Daily Archives: 2011/08/17

O antigo diretor adjunto do FMI, Desmond Lachman diz que o “euro tem os dias contados” e que “Portugal devia ser dos primeiros a sair”

As vozes que ditam o fim do Euro são cada vez mais numerosas. Desta vez é o antigo diretor adjunto do FMI, Desmond Lachman que vem dizer que o “euro tem os dias contados” e que “Portugal devia ser dos primeiros a sair” acabando com esta “tentativa fútil de permanecer na moeda única”.

O economista acredita que não existe forma de impedir a prazo a saída de Portugal do Euro e que essa saída decorre diretamente da aplicação das medidas impostas pelo FMI e pelo FEEF. Esta austeridade e a recessão profunda e duradoura que se lhe seguirá irão ditar inevitavelmente a saída da moeda única, grande responsável da perda de competitividade internacional da nossa economia.

Lachman acredita assim que se a saída do Euro é incontornável, então não há razão para arrastar o país por um mar de dificuldades que têm como fito apenas a permanência do país no Euro. Mas o economista não diz que esta será uma saída fácil, nem que o consequente incumprimento da dívida externa (porque esta está quase toda em euros) não trará graves consequências para a economia portuguesa, mas acredita que “apesar de tudo é preferível fazê-lo agora do que perder dois anos.” e que é impossível conjugar duas impossibilidades: “como é que o país irá conseguir ao mesmo tempo pagar a divida e aguentar um programa de austeridade imposto pelo FMI, que resultará em recessão profunda e ao mesmo tempo em deflação, o que irá piorar tudo, aumentando o problema da dívida pública”.

Portugal tem uma situação ainda mais grave que a Grécia, devido à “sua fraqueza extrema no lado externo. Portugal tem uma dívida externa superior à grega (por percentagem do PIB). Se incluirmos o sector privado, o país deve ao exterior o equivalente a 230% do PIB. É brutal! E ainda temos o problema do défice orçamental, que não anda longe 10%. Portugal tem fraquezas enormes e eu não percebo como e que vai lidar com elas mantendo-se no euro e sem poder desvalorizar a moeda”.

Este é o ponto crucial. Há que recuperar a soberania monetária e com ela a capacidade de recuperar uma moeda independente, mais ajustada em termo de valor relativo ao grau de desenvolvimento da nossa economia e assim criar uma alavanca para a recuperação económica de uma economia cujo setor primário tem sido erodido desde 1990 (centrada no sistema monetário europeu) e que levou um golpe quase fatal em 2000 com a adesão irrefletida a uma das moedas mais caras do mundo, o Euro.

Fonte:
http://www.agenciafinanceira.iol.pt/financas/euro-fmi-desmond-lachman-crise-crise-portugal-agencia-financeira/1271520-1729.html

Categories: Economia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | 56 comentários

tQuids S1: O Sábio Louco, Tardi

O Sábio Louco, Tardi (http://www.leiloes.net)

O Sábio Louco, Tardi (www.leiloes.net)

1. Quem trouxe o pitecantropo de uma expedição à Sibéria?
2. Quem se veste de demónio Pazuzu?
3. Quem está dentro da máquina que acaba por matar o pitecantropo?

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Da importância de Sines para Portugal e para o desenvolvimento dos laços com o Brasil

Porta-contentores da MSC (http://www.ships-info.info)

Porta-contentores da MSC (http://www.ships-info.info)

Portugal tem condições únicas para aumentar a importância dos seus portos no continente europeu. Sines é já hoje o porto de águas mais profundas da Europa e também um dos  mais modernos. Para além disso, a posição geográfica de Portugal ainda que tida numa perspetiva “europeia” como secundária e periférica pode revelar-se central se o excelente porto de Sines for usado pelos grandes armadores mundiais como um eixo direto de ligação aos portos do Brasil e da América do Sul.

