A Geração Nem-Nem

“Geração Nem-Nem (…) abrange jovens – muitos deles com habilitações literárias ao nível da licenciatura ou mesmo do mestrado – já representa em Portugal cerca de 15% da população nesta faixa etária. Estamos a falar de pessoas, jovens altamente qualificados, que, na sua maioria, se encontram nesta situação de forma forçada, dado que não conseguem encontrar um emprego que seja compatível com as suas habilitações.”
(…)
“Como desenvolver o nosso tecido empresarial, por forma a integrar e rentabilizar toda a nossa força produtiva?
Com um olhar atento para os países que mais têm crescido economicamente, como a China, o Brasil, a Tailândia ou a Nova Zelândia,  encontramos um factor comum a todos eles: uma elevada taxa empreendedora. Tal significa que, nestes países, um número muito significativo de cidadãos está envolvido na criação ou na gestão do seu próprio negócio”
Patrícia Jardim da Palma
Sol 21 de janeiro de 2011

Os jovens “Nem-Nem” são simultaneamente a maior oportunidade e a maior crise do Portugal de hoje. Representam uma grande camada populacional preparada como nenhuma outra geração anterior para a vida ativa, mas genericamente desocupada porque não encontra no Mercado de Trabalho uma ocupação à sua preparação académica. Os Empregos, quando os encontram são precários e/ou mal remunerados. Perante um mercado de trabalho estagnado, onde as melhores remunerações se encontram invariavelmente no Estado, restam aos “Nem-Nem” duas opções: a Emigração (normalmente para a Europa ou para Angola) ou… o Empreendedorismo.

Não existe na matriz cultural portuguesa uma propensão para o empreendedorismo. As razões para tal disfunção são conhecidas. Radicam desde logo, no Cristianismo Católico e na sua aversão ao Lucro e ao Juro. Foram intensificadas pelas varias expulsões de judeus na nossa História (que repeliram Capital e espírito empreendedor, em iguais medidas) e o Paternalismo salazarento assentou um golpe quase fatal no empreendedorismo lusitano… O papel asfixiante do Estado na economia portuguesa atual (mais de 60%) explica também porque existe entre nós uma baixa taxa de empreendedorismo.

A saída para os “Nem-Nem” e para Portugal no seu todo é bem clara: criar condições de incentivo fiscal, lançar “ninhos de empresa” em regime de tele-comutação ou teletrabalho que propiciem à aparição e sustentação de milhares de micro-empresas, favorecer pela via fiscal e bancária as micro-empresas e o auto-emprego. Motivar, em suma, estes jovens altamente qualificados a encontrarem um rumo para as suas vidas, tornando simultaneamente Portugal num país economicamente mais independente e produtivo.

Categories: Política Nacional, Portugal | 21 comentários

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21 thoughts on “A Geração Nem-Nem

  1. pedronunesnomundo

    …CP, tenho de muito francamente dizer que acho a associação do ‘Cristianismo Católico’ a uma ‘aversão ao Lucro e ao Juro’ tanto um bocado medieval – como se mesmo nessa época uma coisa tivesse a ver com outra – como desprovida actualmente de qualquer base de lógica ou sequer realidade observável

    • Otus scops

      globalmente também concordo com o CP, o texto é abrangente, com sequência lógica e bem fundamentado!

      concordo na íntegra no que escreve sobre o Salazarismo e a sua tenebrosa herança mental (que persiste ainda) e ainda na desgraça histórica da expulsão dos judeus, negar estes factos é estar desfasado da realidade.

      vou opinar:
      os casos de crescimento económico do Brasil, China ou Tailândia, esqueceram-se de Angola entre outros, são diferentes da Velha Europa, Japão, EUA, Coreia, Austrália, etc,
      os países mais desenvolvidos tem, logicamente, um crescimento económico mais lento comparado com os “em vias de desenvolvimento” onde ainda falta fazer muita coisa até chegarem ao nível dos mais desenvolvidos. quando alcançarem esse patamar começaram a crescer devagarinho, tal como todos os outros.
      um pouco off-topic aproveito a ocasião para introduzir um conceito económico recente – que é o futuro – que é o de economia sustentada em comparação com o actual modelo de crescimento da economia. este sim o que permitirá gerir os recursos que são finitos e cada vez mais escassos. por isso costumo desvalorizar um pouco as triunfantes taxas de crescimento que vão aparecendo por aí, um dia caiem como todos os outros…

