Daily Archives: 2011/05/21

A “Guerra da Guiana” de 1808

Fusileiro Naval português (https://www.mar.mil.br)

Fusileiro Naval português (https://www.mar.mil.br)

Ao chegar ao Brasil, em 1808, depois da sua retirada de Lisboa, uma das primeiras decisões do príncipe regente Dom João VI foi a de enviar cartas a todos os governantes europeus comunicando-lhes que Portugal continuava em guerra com a República Francesa. Como o Brasil tinha fronteiras comuns com a Guiana Francesa, isolada da metrópole e sem o apoio da frota francesa, a opção de atacar a Guiana era natural.

Dom João VI, ordenou ao governador geral Magalhães e Meneses que reunisse no Pará uma força expedicionária sob o comando do tenente-coronel de artilharia Manuel Marques de Sousa. A força reunida em 1809 consistia em mais de 900 soldados e apressou-se a marchar em direção da capital da Guiana Francesa, Cayenne.

Esta força terrestre era complementada por uma armada, comandada pelo capitão britânico James Lucas Yeo, a partir da fragata Confiance com 26 peças de artilharia. Além desta fragata, seguiam na armada luso-britânica, os brigues “Voador” de 18 peças sob o comando de José António Salgado e o “Infante Dom Pedro”, também com 18 peças e comandado por Luís da Cunha Moreira. A esquadra era completada com a escuna “General Magalhães” de 12 peças e ainda por dois cúteres, “Vingança” e “Leão” sob o comando do tenente Manuel Luís de Melo. Seguiam ainda nesta armada 3 canhoeiras de nome desconhecido. A força embarcada de fuzileiros era comandada por Luís da Cunha Moreira e ascendia a 300 fuzileiros britânicos.

O primeiro enfrentamento entre as forças terrestres portuguesas e francesas teve lugar a 15 de dezembro de 1808, nas margens do rio Aproak, tendo resultado na tomada de duas embarcações de carga francesas. As semanas seguintes são gastas tomando todas as fortificações francesas do rio Maroni, uma após outra, sempre com escassa resistência. A 6 de janeiro de 1809 a coluna portuguesa ocupa o forte “Diamand” e a 7 de janeiro, o forte “Dégard des Cannes”, a 8, cai, por sua vez, o forte “Trió”, todos na ilha de Cayenne. Estabelece-se então o cerco à capital da Guiana Francesa onde o governador Victor Hughes tinha reunido todas as suas forças,numericamente comparáveis às portuguesas contando com 500 soldados de linha, auxiliados por dezenas de civis armados e algumas centenas de escravos libertos e armados no último momento pelos seus senhores franceses. Os franceses esperavam  resistir na capital da colónia o máximo de tempo possível. Mas Hughes estava isolado, sem reforços nem apoio da sua metrópole e a 12 de janeiro de 1809 haveria de dar por inútil toda a resistência e render-se, quase sem ter chegado a combater, assinando em Bourda a sua rendição.

Após a rendição, a “Guiana Francesa” foi redesignada “Colónia de Caiena e Guiana” e passou a ser administrada pelo desembargador João Severiano Maciel da Costa, mais tarde marquês de Queluz.

Os objetivos da “Guerra da Guiana” foram duplos: por um lado, Portugal reafirmou assim que continuava em guerra com a França napoleónica, do ponto de diplomático. Por outro lado, a “Guerra da Guiana” permitiu também um ajustamento das fronteiras entre o Brasil e a Guiana Francesa, alterando as fronteiras acordadas pelo Tratado de Utrecht. Com esta alteração, a fronteira regressava ao rio Oiapoque, anulando acordos anteriores e que eram menos favoráveis aos interesses portugueses.

A derrota napoleónica de 1814, fez com que o reinstaurada monarquia francesa na pessoa do rei Luís XVIII, se tivesse apressado a reinvidicar a posse da Guiana junto do governo português. Dom João VI começou por resistir e a questão teve que ser levado ao Congresso de Viena em 1815. Em Viena, a França aceitaria as fronteiras atuais e em 21 de novembro de 1817, a guarnição portuguesa deixaria o território regressando ao Brasil e o governo da colónia ao conde Carra de Saint-Cyr. Como com a recusa do regresso de Olivença, a devolução da Guiana ficaria na história como mais uma ignomínia inglesa contra Portugal, castigando-o por não ter querido enviar os seus regimentos para a batalha de Waterloo…

Fontes:
FERREIRA, Fábio. A política externa joanina e a anexação de Caiena: 1809-1817. In: REVISTA TEMA LIVRE.
GOYCOCHÊA, Luís Felipe de Castilhos. A diplomacia de dom João VI em Caiena. Rio de Janeiro: G.T.L., 1963.
http://www.bairrodocatete.com.br/domjoaovi1.html
Revista O Anfíbio, Marinha do Brasil, no 26, ano XXVII, 2008.
http://www.portugal.pro.br/portugal18.htm
FERREIRA, Fábio. A política externa joanina e a anexação de Caiena: 1809-1817. In: REVISTA TEMA LIVRE.

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Categories: Brasil, História | 35 comentários

Sobre a estranha inflexibilidade dos preços da gasolina

É sem dúvida estranho que quando os preços do barril de petróleo sobem, os preços no consumidor sobem em idêntica proporção e com idêntica rapidez, certo? Errado.

O facto de as subidas dos preços serem rápidas e as descidas lentas e raras são sinais de uma economia de mercado ineficiente onde a sã concorrência não existe.

Parece evidente que os grandes distribuidores aproveitam o pânico internacional nos mercados de commodities para subirem as suas margens de lucro. Só assim se explica a anomalia: rápida subida/lenta descida. O fenómeno é antigo (datando da primeira crise petrolífera em 1973) e já foi alvo de vários estudos económicos e observa-se em praticamente todos os países do mundo. Nos EUA, por exemplo, em 1997 um estudo orientado pela equipa do economista Severin Borenstein concluiu que os preços da gasolina caiam duas vezes mais lentamente do que subiam, depois de cada “choque de preços”. Outro economista, Matt Lewis da Ohio State University, estudou as variações do preço da gasolina num período de dez anos e observou um fenómeno idêntico mas não crê que tal se deva à combinação de preços mas julga que o fenómeno se deve ao facto de quando os preços caem (após uma subida provocada por uma “crise de preços”) os consumidores se sentem compelidos a tornar a comprar gasolina que param de procurar os melhores preços e isto elimina a pressão sobre os fornecedores para baixarem os preços.

Em Portugal, infelizmente, o mecanismo de formação dos preços não é tão flexível como nos EUA, já que a distribuição é controlada por uma única empresa (a Galp) mas a conclusão é idêntica: nunca devemos parar de procurar os melhores preços, sobretudo em momentos de queda dos mesmos…

Fonte:
http://jalopnik.com/#!5795871/why-gas-prices-go-up-much-faster-than-they-go-down

Categories: Economia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | Deixe um comentário

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