António Nogueira Leite: (O futuro de Portugal passa) “pela exploração de dois recursos fundamentais, não devidamente valorizados: o mar português e a localização de Portugal, entre a Europa, as Américas e África”

“A viabilidade da economia portuguesa depende da resolução a curto prazo da actual trajectória insustentável da despesa pública, alterando de forma radical um caminho com já muitos anos. A alternativa à reforma do Estado, que passa por continuar a aumentar impostos e a esconder despesa actual, só agravará o problema futuro.”

> Não resta qualquer dúvida: mesmo que a pressão dos especuladores sobre nós abrande e se regressem a níveis pré-crise é impossível manter este caminho de contrair mais e mais dívida para pagar juros de dívida antiga, pensões e ordenados da função pública. Há que aumentar a riqueza produzida em Portugal, para que esse aumento possa suprir esta necessidade de financiamento ou há que aumentar a carga fiscal. Este último rumo é impossível: a carga fiscal já passou – segundo muitos fiscalistas – o limite de eficiência e muita atividade económica está a tornar-se clandestina por forma a escapar a uma voracidade fiscal cada vez menos pudenta. O rumo é assim único: para de pedir emprestado; reduzir um nível de vida que o crédito barato, o eleitoralismo dos políticos e a inconsciência pública elevaram acima de toda a razoabilidade, incentivar a produção local (sem medo de irritar os “senhores da Europa”), fechar fronteiras a todos os dumpings que a Globalização nos impôs e recuperar o orgulho que advém da manutenção seria e sustentável de um nível de vida verdadeiramente compatível com a nossa riqueza.

“Portugal tem de ser muito mais competitivo nos sectores de bens transaccionáveis, a despeito de a sua estrutura produtiva ser essencialmente concorrente da dos novos países industrializados. Por outro lado, e adicionalmente, os agentes privados e o Estado têm de poupar mais e este tem de diminuir o seu peso na economia de forma muito relevante.”

> A saída de Portugal desta crise só pode assim passar pela Produção. Pela rejeição liminar e absoluta dos modelos económicos que nos secundarizam como “país de serviços” pelo recentramento de Portugal e da sua economia na produção de bens de substituição, pela defesa das suas fronteiras contra importações a preços impossíveis de igualar e pelo regresso do país à via do Emprego e do Desenvolvimento.

“E esse futuro passa pelo sucesso das nossas empresas nos mercados internacionais, pela sua consolidação enquanto produtores alternativos às importações e pela exploração de dois recursos fundamentais, não devidamente valorizados: o mar português e a localização de Portugal, entre a Europa, as Américas e África.”

> Para além da defesa e da promoção da nossa indústria, Portugal tem ainda duas vias compatíveis e que deve trilhar simultaneamente e com entusiasmo estratégico: o derradeiro recurso: o Mar. Pleno de riquezas minerais ainda por explorar, de Recursos piscícolas que entregámos quase de graça à terceira maior frota pesqueira do mundo: a espanhola. E a Lusofonia. A ligação única que Portugal ainda detém no campo cultural, linguístico e dos sentimentos com a restante comunidade internacional lusófona é especial e representa um espaço de crescimento que ainda nem começou a ser explorado.

Fonte:
António Nogueira Leite
Sol 28 de janeiro de 2011

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Categories: Economia, Política Nacional, Portugal | Deixe um comentário

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