Da atitude tíbia da Alemanha na Questão Líbia

Typhoon alemão (http://www.aviationnews.eu)

Typhoon alemão (http://www.aviationnews.eu)

“Na questão líbia, as hesitações, a abstenção no Conselho de Segurança para impor a zona de exclusão aérea e a ordem da retirada de navios de guerra do Mediterrâneo caíram mal junto dos aliados e contrastaram com a liderança resoluta de Nicolas Sarkozy.”
Sol 1 de abril de 2011

A Alemanha de Merkel é cada vez mais um poço de imoralidade, indecência, egoísmo e estupidez estratégica. As suas opções (secundadas pela maioria do eleitorado alemão) quanto à Europa e à defesa do Euro estão a levar a União Europeia para um beco sem saída que está a ditar o fim do projeto europeu e tornar a Europa cada vez mais num “império franco-alemão” com capital em Berlim. Hipócrita nas questões de política internacional, como se viu nesta posição cobarde quanto à crise na Líbia e na recusa em colocar tropas alemãs em regiões no Afeganistão onde pudessem sofrer baixas, Merkel mostra que esta Alemanha de hoje é um país fraco, coxo de ambições internacionais e profundamente isolacionista e amoral. Um aliado a evitar, em suma, extremamente pernicioso no cenário internacional e europeu, um país fraco e alguém com quem não se pode contar em caso de necessidade.

Categories: DefenseNewsPt | Etiquetas: | 41 comentários

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41 thoughts on “Da atitude tíbia da Alemanha na Questão Líbia

  1. Otus scops

    CP

    adorei o tom, o alvo das críticas, a análise bem objectiva e contundente!!!
    pela 1ª vez desde à muito tempo abandonaste a maledicência europeísta!!!

    dou-te razão em praticamente tudo.
    apenas gostaria de dizer que o Japão e a Alemanha só deverão entrar em guerra apenas em caso de necessidade extrema… não excitem as bestas, cuidado!

  2. Luiz Ely Silveira

    Merkel não quer meter-se em atoleiros para simplesmente atender interesses que, no fundo, são dos EUA, embora a Europa dependa também do petróleo líbio. A desculpa de que Kadaffi é ditador não serve para ninguém, já que esses mesmos que o condenam, apóiam ou apoiaram outras ditaduras. E a mais antiga ditadura que conhecemos, a de Cuba, prossegue incólume.

    • Otus scops

      “A desculpa de que Kadaffi é ditador não serve para ninguém,”
      claro que não!

      a questão aqui chama-se petróleo.
      veja-se os casos da Síria e do Iémen, ninguém quer saber porque não tem riquezas de monta.
      veja-se um caso oposto, o Bahrein, com uma invasão de tropa estrangeira – Arábia Saudita.
      veja-se o caso de Angola, Arábia Saudita, Guiné Equatorial, etc. alguém quer mexer nalguma coisa a nível político ou de direitos humanos??? claro que não.

      • Sem duvida: se nao fosse o petroleo ninguem estaria a enviar avioes para a Libia… Mas neste caso este interesse economico coincide com os interesses humanitarios, pelo que nao ‘e util levantar essa questao. E ‘e alias contraproducente e do interesse do regime de Kadafi…

  3. Lusitan

    A Alemanha tem uma política externa que privilegia os acórdos económicos em deterimento da força armada devido à sua história. Não vejo porque razão deveria enveredar por outro caminho. Ainda por cima quando a França e o Reino Unido se dispuseram a entrar na guerra apenas por razões eleitoralistas. Nem sequer os americanos queriam esta guerra, veja-se apenas o jogo de cintura que tanto Obama como Clinton fizeram para não envolverem em demasia o país nesta guerra.

    @CP
    A Alemanha foi a única das três “potências” europeias que acautelou os seus interesses estratégicos e que mostrou algum tipo de cautela nesta guerra. Primeiro porque não sabe quais são os verdadeiros intuitos dos rebeldes nem quem são os seus líderes, depois porque assim mantém alguma credibilidade junto dos líderes árabes quando tanto os franceses como os ingleses tiverem de retirar da Líbia com mais uma derrota política (dejá-vu??, alguém se lembra da crise do Suez??). A Alemanha não entra em aventuras eleitoralistas. A Alemanha faz Realpolitik independentemente de quem é o líder à frente dos destinos da nação.

