Sobre as revelações da Wikileaks sobre os contratos de Defesa de Portugal

F-16 MLU da FAP (http://www.aereo.jor.br)

F-16 MLU da FAP (http://www.aereo.jor.br)

Os telegramas diplomáticos divulgados recentemente pela Wikileaks focam-se nos negócios portugueses de Defesa… e focam-se bem já que revelam que os EUA pensam que o Ministério da Defesa a propósito da compra dos submarinos alemães e das fragatas usadas holandesas foi motivada por um “desejo de ter brinquedos caros”. Quem isto escreveu foi nada menos nada mais do que o próprio embaixador norte-americano em Lisboa Thomas Stephenson, o que indica que não se trata da mera opinião de “um funcionário menor” mas da opinião (qualificada!) do próprio embaixador…
Além dos submarinos, o embaixador questiona também a compra de 39 aviões F-16 uma opção que resultaria mais “de orgulho do que da utilidade” destes meios. O embaixador Thomas Stephenson acrescenta ainda que recursos assim investidos deviam ser dedicados a áreas mais importantes, como “navios para patrulhar a costa”.

Na verdade não há nada a discordar de uma avaliação da política da Defesa nacional que embora tenha sido feita em 2009 permanece infelizmente tão atual como certeira: Portugal tem mais F-16 do que consegue manter no ar (não tendo de resto ainda instalado em todos o upgrade MLU), não precisa de dois submarinos AIP (mais do que precisa de meios de superfície) e é duvidoso que as fragatas ex-holandesas sejam um bom negócio, especialmente se custaram mesmo o dobro da alternativa “made in USA”, como indica o telegrama do embaixador.

Basicamente tudo está certo e neste telegrama o embaixador dos EUA em Lisboa reflete um conhecimento mais profundo e inteligente das necessidades de Defesa de Portugal do que qualquer um dos ministros da Defesa que passaram pelo Governo nos últimos 20 anos. E isso é triste e expõe claramente a fibra, a visão e capacidade de liderança dos políticos que os portugueses têm deixado governar.

Fonte:
http://mobile.economico.pt/noticias/defesa-movese-pelo-desejo-de-ter-brinquedos-caros_112103.html

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Categories: DefenseNewsPt, Defesa Nacional | 12 comentários

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12 thoughts on “Sobre as revelações da Wikileaks sobre os contratos de Defesa de Portugal

  1. Lusitan

    E não será que o senhor embaixador não está a puxar a brasa à sua sardinha? É que se bem me lembro os EUA tentaram impingir-nos as fragatas O.H. Perry, essas sim um desperdicio de dinheiro. Mais… critica a compra de Leopards, quando o seu número é bem inferior aos M-60 existentes e estratosfericamente mmelhores que estes últimos. E a quantidade de erros nesse relatório mostra claramente que õ senhor não percebe muito do assunto.

  2. HSMW

    Puxa a brasa à sua sardinha para se desculpar da sua incompetência em influenciar o Estado Português a comprar material dos EUA.

    “os EUA tentaram impingir-nos as fragatas O.H. Perry”

    Essas sim verdadeira sucata! 30 anos de serviço!
    Tecnológicamente ultrapassadas a nivel de sensores e armamento.
    Menos capazes que as classe M que comprámos à Holanda.
    Com menor custo inicial mas que ultrapassariam largamente o custo das M com todas as actualizações que iriam necessitar.

    Com os Leopard 2A6 é a mesma coisa.
    Quanto aos F-16 já quase todos são MLU e o problema é a falta de pilotos e armamento.

    Os submarinos são a unica arma verdadeiramente capaz de enfrenter qualquer marinha do mundo, defensiva ou ofensivamente.

