Alfredo Barroso: “Tanto o PS como o PSD são hoje partidos em clara degenescência, que não fazem jus às designações que ostentam”

Alfredo Barroso (http://fotos.sapo.pt)

Alfredo Barroso (http://fotos.sapo.pt)

“Tanto o PS como o PSD são hoje partidos em clara degenerescência, que não fazem jus às designações que ostentam”
Alfredo Barroso
DN 21.2.2011

Na verdade, os atuais partidos políticos – e apesar da persistência de muitos militantes convictos e abnegados – são essencialmente apenas de canais de comunicação para grupos de interesse, grandes empresas ou especuladores ou famílias. Ideologicamente, quanto mais próximos do Poder se encontram, mais semelhantes se tornam. Muda o estilo, mudam os líderes, mas cada vez os dois partidos se assemelham mais. O discurso público e exterior dá aliás sinais disso mesmo: de uma crescente dificuldade em transmitir ao eleitorado as diferenças que – supostamente – os separam.

De facto, esta “alternância democrática” que nos rege desde 1975 criou um monstro. Um monstro exclusivista, que reserva para si e para as suas claques e grupos de interesse, o Estado e setores crescentes da economia: o Bi-Partido PS-PSD. Este monstro, não-democrático, porque monopolista da governação, dos meios de comunicação e sábio manipulador das sondagens prepara-se agora para renovar a sua presença no poder. Esteve equilibrado nos últimos anos no seu pé esquerdo (o PS socrático). Agora, quer baldear-se para o seu pé direito, o PSD. Mas ficará na mesma no poder, sempre. Sempre enquanto quisermos. Os portugueses podem demonstrar nas próximas legislativas o seu descontentamento votando massivamente nos “partidos de franja”, ou votando Nulo em massa. Mas votando, sempre, porque a Abstenção é a mãe de uma Partidocracia que importa renovar, isto enquanto ESTA petição não surte efeitos…

Categories: Política Nacional, Portugal | 6 comentários

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6 thoughts on “Alfredo Barroso: “Tanto o PS como o PSD são hoje partidos em clara degenescência, que não fazem jus às designações que ostentam”

  1. pedronunesnomundo

    concordo, de forma geral, com o senhor Barroso. O CONJUNTO dos partidos constituídos em Portugal configurou-se numa paleta seca com que se insiste em pintar a nossa democracia. umas cores mais desmaiadas, outras mais estaladas do tempo, outras tão ‘degeneradas’ que mal respondem pelo nome que tinham

    agora, em rigor – e aceitando o desafio do cavalheiro – se se fala em ‘degenerescência’ e estranhos ‘encontros’ em campos políticos inusitadamente sobrepostos, arrisca-se a ficar-lhe curta a descrição da atitude do seu PS
    ao acontecer a redundância centralista pelo espaço disputado pelo PS e PSD, dificilmente alguém argumentará que o PSD se tenha vestido com roupas socialistas para arrebanhar palmos de terreno; já a descomplexada vida à direita do PS não sei como não causa perplexidade aos seus seguidores

    o ‘Portugal da classe média’ desabituou-se completamente na década de 90 da linguagem de esquerda e o PS explorou o filão criando um bizarro desequilíbrio no espaço do tal ‘centrão’. sendo mais bizarro ainda – ou nem por isso – que a (outra) esquerda não lhe tenha sido capaz de fechar a porta do campo abandonado

    hoje, as ideologias andam por aí, não se sabe onde. ou pelo menos as ideologias a sério, aquelas que tinham nomes e que se defendiam sem medo de as nomear… hoje vai-se atrás deste, das patacoadas daquele, atrás da menor perda e o prognóstico é reservado

    *nota: ‘monstro [PS/PSD], não-democrático, porque monopolista da governação’
    ambos sabemos, Rui, que para algo ser ‘não-democrático’ tem de estar na raiz da democracia e impedi-la. no caso de partidos que se eternizam no poder por terem sido eleitos para o seu exercício com as maiorias necessárias e sob as mais estritas regras da própria democracia, como podem ser apelidados de algo mais que não seja… lambões? *

  2. mas se o bi-partido ocupa todo o espaço político se se apresenta nos media (que domina) como alternativa única (reeditando o rotativismo do século XIX que nos levou ao Estado Novo), então ele é o Problema. O problema que urge resolver. Como? Renovando o quadro partidário (com opções que não se vislumbram…), renovando os partidos com gente nova (que não apareceu) ou renovando o sistema democrático (bi-cameral, uninominais, deputados independentes, tudo coisas que não estão a acontecer).

