Sobre a dúbia posição angolana quanto à crise na Costa do Marfim

Forças da ONU na Costa do Marfim (http://pt.euronews.net)

Forças da ONU na Costa do Marfim (http://pt.euronews.net)

“A posição de Angola em relação à crise política que se vive na Costa do Marfim pode vir a isolar o país no plano internacional e colocar em causa a sua liderança na África Austral. (…) Durante este ano prevêm-se 17 actos eleitorais em diversos países de África e a instabilidade gerada pelas eleições na Costa do Marfim está a levantar dúvidas nos meios diplomáticos. Entende-se que o modelo democrático pode correr alguns riscos devido ao “contágio” da posição angolana.
(…)
“para o Presidente de Angola, o Conselho Constitucional (da Costa do Marfim) teria de validar os resultados provisórios da Comissão Eleitoral Independente, o que não aconteceu sob a alegação de fraudes e irregularidades, considerando que o anúncio dos resultados pelo representante das Nações Unidas foi uma precipitação que induziu em erro a comunidade internacional.
Angola empenha-se na resolução da crise, defendendo uma não intervenção armada e uma solucao de conotação “africana” em vez de “ocidental”.
(…)
Gagbo foi apoiante do MPLA e do actual Chede de Estado, enquanto Ouattara foi um dos líderes africanos que apoiaram a UNITA.
A ambição de Angola em ser um líder regional tem na Costa do Marfim um histórico aliado na esfera francófona. Este objetivo é disputado com a África do Sul e a Nigéria.”

Fonte:
Sol 28 de janeiro de 2011

Parece claro que neste particular José Eduardo dos Santos se sente vinculado às alianças do tempo do conflito entre o MPLA e a UNITA. Nesse sentido, o sentido de honra e compromisso do presidente angolano é admirável, mas este devia ser inferior aos interesses do país que representa. Angola é hoje um dos países mais influentes da África subsahariana e a sua posição sobre a legitimidade de umas eleições que se realizam no continente e que redundam neste tipo de conflito pode incendinar toda a região.

Há rumores segundo os quais haveriam já forças militares angolanas na Costa do Marfim, sejam “conselheiros” ou “forças especiais”. Esperemos que não sejam verdadeiros e que, sobretudo, estas forças não estejam aqui para se prepararem para enfretarem as forças que a ONU aqui mantêm em defesa de uma das partes…

Categories: Lusofonia, Movimento Internacional Lusófono, Política Internacional, Portugal | Etiquetas: , | 1 Comentário

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One thought on “Sobre a dúbia posição angolana quanto à crise na Costa do Marfim

  1. pedronunesnomundo

    *nota de rodapé: o ‘Regime dos Santos’ nada tem de ‘admirável’, dê lá por onde der
    o autoritarismo, o nepotismo, a cleptocracia, a orgia extractiva que se mescla de boa gestão, são cartões de visita que se o colocarem na liderança de uma certa África pós-colonial lhe garantirão muitos anos vindos e continuados de moscas e de morte*

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