    Mas de qualquer modo, esta opinião é comopreenssivel se nos colocarmos no lugar dos EUA…

    Interessante discussão aqui: http://www.forumdefesa.com/forum/viewtopic.php?f=21&t=9611&start=135

    • Otus scops

      HSMW

      gostei do texto e dessa consciência da história.

      qual é a polémica do ORKUT???

      o gatinho a fazer flexões está o máximo!!! 😀

      • HSMW

        Foram uns comentários copiados directamente daqui: http://www.orkut.com/CommMsgs?tid=2531851859157666063&cmm=32077123&hl=pt-BR

        A malta não gosta de texto copiado à bruta.

        Espero que o Clavis não se importe com a publicidade ao FD.
        Por lá também ningum se importa quando faço publicidade ao Quintus. 🙂

      • Otus scops

        HSMW

        obrigado pelo link.

        realmente o texto é um bocado à bruta mas é enciclopédico!
        há razões legítimas para as pessoas terem queixas dos EUA, desde a sua formação que estiveram sempre em guerra, ou interna (entre colonos ou entre colonos e índios), a intervir regionalmente (expulsaram os espanhóis da Florida, Califórnia e Texas)…
        mas muitas vezes fizeram-no para defender um modelo de vida que é o nosso também, não esqueço.
        dos EUA também vem coisas maravilhosas, inventos, descobertas, artes, ideias, produtos, etc…

  3. Otus scops

    quanto a este assunto digo o seguinte:
    – os americanos (o lobby neocon ultra-reaccionário que domina o Pentágono através do Complexo-Industrial-Militar que estão a levar os EUA para o abismo) pensam que Portugal é um aterro sanitário – para o lixo militar deles…
    – tem razão nalgumas críticas, nomeadamente na tibieza (veja-se aquela situação ridícula com a banda de música) e na vaidade. aqui os militares são como o resto dos portugueses…..

  4. HSMW

    Alto lá!!! MLU da FAP?!

    Estou a ver uma insígnia chilena na cauda e uma bandeira em frente…

    • Otus scops

      HSMW

      olho de “Falcon” sem dúvida! o CP afinal está numa deriva mais grave, afinal não é só brasileira, é sul-americana…
      😀

  5. António Silva

    Antes de mais, a legenda da fotografia está completamente errada. Olhem lá para a bandeira do Chile e para a estrela na cauda!

    Que gaita, o autor deste blog demonstra à exaustão a superficialidade dos comentários que faz. Já noutras ocasiões que o tenho aqui escrito.

    E agora dá crédito a ressabianços?! Sejam americanos ou não, são ressabianços. Que se informe e descubra que o lixo de fragatas que os americanos nos queriam vender estão a décadas de distância das fragatas (em excelentes condições) que comprámos aos Países Baixos. Que os Leopard 2 não sendo absolutamente o estado de arte estão lá perto. Que os F-16 foram comprados adquiridos em excesso para fornecimento de peças, sim para não acontecer o mesmo que em outros casos, como os A-7, em que os fabricantes já não forneciam peças. E também que eram F-16 que estavam mothballed, isto é, vieram a baixo custo. E que os submarinos AIP são a melhor coisa que podíamos ter para garantir a nossa soberania nas nossas águas, contra qualquer ameaça armada, que isto de defender as águas não é só contra os pescadores ilegais.

    Que coisa, só este encarnecimento contra os submarinos faz desconfiar. Terá o blogista sido chumbado no acesso aos submarinos?!

    Das duas uma, ou faz um blog isento ou então assuma desde logo no início que está ideologicamente condicionado.

    • Otus scops

      António Silva

      declaro o seguinte: Clavis Prophetarum (CP) não precisa da minha defesa para nada, é maior e vacinado e tem competencia para tal.
      não gostei que o adjectivasse, num ataque pessoal sem argumentos, de superficial. é totalmente falso, isso é coisa que ele não é.
      é um homem muito culto e ecléctico, um Humanista de boa cepa, muito solidário e com grande mérito intelectual nas milhentas actividades em que está envolvido.

      realmente ele cometeu uma gaffe com a imagem, mas já foi sinalizado e provavelmente como forma de assumir preferiu manter o erro, eu faria o mesmo.