      PNM
      a ligação entre menor desenvolvimento, maior desigualdade, menos empreendedorismo e Igreja Católica e Apostólica Romana é – infelizmente – um facto.
      CP e LuisM
      mas nem sempre foi assim, ao contrário do que é dito, o empreendedorismo, arrojo, curiosidade e espírito de descobrir foi uma imagem de marca de Portugal, até D. Manuel I. e o que aconteceu para o tudo ter mudado no mundo católico??? essa invenção tenebrosa – inventada pelos sinistros castelhanos – a Inquisição!!!
      essa monstruosidade do Tribunal do Santo Ofício danificou em muito essa tal espírito empreendedor que existia cá nos Reinos Ibéricos, Republica Veneziana, Piemonte, Reino da Sardenha, Estados Italianos, etc.

      digamos que a ICAR tem dois períodos, um de luzes anterior à Inquisição e outro de trevas depois.
      nesse tempo, antes dos abusos papais e da Reforma Luterana, quem liderava praticamente todos os processos económicos, técnicos e científicos eram os estados católicos. a Alemanha, Holanda, escandinávia, Grã-Bretanha eram ainda uns bárbaros façanhudos, que pelejavam incessantemente, ora entre eles, ora contra os Otomanos, sem contributos de relevância para a Humanidade.
      com Lutero e Calvino tudo mudou, foi introduzido nessas sociedades um código de ética e de responsabilidade colectiva pelos actos individuais que os coloca desde aí na vanguarda em termos de modelo comportamental e organização social.
      digamos que não é só a ICAR que atrapalha, mas sobretudo é o Protestantismo que estimula o empreendedorismo.

      agora a geração hiper-mega-giga qualificada!!!
      sem dúvida que estamos MAIS qualificados, mas não significa que estejamos MELHOR qualificados e se as ditas qualificações servem as necessidades do país. parece-me bem que não…
      no entanto “os jovens” são os menos culpados da situação, reconheço.

      as ideias que o CP lança para solucionar este problema do desemprego – o maior que qualquer sociedade tem – são muito bem vistas e pertinentes.

      para terminar gostaria de dizer que esta preocupação com “os jovens” já me começa a irritar: então e a maioria dos outros desempregados, menos qualificados, na faixa dos 45-60 anos que nunca mais terão nem trabalho nem reforma, sendo eles o grosso da coluna do desemprego???

      p.s. – vêem porque é que eu não gosto de castelhanos??? historicamente de lá saiu imenso desrespeito, egoísmo, violência e intolerância. os factos históricos demonstram-no…

    • Otus scops

      PNM

      este excerto do livro que o LuisM menciona está na Wikipedia PT:
      http://pt.wikipedia.org/wiki/David_Landes

      “Na verdade, é justo afirmar que a maioria dos historiadores hoje considerariam a tese de Weber como implausível e inaceitável: ela teve o seu momento e já passou.

      Eu não concordo. Nem sequer a nível empírico, onde os registos mostram que os mercadores e manufacturadores protestantes desempenharam um papel de líderes no comércio, na finança e indústria. Em centros de manufactura (fabriques) em França e na Alemanha ocidental, os protestantes tipicamente eram os empregadores e os católicos os empregados. Na Suíça os cantões protestantes eram os centros da exportação das indústrias manufactureiras (relógios, maquinaria, texteis); os cantões católicos eram primeiramente agrícolas. Em Inglaterra, que no final do século XVI era predominantemente protestante, os dissenters (leia-se Calvinistas) eram desproporcionalmente mais activos e importantes nas fábricas e fornalhas da nascente Revolução Industrial.

