meditação é um algo que eu gosto e, não resisti. 😳 Mas o que eu quis dizer que, para atingir estados de alteração de consciência, eu não confio em droga. 😉

        • Sim, o yoga budista de inspiracao tibetana (a minha escola ‘e a Ningmapa)

  3. Odin

    Otus scops :T-O-T-A-L-M-E-N-T-E D-E A-C-O-R-D-O !!!
    “o funcionalismo o Status Quo ”essa é que é a questão, bem dito!!!
    falta uma pergunta: será que viver sem drogas é uma coisa assim tão boa???

    Otus Scops,
    Tenho uma opinião divergente da sua quanto ao uso de droga ser certo ou errado e, uma opinião similar a sua quanto a liberar o uso.
    Sou favorável a liberação porque para a coletividade, o prejuízo é maior se for proibido o uso.

    Na década de 20 do século XX, nos Estados Unidos, a 18ª Emenda à Constituição Americana impôs a lei seca, que criou o fenômeno do gângster, como Al Capone. É tolice quererem forçar a sociedade humana a ter uma santidade que não faz parte da sua natureza. No Brasil, a força do narcotráfico está justamente na ilegalidade das drogas.
    Agora, eu não tenho interesse em usar droga e odiaria se um familiar meu usasse. Às vezes, bebo algum tipo de bebida alcoólica, mas é o máximo que faço. Não me embriago.

  4. fada do bosque

    Pois é… liberalização das drogas leves nem pensar! Ainda por cima são as únicas que são perseguidas, apreendidas e dão prisão, porque as outras, as duras, nada! É um favor para os senhores do mundo que continuem a circular, a alienar e a matar gente e claro, no meio de tudo isto a enriquecê-los!

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