Daily Archives: 2011/04/17

O grande Problema do Portugal de hoje é o desajustamento existente entre os nossos padrões de consumo atuais e as nossas capacidades para os financiar

O grande Problema do Portugal de hoje é o desajustamento existente entre os nossos padrões de consumo atuais e as nossas capacidades para os financiar. Ao contrário do que têm declarado os elementos do bi-partido (tendência PSD) que se preparam para tomar o poder, a grande dificuldade nacional não é o défice público, mas a nossa baixa taxa de poupança é o grande problema. Portugal não é dos países europeus com maior dívida externa mas é aquele que mais deve ao exterior e que menos dívida tem entre fronteiras.

Portugal tinha na década de 80 das mais elevadas taxas de poupança da Europa com uns notáveis 25%, mas depois, a ineficácia do arrendamento imobiliário, a loucura do crédito fácil, a ilusória riqueza do Euro e a inação governamental deixaram cair esta taxa até a 7% (2007)… Mercê da crise e de algum (insuficiente) retraimento do consumo, houve uma ligeira recuperação até aos 10.5% em 2010.

Porque poupam os portugueses de hoje tão pouco? Porque é que volvidos 25 anos temos que pedir – pela terceira vez – “ajuda” ao FMI para evitarmos a declaração de Bancarrota? A razão maior reside, já o vimos, na baixa taxa interna de poupança. Mas quais as causas desta? Desde logo, a existência de um número considerável de pensões superiores a 1500 euros, que dissuadem os seus beneficiários de realizarem poupanças. Em segundo lugar, décadas de acesso demasiado fácil ao crédito tornaram a maioria das famílias hiperdependentes do crédito para todo o tipo de consumo. Outro grande factor foi a ineficácia do arrendamento, bloqueado pela crónica e criminosa ineficiência dos tribunais e por leis obsoletas. As remessas dos emigrantes (fonte tradicional de divisas) diminuíram. Por fim, muitas famílias, pararam de poupar, porque era fácil e barato obter crédito. Muitas famílias, pararam de poupar, porque acreditavam que comprando casa própria esta valorizaria sempre e logo, tal opção (com recurso ao crédito) seria uma forma de poupança. Obviamente, o estouro da bolha imobiliária esfumaria essas “poupanças virtuais”…

Agora, que a “ajuda” externa se acabou finalmente por materializar e se comprovou indispensável para evitar o colapso já em abril das contas públicas e, sobretudo, do pagamento de pensões e salários. Há que expulsar os partidos do bi-partido que levaram o país a esta humilhante situação – votando nos partidos que lhes estão à Esquerda e à Direita – e fazermos todos nós aquele que é o nosso dever patriótico: consumir muito menos produtos importados, poupar muito mais e dispensar todas despesas sumptuárias e não essenciais, sobretudo aquelas que impliquem crédito.

Fonte:
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=477175

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Mário Soares: “Se a Europa não percebe o descontentamento que reina em todo o lado, contra os Governos nacionais e as instituições europeias e a distância que os separa dos seus povos, é indubitável que nos encaminhamos para a decadência da UE, num mundo em transformação, e para a sua possível desagregação”

Nem sempre gostei de tudo o que Mário Soares disse e fez. Mas gostei de o ver criticar Merkel num artigo publicado recentemente no El Pais: “Se a Europa não percebe o descontentamento que reina em todo o lado, contra os Governos nacionais e as instituições europeias e a distância que os separa dos seus povos, é indubitável que nos encaminhamos para a decadência da UE, num mundo em transformação, e para a sua possível desagregação.”

Mário Soares coloca efetivamente o dedo sobre essa (fatal?) ferida que se não for rapidamente sarada irá certamente destruir a Europa tal como a conhecemos: sem solidariedade dos mais ricos para os mais pobres não há “Europa”. Há apenas uma estrutura formal e administrativa cada vez mais distante e desligada das populações europeias e que não é capaz de alavancar um “espírito nacional” europeu que solidifique e consolide a própria construção europeia.

A Europa do “santo diretório” Paris-Berlim não é a Europa dos “pais fundadores”. É a Europa dos “grandes”, o seu império bicéfalo sobre as demais colónias ou protectorados. Esta “Europa Bi-Imperial” não é a “Europa dos Cidadãos”, mas uma Europa enfeudada aos grandes interesses financeiros dos lobbies financeiros do centro da Europa.

Esta Europa está condenada – alerta Soares – à morte. A questão é saber: Portugal vai resistir, certamente. Mas como? Essa resposta é que ainda está por responder… Tendo eu já a certeza de que essa resposta não será nunca europeia. Por muito que isso desiluda Mário Soares.

Fonte:
http://economico.sapo.pt/noticias/merkel-esqueceuse-do-que-a-alemanha-deve-a-comunidade-europeia_115060.html

Categories: Economia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | 4 comentários

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