      Nem (sequer) ao nível teórico. O centro da questão situa-se na verdade na criação de uma nova forma de homem – racional, ordenado, diligente, produtivo. Estas virtudes, mesmo não sendo novas, estavam longe de ser um lugar-comum…

      …Duas características especiais dos protestantes reflectem esta ligação. A primeira era o ênfase na instrução e alfabetismo, para raparigas e rapazes. Isto foi um subproduto da leitura da Bíblia (ver também: história da Escócia). Era esperado de bons protestantes que lessem as sagradas escrituras por si mesmo. (Em contraste, os católicos faziam a catequese mas não tinham que ler e eram explicitamente desencorajados de ler a Bíblia. O resultado: maior alfabetismo e maior reservatório de candidatos para estudos avançados; também maior segurança de continuidade do alfabetismo de geração em geração. A alfabetização das mães é importante.

      A segunda foi a importância conferida ao tempo. Aqui temos aquilo que o sociólogo chamaria de evidência moderada: o fabrico e a compra de relógios. Mesmo em áreas católicas como a França e a Baviera, a maioria dos fabricantes de relógios era protestante e o uso destes instrumentos de medida do tempo e sua difusão em áreas rurais era de longe mais avançada na Grã-Bretanha e Holanda do que em países católicos. Nada testemunha tanto como a sensibilidade ao tempo para a “urbanização” da sociedade rural, com tudo o que isso implica para a rápida difusão de valores e gostos.

      obviamente que David Landes é parcial, coloca as coisas de um ponto de vista muito anglo-saxónico… digamos que tem razão na análise mas é parcial na síntese…

    • pedronunesnomundo

      tendo apreciado muitíssimo a tua análise sobre os contrastes relevantes entre o universo católico e protestante – com tiros demolidores sobre uma certa falta de pragmatismo e assertividade do primeiro – não deixo de pensar que a questão de partida era o estado da sociedade portuguesa DE HOJE e os vícios de funcionamento de que ela está minada…
      …e o achar que o ‘catolicismo’ tem HOJE uma fatia sequer enunciável de relevo no nível da proficiência empreendedora dos tugas
      HOJE, com mais de trinta anos de uma sociedade construída por uma revolução laica e libertária
      HOJE, com a sociedade portuguesa espartilhada pela finância liberal que não tem qualquer tipo de ‘aversão ao Lucro e ao Juro’

      é evidente que no substracto mental português existe uma boa fatia da inspiração cristã – no caso, católica…
      (e diria eu, sujeito ao contraditório, felizmente)
      …mas associar-lhe HOJE culpas em sede de economia e finanças continuo a achar que é pura ficção

      [é com enormíssimo gozo que vejo que neste blog continua a haver uma galeria de participações – com a sua prórpria à cabeça – que deve tornar o CP um administrador muito feliz 😀 😀 ]

  2. LuisM

    100% de acordo!

    O garrote católico na alma lusa é enunciado na magistarl obra “A riqueza e a pobreza das nações” de David Landes.

    Quando não são estes factores, os nossos “empresários” vêem com os piores motivos como lucro fácil essa “inovadora” perspectiva de aquisição rápida de BMWs, Mercedes e vivendas.

    Quanto aos jovens qualificados, há que referir que apesar dos canudos, chegam ao mercado com uma impreparação gritante pois são resultado de um sistema educativo falho, negligente, que não ensina nem incute método.

    • Odin

      “Quanto aos jovens qualificados, há que referir que apesar dos canudos, chegam ao mercado com uma impreparação gritante pois são resultado de um sistema educativo falho, negligente, que não ensina nem incute método.”

      Afinal, você se refere à Portugal ou ao Brasil? 🙂

      • LuisM

        Eu refiro-me à realidade portuguesa que é a que conheço.

      • Odin

        Sim, eu sei. A minha pergunta foi uma piada, uma brincadeira devido a semelhança de problemas. 😉 O tópico é sobre Portugal.

    • Otus scops

      Odin

      tou a ver que é tudo “farinha do mesmo saco”!
      achas mesmo boa ideia portugueses e brasileiros juntos??? 😀

  3. Odin

    Sócrates, e quanto a “Geração à Rasca”? Você como 1º Ministro, Zé, consegue decepcionar até quem não é português.