Sines está a tornar-se no contexto europeu um agente importante no segmento de contentores e este papel será agora reforçado pela associação com a MSC, o segundo maior armador do mundo, que agora opera a partir de Sines uma ligação direta semanal com o continente sul americano.

Sines vai assim concorrer diretamente com o grande porto espanhol de Valência, oferecendo em relação a este uma maior proximidade com a América do Sul e especialmente com o Brasil, encurtando em três dias a distribuição por via rodoviária das mercadorias descarregadas em Sines.

A inauguração desta rota torna Sines um dos portos europeus mais importantes já que o porto português passa a ter ligações diretas à América do Sul para além das já existentes ligações aos EUA, Canadá, México, China (8 vezes por semana) e Turquia. Desta forma o importante mercado de “Transhipment” (dominado na península por Algeciras) torna-se passível de ser conquistado por Sines e espera-se que todas as estimativas de carga movimentada sejam superadas, isto apesar da crise que se começa a instalar novamente no continente europeu.

A carga transportada do Brasil que passa por Sines é atualmente pouco mais que simbólica, transitando por aqui apenas 0.012% das exportações brasileiras para a Europa. Atualmente, o maior obstáculo a que este valor seja aumentado significativamente é – além da própria capacidade do porto e a frequência das carreiras – a infra-estrutura de transportes que é claramente insuficiente. A este respeito, um TGV de mercadorias poderia representar uma solução para este problema. Um tipo de TGV que seria – segundo os estudos – muito rentável, bem ao contrário do tão badalado transporte de passageiros.

Fonte:
http://economico.sapo.pt/noticias/sines-cresce-com-ligacao-directa-ao-brasil_122638.html

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Pressionados pela China, os EUA recusam vender aviões F-16D a Taiwan

O governo americano optou por ceder às pressões de Pequim e recusar a venda de mais aparelhos F-16C e F-16D a Taiwan. Os EUA estão agora a tentar convencer os seus aliados sul coreanos a atualizarem os seus 146 aviões F-16A e B para um dos últimos padrões, já com um radar AESA.

Estes F-16 C e D foram originalmente pedidos por Taiwan em 2009 e na altura, esperava-se que a encomenda rondasse os 4.2 mil milhões de dólares, mas teriam apenas os radares convencionais Northrop APG-68(V)9 e não um radar AESA… O melhoramento tenciona aplacar a desilusão de Taiwan pela recusa da venda de F-16 C7D novos. Isto contudo, não apaga uma marca: a de que a dependência dos EUA em relação à China (o maior credor dos EUA) está a começar a afetar as relações com os seus aliados, mesmo os mais antigos e fiéis, como Taiwan. Esta opção acarreta três perdedores: os EUA (que perdem influência num aliado, exportações no valor de 4.2 mil milhões, 800 milhões em impostos e 16 mil empregos), Taiwan (que vê o seu mais importante aliado afastar-se) e a… Lockheed Martin, que estava a contar com esta exportação para manter aberta a linha de produção do F-16, algo que agora será praticamente impossível, sem encomendas novas da USAF ou de algum (imprevisto) cliente internacional. Tudo isto, contra um grande ganhador: a China.

Fonte:
http://www.dodbuzz.com/2011/08/15/report-chinese-pressure-means-no-f-16s-for-taiwan/#ixzz1VAgMCMKL
DoDBuzz.com

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Teresa Ter-Minassian: “Estes são os melhores tempos do Brasil”, mas…

Teresa Ter-Minassian (http://www.agenciafinanceira.iol.pt)

Teresa Ter-Minassian (www.agenciafinanceira.iol.pt)

“Estes são os melhores tempos do Brasil. O país emerge como o líder claro da América Latina e como interveniente-chave no plano global. A economia brasileira foi das primeiras a recuperar fortemente da recente crise financeira, e tem mantido um crescimento impressionante. A pobreza extrema diminuiu drasticamente e a desigualdade de rendimentos encontra-se em declínio, notando-se um aumento da classe média. Além disso, graças à descoberta de vastas reservas petrolíferas ao largo da costa brasileira, o país não só se tornou auto-suficiente em matéria de energia como está prestes a transformar-se num importante exportador de petróleo.”

