O grande Problema do Portugal de hoje é o desajustamento existente entre os nossos padrões de consumo atuais e as nossas capacidades para os financiar

O grande Problema do Portugal de hoje é o desajustamento existente entre os nossos padrões de consumo atuais e as nossas capacidades para os financiar. Ao contrário do que têm declarado os elementos do bi-partido (tendência PSD) que se preparam para tomar o poder, a grande dificuldade nacional não é o défice público, mas a nossa baixa taxa de poupança é o grande problema. Portugal não é dos países europeus com maior dívida externa mas é aquele que mais deve ao exterior e que menos dívida tem entre fronteiras.

Portugal tinha na década de 80 das mais elevadas taxas de poupança da Europa com uns notáveis 25%, mas depois, a ineficácia do arrendamento imobiliário, a loucura do crédito fácil, a ilusória riqueza do Euro e a inação governamental deixaram cair esta taxa até a 7% (2007)… Mercê da crise e de algum (insuficiente) retraimento do consumo, houve uma ligeira recuperação até aos 10.5% em 2010.

Porque poupam os portugueses de hoje tão pouco? Porque é que volvidos 25 anos temos que pedir – pela terceira vez – “ajuda” ao FMI para evitarmos a declaração de Bancarrota? A razão maior reside, já o vimos, na baixa taxa interna de poupança. Mas quais as causas desta? Desde logo, a existência de um número considerável de pensões superiores a 1500 euros, que dissuadem os seus beneficiários de realizarem poupanças. Em segundo lugar, décadas de acesso demasiado fácil ao crédito tornaram a maioria das famílias hiperdependentes do crédito para todo o tipo de consumo. Outro grande factor foi a ineficácia do arrendamento, bloqueado pela crónica e criminosa ineficiência dos tribunais e por leis obsoletas. As remessas dos emigrantes (fonte tradicional de divisas) diminuíram. Por fim, muitas famílias, pararam de poupar, porque era fácil e barato obter crédito. Muitas famílias, pararam de poupar, porque acreditavam que comprando casa própria esta valorizaria sempre e logo, tal opção (com recurso ao crédito) seria uma forma de poupança. Obviamente, o estouro da bolha imobiliária esfumaria essas “poupanças virtuais”…

Agora, que a “ajuda” externa se acabou finalmente por materializar e se comprovou indispensável para evitar o colapso já em abril das contas públicas e, sobretudo, do pagamento de pensões e salários. Há que expulsar os partidos do bi-partido que levaram o país a esta humilhante situação – votando nos partidos que lhes estão à Esquerda e à Direita – e fazermos todos nós aquele que é o nosso dever patriótico: consumir muito menos produtos importados, poupar muito mais e dispensar todas despesas sumptuárias e não essenciais, sobretudo aquelas que impliquem crédito.

Fonte:
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=477175

Categories: Economia, Política Nacional, Portugal | 4 comentários

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4 thoughts on “O grande Problema do Portugal de hoje é o desajustamento existente entre os nossos padrões de consumo atuais e as nossas capacidades para os financiar

  1. Lusitan

    Eu também concordo que temos de expulsar o bi-partido, mas olho para a esquerda e vejo um Partido Comunista com um discurso parado no tempo e um Bloco de Esquerda que não quer governar, olho para a direita e vejo um CDS com um Paulo Portas ainda pior que os líderes dos partidos centrais. A minha pergunta é? Em quem é que eu voto? Não há ninguém que queira criar um partido moderador comigo?

    • 🙂 como te compreendo… Ainda nao sei onde vou deitar o meu voto nestas eleicoes… Abster esta fora de questao, mas votar onde? No bipartido nunca, pelo menos enquanto este ps for aquilo que ‘e, restam assim os laterais… O be tem tido um comportamento deploravel, o pcp ‘e pro-chines… Argh!

  2. Lusitan

    Eu já decidi que vou votar num partido qualquer sem assento parlamentar!! Vou informar-me sobre os programas eleitorais e depois voto no que achar mais realista.

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