    Palavras do Zé enquanto os seguranças corriam com os que queriam protestar:
    – E como é sabido, e como é sabido, nós somos o partido da tolerância (hahahahahahahahaha…), estamos no carnaval;

    Não adianta, Pinóquio. Você é um opressor do seu próprio povo sim. Ô Zé, se os meninos pagaram o jantar e não participaram, você ao menos devolveu o dinheiro deles? Você é amigo do Hugo Chávez, do Kadhafi, e gosta de maltratar o seu povo. Mas num breve dia qualquer, vão correr com você do poder, vão lhe dar um ponta pé no traseiro e colocá-lo no olho da rua.

    • Otus scops

      grande Odin!!!
      dá-lhe com força, não faças cerimónias!!!

      p.s. – só não gostei muito a comparação com o Pinocchio, o boneco tem uma reputação a manter… 😉

    • Odin

      Otus Scops

      Eu não respeito governantes que não respeitam aqueles que os elegeram. O Sócrates foi eleito porque os eleitores concordavam com a proposta do PS de bem-estar social. Nunca li o programa de governo do PS, mas se o partido é socialista, a lógica é defender os interesses dos trabalhadores, mesmo que mantenha o sistema capitalista. Quem defende interesses das elites é a direita política, e os neoliberais defendem o capital estrangeiro também. E o rapaz da geração às rascas lá ainda pediu “desculpa” por não aceitar o jantar que pagou. Não entendi o porquê pedir desculpa. Eles foram expulsos com uso de violência! Eu hoje penso que, se o Cavaco foi reeleito, é porque os eleitores vão querer eleger o Passos Coelho como 1º Ministro nas próximas eleições legislativas. Chego a pensar que, depois de D.Sebastião, o Zé Socas é o 2º governante mais desastrado que o vosso país já teve em sua história. Parece que o Zé simplesmente não tem a mínima idéia do que fez e ainda faz com o país. É sério, ele vai acabar destruindo Portugal. Vocês deviam fazer uma nova revolução como fizeram o 25 de Abril. E quero lembrar que o mal não está na democracia. Está na democracia não ser participativa. E isso vale até mais ainda para o Brasil do que para Portugal.O Sócrates tem que ter respeito pelo povo, quem ele pensa que é?

      PS: Em vez do Pedro Passos Coelho, eu votava na Lena Coelho pra 1ª Ministra, quem sabe a Triumph fazia investimentos para gerar empregos por aí? 😀 (Foi uma piada)

      • pedronunesnomundo

        gostei do teu texto mas, se me permites, recorto para mim esta parte

        ‘PS: Em vez do Pedro Passos Coelho, eu votava na Lena Coelho pra 1ª Ministra, quem sabe a Triumph fazia investimentos para gerar empregos por aí?’

        que, ao contrário do que pensas, não é piada 😀 😀

    • Otus scops

      “Eu não respeito governantes que não respeitam aqueles que os elegeram.”
      curiosa esta frase, eu sou assim também. o respeito que alguém obtém de mim advém da sua conduta e actos, não pelo cargo ou posição.

      gostaria de dizer algo sobre o Sócrates:
      ele é um dos culpados, todos desde Cavaco Silva (incluído) tem uma parte da culpa, seja por acção ou omissão. este miserável teve azar, está no lugar errado na hora errada. se em 2005 quando entrou tivesse alterado significativamente as coisas e na crise do BPN tivesse tido uma actuação diferente estaríamos melhor.
      não o ilibo de nada daquilo que se passa mas também não o culpo por tudo – tenho memória!

      é mais um medíocre – temos tudo o que merecemos.

      essa Lena Coelho (que não conhecia) ficaria melhor noutros espaços que não o político. mas estou a ver que gostas dela! 🙂

      • Odin

        “o respeito que alguém obtém de mim advém da sua conduta e actos, não pelo cargo ou posição.”
        Mas é assim mesmo que tem que ser.

