Daily Archives: 2011/08/19

Tiago Pitta e Cunha: “A frota de registo convencional de navios mercantes em Portugal (detida por armadores nacionais) perdeu quase 50% dos seus navios nos últimos 7 anos”

“A diminuição da indústria de transportes marítimos foi muito rápida, vindo a frota de navios mercantes de bandeira genuinamente portuguesa a sumir-se vertiginosamente até à atual situação, em que, segundo dados recentes, estes se aproximam de não conseguir sequer chegar a somar dois dígitos. A frota de registo convencional de navios mercantes em Portugal (detida por armadores nacionais) perdeu quase 50% dos seus navios nos últimos 7 anos. Em 1970, contava com 152 navios, em 1980 com 94, em 1990 com 58, em 2000 com 28 navios, em 2007 com 15 e hoje não haverá mais de 13 navios, se tanto.”

Portugal e o Mar
Tiago Pitta e Cunha

A situação a que deixámos chegar a nossa frota de cargueiros é absolutamente incrível. Um país marítimo, com uma zona económica dezoito (!) vezes maior que a área continental, que tem nas ligações marítimas aos arquipélagos dos Açores e da Madeira um fator de coesão nacional essencial crucial e que importa por via marítima grande parte das suas mercadorias, devia ter uma frota de cargueiros com alguma dimensão.

A destruição da nossa frota comercial, em 50% em apenas 7 anos, resulta de uma conjugação infeliz de vários fatores, em que se apresentam a concorrência feroz com a China (e os seus permanentes dumpings de vária ordem) e um “projeto europeu” que visa destruir os setor primários dos países periféricos a favor dos interesses dos “grandes” países do norte. Mas este cruzamento (dumpings-europa) não explica tudo: a Grécia conseguiu resistir a esta pressão e tem ainda hoje uma das maiores frotas comerciais do mundo… Portugal poderia ser a Grécia do ocidente.

Perante a situação atual, não há muito a fazer: a Europa não tem interesse em subsidiar a reconstrução de uma marinha mercante nacional já que enquanto Portugal não a tiver os armadores europeus continuam a fazer dinheiro. Temos então que buscar outras fontes de financiamento, mesmo se estiverem em contradição com os mandatos europeus: estabelecendo tarifas especiais aos navios que descarregam mercadorias nos portos nacionais que compensem o abaixamento da carga fiscal ligada à construção naval e, sobretudo, criando quotas de navegação de bandeira nacional, para as mercadorias que aportam aos nossos portos. Precisa-se imaginação e decisão para conseguirmos recuperar a perdida marinha nacional e, com ela, alguma da dignidade perdida e da capacidade para reocuparmos o nosso mar com navios mercantes de bandeira portuguesa.

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Sobre a importância estratégica do setor da construção naval para Portugal

Estaleiros de Peniche (http://www.jornaldascaldas.com)

Estaleiros de Peniche (http://www.jornaldascaldas.com)

“A construção naval portuguesa, que na primeira metade da década de 70 era vista, em alguns casos, como um case study de êxito mundial, foi também afetada severamente com o desaparecimento de vários estaleiros navais, incluindo os estaleiros da Setenave e o quase desaparecimento da Lisnave, até à sua ressurreição há uma década. Esta indústria apresenta-se hoje como um setor disperso por pequenos ou microestaleiros, com excepção, talvez, dos Estaleiros Navais em Viana do Castelo, que, sendo de maior dimensão, ainda assim se encontram infelizmente afetados por controvérsias passadas e recentes.”

Portugal e o Mar
Tiago Pitta e Cunha

Na verdade, há hoje que contar também com os estaleiros privados de Peniche, com uma situação financeira muito mais saudável que os ENVC e exportadores de navios de pequena dimensão para vários países africanos, contando-se entre estes Angola e Moçambique.

