Daily Archives: 2011/03/25

“A Europa fez de nós um país de caloteiros e agora pede o impossível; que paguemos”

União Europeia (http://www.dre.pt)

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“A Europa fez de nós um país de caloteiros e agora pede o impossível; que paguemos”
Pedro Tadeu DN de 4.1.2011

De caloteiros, porque pagaram para que destruíssemos o nosso tecido produtivo: a frota abatida em troca de subsídios de “modernização da frota” que não exigiam que as embarcações abatidas fossem substituídas por novas (um erro em que Cavaco Silva, então primeiro-ministro, teve grandes responsabilidades), com o abandono dos mares e a abertura escancarada dos nossos mares às frotas europeias e com idênticas acções na agricultura e na indústria, torná-mo-nos num estéril “país de serviços”.

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Categories: Economia, Política Nacional, Portugal | 18 comentários

José Reis: “O funcionamento de uma UEM – Uniao Económica e Monetária, tal como estabelecido, (ausência de integração fiscal e orçamental) criou problemas dos quais resultaram como beneficiários claros as economias desenvolvidas, nomeadamente a alemã”

José Reis (http://www.ces.uc.pt)

José Reis (www.ces.uc.pt)

“O funcionamento de uma UEM – Uniao Económica e Monetária, tal como estabelecido, (ausência de integração fiscal e orçamental) criou problemas dos quais resultaram como beneficiários claros as economias desenvolvidas, nomeadamente a alemã. Resultaram também perdedores dessa estratégia, que são as economias periféricas, cujas dificuldades de competitividade são notórias.”

> Ou seja, beneficiaram os exportadores, os países do norte da Europa que – por coincidência – financiaram uma União Europeia que se especializou em subsidiar para que o Sul deixasse de produzir e se tornasse em especialista na “exportação” de praias solarengas aos anafados turistas germânico que nos visitam todos os anos.
> Avançar com uma “moeda única” sem ter antes preparado devidamente o terreno para que esta pudesse ser adequada às múltiplas realidades dos países da União foi um erro crasso, levou ao sobre-endividamento galopante dos países periféricos e à crise que hoje vivemos. Iludidos pela riqueza aparente induzida por uma moeda forte (herdeira direta do Marco), todos se julgaram subitamente muito ricos, dos Estados aos Particulares, passando pelas Empresas… e foi assim que chegámos à situação atual

“O problema da dívida dos países periféricos tem que ser resolvido em termos comunitários. Em primeiro lugar, fazendo parar a posição estritamente monetarista do Banco Central Europeu (…) Deve haver certamente uma assumpção da dívida dos países endividados por uma outra instância comunitária, não para os isentar das dívidas, mas para lhes dar a oportunidade de as reestruturarem. Este é o caso dos EUA. Isso faz-se com transferências de capital e com planos de investimento pensados à escala comunitária que integrem as periferias, modernizando-as e colocando-as numa posição competitiva mais forte.”

> Foi a União Europeia que decidiu avançar com o Euro antes que existisse uma harmonização orçamental ou fiscal. Foram os países do norte os grandes beneficiários com a adoção do Euro. Urge assim que uma e outros assumam as suas responsabilidades e que uma parte significativa desta dívida dos Estados possa transitar para uma entidade comum. Só assim – pela via da reestruturação da Dívida – se poderá travar esta espiral louca do crescimento da Dívida, das novas emissões de dívida para pagar juros e salários. Não é preciso ser um génio para perceber que nenhuma economia consegue viver durante muito tempo da dívida, que se tornou efetivamente na maior exportação portuguesa. Obviamente, tal reestruturação da dívida teria que ser seguida de uma consolidação severa das contas públicas, por forma a obviar novos crescimentos descontrolados da dívida.

“O papel do BCE tem sido esse: capitalizar o sistema bancário à custa dos Estados. Os Estados têm sido os grandes perdedores.”

> Uma referência cristalina ao facto de a Banca privada obter financiamentos no BCE a juros incrivelmente baixos (zero, se descontada a inflação) que depois utiliza para se juntar aos especuladores que jogam no mercado de emissao da dívida pública onde recolhem juros de quase 7%. Isto é, com lucros de mais de 600%…

“O que está a passar-se é claramente capitalismo de pilhagem. Não estamos a falar do capitalismo como sistema económico, social, de produção. Estamos estritamente no campo da pilhagem. Nunca na história moderna os Estados tiveram tal desequilíbrio perante a agiotagem.”

> este desequilíbrio resulta em primeiro lugar da aplicação cega dos dogmas neoliberais que desregularam os mercados e quase todas as atividades financeiras desde a década de 90. A cobertura fiscal sobre as atividades do Capital reduziu-se ano após ano, quer pela via das deslocalizações selvagens, quer pela via dos offshores e das isenções fiscais sobre os lucros resultantes da especulação bolsista. Os Estados recuaram em toda a linha… Perderam influência na economia, recursos financeiros e autoridade. Com eles, perderam as democracias e os cidadãos. E ganharam os imorais especuladores e financeiros. Um desequilíbrio que durará tanto tempo quanto quiserem os cidadãos…

Fonte:
José Reis, diretor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra
Sol 14 de janeiro de 2011

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