Daily Archives: 2011/05/29

“O Quinto Império é um projeto para Portugal, para os portugueses e dos portugueses para o mundo”

“O Quinto Império é um projeto para Portugal, para os portugueses e dos portugueses para o mundo. Foi idealizado pelo grande imperador da língua portuguesa, Padre António Vieira, traça as linhas para um mundo novo, uma nova idade, a idade do Espírito Santo”

> A visão de António Vieira para o Quinto Império era fundamentalmente diferente da de Fernando Pessoa ou Agostinho da Silva. A sua visão era muito mais política e missionária do que mental ou cultural, como sucedia com Agostinho e Pessoa.

“O sistema atual de educação em Portugal não foi feito para nem pelos portugueses, sendo uma cópia tirada de outros países da Europa. Uma das suas grandes falhas é a forte influência cartesiana, onde apenas existem respostas corretas e erradas. Eventualmente, este sistema pode funcionar de modo razoável em disciplinas de ciências naturais mas, quando se trata de literatura e Filosofia, esta aproximação não será certamente a mais correta.” (…) “Na verdade, nenhum aluno é livre de apresentar uma opinião própria sobre uma obra, mesmo que fundamentada. (…) Gradualmente, este método leva à castração da mente crítica”.

> o grande nó górdio do desenvolvimento cultural, social e económico português que falta ainda desatar é o da Educação. Embora Portugal tenha hoje uma população universitária considerável e tenha alguns dos melhores cursos e universidades do mundo a verdade é que os nossos alunos continuam a ter menos 3 ou 4 anos de escolaridade que os países mais desenvolvidos do mundo, que a produtividade (medida logo que entram no mercado laboral) é mais baixa que a média dos países da OCDE e que o nosso número de professores por aluno seja dos mais altos do mundo desenvolvido, a verdade é que o nosso desempenho escolar global é medíocre.
Portugal precisa de novos paradigmas.

Comentário a um artigo de Pedro Cipriano
Nova Águia 7

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Ricardo Reis: “Porque somos tão pobres?”

“Apesar de muito progresso nos últimos 50 anos, Portugal ainda é um país pobre. Em 2010, um alemão era em média 62% mais rico do que um português, e até um grego era 10% mais rico do que nós.
A última década agravou este atraso. O nosso PIB per capita cresceu só 2.2%. Para pôr este número em perspetiva, a estagnação económica japonesa entre 1992 e 2002 ficou famosa como a década perdida. Quanto cresceu o Japão durante este período? Mais do dobro do que Portugal nos últimos 10 anos: 5.7%”

> Portugal está em estagnação económica há mais de uma década. Um tão longo período de paralisia económica já devia ter convencido as elites governativas (sobretudo as do bi-partido PS-PSD) de que o modelo económico, baseado na construção de infraestruturas, no predomínio do setor terciário e do imobiliário está esgotado e que não é capaz de produzir os recursos suficientes para manter um país da nossa dimensão. É impossível que o país continue a existir nesta forma e neste formato atual indefinidamente. E não serão nem “contenções orçamentais” nem a destruição do Estado Social que – a prazo – irão resolver algo. Portugal precisa de novos paradigmas, de novos modelos e de novos desígnios nacionais ou arrisca-se a ser para todo o sempre não mais do que um protetorado da Europa do Norte, que se hoje nos empresta dinheiro (a juros elevados) para evitar a bancarrota, amanhã não hesitará a enviar as suas legiões por forma a garantir a boa cobrança desse empréstimo ou a tomada da zona económica exclusiva como garantia dos mesmos.

“Porque somos tão pobres? Não é porque trabalhamos pouco. Em relação à nossa população, mais portugueses trabalham do que gregos ou alemães, e cada um passa muito mais horas no local de trabalho – 26% mais do que os gregos e 8% mais do que alemães.”

> Não é este o mito que os alemães querem fazer passar. Para o alemão, todos os povos do sul são calaceiros e pouco amigos do Trabalho. Mas a realidade desmente esses preconceitos racistas dos germânicos: não só os portugueses trabalham por semana mais horas que os alemães (mais 3), como têm menos dias de férias que os germânicos. A diferença entre Alemanha e Portugal não está no Trabalho, portanto. Está na Produtividade do mesmo… e aí entram em equação um sem número de fatores além do próprio trabalhador.

“Também não é porque investimos pouco ou porque temos equipamentos e infra-estruturas insuficientes. Em relação ao que produzimos, o nível do nosso capital é semelhante ao de outros países europeus.”

