Daily Archives: 2011/08/20

A “alternativa islandesa” para sair da Crise

Islândia (http://skvots.net)

Islândia (http://skvots.net)

A Islândia, país que na Europeu sofreu primeiro e como ninguém as consequências da grande crise financeira global de 2008, começa a dar provas ao mundo que o seu original modelo de resposta à crise funcionou: em inícios de junho, o país conseguiu vender mais de 700 milhões de euros a um juro de 4.9%.

Desta forma, os Mercados deram sinais de que acreditam na recuperação islandesa e que a opção islandesa de ter resistido às pressões dos banqueiros e especuladores e de não ter permitido que o Estado assumisse as obrigações da falida banca islandesa e que em 2008 ultrapassavam já dez vezes o PIB da Islândia.

Em resultado da opção islandesa, os seus bancos não têm hoje qualquer representação no estrangeiro e toda a economia se reorientou do setor terciário para o primário, embora a um custo de uma contração significativa da sua economia. Com efeito, a Islândia reorientou a sua economia para a produção de energia, de alumínio e as pescas.

A Islândia desvalorizou a sua moeda (a coroa islandesa) e assim incentivou as exportações o que para além do regresso ao setor primário criou condições para um aumento do PIB na primeira metade de 2011 de 2%. O país – no curto prazo – teve que depender de um empréstimo do FMI para fazer face a necessidades de curto prazo, mas a um juro mais baixo que o juro “punitivo” imposto como castigo a Portugal pelos seus “amigos” norte-europeus.

O sucesso do modelo islandês deveria fazer refletir todos os países europeus que hoje enfrentam a crise da dívida soberana:
1. deixar falir os Bancos falidos
2. a economia reorientou-se do setor terciário para o primário
3. a moeda islandesa foi desvalorizada
4. a Islândia conseguiu um empréstimo do FMI a juros mais baixos que Portugal conseguiu do FEEF

1. Portugal não tem, contudo, o mesmo nível de independência e soberania que este país nórdico. Desde logo, os nossos “amigos” europeus são também os mesmos cujos bancos detêm a maioria da nossa dívida externa (Espanha, França e Alemanha) e estes pressionaram os seus governos a não abdicarem dos seus créditos, obrigando o país a assumir os mais de 2 mil milhões de euros do BPN.

2. A reorientação para o Turismo, os Serviços, a Banca e os Seguros foi imposta pela Europa, que assim destruía a competição industrial, agrícola e pesqueira abrindo (em troca de subsídios) o nosso mercado às importações do norte da Europa.

3. A moeda portuguesa é o Euro e a sua desvalorização não interessa aos “senhores da Europa”, a Alemanha, que não tem pejo em levar o BCE a – inclusivé – aumentar as taxas de juro e assim a agravar ainda mais a crise dos países periféricos.

4. A União Europeia obrigou Portugal a incluir na intervenção externa o seu FEEF, com juros especulativos e que concederam aos países do norte que nos “ajudaram” juros muito interessantes. A muitos trechos, como o juro e até nas medidas impostas, a Europa impôs a Portugal condições muito mais draconianas e recessivas que o FMI.

Estes quatro respostas islandesas estão assim vedadas pela União Europeia a Portugal. Seguir o bom exemplo da Islândia é assim impossível.

A menos que o país saia da União Europeia.

Fonte:
http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?contentID=4A6FC079-3EB5-4B21-B218-3E491C5BADAE&channelID=00000021-0000-0000-0000-000000000021

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Categories: Economia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | Etiquetas: | 31 comentários

Atualmente mais de 60% do pescado consumido em Portugal é importado

Tiago Pitta Cunha (http://radix.cultalg.pt)

Tiago Pitta Cunha (radix.cultalg.pt)

“Nas pescas perdeu-se o acesso a muitos pesqueiros de longa distância, aproveitaram-se os subsídios europeus para abater a frota e as capturas têm-se vindo a reduzir gradual mas inexoravelmente até ao ponto atual, em que mais de 60% do pescado consumido em Portugal é importado.”

Portugal e o Mar
Tiago Pitta e Cunha

Esse foi o grande crime do Cavaquismo: quando a Europa decidiu que a frota pesqueira portuguesa precisava de ser renovada e nos entregou subsídios para que fosse abatida, o governo que era então chefiado por Cavaco Silva não se preocupou em assegurar que esses subsídios eram pagos não no ato do abate das embarcações, mas apenas quando os navios de substituição fossem encomendados. Este erro crasso não foi cometido em Espanha, e data desta época a transformação da frota pesqueira espanhola na segunda maior do mundo, precisamente pelo bom uso desses subsídios, malbaratados em Portugal.

