Pós-Democracia: Resposta a Pedro Nunes no Mundo

“Vivemos uma triste e chocha vida em comum, em que cada um já dificilmente percebe o que vale por si ou como todo
sentimos as ideologias esboroarem-se, não vemos as instituições representar-nos, e menos ainda sentimos ser corpo de um desígnio que nos mova. pelo que maldizemos a ‘democracia'”
– A sociedade atual vive um movimento de severa dissolução… Os índices de “vida em comunidade” portugueses nunca foram famosos, mas atualmente ainda são piores. De facto, são dos piores a nível europeu e estão na direta razão da maior parte das nossas dificuldades atuais: uma população pouco exigente e participativa não cria condições a ser bem governada e isso é precisamente o que tem acontecido…

“mas a ‘democracia formal’ persiste.”
– e ainda bem, mas em que estado? Apenas no seu esqueleto, esvaziado da carne que é efetivamente a cidadania ativa e uma sociedade civil desperta e atenta? E quanta desta formalidade advém do interesse da Partidocracia e dos Lobbies mediáticos postos ao seu serviço?

“felizmente e não nos ajuda nada confundir o desencanto que ela nos provoca com um desapreço suicidário pela sua importância, aconselhado pelo nosso orgulho ferido: se não vivêssemos sob uma ‘democracia formal’ – por pouco que isso hoje pareça que nos aproveite – perceberíamos bem a diferença. e o primeiro dos nossos esforços teria exactamente de ser o de constituí-la – como fizemos em ’74”
– Mas atenção: não podemos, não devemos (devê-mo-lo aos nossos filhos) quedarmo-nos quedos e satisfeitos perante esta estéril “democracia formal”. Devemos defender e agir em prol da erecção de uma democracia efetiva que congrege elementos de democracia direta, mesclados com os sistemas de democracia representativa e alavancar assim um renascimento da democracia portuguesa.

“se o que temos em mãos é um esqueleto seco que não sabemos como rechear com alma, esse é de facto um problema. mas é um problema NOSSO, de todos, de quem depende arranjar arte para o resolver. porque as estruturas formais para o fazer estão montadas ao nosso dispor e muito mais disponíveis do que pretendemos acreditar
e é aí que reside o erro do senhor”
– Bem, é verdade que quem quiser se pode sempre inscrever num partido, mas a maior parte daqueles que o fazem logo desistem, cedendo contra os moinhos de vento dos lobbies e dos interesses instalados…

“ao proclamar o ‘fim’ arrumado da nossa ‘democracia’, é ele próprio que faz a defesa dos ‘coitadinhos’, ‘burros’, ‘espoliados’ cidadãos a quem ‘roubaram’ a ‘democracia’ que já não têm, sem que dessem conta disso ou possam agora resgatá-la num combate desigual. coloca-os numa sub-patamar paternalista de intervenção na sociedade, que só suscita a falta de auto-estima e agrava o descrito distanciamento”
– mas e quantos de nos merecem ser colocados nesse patamar de burrice? Porque é que metade dos portugueses (descontando a sujidade nos cadernos eleitorais…) prefere ficar a ver TV ou ir à praia do que exercer o seu DEVER democrático? Muitos (demasiados) são ignorantes, outros acham que a “politica é demasiado complicada para eles” e quase todos já não acreditam que votar mude mesmo alguma coisa, e têm razão, quando se sabe que a maioria da nossa legislação é já uma transposição de normativas europeias ou resulta de imposições de Bruxelas (Troika…) é este sentimento de inutilidade eleitoral que corrói a democracia nos seus alicerces e que importa vencer.

“é que se achássemos MESMO que tínhamos passado à ‘pós-democracia’ só nos restava UM ÚNICO caminho: a revolução – e não, não falo de ‘revoluções eventuais’ ou de ‘revoluções simbólicas’ e maricas. falo de rua, caos e violência
…o que não é razoável. nem expectável. é quem deixa ‘acabar’ a ‘democracia’ definhada também não tem verve para essas cavalarias”
– Portugal não é um “pais de revoluções”… Tirando talvez a de 1383… Mas estão a criar-se condições para tal: uma separação crescente entre as elite politicas e económicas e a população “comum” e anónima… Uma degradação constante das condições de vida e uma explosão do desemprego urbano… Estão a criar-se condições – talvez não para uma Revolução – mas para a eclosão de múltiplas, dispersas, desconexas e imprevisiveis revoltas sociais de consequências imprevisiveis…
Aproxima-se o Dilúvio Social? Talvez… Mas cabe a todos os cidadãos de bem (como tu, amigo Pedro) tudo fazer para reformar o sistema a partir de dentro e a pessoas como eu para dinamizar esta dormente sociedade civil e para a tornar exigente e reclamante junto da classe politica!

Categories: Política Nacional, Portugal | 1 Comentário

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One thought on “Pós-Democracia: Resposta a Pedro Nunes no Mundo

  1. …que bem que me fazes sentir nesta tua casa 🙂

    ‘Mas cabe a todos os cidadãos de bem […] tudo fazer para reformar o sistema a partir de dentro e a pessoas como eu para dinamizar esta dormente sociedade civil e para a tornar exigente e reclamante junto da classe politica!’

    percebo a construção, mas considero que todos fazemos parte do ‘sistema’ [que inclui tudo o que dizemos, fazemos, escolhemos, nos recusamos a fazer ou aceitar, tudo que consumimos, contribuímos, damos, colhemos, projectamos de nós para o futuro, … ], não vendo traçada a linha do ‘dento/fora’ do ‘sistema’ sobre a fronteira da mera adesão partidária ou muito menos ainda sobre a charneira de quaisquer diferentes mundividências

    como considero que de todos por igual se admite e espera o picar de uma sociedade não-politizada para que crescentemente se politize [o que é bom e necessário], não permitindo que sejam as várias castas cromáticas a monopolizar o que em cada quadrante político é a discussão, a decisão e a intervenção cívicas em assuntos que nos tocam a todos

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