“23% dos portugueses entre os 25 e os 34 anos têm formação superior, quando a média da OCDE é de 35%”

“Portugal é dos países que nas últimas décadas mais viu crescer o contingente de alunos nos bancos da Universidade.
(…)
Nos mestrados havia em 2004 45 mil alunos. Se este último número se explica, em grande medida, com as mudanças na estrutura dos cursos (hoje, na sequência do processo de Bolonha, a maior parte dos alunos faz o mestrado logo depois da licenciatura)
(…)
O último relatório da OCDE (…) 23% dos portugueses entre os 25 e os 34 anos têm formação superior, quando a média da OCDE é de 35%”

Fonte
Público 13 de fevereiro de 2011

Nos últimos anos, sucessivos governos têm preferido fazer aprovar licenciaturas e mestrados inúteis em vez que cuidarem em manterem em funcionamento apenas cursos de futuro, capazes de assegurarem Emprego e Desenvolvimento ao país. O tristemente famoso “Mestrado em Engenharia de Campos de Golfo” é apenas uma destas anomalias letivas, e reflete bem que os governos da Partidocracia têm preferido manter os jovens mais alguns anos (sempre mais) no Sistema Ensino do que vê-los entrar no Mercado de Trabalho.

Seria de esperar que num país com baixa demografia, os jovens tivessem – pela relativa raridade da competição – boas hipóteses de encontrarem Emprego. Mas não é isso que se passa. E não venham os neoliberais do PSD que hoje afiam as garras ao Estado Social alegar que se os jovens não conseguem Emprego tal é porque o “despedimento é muito rígido e caro”, e logo, as empresas retraem as contratações. As empresas se se encontrassem perante a tão desejada (pelos empresários e pelo duo PSD-PP) liberalização dos despedimentos, simplesmente despediriam todos os seus empregados com mais de 40 anos, substituindo-os por Temporários ou Outsourcings, jovens… mas que nunca pertenceriam ao quadro.

O problema do desemprego jovem não é exclusivo de Portugal. Alastrou-se por todo o Ocidente e resulta de sociedades desindustrializadas pelos dogmas neoliberais da Globalização e da transferência de todas as atividades produtivas para a China. Para trás, ficou uma geração de consumidores sobre-endividados, que sem indústria nem agricultura, se viu sem oportunidades, estando nós hoje – no Ocidente – perante a estranha contradição de termos a geração mais qualificada de sempre e simultaneamente aquela que menos perspetivas de Emprego e de aumento de nível de vida de sempre.

Obviamente, a prazo, a situação é explosiva… Por enquanto os pais da “Geração Nem-Nem”  (Nem Emprego, Nem Estudam) conseguem amortecer boa parte desta insatisfação jovem, já que mantêm estes jovens em sua casa, os alimentam e lhes pagam as despesas. Mas com o desemprego crónico galopante entre a geração destes pais (com mais de 40 anos) a semente do desespero absoluto instala-se e se o Corpo de Intervenção recua perante uns quanto arruaceiros do Sporting armados de bandeiras e cadeiras de plástico, como será capaz de conter esta tremenda insatisfação que hoje germina entre estes cidadãos cada vez mais insatisfeitos?…

Categories: Economia, Política Nacional, Portugal, Sociedade Portuguesa | 4 comentários

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4 thoughts on ““23% dos portugueses entre os 25 e os 34 anos têm formação superior, quando a média da OCDE é de 35%”

  1. Ana Oliveira

    Concordo plenamente com o texto e as ideias nele explanadas. Acredito é que estamos, sobretudo, numa crise de valores e princípios.

    Acredito também que o povo Português é de brandos costumes, mas o pavio está a ficar cada vez mais curto e as mudanças de mentalidades, forçadas ou não, foram em regra geral feitas na rua. Com educação e boa conduta mas de forma determinada e vinculativa.

  2. os momentos de Crise (e esta é a maior dos últimos 100 anos) são propícios a que sucedam grandes mudanças. Estas vão surgir. Talvez pacificamente (com uma mudança de regime e de partidos) talvez de forma mais violenta, o que é mais dificil, porque Portugal não é pais de revoltas…

    • pedronunesnomundo

      este é mesmo o País ‘Nem-Nem-Nem-Nem’

      nem antes tínhamos formados en número satisfatório
      nem passámos a ter, apesar das caixas-expresso das faculdades
      nem as formações superiores respondem em qualidade às necessidades do mercado
      nem o simples facto de haver mais formados diminui a probabilidade de se tornarem carne para canhão do desemprego

      a nossa coerência é imbatível

    • pedronunesnomundo

      ‘Portugal não é pais de revoltas’
      é pena. é mesmo pena

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