    É estranho que o CP critique a Alemanha em relação à sua posição assumida, mas que permaneça calado em relação ao Brasil que fez exactamente o mesmo. Em relação à posição da Alemanha no Afeganistão, a Alemanha permanece no terreno, mesmo com uma grande parte da população contra, ao contrário de muitos dos países mais voluntariosos inicialmente como a Espanha por exemplo, e não paga aos insurgentes para não ser atacada como aconteceu com os italianos. É a terceira maior força no terreno e mesmo estando numa zona “mais calma” é a quinta força com mais mortes no terreno. Em 2010 ao contrário de muitos países “morais e não hipócritas” aumentou a sua presença em mais 850 efectivos. Se calhar esquecem-se que o facto da Alemanha controlar o sector Norte permite que se libertem efectivos doutros países para que possam actuar no Sul. A Alemanha nem tem interesses estratégicos no Centro da Ásia ao contrário dos americanos e dos ingleses que querem aceder ao gás das ex-repúblicas soviéticas dessa região, porque razão deve então empenhar forças no Afeganistão, ainda por cima quando está a remexer em feridas do passado recente da nação?

    @Luiz
    A China é uma ditadura mais antiga que Cuba, e se não estou em erro alguns países da península arábica também têm ditaduras mais longas.

    • Odin

      A posição do governo brasileiro?

      http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5098392-EI17839,00-Itamaraty+pede+paz+nos+paises+arabes+e+critica+ataques+a+Libia.html

      • Lusitan

        http://br.reuters.com/article/topNews/idBRSPE72KHLE20110317

        A abstenção do Brasil é diferente da da Alemanha?

      • Odin

        Eu pessoalmente sou a favor da queda do Kadhafi. Mas são os rebeldes líbios quem têm o direito de derrubá-lo. Se outros países já tomaram a iniciativa de bombardear os domínios de Kadhafi, nem a Alemanha e nem o Brasil precisam participar. No lugar de qualquer governante alemão, depois do que aconteceu entre 1933 e 1945, só usaria as forças armadas alemãs para defender o território da União Européia e países europeus da OTAN, em caso de agressão de fora. Tomar a iniciativa de atacar outros países, jamais!

        • Otus scops

          Odin

          os “rebeldes” foram rechaçados com forças armadas, fica difícil civis levemente armados contra um exército regular.
          ao Brasil não faz sentido participar, não pertence à OTAN, ao bloco árabe ou africano.
          mas ficaram, alamães e brasileiros, numa posição nem nem, é uma posição cínica e para piorar nos bastidores ainda criticam, para ficarem bem na foto.
          mas os rebeldes quando tomarem o poder não se vão esquecer de quem é quem, já o disseram à quase um mês.

        • Odin

          Otus Scops

          Mas os aliados ocidentais podiam ajudar os rebeldes com armas em vez de tomar a iniciativa de atacar. E se os aliados ocidentais não ajudarem, fontes como a Al Qaeda ajudavam os rebeldes de alguma forma.
          É óbvio que não faz sentido o Brasil participar disso. Lá no CS da ONU, a posição do Brasil é de “covarde”, o que comprova que, por causa do tipo de líderança que o Brasil tem, não tem maturidade para ser membro permanente do CS. Mas o governo brasileiro é contra atacar a Líbia, mas lá no CS ficou em cima do muro. Se o Brasil é contra, que votasse abertamente contra, então. E tem mais, a Europa com problemas financeiros, os franceses e os ingleses gastando com guerra?

          • Otus scops

            Odin

            essa coisa de armar rebeldes deu MUITO mau resultado da última vez…
            😀

            sim, o Brasil tem coisas mais úteis e proveitosas para fazer do que se meter nesta embrulhada.

            os problemas financeiros parece que não contam para as forças armadas, aliás, depois da guerra acabar a factura vai ser apresentada aos vencedores, não te preocupes…
            entretanto como precisam de liquidez já mandaram a Portugal o FMI e o FEEF para nos cobrarem… é que isto de estar lá enterrado até ao pescoço a mamar (Portugal) e os franceses e os ingleses estarem de fora é inadmissível. temos também de os compensar.

          • Na verdade aquela guerra ‘e a guerra da incompetencia: os rebeldes nao passam de um bando desorganizado de civis armados, e o “exercito de kadafi” ‘e essencialmente um exercito de mercenarios mal comandado e propulsado a viagra. Se um exercito regular nao consegue vencer este bando ‘e porque ‘e mesmo muito incompetente.

