Reflexão sobre o que Portugal investe na Educação

“Portugal gasta bastante com a Educação. A despesa pública neste sector atinge 4.6% do PIB, o que corresponde aproximadamente à média dos países da OCDE. Temos até um número de alunos por professor mais baixo do que vários países ricos. Em terceiro lugar, apesar daquilo que gastamos, o desempenho do nosso sistema de educação básica e secundária é desastroso. Apenas 47% dos nossos jovens concluíram o ensino secundário, quando a média da OCDE é de 80%”.
(…)
“Embora as causas dos problemas do nosso sistema educativo sejam vários e complexos, a ausência de uma cultura de avaliação dos professores está seguramente entre elas. Responder a incentivos faz parte da natureza humana. Quase todos nós fazemos mais e melhor quando sabemos que estamos a ser avaliados.”
Fernando Machado
Sol 1 de abril de 2010

Apesar de todo este investimento de escassos e preciosos recursos públicos e de melhorias sensíveis registadas nos últimos anos, a situação na Educação em Portugal não é satisfatória, especialmente se compararmos os níveis de investimento (semelhantes aos europeus) com os níveis de resultados (muito abaixo destes). A solução para o problema reside com certeza em duas grandes vertentes:
1. Inexistência de uma meritocracia na Função Pública. Neste respeito esta avaliação dos professores, que o PSD num perigoso desvio eleitoralista procurou anular, era um importante passo no bom caminho, ainda que dado de maneira incerta e muito mais complicado do que deveria ser (um bom sistema de avaliação deve ser sempre flexível simples e compreensível)
2. Uma atitude Facilitisto-estatiquizante que para alcançar certas métricas internacionais instituiu o Facilitismo onde se carecia de Exigência. A avaliação – dos professores e dos alunos – não é exigente, não premeia pais e alunos pelo bom desempenho e muito menos faz o mesmo com os melhores professores.

Existe outra abordagem possível: Sou um defensor acérrimo do serviço público – especialmente na área da Educação e da Saúde – mas não partilho do dogma segundo o qual este serviço público tem que ser necessariamente prestado em escolas públicas. Não me repugna assim o chamado “cheque ensino” em que o Estado daria aos pais a opção de gastarem o equivalente ao que o Estado gasta na Escola Pública numa escola privada. Falta é provar que a escola privada consegue oferecer o mesmo serviço pelo mesmo preço… a ter em conta os preços escandalosos cobrados na maioria dos colégios privados, tal é altamente duvidoso…

Categories: Economia, Educação, Política Nacional, Portugal | 5 comentários

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5 thoughts on “Reflexão sobre o que Portugal investe na Educação

  1. Odin

    Clavis Prophetarum,

    não conheço a realidade portuguesa, mas conheço a brasileira, e como o assunto é educação, eu quero aproveitar a oportunidade para mencionar o que eu entendo como necessário, no que concerne ao ensino primário e secundário.

    Eu quero citar o que eu entendo como sendo importante na formação do cidadão e o que não é tão prioritário assim. Literatura, por exemplo, é uma matéria importante, porque é parte da cultura do país. Mas, nem todo mundo vai usar no decorrer de sua vida. Matérias da Biologia como Botânica, por exemplo, é a mesma coisa.

    Agora, há matérias que deviam ser ensinadas nas escolas, principalmente no ensino secundário, mas não são. Não é ensinar Direito no ensino pré-superior, é ensinar civismo à população. Então noções básicas do Direito Civil, Direito Penal, Direito do Consumidor, Código de Trânsito, aquilo que envolve o quotidiano de qualquer cidadão, devia ser ensinado sim. Ao invés dos professores de História ficarem ensinando os alunos a terem ressentimentos contra Portugal por causa da colonização, que já está no passado e não volta mais, as escolas deviam ensinar conceitos de ciência política, para que os alunos aprendam para quê existem vereadores, deputados, senadores, esclarecer a ideologia de cada partido, e saibam se impor aos governantes que conduzam o Brasil ao desenvolvimento social, que o país caminhe para um futuro desejável. O aluno precisa sair da escola com o discernimento de quando os seus direitos fundamentais estão sendo desrespeitados por terceiros, inclusive por pessoas jurídicas. E ele mesmo até onde vão os seus direitos. Biologia é indispensável, mas o foco para a maioria devia ser o que envolve saúde humana. As pessoas deviam aprender até a se alimentar com qualidade nas escolas, para prevenir obesidade, por exemplo. O que influi no dia-dia de cada um de nós era o que devia ser ensinado em comum à todos os alunos.
    E além disso, as escolas deviam relevar mais a vocação do aluno, se ele é mais do perfil científico, se é mais do artístico, se é mais do desportivo.

  2. Eu li um comentário = a esse sobre a educação no BRASIL, aliás, a educação no BRASIL apesar dos avanços vai de pior a mal. Cito como exemplo o meu caso :Pago faculdade particular , R$569,35 e meu salário é de R$600,00 , eu faço enfermagem,sou técnico em enfermagem , tenho de trabalhar em tres (3) hospitais diferentes p ter um salário digno, mt das x cansado e cheio de sono…Pareçemo-nos com os controladores de voo iankees, e ninguém vê isso p nos ajudar …somo mt semelhantes mesmo…sds.

    • Pois… A sua historia ‘e muito semelhante ‘a de muitos enfermeiros por aqui, conhecendo tambem casos muito semelhantes empregos multiplos, horas de trabalho extenuantes para obter um rendimento razoavel… Mas pelo menos ai ha otimismo quanto ao futuro, enquanto que por aqui a depressao nacional ‘e a constante dominante.

  3. Um abraço a td a equipe, está bem melhor o Blog…Sds.

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