Os Silêncios de Cavaco. De novo.

“Em declarações à televisão no passado fim-de-semana, Cavaco Silva mostrou-se tranquilo com a segurança dos cidadãos portugueses no Egipto, mas fugiu a responder à pergunta de um repórter sobre os acontecimentos naquele país: “Não devo pronunciar-me, como deve calcular”, justificou-se.
Como deve calcular? Mas calcular o quê? Afinal, que é que o impedia de pronunciar-se sobre o assunto?
(…)
O complexo de inferioridade de ser o Presidente de um pequeno país sem influência notória nas questões internacionais. A pura e simples falta de opinião ou de sensibilidade democrática face à magnitude contagiosa das revoltas populares através do Magrebe e Médio Oriente.”
Vicente Jorge Silva
Sol 4 de fevereiro de 2011

Cavaco voltou à gestão dos silêncios. Um Presidente que fez toda uma carreira – perante a complacência cúmplice dos portugueses – gerindo tabus, agora, finda uma campanha eleitoral de onde o seu estatuto moral saiu seriamente beliscado, torna a não falar.

Sejamos claros: aos assessores de Cavaco interessa sobremaneira que o seu chefe não fale. De cada vez que Cavaco abre a boca (seja ou não para comer pastéis de bacalhau) de improviso, eles tremem, sem saber a alarvidade que sairá de um presidente decrepito e profundamente ignorante. Cavaco está assim severamente instruído (e.g. “amestrado”) para falar o menos possível e para – quando tiver mesmo, mesmo, que falar, o fazer lendo apenas textos escritos pelos seus assessores.

Mas em Portugal dificilmente se pode conceber uma maior inutilidade que um Presidente mudo. Após as últimas revisões constitucionais, os poderes do Presidente da República foram imensamente reduzidos, restando neles hoje pouco mais que um oco formalismo e a famosa “bomba atómica” da dissolução parlamentar. Um Presidente é hoje – pelo esvaziamento efetivo do seu cargo – um moderador, um alertador, alguém que exprime o peso induzido por uma eleição uninominal e com mais de 50% do sufrágio para representar os valores de Portugal e os interesses dos seus cidadãos.

Portugal deve ter no plano internacional uma só voz e esta, não deve ser a do Ministro dos Negócios estrangeiros. Deve ser também a de um Presidente que defende os valores da Democracia e da Liberdade onde quer que estes sejam ameaçados, se crê neles e se acredita que são universais. Não deve ser um Mudo que denuncia familiares a uma polícia política. Não deve ser, mas é, porque mais de metade dos portugueses decidiram não ir votar a 23 de janeiro e deixaram assim eleger o mais imbecil, inepto, incapaz e imoral presidente da República portuguesa…

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Categories: Política Nacional, Portugal | Etiquetas: | 3 comentários

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3 thoughts on “Os Silêncios de Cavaco. De novo.

  1. M4Jor

    disparate. a melhor parte é esta: ” de um presidente decrepito e profundamente ignorante. ”
    ahahahhahah

  2. Renato Rodrigues da Silva

    Que diferença do que falavam do Cavaco nos anos 80: “O Estadista que não erra”

  3. HSMW

    E agora que a situação na Líbia deu uma reviravolta completa?
    Ainda bem que estivemos calados!

    Se não temos capacidade de projecção de força militar, não temos relevância, não temos opinião.
    Somos insignificantes.

    Não bastam as alianças e amizades.
    Só servem para levarmos a facada nas costas como levou o Qaddafi dos novos amigos que arranjou desde o levantamento do embargo em 2008.

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