    • Otus scops

      Lusitan

      “É estranho que o CP critique a Alemanha em relação à sua posição assumida, mas que permaneça calado em relação ao Brasil que fez exactamente o mesmo.”
      estranho só para ti… é a Lusofonite, já está como doença crónica. 😀

      quanto ao texto está brilhante e certíssimo!!!

      mas há que dizer o seguinte, a Alemanha é dos países que menos investe em forças armadas, o que lhe dá uma vantagem económica enorme. essa ideia de controlar o sector norte não concordo, quem ainda faz a defesa da Europa e da Alemanha são os EUA. se a Rússia atacasse a Alemanha não tinha capacidade para o repelir.

      • Ja critiquei aqui a tibieza (ou desnorte mesmo) da politica externa brasileira varias vezes e com muita agudeza, meus caros…

        • Otus scops

          CP

          bem-vindo a jogo!!!
          coisa rara em ti ultimamente.
          😉

          no entanto a tua Lusofonite não te permite fazê-lo no mesmo tom equilibrado e imparcial.
          é só disso que se trata, mas também não é grave…

          • O que chamas de “lusofonite” chamo eu de designios nacionais, visao estrategica e crenca (fervorosa) no futuro e destino de Portugal… Nao me rendo e nao cederei nunca esta patria aos tubaroes do euro ou de Madrid…
            Ao contrario de ti vejo esse futuro na Lusofonia, nao numa logica tao auto-centrada neste retangulo como tu, a nossa (saudavel) divergencia anda por estas bandas…

  4. Lusitan

    Otus:
    Sector Norte do Afeganistão. E a Alemanha investe menos em forças armadas porque não investe em armamento nuclear e de projecção estratégica (custos altíssimos), e porque ainda tem o serviço militar obrigatório o que reduz muito a despesa. Mas se forem ver os números do Exército alemão vão ver que são bastante impressionantes, não tanto em termos de quantidade mas de qualidade, e que são fruto duma política de não agressão e defesa do território.

    • Otus scops

      Lusitan

      OK, pensava que era a Europa. o sector norte do Afeganistão é o menos difícil por acaso…
      curiosamente os alemães foram sempre derrotados ao longo da sua história, nem os famosos prussianos se aproveitaram… mas que são bravos, lá isso são, sobretudo os seus generais que sempre tiveram recursos humanos em quantidade para campanhas militares megalómanas e sangrentas usando o seu povo sem piedade.

      a questão da despesa alemã é mesmo essa, NÃO investe em projecção estratégica E a percentagem do PIB alocada para este sector é menor que a média dos seus aliados.

      essa análise do SMO (serviço militar obrigatório) não me parece correcta, uma tropa voluntária, mais reduzida e altamente profissionalizada parece-me ser o cenário que produz mais qualidade e reduz preços. eu fui uma das vítimas do SMO, tive que amargar 18 meses e não me considero preparado para a guerra, estávamos ali para “encher chouriços” para manter quartéis, oficialto, estruturas e infraestruturas obsoletas vindas de uma lógica de guerra total em que Portugal esteve envolvido em 3 frentes com todos os recursos da nação.
      hoje em dia é essencial ter militares MUITO bem preparados para operar os equipamentos sofisticadíssimos que existem hoje em dia.
      para haver SMO tem de ser o modelo suíço, uma permanente formação e treino ao longo da vida.

      é a minha opinião. 😉

      • Lusitan

        Porque na sua estratégia nacional não necessitam de projecção estratégica. Para quê gastar milhões em porta-aviões e submarinos nucleares se a estratégia nacional se resume ao domínio da Europa Central e ainda por cima pela forma económica?