    Estamos em efetivo bloqueio, como o demonstram as sondagens e o caminho da ruptura violenta é cada vez mais inevitável.

  3. pedronunesnomundo

    continuo renitente na aceitação do ‘controlo’ da sociedade que impossibilitaria frestas de alternativa. hoje que os meios de informar e intervir são mais efiazes que nunca

    restruturação formal do ‘sistema político’: valeria MUITO a pena reflectir sobre ela

    ‘o caminho da ruptura violenta é cada vez mais inevitável’; tanto acredito nisso que de uma mera posição filosoficamente aberta em relação ao fenómeno… passei sem dar por mim, muitas vezes, a desejá-la e a ver-me naturalmente nela integrado
    torna-se um bocado assustador

    • Otus scops

      PNM
      “continuo renitente na aceitação do ‘controlo’ da sociedade”
      permite-me: deixa de ficar renitente e aceita, o controlo é mais que muito, estamos autenticamente ENVENENADOS.
      repara nos comentadores (políticos, analistas, jornalistas, especialistas, politólogos – uma nova classe de clientes) que são QUASE sempre os mesmos, da mesma origem (centrão), com discursos concertados, variando nas propostas com nuances mínimas para enganar o povinho, omitindo descaradamente as excepções que estão a resultar, exº Islândia!
      ontem até saltei do sofá quando aquele enfezado do João Duque (brilhante reitor mas não passa disso) a dizer “todos nós queremos pagar aos credores (mercados financeiros – os causadores da crise)!!!” dizia ele com vigor e entusiasmo (coisa raríssima nele, que é usualmente monocórdico e previsível).
      e a aparece em todos os lados!!!
      vê aqui: http://sic.sapo.pt/programasinformacao/scripts/VideoPlayer.aspx?ch=expressodameianoite&videoId={22AC14E5-9A11-44B6-8FFB-5CCFC5F18F77}
      raramente aparecem o Luciano Amaral e o castro Caldas, brilhantes académicos (ao contrário do Duque) que pensam diferente (como Paul Krugman) e raramente aparecem na imprensa a colocar-nos linhas de pensamento e soluções alternativas.
      não achas que é condicionamento suficiente??? (que sempre existiu, existe e existirá na história da Humanidade)

      “restruturação formal do ‘sistema político’: valeria MUITO a pena reflectir sobre ela”
      é vital e urgentíssimo!!!

      “passei sem dar por mim, muitas vezes, a desejá-la e a ver-me naturalmente nela integrado”
      somos dois. e comigo a palavra assustador é brincadeira…
      😀

  4. Otus scops

    CP e PNM

    destaques:
    – os atuais partidos políticos [PS e PSD diga-se](…) são essencialmente apenas de canais de comunicação para grupos de interesse, grandes empresas ou especuladores ou famílias
    – dificuldade em transmitir ao eleitorado as diferenças que os separam
    – esta “alternância democrática” que nos rege desde 1975 criou um monstro
    – Este monstro, não-democrático, porque monopolista da governação, dos meios de comunicação
    – o ‘Portugal da classe média’ desabituou-se completamente na década de 90 da linguagem de esquerda
    – hoje, as ideologias andam por aí, não se sabe onde. ou pelo menos as ideologias a sério, aquelas que tinham nomes e que se defendiam sem medo de as nomear

  5. antónio martins

    Caro Dr. Alfredo Barroso, sigo com simpatia e interesse a sua lúcida intervenção política, nos diversos “fora” que partilha, inclusivé os desportivos de que, bizarramente, foi afastado.
    Considero-o, permita-me a alegoria, um dos bravos “moicanos” que ainda vai resistindo a esta insidiante globalização que nos cala e esvai impunemente.
    Atrevendo-me extrapolar o âmbito de comentário ao avisado artigo, cuja linha de pensamento me habituei a respeitar,gostaria de lhe solicitar permissão para o envio para análise em suporte de papel ou informático – afsmartins52@gmail.com)de um modesto ensaio histórico que conflui nas suas preocupações. António Martins (Lic. História)

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