        “gostaria de dizer algo sobre o Sócrates:
        ele é um dos culpados…não o ilibo de nada daquilo que se passa mas também não o culpo por tudo”

        Sim. Há outros culpados além do Sócrates. Ele não foi o causador de tudo, mas não adota uma postura digna de um líder para enfrentar o problema. Ele tem até o exemplo da Islândia se quiser salvar Portugal, mas fica se comportando como se nada de grave estivesse acontecendo. Jovens desempregados foram desabafar e ele deixa os seguranças agredirem os jovens enquanto com hipocrisia os convida para jantar? Sei que o Zé Socas gosta do Brasil, ou no mínimo finge muito bem, mas um Secretário Geral de um Partido Socialista reprimir jovens desesperados daquela forma… desculpe Otus, mas foi a gota d’água. Tomara que o Sócrates vá pra ******* aquele covarde.

        “essa Lena Coelho (que não conhecia) ficaria melhor noutros espaços que não o político. mas estou a ver que gostas dela!”

        E tu nunca a viste? E não gostas não? 😀 Observa bem as fotos no Google! Digita “helena coelho triumph”
        Fiquei sabendo da existência dela aqui no Quintus, num Quids do CP, quando vi uma foto muito bonita, fiquei curioso e decidi pesquisar no Google. Parece que ela é apresentadora na RTP. Parece que o PNM também gosta muito dela. ;D
        Eu a citei porque o apelido é o mesmo do político lá, e me lembrei dela. Entre Coelhos, em vez de votar no Pedro Passos, prefiro votar na Helena. 🙂 Como vocês dizem, a Lena é “gira”. 😉

  4. Odin

    Otus Scops

    Por isso que eu acho motivo de piada brasileiros quererem falar mal de portugueses de forma generalizada e portugueses quererem falar mal de brasileiros de forma generalizada. Porque é tudo farinha do mesmo saco. Ambos enxergam com clareza os defeitos do outro mas não são capazes de enxergar os seus próprios. O brasileiro, por exemplo, na condição de cliente, de freguês, é muito valente para se impor a um simples vendendor indefeso, refém da ameaça de demissão, nas lojas, no telemarketing, não mede palavras para humilhar, para exigir, mas ninguém aqui tem a coragem de começar uma revolta armada para invadir o Congresso Nacional e depor os deputados e senadores que sejam corruptos e corruptores. E de quem o brasileiro herdou esse princípio de não-violência contra a classe dominante? De um povo de brando costumes do oeste da Península Ibérica. E quem fez o povo de brandos costumes da Ibéria ser assim? A Igreja Católica Apostólica Romana no decorrer dos séculos.

    Brasileiros e portugueses juntos, não seria nem totalmente bom e nem totalmente ruim. Se Portugal tivesse o nível de desenvolvimento da Escandinávia, da Holanda, da Bélgica por exemplo, e o Brasil o nível de desenvolvimento do Canadá ou da Austrália por exemplo, mesmo com alguns preconceitos (que existem até entre ingleses x americanos, ingleses x australianos, americanos x australianos, franceses x canadianos francófonos), uma possível união luso-brasileira seria bem sucedida. Mas agora, no ano de 2011, for tentada algum tipo de união, vai fracassar e agravar a rejeição de ambos os povos ao outro.

    Da mesma forma, se os Brits 5 (EUA,Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido) se unissem, seria uma união bem sucedida. E se o Quebéc se separasse do Canadá anglófono para se unir à França, também seria uma união bem sucedida.

    Num futuro próximo, a longo ou médio prazo, se o Brasil vier a tornar-se um país desenvolvido, e quando quase ninguém mais vá querer sair daqui na condição de emigrante, aí uma união luso-brasileira será bem sucedida. Porque mesmo se Portugal não estiver mais desenvolvido, por qualquer motivo que seja, vai estar com uma população pequena, não vai pesar sobre o Brasil. E se ainda estiver desenvolvido, o sucesso da união será maior ainda. Se o Brasil não se desenvolver, não compensa pra nenhum dos dois a união. Pesando para o futuro, eu apóio a união luso-brasileira.