        Quanto às guerras a Alemanha venceu a guerra franco-prussiana (aliás é graças a esta vitória que se forma a Alemanha enquanto Estado). E vê a superioridade numérica que foi necessária por parte dos Aliados para vencerem a Alemanha na 2ª Guerra Mundial. Se Hitler e os seus sicofantas não fossem uns incompetentes se calhar a história hoje seria outra. Operação Sealion pessimamente concebida e a Batalha da Grã-Bretanha esteve a semanas de ser vencida pelos Alemães, o que não aconteceu devido à constante mudança de estratégia de Göring. Invasão da União Soviética: perderam porque não foi distribuido equipamento de Inverno no primeiro ano.
        Pelo que sei o SMO português era uma fantochada, mas também por amigos meus que fizeram o SMO alemão posso dizer que é eficaz.
        Devo acrescentar que a profissionalização a mim sempre me criou algumas dúvidas, principalmente em Portugal. Primeiro porque muitos dos soldados profissionais estão nas Forças Armadas pelo dinheiro e não por vocação, logo em situação de guerra não sei se são capazes de corresponder. Em seguida o SMO descobria a vocação militar em muitos jovens. E por último a SMO ajudava a tirar muitos putos das saias das mães e fazia deles homens para além de incutir valores e criar espírito de sacrificio e de equipa.
        A Força Aérea e a Marinha devido aos instrumentos utilizados têm de ser profissionais, mas acho que o Exército e a sociedade perdem sem um SMO eficiente.
        Desde miúdo que quis fazer o SMO e não o fiz porque acabou um ano antes do meu recenseamento militar.

        • No que respeita ao smo defendo o modelo suico: forcas permanentes pequenas, mas altamente treinadas e servico militar permanente formando o tal “exercito cidadao” que reforca a democracia e a ligacao do Exercito ao cidadao, com altos niveis de motivacao e eficacia por parte dos conscriptos que recebem treino militar todos os anos.

    • Escolheram precisamente essa regiao porque era aquela onde na epoca (na da escolha e hoje) era a que menos ataques a forcas da Coligacao registava… Nao queriam pagar o preco das baixas humanas.
      Sendo a grande potencia economica da Europa tem decorrentemente deveres. E um deles ‘e o da solidariedade para com os seus aliados.

      • Lusitan

        A verdade é que ainda hoje lá está, com baixas humanas, com a maioria da população contra, sem qualquer interesse regional. Se isso não é solidariedade então não sei o que é!! Se calhar estás a confundir solidariedade com subserviência. É que muitos dos subservientes já saíram do Afeganistão.
        E para a Alemanha participar num conflicto fora da Europa é um passo gigantesco. É apenas o 2º conflicto (1º foi a ex-Jugoslávia) em que se envolve directamente (sem ser como capacetes azuis) desde a 2ªGuerra.

        Na Líbia não vejo qualquer necessidade de solidariedade. A entrada de outros países na guerra deveu-se a mais uma cretinice de Sarkozy e não vejo porque razão a Alemanha se deveria deixar sugar para dentro de um conflicto do qual não teria absolutamente nada a ganhar. A Alemanha deixou passar a resolução do Conselho de Segurança e acho que isso até foi muito solidário tendo em conta o que se previa que viesse a acontecer e que aconteceu: dominio ocidental no ar e um impasse no terreno.
        E desta maneira não mostra a hipocrisia da França e do Reino Unido que tentam abater um tirano num lado e apoiam outros tirano no outro lado.
        Realpolitik é a palavra-chave quando se fala da diplomacia alemã. Ora esta diz precisamente que não devemos empenhar demasiada força e tempo em algo que não nos trará quaiquer vantagens.

        • Otus scops

          Lusitan

          eu não vejo a coisa tanto assim, dessa forma tão desapegada dou teutónicos.
          eles estão à espera do saque dos vencedores, as reservas de lítio para as baterias, mas quanto a apoio a ditadores o cinismo alemão roça a perfídea: amicíssimos dos russos (Putin um dos mais sanguinários e perigosos homens vivos) e da China (nem precisamos de dizer mais nada).
          mas já que são tão solidários que não critiquem.
          apesar de tudo acho que estão a manobrar bem, real-politik é com eles.

          • Lusitan

            Mas qual é o país ocidental que não tem amizades com ditadores por necessidades estratégicas? Portugal? Espanha? França? Reino Unido? Todos têm amizades muito estranhas!

            A crítica que tem vindo a ser feita é de que os países que estão a bombardear a Libia estão a ultrapassar o que foi decidido no Conselho de Segurança da ONU. A ONU não deu autorização para forçar a mudança de regime.

            • Pois ‘e… Ainda me lembro de certas “amizades” entre certo pm lusofono e os dubios regimes libio e venezuelano… Real Politik, aqui tambem…
              O mandato ‘e que ‘e incompleto (por causa da pressao das ditaduras chinesa e russa): devia ser mais amplo e consagrar tambem o derrube do regime. So assim se impediriam estes massacres e toda a repressao que se sucedera a uma eventual vitoria do exercito mercenario de Kadafi.

