Daily Archives: 2011/05/01

“Querido Portugal, daqui é a Irlanda”

“Querido Portugal, daqui é a Irlanda. Em primeiro lugar, deixa-me ensinar-te uma coisa sobre as nuances da língua inglesa. Dado que o inglês é a tua segunda língua, poderás pensar que as palavras bailout (resgate) e aid (ajuda) deixam entender que terás o auxílio dos nossos irmãos europeus para ultrapassar as atuais dificuldades.
O inglês é a nossa primeira língua e também pensávamos ser esse o significado de bailout e aid. Permite-me que te alerte que não só este bailout – que te será imposto como uma inevitabilidade – não te vai resolver os problemas, como irá prolongá-los para as gerações vindouras” (…) “quando pegares no dicionário, consulta ‘empréstimo’, ‘usura’,’crédito subprime’ e ‘roubalheira’. Isto dar-te-á uma noção mais exata daquilo que te vai acontecer”.
The Independent (Irlanda)

Ora bem. Eis soberbamente resumida a vara de três bicos em que estamos metidos: Os nossos “amigos” europeus não nos dão liberdade para adotar somente a intervenção do FMI – que é menos gravosa – e exigem condições draconianas que arrastarão o país para uma intensa e longa recessão não porque queiram “o nosso bem”, mas porque as suas opiniões públicas querem sangue, o nosso sangue. Querem “castigar-nos”, não querem sanear as finanças públicas nem criar as bases de uma economia saudável e dinâmica. Para os europeus do norte se permanecermos um país de sol e praias, tudo bem. Os preços do turismo continuarão baixos e continuaremos a comprar (mas menos) as suas tralhas, desde os Nokias da soberba Finlândia, aos Audi da arrogante Alemanha, passando pelas aparelhagens Philips e outra cangalhada.

Portugal devia ter líderes à altura da exigência tremenda que o momento impõe: líderes capazes de dizer “não” aos “donos” da Europa e de usar as armas que temos para exigir o apoio que merecemos: sair da Europa e do Euro. Fechar fronteiras, nacionalizar empresas europeias, repor taxas alfandegárias, tudo devia estar sobre a mesa nestas “negociações” que agora decorrem e que, pelo contrário, mais parecem “imposições” que outra coisa, tal é a atitude pífia com que os nossos representantes se apresentam perante estes tristes contabilistas sem imaginação da Troika FMI/BCE/UE que nestes dias nos visitam…

Categories: Economia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | 1 Comentário

Sobre o comportamento das agências de Rating

http://risingpowers.foreignpolicyblogs.com

risingpowers.foreignpolicyblogs.com

“As três maiores agências de rating (s&p, moody’s e fitch) têm tido um comportamento injustificável e que tem distorcido as regras de funcionamento do mercado. Dois exemplos recentes: a 22 de março deste ano, a Fitch disse que não mudaria o rating de Portugal devido à recente crise política e alterou-o dois dias depois, em dois níveis. A Standard & Poor alterou a nota de varias entidades ligadas ao governo português.
(…)
Não se compreendem as diferenças relativas de rating entre vários países europeus com situações de défice público e de dívida pública em percentagem do PIB não muito diferentes entre si. Compara-se a situação de Portugal com a dos EUA, França, Reino Unido, Espanha, Itália ou Bélgica, e facilmente se conclui que não podem ser estes indicadores que justificam o rating de Portugal. É preciso não esquecer o elevado número de produtos estruturados e instituições que tinham classificação máxima de AAA dada por estas agências e que entraram em default.”
Entrevista a Pedro Braga da Cruz
Diretor da Companhia Portuguesa de Rating
Sol 1 de abril de 2010

As agências de Rating foram as maiores responsáveis pela crise do subprime que estourou em 2008 e que sob a forma de “crise da dívida soberana” produziu ecos até hoje. Foram estas agências que sobre-avaliaram opacos produtos financeiros e que – lucrando diretamente com essas avaliações – criaram a bolha especulativa cuja explosão em 2008 criaria ecos até hoje.

Não se compreende como é que agências de rating que falharam de forma tão rotunda continuam ainda hoje a operar em plena impunidade e merecem ainda alguma credibilidade por parte de quem seja, desde os Media até aos Especuladores (que por elas foram enganados várias vezes). Não se compreende porque é que os milhões de lesados, de empresas, Bancos e até Estados (sobretudo agora) não fizeram chover sobre elas processos judiciais exigindo pesadas indemnizações por perdas e danos.

Não se compreende como podem continuar a operar impunemente na mesma Europa que elegeram agora como seu alvo principal (o Euro). A menos que os líderes da Europa sejam uns fracos ou que tenham algo a ganhar diretamente com a sua existência…

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