História da Guiné Portuguesa (1870-1941)

No sul insular, mais especificamente nos Bijagós e na ilha de Bolama assim como em todo o litoral adjacente. A ameaça europeia à presença portuguesa era constituída pelos britânicos, a maior potencia militar e económica da época. A disputa por Bolama foi muito intensa, abeirando-se da guerra em diversos momentos, sendo finalmente resolvida a favor de Portugal pelos esforços de António José de Ávila, que receberia em razão dos mesmos o título de Duque de Ávila e Bolama. Foi José de Ávila quem conseguiu com que o presidente dos Estados Unidos, Ulysses S. Grant, em 1870, tomasse o partido luso e pressiona-se o Reino Unido a abandonar a ilha, um auxílio que resultou de muito do comércio guineense estar dependente de alguns navios americanos.

Mas as fronteiras coloniais não estavam ainda estabelecidas a norte e a oriente. É só em 1886 que França recebe a região de Casamansa em troca de Quitafine (no sul) e a fronteira com os territórios sob administração francesa é reconhecida.

Tendo em conta a fragilidade da presença portuguesa (apenas duas fortalezas, uma das quais: Cacheu em obras permanentes) e uma força militar europeia que até meados do século XX era formada apenas por algumas dezenas de degredados o reconhecimento das fronteiras da Guiné Portuguesa por parte de França e Inglaterra foi um notável feito da diplomacia portuguesa da época.

Firmadas as fronteiras com as potencias europeias, Portugal começa, a partir de finais do século XIX, uma série de “campanhas de pacificação” onde sobressai de forma destacada o génio militar e organizativo do governador João Teixeira Pinto, que com escassos meios, mas com grande habilidade e diplomacia consegue agregar em torno das forças portuguesas aliados locais que lhe permitem estabilizar a colónia e firmar o domínio luso sobre a mesma.
Até 1879, a Guiné Portuguesa era administrada como uma dependência de Cabo Verde, tendo sido só então que passou a ser regida de forma autónoma do arquipélago.

Datam das primeiras décadas do século XX as primeiras campanhas conduzidas pelas forças portuguesas contra as tribos independentes do interior, tendo então os governadores dependido totalmente de forças indígenas. Só em 1936, contudo, é que todo o território ficou sob a efetiva administração portuguesa, quando todas as ilhas Bijagós foram submetidas.

É neste período que se constroem estradas e algumas pontes e a Casa Gouveia (do grupo CUF) se estabelece em Bissau. A capital da colónia em 1941 muda de Bolama para Bissau, que na época era já a capital económica da colónia.

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Categories: Guiné-Bissau, História, Portugal | 7 comentários

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7 thoughts on “História da Guiné Portuguesa (1870-1941)

  1. Otus scops

    mais um belíssimo artigo “made by” Clavis Prophetarum!!!

    realmente a história da Guiné-Bissau é uma historia de desleixo e de criação de mais uma artificialidade jurídico-administrativa no continente africano…
    ainda se admiram que aquilo esteja como está…

    • ‘E verdade… Muitos problemas de Africa resultam das irrealistas fronteiras colonias. Mas nenhum guineense que conheca defende o redesenho das suas fronteiras ou questiona mesmo a sua nacionalidade guineense (embora se identifiquem todos com a sua etnia)

  2. Então. q os mesmos resolvam de maneira inteligente o q outros fizeram de forme errada…e sejam td eles felizes.

  3. Fenix

    Pois a regua e esquador por isso quase todos os paises de africa já tiveram guerras de ajutes. Onde fica a sede dos mil?! Pois quero participar mais e ser um menbro de facto dos mil pois chegou a hora.

  4. excelente trabalho Clavis, superior ao de muitos jornais do meu país

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