> a rede rodoviária portuguesa é muito mais densa que a alemã, por exemplo. E os investimentos públicos no setor dos transportes consideráveis. Graças aos “fundos europeus” comprámos inúmeros bens e serviços (sobretudo a empresas do norte da Europa) para modernizar até ao nível europeu a nossa rede de transportes. E a parte que os Fundos não financiaram fomos buscá-la ao endividamento que hoje ameaça asfixiar-nos… Ficámos com uma grande rede de transportes, mas com ela veio uma grande dívida externa. O investimento (seguindo restritamente as orientações europeias) concentrou-se nas infraestruturas e em troca dele sacrificámos a nossa indústria (cedida à China e à Europa de Leste) e as pescas (sendo os nossos mares rapidamente ocupados com arrastões espanhóis).

“A causa da pobreza portuguesa é fazermos pouco com os meios à nossa disposição. Desta falta de produtividade, destacam-se os dois componentes.
Primeiro, a falta de capital humano. Em 2010, em média, um português passou 7.7 anos na escola, contra os 10.4 anos dos nossos vizinhos espanhóis, e os 12.4 anos dos norte-americanos.”

> e com que rendimento escolar? e em que cursos? Não é somente uma questão de poucos anos no ensino superior, é uma questão de saber se certo tipo de cursos que hoje proliferam (e foram autorizados pelo Ministério) têm razão de ser ou se devem ser reduzidos apenas às quantidades que o Mercado de Trabalho consegue efetivamente absorver. Cursos como “Relações Externas”, “Psicologia”, “Direito”, “Sociologia”, etc devem ser rigorosamente avaliados na sua qualidade, a sua quantidade deve ser avaliada e reduzida até patamares aceitáveis e mestrados absurdos como “engenharia de campos de golfe” ou “mestrado da Paz” simplesmente suprimidos como plenas inutilidades que são.

“Um ano a mais nas nossas escolas produz um aumento de rendimento de 2%. Um ano a mais numa escola espanhola leva a um aumento de 4.5%. E numa escola alemã, 8.3%. Estas diferenças de rentabilidade são bem maiores do que a diferença nos anos de escolaridade.”

> Todos os cursos superiores (públicos e privados) devem ser sujeitos a auditorias externas que avaliem a sua qualidade. Os piores, devem ser encerrados. Os maus professores despedidos. Os maus alunos no ensino público (que chumbem anos seguidos, sem fim) devem ser expulsos, como efetivo desperdício de recursos escassos que são.

“O segundo fator é a má gestão. Um estudo recente mediu as práticas de gestão em 17 países do mundo com base em grandes amostras a empresas. Talvez não surpreenda o leitor que a qualidade da nossa gestão é má. As práticas de gestão portuguesas estão abaixo das mexicanas ou polacas e só acima das brasileiras e das gregas.
Olhando para as categorias individuais, os portugueses dão-se pior nos recursos humanos. Deste estudo fica a impressão que, comparado com outros países, praticamente não existem bons incentivos no local de trabalho em Portugal. Recompensar os melhores funcionários e castigar os piores, incluindo despedi-los, são atos invulgares na indústria portuguesa.”

> Será polémico, de certo, mas há que rever o Código Laboral permitindo que os calaceiros que passam o dia a discutir futebol ou as novelas sejam afastados. O despedimento individual não pode ser o tabu que é nos dias de hoje. Há que encontrar formas de defender os trabalhadores contra abusos e prepotências, mas a ligação entre empenho e comprometimento no Trabalho e Emprego e, sobretudo, níveis de remuneração deve ser firmemente estabelecida.

A forma menos arbitrária de estabelecer Justiça e Incentivos para a produtividade passa – em nosso entender – pela conversão das empresas em cooperativas de produção em que o Capital é parcial ou totalmente detido pelos próprios trabalhadores, os seus gestores (intermédios e de topo) eleitos em assembleia geral e todos aqueles que por manifesta incapacidade ou falta de vontade são incapazes de contribuir a sua parte para o todo coletivo, afastados nessas mesmas assembleias gerais. Estabeleça-se a ligação entre Produtividade e Vencimento, coloquem-se as pessoas a trabalharem para objetivos estendíveis e alcançáveis, tornando-as parte desse processo decisório e executório e teremos um país reestruturado e vencendo o seu grande problema: a incapacidade crónica da maioria dos seus gestores.

Comentário a um artigo de Ricardo Reis
Sol 6 de maio de 2011

Categories: Economia, Política Nacional, Portugal | 3 comentários

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