Mas os estaleiros de Peniche e os de Viana do Castelo são escassos para um país que tem nos seus mares algumas das rotas oceânicas mais frequentadas da Europa e que recebe por via marítima boa parte do seu comércio. Portugal precisa que estes seus dois estaleiros cresçam de escala e comecem também a fabricar os cargueiros que o país já quase não tem. São precisos, em particular cargueiros de pequena e média dimensão que reativem a marinha mercante portuguesa. Para isso, contudo, é necessário lançar medidas de incentivo e de proteção contra os dumpings da China e que estabeleçam quotas para a navegação nacional. É também necessário que seja lançada uma estratégia nacional de construção de viveiros e aerogeradores flutuantes offshore, que lance encomendas para centenas de unidades destes tipos, alavancando assim a recuperação da construção naval na retoma da independência energética e alimentar que também perdemos desde a adesão à União Europeia.

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Frei franciscano Fernando Ventura: Uma das personalidades mais interessantes da atualidade

O Frei franciscano Fernando Ventura continua a revelar-se uma das personalidades mais frontais e incisivas da atualidade. Recentemente, na RTPN tornou a deixar algumas das suas declarações mais acertadas:

“Temos muita tendência a desculpabilizar-nos enquanto cidadãos” e “eu, enquanto cidadão tenho muitos deveres, não é só direitos”

Sem dúvida. Não temos dúvidas que foram os portugueses – enquanto comunidade e grupo – que foram os maiores responsáveis pela situação atual: o seu abstencionismo crónico, os seus baixos níveis médios de vida comunitária e associativa, a sua baixa participação na vida partidária e sobretudo um intenso imobilismo e conservadorismo eleitoral que leva ao rotativismo “democrático” que assegura o monopólio do bi-partido PS/PSD, estiveram na base da situação atual.

“nós andámos a comer à borla durante muito tempo”

Desde 1990, a política cambial restritiva trouxe baixa inflação concertadamente com baixas taxas de juro. As baixas taxas de juro induziram a ilusão de riqueza e muitos de nós deixaram-se sobre-endividar acima de qualquer razoabilidade, perante a passividade cúmplice de governos sucessivos e de reguladores incompetentes.

“muito do dinheiro que veio foi mal usado” (…) “o tecido produtivo está na mão de patrões, não de empresários” (…) “foi um novo riquismos que levou ao aparecimento de um parque automóvel fantástico (…) houve uma espécie de bebedeira coletiva”.

Quando na década de 90 começaram a chegar os fundos europeus estes concentravam-se essencialmente nas infra-estruturas de transportes e na formação profissional. Os primeiros serviram para reduzir os preços com que produtos europeus chegavam a Portugal e juntamente com os subsídios europeus para o abate da frota pesqueira e para a destruição de plantios, destruíram o setor primário. Muitos empresários, então, aproveitaram estes fundos não para modernizarem as suas indústrias e explorações mas para o fausto e para o luxo. Data desta época maior concentração de Ferraris do mundo, no Vale do Ave, data também desta época a maior oportunidade perdida que este país já teve: a do bom aproveitamento dos fundos europeus para compensar a crónica baixa intensidade de capital que caracteriza a economia portuguesa desde sempre. Fatura cujas consequências pagamos ainda hoje, de resto.

Categories: Política Nacional, Portugal, Sociedade Portuguesa | 14 comentários

A crise atual é mais grave que a de 2008?

Robert Zoellick (http://www.globalreports.com)

Robert Zoellick (www.globalreports.com)

Estão a criar-se condições – a curto prazo – para a tal “tempestade perfeita” antevista por Nouriel Roubini… Isso mesmo repete agora o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick que apesar do seu cargo alerta para que a crise atual é mais grave que a de 2008 porque “os Estados já esgotaram nesta a sua capacidade de reação” e – com exceção do euro – a maioria das grandes moedas mundiais estão perto do máximo da sua depreciação.

O responsável do Banco Mundial acredita que para contornar esta “tempestade mundial” os líderes europeus devem enfrentar de forma corajosa e decidida o problema da Dívida Soberana. Boa sorte para isso!… dizemos nós.

Fonte:
http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=26394

Categories: Economia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | 9 comentários

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