A solução islandesa

Islândia (http://0.tqn.com)

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“A Islândia faz então o inusitado: decide proceder à liquidação dos bancos em rutura de pagamentos. Por outras palavras, o Estado respondeu pelas perdas dos seus cidadãos transferindo os ativos para novos bancos, e remeteu para os acionistas e para os credores as responsabilidades da divida criada.”

> não foi esta a opção seguida por todos os outros países do globo, dos EUA (o epicentro da crise) à Europa que escolheram: pressionados pelos dóceis “economistas do sistema” corrompidos a peso de ouro pelas empresas financeiras pela via de “estudos” os Estados preferiram derramar milhares de milhões de euros sobre Bancos falidos por atitudes completamente desbragadas e “salvar” estes monstros. Empresas que foram levadas à falência pelos seus gestores e ávidos acionistas foram salvas com dinheiro dos impostos dos cidadãos segundo o conselho dos economistas enfeudados às financeiras. O lucro, que era proporcionalmente elevado devido ao risco, tornou-se em prejuízo quando o risco das bolhas imobiliárias estourou, mas não foi transferido para os banqueiros mas para os Estados. Foi assim em todo o lado, com exceção da Islândia, claro.

“Isto não evitou uma brutal desvalorização da moeda, a queda da produção e o desemprego, uma novidade na ilha. Mas teve, pelo menos, uma virtude: quem criou a dívida ficou com ela nas mãos.”

> Quando um país se vicia na dívida e deixa que o essencial da sua economia seja devorada pelo setor financeiro criam-se perigosos laços de dependência que quando são finalmente quebrados (como no caso Islandês e antes dele da Argentina) provocam um inevitável caos. A desvalorização da moeda pode colmatar parcialmente a crise (uma ferramenta que a Europa nega a Portugal) ao dificultar as importações, tornando simultaneamente as exportações mais competitivas. Mas a brutal escassez de crédito cria um bloqueio à economia, levando muitas empresas à falência e multiplicando o desemprego. A curto prazo, a correção é dolorosa, mas livres do vício do crédito barata e da escravização ao sistema financeiro, os países ganham condições para uma nova fase de desenvolvimento económico e social livre de uma dívida impossível de pagar e que foi criada com juros agióticos.

Perante Bancos ávidos e mal geridos, a resposta dos Estados deve ser idêntica à islandesa: pagar aos depositantes pequenos e médios a totalidade dos seus depósitos, levar estes Bancos à falência, processando e exigindo a devolução dos bónus e salários milionários aos seus gestores por forma a financiarem esses pagamentos e dividir estes Bancos em Bancos recapitalizados, mais pequenos, mais resilientes, com menor risco sistémico poderão assim ser parte da solução e não mais do problema. A crise pode ser aproveitada como oportunidade: uma oportunidade para recolocar o sistema financeiro no devido lugar de coadjuvante da economia e não como seu elemento dominante, restaurando a racionalidade no endividamento público e privado e criando condições para uma verdadeira revolução económica e social de base humana e local onde antes existia uma economia de base financeira e global.

Comentário a um texto de Miguel Portas
Sol 6 de maio de 2011

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Categories: Economia, Política Internacional | 3 comentários

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3 thoughts on “A solução islandesa

  1. mario rider

    queria partilhar este artigo mas redes sociais mas não me aparece as opções

    • Bem, estive a confirmar e sim, as opcoes deveriam la estar, mas o wordpress por alguma razao nao esta a funcionar bem. Vou ver se reaparece, se nao, vou abrir um pedido de suporte ‘a wordpress.

  2. Odin

    http://tecnologia.terra.com.br/noticias/0,,OI5187106-EI12884,00-Islandia+usa+Facebook+para+escrever+nova+Constituicao.html

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