      o seu argumento para os F-16 não colhe, é falacioso, quando compara com os Corsair. nessa altura os A-7 eram um modelo antigo e com produção descontinuada, por tal facto compraram-se mais para canibalização.
      com o Falcon nada disso sucede, continua a fabricar-se ao mais alto nível e com constantes programas de modernização. quer enganar a quem???

      realmente os F-16 estavam armazenados, até aí tudo bem, mas se não temos capacidade de os operar todos (o que lamento como cidadão) para quê tê-los???
      é disso que ele fala!

      quanto ao assunto das fragatas não conheço os relatórios que presidiram à escolha. o que o CP disse foi que o negócio é duvidoso: e estou de acordo!!!
      estes traidores, lesa-pátria que estão nos quarteis e nos ministérios em negociatas que nos desprestigiam e sobretudo nos empobrecem sem darem “cavaco a ninguém” é que eu não o vi, António Silva, a criticar. essa é a realidade!

      como está ideológicamente dominado e cheio de presunção nem consegue ler com calma o que o CP escreve…

      temos uma tropa fandanga sem prestígio, quase inoperacional, não serve para quase nada com a agravante de já nem ter utilidade social e agregadora como num passado ainda recente.
      dantes ainda dava alguma educação, formação cívica ou as primeiras botas e ensinava a comer de faca e garfo como aconteceu até aos anos 70, quando os mancebos pobres e atrasados – mas valentes e dotados, temperados por uma infância dura na vida rural – vindos do Portugal profundo salazarento aquando da sua incorporação nas fileiras das forças armadas.
      agora é uma instituição que se arrasta na lama – vide o roubo das armas na Carregueira – com gaborosos militares, que para autorizarem a banda a tocar tem de pedir autorização, isto ao nível de oficias-generais!!! rídiculo!!!
      eu sei que o americano não tem razão em tudo mas sei que também tem nalgumas coisas. e você António Silva consegue ter uma ideia sua, fazer um juízo crítico sobre a situação, ou fica-se pelas banalidades que proferiu???

      p.s. – alegra-me a Existência e indique-me um blog isento… ridículo.

  6. António Silva

    Caro Otus Scops,

    A sua extensa resposta mereceu toda a minha atenção e peço-lhe desde já a sua atenção para a minha.

    Anters de mais, gostaria de clarificar uns pontos:

    Não conheço o Clavis Prophetarum além deste blog. Parece-me perfeitamente uma excelente pessoa pela descrição que dele faz, mas não é isso que está em causa, nem fui eu a pô-lo em causa dessa maneira. Eu escrevi sobre o que ele escreveu, afinal um blog é para apresentar ideias, divulgar pensamentos, etc., e se o fazemos aceitamos que outros nos critiquem.

    Portanto, não lhe admito que classifique o meu comentário de “num ataque pessoal sem argumentos”. Parece-me que o Sr. não sabe o que é ser pessoal. Seria pessoal se eu por exemplo ridicularizasse alguma característica física, algum tique ou coisa do género. O Sr. sim, quando escreve “como está ideológicamente dominado e cheio de presunção nem consegue ler com calma o que o CP escreve…” já se aproxima de um ataque pessoal, fala em ideologia, entra em campos mais sensíveis, mas como ideologias é coisa que realmente não me aquecem nem arrefecem, nem vou entrar por aí.

    Quanto à questão de haver um blog isento ou não, isento ninguém no mundo é porque é um ideal, como a perfeição, que procura-se ou não ser o mais possível. Vejo muitos sites blogs, e noto com prazer que alguns destes divulgam notícias e factos e quando querem dar opiniões, assinalam-nas expressamente como opiniões. Note que os textos principais também não são 100% isentos, porque como escrevia é-nos impossível sê-lo totalmente, mas o que interessa é a vontade de lá chegar. Já agora deixo-lhe um destes endereços, se tiver paciência há-de reparar que mesmo em questões polémicas o autor faz um esforço para separar águas. http://www.naval.com.br

    Passando à questão da ética, moral e prestígio das Forças Armadas, aonde é que falei nisso ou aonde é que eu as defendi ou ataquei? O Sr. é que assumiu que estou a fazer o papel de advogado deles, mas essa é uma assumpção sua e a como lá chegou é consigo. Não pretendo entrar por aí minimamente.