> Os notáveis progressos sociais e económicos do Brasil, sob a Administração Lula deram ao país um sentimento de otimismo e progresso que mesmo os maiores críticos de Lula da Silva não conseguem negar. O país progrediu muito, mas continua sem uma política externa digna desse nome, realizando más escolhas sucessivas (por exemplo, apoiando o Irão dos Ayatolas) e por uma presença tímida ou ausente nos principais cenários internacionais de crise (da Somália ao Líbano, passando pelo Iraque e Afeganistão). Um gigante continental e económico que se porta como um tímido anão fora de portas, é isso que tem sido o Brasil nas últimas décadas.

“A curto prazo, é essencial evitar o sobreaquecimento económico: o crescimento anual real do PIB ultrapassou os 10% em 2010, devido a políticas monetárias e fiscais expansionistas e a condições comerciais favoráveis. É necessário garantir a desaceleração da procura nacional para um ritmo mais sustentável, para moderar a pressão no sentido da subida dos preços, que ameaça a credibilidade do combate à inflação no quadro da política monetária”.

> a inflação é de novo a grande ameaça da economia brasileira. O afluxo de capitais estrangeiros (que fogem das dívidas soberanas, anterior refúgio depois do colapso do imobiliário em 2008) e o aumento do consumo dos cidadãos brasileiros está a criar condições para fazer a inflação sair dos eixos. Como resposta, o Brasil tem que criar condições para refrear a entrada de Capital estrangeiro e para conter as despesas do Estado… Os programas sociais (que estiveram por detrás, também, dos anos Lula) poderão sofrer alguns abrandamentos, mas se o monstro da inflação despertar, será muito pior…

“O Brasil tem também de acalmar o seu inflamado mercado de trabalho e estancar a deterioração da balança externa (que passou de um ligeiro excedente a um défice de mais de 2% do PIB nos últimos 3 anos, apesar de um significativo ganho em termos de trocas comerciais).”

> a questão é que o “inflamado mercado do Trabalho” tem sido o maior responsável pela melhoria radical da qualidade de vida dos brasileiros. Cada vez mais têm empregos formais, pagando impostos e obtendo Empregos fixos e estáveis, e isto significou um aumento das receitas do Estado e a multiplicação dos consumidores que, até então, estavam condicionados à economia subterrânea. Este aumento do consumo, liberta o Brasil das flutuações de procura da economia mundial (uma das maiores fragilidades da China), mas criou no Brasil algo que é novo: um desequilíbrio na balança de pagamentos, que só pode ser resolvido incentivando à criação de indústrias de substituição que possa repor esse sempre necessário equilíbrio.

“Moderar a procura interna exige, antes de mais nada, contenção orçamental, porque mais aumentos das taxas de juro, que já são relativamente elevadas, apenas servirão para alimentar mais entradas de capital e pressionar no sentido da subida de um real já sobrevalorizado. Os gastos do Governo central aumentem cerca de 4% em termos reais em 2011 em relação ao nível historicamente elevado que atingiram em 2010”.

> esta necessidade explica a contenção da Administração Dilma em cumprir os planos de Lula nos campos da Defesa, sendo já hoje a maior razão do último adiamento do programa de reequipamento da Força Aérea Brasileira, o F-X2. Outros cortes se seguirão, nos próximos anos, sendo praticamente certo que a austeridade crescente será o principal traço desta administração, assim como a expansão e o crescimento foram os dois traços da passagem de Lula da Silva pelo Palácio do Planalto.

Teresa Ter-Minassian
Conselheira do FMI
Público, de 10 de julho de 2011

Categories: Brasil, Economia, Lusofonia, Política Internacional | 22 comentários

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