Enquanto os espanhóis usavam os subsídios europeus para construirem uma das mais poderosas frotas pesqueiras do mundo, os armadores usavam esses mesmo dinheiro para comprarem carros de luxo e se reformarem aos 50 anos. Culpa sua, mas também – sobretudo – dos governantes que deixaram que isso acontecesse. Para grande gáudio, contentamento e lucro dos espanhóis que assim tornaram Portugal um seu dependente alimentar ao mesmo tempo que saqueavam as nossas águas sob a proteção benevolente da Europa.

Categories: Economia, Política Nacional, Portugal | 4 comentários

Comentário a um artigo do Wall Street Journal sobre o estado da Educação em Portugal

“Portugal tem que gerar um crescimento económico de longo prazo para pagar as suas grandes dívidas.”

> Estima-se que Portugal tenha uma dívida externa de cerca de 500 mil milhões de euros. “Estima-se”, porque ninguém sabe ao certo. Sabe-se apenas que num país que desde 1973 cresceu anualmente uma média de 2.5% é altamente improvável que passe subitamente a crescer os 5 ou 8% requeridos para gerar Capital bastante para ir pagando o serviço da dívida e amortizar esta tremenda quantia.

“Uma força de trabalho não qualificada torna isto muito difícil. O trabalho barato que no passado sustentou a indústria têxtil portuguesa desapareceu para a Ásia. Os países do antigo Bloco de Leste que se juntaram à União Europeia em massa em 2004 oferecem salários mais baixos e trabalhadores com mais escolaridade.”

> O processo negocial que permitiu a entrada quase totalmente desregulada de produtos chineses não acautelou a proteção das indústrias locais e, especialmente, das portuguesas. Em particular, o grosso das ajudas europeias das décadas de 80 e 90, foram concentradas ou em infra-estruturas ou nos chamados “cursos do fundo social europeu”, de qualidade duvidosa e de nula verificação. Estes cursos – que se queriam técnicos e profissionais – acabaram por se tornar um terreno propício ao florescimento de associações semi-criminosas e à multiplicação de formações fictícias que nunca foram completamente investigadas.

“Só 28% da população portuguesa entre os 25 e os 64 terminou o ensino secundário. Na Alemanha, o número é 85%, na República Checa é 91% e de 89% nos EUA.”

> Este números são baixos porque partem de uma base muito diminuta. Em 1974, poucos alunos frequentavam o ensino secundário e apenas uma elite muito reduzida conseguia terminar um curso universitário. A democracia conseguiu inverter este processo. Portugal hoje dispende 7% do PIB em Educação, uma percentagem que é o dobro dos países desenvolvidos. Ostenta igualmente uma das taxas de professor por aluno mais elevadas do mundo. Contudo, este investimento não é correspondido pelos resultados.

“Os cortes bruscos na despesa de educação tornam a tarefa de reformar a educação mais difícil. E mesmo se forem feitas melhorias, recolher benefícios é algo que pode demorar anos.”

> É simples: nao há forma de aumentar ainda mais a percentagem do PIB alocada à Educação. É impossível contrair mais Dívida Pública para este efeito e o mandato imposto pela Troika vai forçar a um emagrecimento severo dos orçamentos do ME durante os próximos anos. Subir assim, acima dos 7% do PIB atuais é impensável. Pelo contrário, há que descer. Importa assim introduzir no sistema uma eficácia que ele nao tem revelado ter. Todos os programas, todas as estruturas de custos devem ser reavaliadas e, sobretudo, deve ser estabelecida uma ligação clara entre mérito/avaliação e remuneracao, desvalorizando a antiguidade, quer no número de horas leccionadas, quer no vencimento.

“A Grécia e a Irlanda, os dois países da UE que receberam “ajudas” chegaram a esse ponto muito rapidamente: a Grécia depois de se saber do estado dramático da sua situação financeira; a Irlanda autoimolou-se numa orgia de especulação imobiliária. A crise portuguesa, por contraste, surgiu muito lentamente. Durante uma década, o crescimento de Portugal esteve sempre abaixo da média europeia. As indústrias tradicionais, como a cortiça e o calçado não foram capazes de dinamizar o resto do país. O “boom tecnológico” de meados da década de 2000 não alcançou o país.”