    • Odin

      Resposta à essa pergunta

      “Odin

      tou a ver que é tudo “farinha do mesmo saco!
      achas mesmo boa ideia portugueses e brasileiros juntos??? :D”

    • Otus scops

      percebi!

      1. “Ambos enxergam com clareza os defeitos do outro mas não são capazes de enxergar os seus próprios.”
      curiosa visão…

      2. “E de quem o brasileiro herdou esse princípio de não-violência contra a classe dominante? De um povo de brando costumes do oeste da Península Ibérica. ”
      provavelmente essa herança tem a ver com os portugueses e isso não é mau. se os povos são ignorantes e pouco informados (como a generalidade dos portugueses e brasileiros) não conseguem exercer a sua cidadania nos locais certos e discriminar correctamente o que é bom para o país. não é necessário desatar aos tiros, basta votar correctamente. cá (em Portugal) tal como por aí (Brasil) os cidadãos eleitores tem uma atracção fatal por corruptos, populistas, medíocres bem falantes sem substância. que fazer??? depois queixam-se…

      3.”E quem fez o povo de brandos costumes da Ibéria ser assim? A Igreja Católica Apostólica Romana no decorrer dos séculos.”
      é um factor a ter em linha de conta a ICAR. mas se reparares bem Portugal deixou de ter guerras “em casa” à 200 anos (Guerra Peninsular)! e dessa última para a penúltima passaram cerca de 150 (Guerra da Restauração).
      logo guerra e violência generalizadas são coisas muito estranhas à cultura e aos hábitos dos portugueses.
      se juntares a isso o longo período de Salazarismo e repressão do Estado Novo tornou-nos ainda mais carneiros e bem comportadinhos.
      digamos que existem vários factores que nos tornaram pouco violentos, não só a ICAR, que hoje tem de ter as costas largas para aguentar tantas culpas… 🙂

      4. o 2º parágrafo está muito bom, boa dissertação. e tens razão, preconceitos há em todo o lado, infelizmente…

      5. no 3º parágrafo excluindo os EUA os restantes estão unidos, na British Comonwealth e funcionam muito bem!
      quanto ao Quebec tenho informações que aquilo está fraco devido à mania de se querem separar (que respeito). o restante Canadá reagiu de forma consertada e foi retirando as sedes das empresas, investimentos, em suma, a confiança tornado este estado canadiano muito menos rico. talvez para eles unirem-se à França fosse bom, não sei é se a Gália tinha capacidade para os aguentar…

      6. “Num futuro próximo, a longo ou médio prazo, se o Brasil vier a tornar-se um país desenvolvido”
      se??? está a tornar-se e quanto mais rápido melhor. aliás, já existem zonas no Brasil de excelência onde a qualidade de vida está ao nível dos países mais desenvolvidos. agora o problema é estender ao restante território e isso é que vai ser o desafio.

      7. realmente, se todos os portugueses fizessem como D.João VI à 200 anos pouco se ia notar no Brasil. só o estado de São Paulo tem 4 vezes mais população e tem mais 150% de área! ninguém ia notar. 🙂

    • Odin

      Otus Scops

      “provavelmente essa herança tem a ver com os portugueses e isso não é mau.”
      Mau não é. Mas o excesso de mansidão faz os que estão em situação privilegiada cometerem abusos e ninguém os modera.
      “ se os povos são ignorantes e pouco informados (como a generalidade dos portugueses e brasileiros) não conseguem exercer a sua cidadania nos locais certos e discriminar correctamente o que é bom para o país.”
      Mas a ignorância da multidão não é totalmente culpa do Zé povinho. É de quem controla a educação pública. E não há um responsável específico. É um erro de sistema. E o problema não se restringe às escolas. Os media contribuem muito para a ignorância popular. E quem é beneficiado pelo status quo?
      “não é necessário desatar aos tiros, basta votar correctamente. cá (em Portugal) tal como por aí (Brasil) os cidadãos eleitores tem uma atracção fatal por corruptos, populistas, medíocres bem falantes sem substância. que fazer???”
      A princípio, passar a votar corretamente é a opção ideal. Mas quando a maioria não sabe votar corretamente? Quando o Parlamento do país declara publicamente a necessidade de reformas, mas posterga para legislaturas futuras, porque a real intenção e não fazer as mudanças. Que fazer??? Quando o bipartidarismo disfarçado de pluripartidarismo vê a agonia popular devido a pobreza mas, só se preocupa com interesses dos políticos? E a justiça lenta? Numa era em que computadores existem, e com internet e intranet, o que justifica a falta de celeridade judicial? A melhor forma de se eleger deputados não é voto só em partidos como é aí e nem o sistema daqui. É o voto distrital mais o recall. Por exemplo, um conjunto de cidades da sua região tem 1 candidato a deputado por partido, o mais votado assume o mandato, e se der motivo, os mesmos eleitores devem ter o direito de cassar o mandato dele e eleger outro.
      Os eleitores devem ter o direito de escolher quem é a pessoa que vai representá-los e de removê-la do cargo também.

