Sobre a necessária (e tardia) substituição e da necessidade de assumir os sacrifícios que aí vêm

“A substituição do governo é uma condição necessária para podermos resolver com equilíbrio a crise que nos assola. Não que no balanço dos últimos seis anos não tenham existido aspetos muito positivos e importantes. Assim, de repente recordo o reforço da sustentabilidade da Segurança Social, os passos no sentido da simplificação administrativa, o novo regime jurídico das instituições de ensino superior e a introdução de práticas mais rigorosas de avaliação de desempenho na Função Pública e no ensino secundário. A razão pela qual a queda do Governo me pareceu necessária é a sua acentuada perda de credibilidade interna e externa, resultante do modo desastrado como ao longo de 2010 lidou com a crise orçamental.”

> em boa honestidade, há que admitir que nem tudo esteve mal nestes governos de Sócrates. Além desta lista, somaria o esforço continuado na investigação científica (que colocou Portugal no mesmo patamar relativo dos melhores países europeus) e a aposta nas Renováveis (agora em risco pela contenção orçamental) e numa rede de mobilidade elétrica. Nem tudo esteve mal. O problema é que Sócrates não tem o tipo de personalidade que lhe permita ouvir críticas ou sugestões e, por isso, não foi capaz de replicar esses sucessos noutras áreas.

“Um bom ponto de partida para quem tenha aspirações de governo é não deixar qualquer dúvida sobre a dureza do caminho que espera os portugueses nem sobre o seu inquebrantável compromisso com a restauração da sustentabilidade das contas públicas. (…) O principal partido da oposição não começou bem. A multiplicação das declarações avulsas nada ajudou. Mas a iniciativa de suspender a avaliação dos professores é um começo que augura o pior: um piscar de olhos ao facilitismo que apenas poderá abrir uma caixa de Pandora reivindicativa que destruirá qualquer possibilidade de rigor na condução da economia. A credibilidade leva muito tempo a construir, mas destrói-se num segundo.”

– Não restam dúvidas de que se avizinham não meses, mas anos de grandes sacrifícios. Os políticos da partidocracia – que nos levaram a todos a esta situação insustentável – têm agora o dever de darem o exemplo da contenção e do sentido de Estado. Oposição e Governo de Gestão devem exigir a si mesmos a máxima contenção na exibição de riqueza. Carros de luxo, telemóveis, motoristas, aviões Falcon, viagens turísticas para a Presidência, o orçamento faustoso da Presidência da República, Inaugurações estapafúrdias, polícias à porta de cada político ou ex-governante, tudo isso devia acabar imediatamente para dar a todos o exemplo da contenção e da austeridade. Governar pelo Exemplo é sempre a melhor forma de governar.

José Ferreira Machado
Sol 1 de abril de 2010

Categories: Economia, Política Nacional, Portugal | 4 comentários

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