> Embora o caso irlandês seja muito especial (resulta praticamente do estouro estrondoso de uma série de Bancos aventureiros e espantosamente mal geridos), os casos grego e português são mais graves: no caso grego estamos perante um crescimento contínuo, mascarado e irrealista das despesas públicas. De corrupção a um nível astronómica e a uma exploração do Estado por uma mafia composta por três famílias políticas. No caso português, estamos perante uma economia disfuncional, que desde 1973 tenta montar um Estado-Providência semelhante aos dos existentes na Europa, mas numa economia que devido à política de câmbio forte, entre 1990 e 1999 e à adesão ao euro, em 2000, viu perder a competitividade internacional e aumentar (pela via do crédito barato e da tercializacao da economia) a dívida externa e o consumo privado. O caso irlandês sanar-se-á quando os bancos forem saneados. O caso grego, quando as contas forem transparentes e os mafiosos detidos, mas o caso português, é mais grave: só se poderá resolver através da mudança radical de uma série de paradigmas: tercializacao da Economia, fim do uso de uma moeda forte, aposta séria e decisiva no Mar, na Meritocracia e na racionalização e eficiência do Estado…

“Apesar disto, os portugueses continuaram a gastar. A economia – Governo e Privados –  acumularam défices com o resto do mundo de mais de 130 mil milhões de euros na última década. O Estado não teve um orçamento equilibrado, quanto mais um superávit nos últimos 30 anos. O resultado foi uma pilha de dívidas. A dívida do governo, alguma em mãos domésticas, aproximou-se dos 90% do PIB no último anos. Toda a economia, incluindo os setores privado e público, deve a estrangeiros uma quantia equivalente a mais de dois anos da producao económica total.”

> A situação atual é absolutamente insustentável. Os padrões de consumo – públicos e privados – não são realistas e terão que ser ajustados rapidamente à riqueza realmente gerada no país, agora que a via do crédito se esgotou. De facto (o texto não o diz) um dos aspectos mais preocupantes da dívida externa portuguesa é que a sua maioria (e ao contrário de Espanha e Itália) nao se encontra em maos nacionais, mas estrangeiras. Isto aumenta a volatilidade e imprevisibilidade e adensa ainda mais as nuvens que ameaçam o horizonte do nosso país. A dívida é – pela sua dimensão e pelo débil crescimento do PIB desde 1974 – impagável e implicará uma Reestruturação ou uma Bancarrota parcial ou total, a curto prazo, talvez já em 2013, quando o pacote de “ajuda” da Troika se esgotar. Uma opcao ou outra irão traduzir-se no afastamento de Portugal dos Mercados, mas terão duas virtudes: a saída do Euro, uma moeda forte demasiado desajustada à realidade da nossa economia e um “reset” à nossa dívida e a um serviço da dívida que pesam cada vez mais nos orçamentos e que bloqueiam qualquer estratégia de investimento ou desenvolvimento económico, a prazo.

“Existem provas substanciais de que a educação confere largos benefícios económicos. A Irlanda era um dos países mais pobres da UE há apenas uma geração um dos países mais pobres da comunidade mas subsidiou a educação técnica tornando-se num destino apelativo para as grandes corporacoes de Informática, reforçando esse apelo com impostos muito competitivos. Mas isso nao evitou que estivesse hoje numa profunda crise financeira.”

> essa relação entre desenvolvimento económico e Educação está estabelecida há muito tempo. Mas não é certo que a primeira seja precedida pela segunda. Ou seja, não é impossível que os elevados níveis académicos resultem mais de serem registados em sociedades mais desenvolvidas e nao que estas resultem destes. Isso aliás é sugerido pelos resultados mediocres (e semelhantes aos nacionais) registados noutros países em desenvolvimento.

“Uma tentativa para avaliar os professores desencadeou marés de greves e manifestações em 2008, agudizando as relações entre os poderosos sindicatos de professores e o Governo. A vida política dos ministros da Educação mediu-se em mese:s desde 1974 houve 27.”

> O poder das corporações e em particular do Sindicato dos Professores tem funcionado como um fator de bloqueio ao progresso do setor e aos fracos resultados registados. Pelo receio das consequências eleitorais de medidas de ruptura, sucessivos governos têm assim cedido ao poder desta corporação mantendo o baixo nível de resultados que carateriza hoje o sistema de ensino português.

Fonte:
http://online.wsj.com/article/SB10001424052748704076804576180522989644198.html

Categories: Educação, Política Nacional, Portugal, Sociedade Portuguesa | 15 comentários

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