Sobre a elevada Abstenção nas Eleições Legislativas de 2011

Nas últimas eleições legislativas bateu-se um triste recorde: nunca, desde 1976, se registou uma tão alta abstenção: 41%.

A abstenção na legislativas tem vindo a subir de forma constante, eleição após eleição, mas foi extraordinária nas últimas presidenciais (53%) e nas europeias de 2009 (63%!). Tais valores de demissão voluntária do exercício dos seus direitos e deveres de cidadania deviam levar os políticos da partidocracia à reflexão: Não estamos perante um puro laxismo ou desinteresse. O fenómeno, para que alcance tais níveis, tem que ter uma explicação sociológica e esta assenta – na nossa opinião – na generalização da crença de que as eleições, de facto, nada mudam.

Os partidocratas não tornaram estes valores de abstencionismo por aquilo que eles efetivamente são (uma crise terminal do sistema democrático) porque beneficiam com eles: quantos menos cidadãos votarem, mais pesa relativamente o voto dos boys e boyas e mais facilmente exercem aquele “rotativismo democrático” podre e estagnante que nos levou a este ponto pela via da oscilação pendular entre os dois “extremos” aparentes do bi-partido PS-PSD.

Se a política é cada vez mais o circo da partidocracia, onde os grandes partidos se confundem diferenciando-se apenas na específica e temporária fulanização do líder e na sua suposta “competência” para aplicar as ordens emanadas ademocráticamente a partir do centro-europeu, então, votar, de facto, muda muito pouco. O grande fator que propicia à abstenção é assim a irrelevância do voto e só devolvendo a relevância ao mesmo é que poderemos ambicionar a curar Portugal desta doença.

Nos índices internacionais, Portugal aparece particularmente mal colocado no índice “vida comunitária”: os portugueses – em média – fogem a participar em associações, movimentos, partidos políticos e raramente se empenham na via das suas cidades, ruas ou municípios. Se o fazem, é ao sabor inconstante dos interesses particulares e de curta duração, demitindo-se dessa vida cívica logo depois e regressando a uma modorra pacata e entorpecida de que só despertam na próxima “crise”.

Urge dinamizar todas as formas de cidadania: grupos de debate, intervenção comunitária, associações, movimentos cívicos e culturais (como o MIL), partidos políticos (especialmente os sem assento parlamentar) devem ser literalmente invadidos por forma a que todos tenhamos uma presença cívica RELEVANTE e que saíamos deste torpor que tanto convém aos “senhores da europa”, aos seus lacaios locais e ao bi-partido e à partidocracia. Invadamos a democracia por forma a poder salvá-la deste perigo terminal que representa a explosão constante e crescente da Abstenção e dos interesses que com ela diretamente beneficiam.

Fonte:
http://www.publico.pt/Pol%EDtica/abstencao-atinge-valor-recorde-na-historia-das-legislativas_1497641

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Categories: Lusofonia, Movimento Internacional Lusófono, Política Nacional, Portugal | 17 comentários

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17 thoughts on “Sobre a elevada Abstenção nas Eleições Legislativas de 2011

  1. isso dado o desconto de aparentemente estes números
    http://www.por7ugal.net/ – 10,705,742

    não baterem bem com com estes
    http://www.legislativas2011.mj.pt/ – Inscritos: 9.624.133

    • A limpeza dos cadernos?… Ah sim… Anda por ai muito lixo e suspeitas fundadas sobre as razoes porque ‘e que esta limpeza nunca foi feita…

  2. Lusitan

    Não faz sentido comentar a abstenção quando ainda, ao fim de décadas, não se sabe o número verdadeiro de eleitores. Pela estimativa mais recente existem cerca de 1 milhão de eleitores mortos. Alguns deles ainda votam!! Pedro Santana Lopes ganhou a Camara de Lisboa com votos fantasmas!! Estes números de eleitores mortos são manipulados e por isso é que ainda não se fez uma revisão dos cadernos eleitorais!!

    • essa dos ‘votos fantasmas’ é chão que deu uvas, Lus
      quem já esteve meia dúzia de vezes em mesas eleitorais sabe que ou isso nem sequer se dá ou acontecendo não conta para bingo
      já os ‘eleitores fantasma’ são outra conversa !
      sabendo nós que as autarquias encaixam verbas com base na população, é opinião comum a todos os partidos – tacitamente ou não – que não vale a pena mexer nisso para não penalizar quem recebe localmente
      …mas depois as distorções deste tipo acontecem

    • Ora bem. ‘E mesmo isso que dizia mais abaixo…. E nao tenho duvidas de que essa limpeza nao ‘e feita porque tem sido usada pela partidocracia para se ir perpetuando no poder.

      • mas cuidado para não gritar sempre ‘partidocracia!’. chega o dia em que ninguém já liga
        esta deformação de vistas transversal aos partidos acho que não está necessariamente na esfera da perpetuação… se estivesse, pretendia opor-se/perpetuar-se em relação a quê?

        • Otus scops

          PNM

          objectivamente, há ou não há partidocracia em Portugal (com PS e PSD como expoentes máximos dessa gangrena da nossa democracia)???
          quanto à advertência, está com espírito, parece a história do Pedro e do Lobo, mas que fazer perante a pouca vergonha a que assistimos todos os dias dos responsáveis políticos que nos sugam e empobrecem???