              • Lusitan

                E que tal referir o apoio constante À ditadura angolana e o constante silêncio do MIL em relação aos constantes atropelos aos direitos humanos em Angola?

                • reconheço a provocação, mas não a justeza da mesma. Já me referi aqui e em espaços do MIL quanto ao que pensava sobre a natureza do regime de Luanda.

            • Otus scops

              Lusitan

              estou de acordo.
              então a Alemanha é tão hipocrita como a França, UK, etc, não está acima de ninguém no que diz à hipocrisia, era só isso que eu queria dizer…
              quanto às resoluções da ONU para a Líbia, ou estou mal informado ou ninguém está a exorbitar as suas competências. ou está???

              • Lusitan

                Depende da sua opinião em relação a “usar todos os meios necessários para salvaguardar a vida de civis”. É só uma questão de interpretação do texto. Eu acho que não quer dizer mudança de regime, Sarkozy acha que sim. Sarkozy faz-me lembrar Napoleão III, uma catástrofe no plano internacional e assim-assim no plano interno. Como se armou em salvador do povo líbio (depois de ter não ter agido em relação à Tunisia, Marrocos, Argélia e Egipto) agora não pode recuar e por isso vai acabar por perder a guerra e provavelmente perder o poder na França.

                De qualquer maneira a resolução 1973 da ONU não menciona qualquer tipo de mudança de regime nem qualquer tipo de bombardeamento às cúpulas do poder líbio.

                Para consultar:
                http://www.un.org/News/Press/docs/2011/sc10200.doc.htm

                • Odin

                  Clavis

                  Você não tem a obrigação de gostar da Alemanha. Tudo bem, eu compreendo. Mas eu acho que os alemães devem evitar envolvimentos em guerras. Eu nem amo e nem odeio a Alemanha. É só mais um país no mundo, embora tenha notáveis qualidades, tal como a França e a Inglaterra, Japão, EUA, entre outros.

                • Eu acho que nao… Tem deveres internacionais que lhes advem da influencia que exigem ter. E das exportacoes que realizam. Nao poder gigantes quando querem e anoes quando lhes da jeito. Portugal – por exemplo – esta muito mais presente nos cenarios de crise internacional que a “grande” Alemanha e isso ‘e muito estranho.

                • Lusitan

                  Oh Clavis, Portugal não tem um passado de agressão e de belicismo como a Alemanha. E se formos a ver Portugal tembém tem sempre receio em imiscuir-se em assuntos internos das ex-colónias devido ao seu passado.

                • Mas o Afeganistao, a Somalia, o Libano, todos cenarios de crise internacional onde Portugal esteve (e bem) nao foram colonias alemas…

              • Estao, claramente que sim… Este ataque ao hotel foi claramente uma tentativa de eliminacao de Kadafi.
                Nao me repugna porque a sua morte salvaria a vida a muitos libios que continuarao assim a morrer todos os dias numa guerra civil sem fim a vista, mas ‘e uma clara violacao do mandato da ONU, de facto.
                E ingleses e franceses sao hipocritas, claro. Mas os alemaes sao muito mais.

        • Concordo pelo menos num ponto: a fraca intensidade do empenhamento militar aliado na Libia so vai ditar a eternizacao desta “guerra de incompetentes” com graves consequencias para o preco do petroleo e para a populacao local…
          Intervencao de forcas terrestres seria problematica, mas tenho a certeza de que bastaria o desembarque de algumas forcas especiais em Tripoli (nas primeiras semanas) para fazer cair como um castelo de cartas um exercito que mostrou cabalmente a sua inepcia na guerra do Chade…