      “mas se reparares bem Portugal deixou de ter guerras “em casa” à 200 anos (Guerra Peninsular)! e dessa última para a penúltima passaram cerca de 150 (Guerra da Restauração).
      logo guerra e violência generalizadas são coisas muito estranhas à cultura e aos hábitos dos portugueses.”
      E não é mau. Porque ninguém quer viver num país em guerra perene. As pessoas querem paz, bem-estar social, segurança, saúde. Mas governos e representantes eleitos oprimirem o povo dá no mesmo que uma ditadura. O que o Sócrates fez com a Geração às rascas lá é comportamento de autoritarismo.
      “digamos que existem vários factores que nos tornaram pouco violentos, não só a ICAR, que hoje tem de ter as costas largas para aguentar tantas culpas… 😀 ”
      Sim. Há outros detalhes que influem. Comparam o sul europeu católico com o norte europeu protestante (comparação que existe também nas Américas). Os reformadores originais, Lutero e Calvino. O que eles tinham que a maioria do povo, e a maioria do clero também, não tinham? Erudição. Nem Lutero e nem Calvino eram imaculados, santinhos, sem pecado. Não, os dois agiram com perversidade, com violência, tal como os líderes católicos romanos. Mas Lutero sabia ler e escrever no seu idioma nacional, sabia latim, grego, pediu para um padre cristão-novo amigo dele para lhe ensinar hebraico, e fez descobertas impressionantes. Já Calvino afastou a sua versão de Protestantismo da ICAR e, sem ele mesmo perceber, aproximou mais do Judaísmo do que do Catolicismo. Não sou judeu e nem religioso cristão. Mas o que Lutero e Calvino fez por seus seguidores que a ICAR não fez? Estimulou-os a ler, a prática da leitura, a alfabetização. E a Torah (Pentateuco) dá uma excelente instrução de disciplina comportamental, direciona o indivíduo a querer trabalhar, produzir, prosperar, tem sim o seu lado positivo. Não é só um livro fundamentalista que deixa os indivíduos fanáticos. Podem dizer que os jesuítas investiram na educação, mas o sistema calvinista principalmente, e o luterano foram muito melhores. Outro detalhe que eu observei ao ler livros de História Geral, que os países cristãos e islâmicos mais ricos, em suas épocas de apogeu, tinham forte presença judaica. Os EUA hoje têm mais judeus do que Israel.

      • Otus scops

        Odin

        “o excesso de mansidão”
        Manso é a tua Tia, pá!!!
        http://videos.sapo.pt/zUTBzlQGCE74oKe4wZjE

        😀

        ————

        fico sempre extasiado com o teu conhecimento e sínteses nomeadamente nas áreas que envolve a História versus religiões e mitologias várias!

        adorei!!!

        • Odin

          Vou soltar fogos de artifício. Até que enfim, ele tomou a iniciativa de me tratar por “pá”. Pois tal interjeição é o “selo de garantia” de que realmente estou me comunicando com um tuga. 😀

          Mas, tenho mais de uma tia e, uma delas é brava e tem gênio forte.

          Religiões, Mitologias e Ocultismo estão entre os meus assuntos favoritos.

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