          • …mas o tópico era ‘sobre haver “partidocracia” ou não’?
            não tinha dado por isso

            aliás, sugeria um post [mais um…] sobre esse curioso conceito, onde ele pudesse ficar analiticamente mais claro
            ,,,e da discussão pudessem surgir algumas luzes reveladoras

    • Mas faz sentido e deve-se comentar a Abstencao. ‘E uma responsabilidade e um dever votar e se chegamos onde chegamos foi tambem (ou sobretudo) porque muitos nao cumpriram os seus deveres de cidadania.

  3. Odin

    Clavis Prophetarum
    Aqui você menciona sobre a abstenção dos eleitores. Se voto obrigatório fosse algo que resolvesse problemas, o Brasil há muito estava em patamares mais elevados de IDH e renda per capta. Não adianta voto obrigatório se o povo não sabe votar. Na verdade, é pior.
    Não é mero desinteresse do povo. É acreditar que não há opções. O que acontece é que, sempre que os eleitores votarem nos mesmos políticos, terão sempre os mesmos resultados, não verão mudanças significativas. No caso do vosso país, ou os eleitores desistem do PS e do PSD de uma vez por todas, ou não verão novidades no horizonte.
    Outro ponto que eu quero ser sincero, meu amigo. Uma vez eu ouvi a frase “a Democracia é a Ditadura da maioria”. Hoje, eu acredito que a Democracia REPRESENTATIVA é uma forma de Ditadura sim, a Ditadura de quem tem o poder econômico. É uma forma de Ditadura de Partidocracia sim, com máscara de Democracia.
    Hoje em dia, existem tecnologias como a internet, computadores, a urna eletrônica usada no Brasil, meios que aceleram o processo de votação e apuração dos votos. O vosso e o meu também (o Congresso, Assembleias estaduais e Câmaras Municipais) têm muitos casos de escândalos de corrupção. A vossa sociedade e a nossa também são vítimas de abusos de poder. Desde o escândalo do Mensalão em 2005/2006, eu estou convencido de que o Brasil precisa de uma nova Constituição. E o governo Sócrates expôs o mesmo quanto ao vosso país. Uma reforma profunda no Sistema Político-Administrativo é urgente para ambos. Concordo que não podemos ainda abrir mão de um Poder Legislativo representativo a nível nacional, não chegamos a tal nível de evolução, mas é necessário iniciar a transição para a Democracia Direta logo. Então, tanto o Brasil quanto Portugal necessitam cada um de uma constituição que não autorize ao Presidente da República a sancionar qualquer lei aprovada por parlamentares sem que o povo também tenha aprovado por referendo antes de ser sancionada. E o voto distrital misto que é a soma do voto distrital + o voto uninominal intransferível, no qual cada um dos eleitores passaria a votar apenas em um candidato ou candidata, e o voto partidário deixaria de existir, e o recall político. Ao menos, o eleitor passa a ter mais poder sobre o eleito.
    Quanto à justiça, eu entendo que a reforma que esta necessita é para torná-la mais célere, então não sei se redução no quadro de funcionários é boa idéia, porque poderia torná-la mais lenta ainda nos julgamentos.
    Tudo o que for necessário para uma democracia de verdade, eu apóio a reforma nos três poderes do Estado.

  4. paulo Alves

    Já não adianta votar , a solução passa pela emigração em massa , ou então pela via armada . Vivemos num pais falido , a fome está á espera para fazer milhares de portugueses num futuro muito próximo , o povo , aqueles que sempre TRABALHARAM MUITO ao longo da vida e que hoje nada têm sabem disso , os filhos desta boa gente já não quer saber deste pais pois seus familiares foram roubados e enganados , hoje estes preparam-se para abandonar o pais com desprezo e sentimento de injustiça , caso contrário essa boa gente , espoliada pelo sistema , quando se vir sem esperança as armas serão a sua voz , serão as suas palavras , serão a sua nova democracia .

  5. Lusitan

    Clavis… que tal uns comentários ao novo governo?

  6. rato16746

    e muito triste,um portugues 30 anos imigrado,nos estados unidos da america,regreçando ao seu pais de origem,para os seus ultimos anos de vida aborrecido da solidao,arranjando um pequeno modo de vida para sobreviver,um pouco melhor,tendo aceitado uma ambulancia dos bombeiros voluntarios do Cercal do Alentejo,com falta de duas rodas e mais uns bancos,de um desencaceramento,para instruçao dos mesmos,bombeiros,ao qual fui multado com uma coima de 20.550euros,e outra de 800.00 euros por 2 elementos da G.N.R,ao serviço do ambiente,a coima dorou ano e meio,agora chegou para pagar em 10 dias como se eu fosse um milionario nem nunca conheci essa quantia agora espero ir para a prisao,por a bonita competensia,dos elementos do governo Socras,agora com 65 anos de idade,nao o que dizer a isto.

    • ‘E o Estado Predados em toda a sua torpe magnificencia. E uma razao ademais para nos erguermos contra este estado do Estado, desde logo votando, no pais e no estrangeiro.

  7. rato16746

    o meu comentario esta muito triste depois de imigrante,por 30 anos regressei ao meu pais de origem com poucos recursos,comecei a trabalhar,por conta propria,um ano depois fui abordado por elementos da G.N.R ao serviço ambiental,ao qual me penalizaram com 2 coimas uma de 20.550 eurs,e uma outra de 800 eursisto por ter uma ambulancia,sem rodas dianteiras,e alguns bancos que foram retirados de viaturas que os mesmos desmantelavam,para fazerem cursos,dos mesmos so me resta esperar e talvez ser preso,essa elevada quantia,sem nunca ter sido avisado…

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