  5. Odin

    Clavisinho! 🙂

    Acho que vou dramatizar um pouco, mas vou me imaginar como um alemão. Olhe o mapa da Alemanha no final do século XIX até o início da 1ª Guerra Mundial. Depois olhe o mapa da Alemanha após a 2ª Guerra Mundial, a partir de 1949. O tanto de terras perdidas para os poloneses e soviéticos, e parte do país caiu na desgraça do comunismo logo após ter vivido na desgraça do nazismo. No lugar de um alemão, eu considerava muito humilhante e traumáticas as punições que a Alemanha sofreu por causa das duas guerras mundiais. Durante a guerra fria, um povo contra si mesmo para defender interesses de americanos e russos (O mesmo caso da Coréia).
    E o que a Alemanha fez, sob o governo de uma pessoa certamente insana, cujos miolos não funcionavam bem, pertubada com certeza, o führer. O que fizeram aos judeus, aos ciganos, aos eslavos, aos países vizinhos, sobretudo Holanda, Dinamarca, Noruega, que não participaram da 1ª Guerra Mundial nem contra e nem a favor da Alemanha, jamais eu apoiava a Alemanha em guerra ou intervenções militares como os USA, UK e a França fazem. Talvez até concordava em ajudar a OTAN em casos excepcionais como o de 1999, quando o Milošević quis massacrar os albaneses do Kosovo, por estar ali perto. Mas intervenções militares no Oriente Médio, África, Ásia Central… mas de jeito nenhum. Se os Estados Unidos e a Inglaterra se acham acima do bem e do mal, eles que manchem seus nomes na história. Não sei se estaria reclamando da Grécia, Irlanda e Portugal, mas certamente tinha chegado à conclusão de que o Euro principalmente foi prematuro, e nem todas as nações da UE estavam ainda preparadas para a moeda única e o banco central único. E que o governo alemão se preocupasse acima de tudo, com a Alemanha.

    E sinceramente, o que Portugal ganhou apoiando os americanos e ingleses nas suas guerras?

    • Otus scops

      Odin

      já o disse aqui, em termos militares a Alemanha são perdedores natos (e não parece devido à ferocidade com que combatem) e por isso tem de se sujeitar às condições dos vencedores, logo a ideia “No lugar de um alemão, eu considerava muito humilhante e traumáticas as punições que a Alemanha sofreu por causa das duas guerras mundiais.” é bem real mas tem de saber viver com isso.

      “e nem todas as nações da UE estavam ainda preparadas para a moeda única e o banco central único”
      podes bem ter razão, sobretudo pelo choque económico. mas sejamos realistas, os sistemas políticos, económicos e financeiros desses países não foram ajustados – e tempo não faltou para o fazerem – e a crise internacional em conjunto com as agências de rating e “os mercados” desregulados precipitaram a crise, ninguém está a salvo da voracidade dos especuladores e dos capitalistas trans-nacionais.

      a verdade sobre os déficits e níveis de endividamento dos países (saiu ontem):
      http://epp.eurostat.ec.europa.eu/cache/ITY_PUBLIC/2-26042011-AP/EN/2-26042011-AP-EN.PDF

      • Odin

        Otus Scops

        Enfim, no lugar de qualquer governante da Alemanha, só enviava soldados ao estrangeiro como capacetes azuis da ONU, e guerras só se for para defender a Alemanha e seus aliados de agressões estrangeiras. Exemplo hipotético, se a Rússia ou a China atacasse um membro da UE ou da OTAN, pois a Alemanha tem o direito de defesa. Agora, ir lá na Líbia para matar o ditador, deixem os americanos, ingleses e franceses fazerem o trabalho sujo, já que querem tanto.

        • Matar o Kadafi foi claramente uma acao fora do limite imposto pela onu… E a alegacao de que seria a partir daqui que se lancavam ataques contra civis nao convence ninguem…
          Os alemaes entretanto fartaram-se de vender equipamento nuclear a tiranetes… Kadafi incluido. Ai ja nao tiveram estes falsos pudores…

  6. Lusitan

    Clavis Prophetarum :Mas o Afeganistao, a Somalia, o Libano, todos cenarios de crise internacional onde Portugal esteve (e bem) nao foram colonias alemas…

    Ainda bem que referes esses 3 países, porque a Alemanha tem tropas no Líbano e no Afeganistão e teve tropas na Somália nos anos 90. A Alemanha nunca se absteve de colaborar em missões de paz patrocinadas pela ONU. O que a Alemanha não faz é apoiar decisões unilaterais (Iraque) nem guerras nos quais não tenha interesses (Líbia).

    • Otus scops

      Lusitan

      “O que a Alemanha não faz é apoiar decisões unilaterais (Iraque)”
      e a França também, SOBRETUDO porque sabiam que os EUA iam deitar a mão aquele mercado que era dominado em parceria com a França e até com a URSS. mesmo Portugal tinha imensos negócios com o regime de Saddam Hussein. TODA a infraestrutura eléctrica do Iraque era da Siemens, basicamente era por isso e não por motivos assim tão nobres e elevados como (todos) gostam de fazer querer.

      “nem guerras nos quais não tenha interesses”: está tudo (muito bem) dito!!!

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