Daily Archives: 2011/03/19

“Dois anos depois dos ataques que mataram o Presidente da Guiné-Bissau Nino Vieira e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Tagmé Na Waié, a investigação continua paralisada e os únicos seis detidos foram libertados em setembro de 2010 por falta de provas”

“Dois anos depois dos ataques que mataram o Presidente da Guiné-Bissau Nino Vieira e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Tagmé Na Waié, a investigação continua paralisada e os únicos seis detidos foram libertados em setembro de 2010 por falta de provas.
(…)
Roberto Cacheu, advogado dos familiares das vítimas, acusou o procurador-geral Amine Saad de ser “incapaz”, acrescentando que se este “teme pela vida ou está impedido de fazer justiça” então deve “demitir-se”.
No primeiro dia de março de 2009, uma bomba explodiu junto ao quartel-general de Bissau, vitimando Tagmé Na Waié. Horas depois, o Presidente Nino Vieira era torturado e assassinado na sua residência, numa aparente retaliação de alguns militares ao ataque ao chefe do Estado-Maior”.
Sol 4 de março de 2011

A situação na Guiné-Bissau no que respeita à transformação do país num autêntico “narco-estado” continua muito crítica. Apesar de alguns sinais encorajadores (como o envio de militares angolanos para ajudarem na renovação do exército guineense), ainda recentemente um relatório do Departamento de Estado dos EUA listava a Guiné como um dos principais eixos para colocar a cocaína fabricada na Colômbia e no Peru na Europa, usando Portugal como plataforma giratória.

Estes conflitos entre um grupo ligado a Nino Vieira e a algumas chefias do Exército enquadram-se no contexto de uma luta de facções de narcotraficantes que utilizam altas patentes das forças armadas guineenses como aliados e agentes locais. A influência dos narcotraficantes nas forças armadas guineenses é muito elevada, sendo o chefe de Estado da Armada a figura que mais vezes é identificada como estando a seu “soldo” nos relatórios internacionais.

A situação militar é praticamente irreversível, tal é o grau de corrupção e de penetração por parte do narcotráfico. A comunidade internacional, e em particular, a comunidade lusófona, devia de disponibilizar as suas forças militares e policiais, suspendendo de uma vez as inoperantes forças policiais guineenses e desmobilizando completamente o exército, a marinha e a força aérea guineenses, substituindo-as temporariamente por uma força internacional que assuma a segurança no país e a defesa das suas fronteiras enquanto – ao mesmo tempo – treina um novo exército e destitui todas as suas chefias e começa o processo de seleção e formação de um novo comando, completamente livre das influências dos criminosos colombianos e nigerianos que hoje são o poder real e efetivo na Guiné-Bissau.

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Sobre a presença da China em Angola

A China emprestou a Angola uma quantia que se estima ser hoje superior a 15 mil milhões de dólares, mas o embaixador chinês em Luanda queixa-se de que é cada vez mais difícil recrutar trabalhadores locais para os projetos que recebem estes financiamentos.

Com efeito, boa parte dos projetos de reconstrução em curso em Angola estão nas mãos de empresas de construção de Pequim que recebem o seu financiamento destes projetos. Ora os juros destes financiamentos estão a ser pagos em bruto, com o petróleo angolano, e em tais quantidades que desta forma Angola se transformou no segundo maior fornecedor chinês, logo depois da Arábia Saudita.

Crescem em Angola os críticos pela presença cada vez mais ostensiva de grandes números de migrantes chineses que chegam ao país lusófono ao abrigo dos protocolos de reconstrução que reservam a empresas chinesas a maioria dos contratos. Existem atualmente perto de 70 mil imigrantes chineses a trabalhar em Angola e os acordos bilaterais segundo os quais as 70 empresas públicas e mais de 400 privadas a funcionar em Angola teriam que contratar pelo menos 30% do seu pessoal no local raramente são respeitados. A qualidade dos edifícios construídos pelos chineses tem sido também muito criticada, sendo a evacuação de urgência de um novo hospital em Luanda apenas um de vários incidentes recentes e revelando as fragilidades de uma relação de tipo “petróleo por cimento”…

Fonte:
http://www.terradaily.com/reports/China_lends_Angola_15_bn_but_creates_few_jobs_999.html

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