    Finalmente indo ao que interessou.

    Parece-me claro por este blog que o Clavis Prophetarum é um, se posso utilizar este termo que não pretendo de modo algum ofensivo, lusofonista. Pelo que interpreto seria do seu agrado uma Comunidade Lusófona aprofundada, eventualmente com uma associação de Defesa, etc. São ideias, aspirações a que tem todo o direito e que também não vou comentar porque não é o espaço próprio.

    Contudo, ao postar, estas ideias que repito são totalmente legítimas, reduz-lhe em muito a isenção. E foi isso que eu critiquei e critico.

    Repare bem que o post que deu origem a isto tudo, basicamente cita um ou mais telegramas de um embaixador americano, ele próprio nada isento e muito interessado em justificar ao patrão porque as coisas não estavam a correr-lhe bem e daí afirma que “Basicamente tudo está certo e neste telegrama o embaixador dos EUA em Lisboa reflete um conhecimento mais profundo e inteligente das necessidades de Defesa de Portugal”.

    Deixe-me só terminar com alguns factos que o convido a confirmar em qualquer site internacional da especialidade.

    1 – O excesso de F-16 justifica-se plenamente para que exista um fornecimento de peças regular. E digo-lhe porquê. Primeiro porque o facto de continuar a ser produzido (principalmente noutros países e não nos Estados Unidos) não significa que as peças dos modelos dos F-16 portugueses também sejam produzidas. Experimente o Sr. arranjar peças para um Renault Clio das primeiras gerações, para verificá-lo. Além de que à altura tendo os Estados Unidos um excesso de F-16 mothballed, o fornecimento veio a baixo custo. Daqui a 10, 20 anos quando ainda precisaremos de ter os F-16 a voar, essa disponibilidade já não será de certeza tão grande, até porque haverão sempre outros aliados e preferenciais a precisarem do mesmo. Portanto, o excesso de F-16 é a garantia de que daqui a 10, 20 anos ainda teremos condições para utilizá-los em vez de andarmos a abatê-los sucessivamente ao efectivo.

    2 – Nas fragatas a questão é por demais evidente. Nem lhe vou dar a minha opinião, simplesmente sugiro que procure as fontes, mesmo os próprios fabricantes e verifique os armamentos e sensores que cada classe tem, o tempo de vida que cada uma tem, e a altura tecnológica em que cada uma foi desenhada.

    3 – E quanto aos submarinos é o mesmo. Recorda-se dos bloqueios da 1ª e 2ª Guerra Mundiais que colocaram o Reino Unido à beira do colapso e que colocou o Japão no colapso. Foram provocados por… Submarinos. Ainda recentemente, na Guerra das Malvinas, um único submarino inglês obrigou a frota argentina a recolher aos portos, propiciando um desembarque e operações com retaguarda segura.

    Quanto aos negócios duvidosos, infelizmente não conheço nenhum negócio de armamento que não o seja, para quaisquer valores que estejam envolvidos. Mas nesse aspecto de duvidosos tivemos muitos mais, a começar pelos A-7, esses sim com muito que se lhe diga. Mas mais uma vez, é perfeitamente legítimo colocar as coisas em causa, mas por favor que se desenvolva e justifique, não é só dizer aqui d’el rei que o americano disse coisas com toda a razão só porque me convém.

    Portanto, meu caro eu tenho ideias e faço juízos críticos. Mas mais importante, leio e escrevo sem perder as estribeiras e vir com demagogias e outros pruridos armar-me em justiceiro ou advogado sem causa.

    Passe bem.

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