Paul Krugman: “Parece que Portugal será a próxima peça do efeito dominó do euro”

Paul Krugman (http://www.salon.com)

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“Parece que Portugal será a próxima peça do efeito dominó do euro. Eu estava à espera que não. O país é de longe o mais difícil de decifrar entre os países da periferia do euro.”
Paul Krugman

E ainda bem. O que Krugman menciona aqui é a nossa conhecida imprevisibilidade, a tradicional opacidade das nossas contas públicas e a capacidade que o país sempre teve para resistir e vencer situações de crise tão ou ainda mais graves que a atual. Portugal não acabou nem acabará. Esses podem ser os desejos dos espanholistas que nunca abandonaram os planos imperiais de uma “união ibérica”, os dos Globalistas do mundo das Finanças e do Bilderberg ou os de uma “união europeia” que é cada vez mais um império franco-germânico, autocrático, antidemocrático e onde os pequenos países têm menos influência nas decisões que os afetam diretamente.

Portugal não acabou. Se deixar de conseguir pagar os juros babilónicos que nos impõem, isso não será o fim de um país mais que milenar mas o fim de um ciclo de sobreconsumo e endividamento descontrolado. Sairemos menos consumistas, mas mais sustentados na nossa pegada de consumo. Este ajustamento é, de resto, já inevitável e procurar fugir a ele, uma corrida antecipadamente perdida.

A dívida externa tem que ser renegociada. Os juros do dito “fundo de estabilização” são de quase 6%, quase especulativos, portanto, e quase cinco vezes aos que Portugal pagava há cinco anos. As “receitas” liberais que o Fundo europeu vai impor são profundamente recessivas e vai reduzir seriamente as receitas fiscais, o que irá levar o Governo a aumentar ainda mais a carga fiscal e a provocar – de novo – mais recessão. Esta é a espiral destrutiva até onde nos querem empurrar. Mas não vão conseguir.

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Categories: Economia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | 3 comentários

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3 thoughts on “Paul Krugman: “Parece que Portugal será a próxima peça do efeito dominó do euro”

  1. LuisM

    Kirchner da Argentina é um bom exemplo quando fez frente aos senhores do FMI e renegociou a dívida para 30%

  2. Otus scops

    CP

    frases curiosas, as tuas:

    “é cada vez mais um império franco-germânico”
    a dinastia Carolíngia novamente…
    então teremos a Galecia (Reino dos Suevos) novamente?
    e abaixo do Tejo entregamos aos Mouros?
    realmente a história é uma roda.

    “Portugal não acabou nem acabará.”
    concordo, já passamos por coisas bem piores. dentro de 10 anos voltará tudo ao normal, o problema é chegarmos lá…

    agora o Krugman:
    “O país é de longe o mais difícil de decifrar entre os países da periferia do euro.”
    vê-se que ele sabe pouco de História senão conhecia a frase:
    «Há, na parte mais ocidental da Ibéria, um povo muito estranho: não se governa nem se deixa governar!» 2200 anos anos é muito tempo, está-nos nos cromossomas!

  3. Otus scops

    “…Império franco-germânico, autocrático, antidemocrático e onde os pequenos países têm menos influência nas decisões que os afeCtam direCtamente.”
    (vê-la se aprendes a escrever ou usa um correCtor ortográfico – corrector de corrigir, não um corretor de operações bolsistas)

    nem a propósito, o Benelux refutou com firmeza o pacto franco-germânico. parece que é que “o socialista” Sócrates está satisfeito com ele.

    http://economia.publico.pt/noticia/merkel-e-sarkozy-geram-revolta-dos-parceiros-europeus-contra-nova-imposicao-francoalema_1479337

    Merkel ficou sem grande margem de manobra
    Merkel e Sarkozy geram revolta dos parceiros europeus contra nova imposição franco-alemã
    09.02.2011

    Angela Merkel, chanceler alemã, e Nicolas Sarkozy, Presidente francês, foram apanhados de surpresa com a firmeza das críticas dos restantes países europeus às suas propostas de reforço da convergência económica e da competitividade da zona euro.

    Concebidas por Merkel, as propostas, baptizadas “pacto de competitividade”, geraram uma discussão acesa de cinco horas durante a cimeira de líderes da União Europeia (UE) da passada sexta-feira, embora sobretudo com base nas “fugas” para a imprensa do que estava a ser cozinhado nos dias anteriores em Paris e Berlim. Confrontada com o protesto dos parceiros, Merkel não chegou a apresentar as suas ideias em grande detalhe, mas apenas a referi-las de uma forma algo vaga, limitando-se a discussão praticamente à metodologia para as futuras negociações.

    Segundo vários diplomatas, nenhum dos Vinte e Sete mostrou grande entusiasmo com a totalidade das propostas, o que leva a crer que a chanceler terá de baixar as expectativas.

    Berlim pode pressionar

    Mas Berlim tem um poderoso meio de pressão ao impor uma ligação entre a aprovação do seu “pacto de competitividade” pelos parceiros e a sua anuência ao reforço e flexibilização do fundo europeu de estabilidade financeira (EFSF). Ou seja, Berlim dá desta forma o sinal de que aceita ajudar os países em dificuldades de financiamento, mas impõe como condição a adopção por todos das práticas alemãs de boa gestão económica.

    É esta a “resposta abrangente” que os alemães têm vindo a defender desde o início do ano para a crise sistémica do euro e que parece ter conseguido acalmar o nervosismo dos mercados financeiros na expectativa de uma decisão sobre o conjunto do pacote na cimeira europeia de 24 e 25 de Março. As grandes linhas do acordo serão, no entanto, ultimadas numa outra cimeira extraordinária marcada expressamente para o efeito e unicamente entre os Dezassete países do euro, a 11 de Março.

    Sarkozy, que pouco mais fez do que se associar às propostas de Merkel para lhes garantir o carimbo “franco-alemão”, obteve desde já uma importante vitória ao ver finalmente consagrada a sua ideia de colocar a zona euro nos comandos de todas as decisões relevantes para a moeda única, num processo que designa por “Governo económico europeu”.

    Apesar disso, o pacto de competitividade será aberto a todos os países interessados, como é defendido por Merkel e pelos países de Leste, que, enquanto futuros candidatos ao euro, não querem ser afastados do núcleo duro da integração europeia. Donald Tusk, primeiro-ministro da Polónia, foi o porta-voz dos países de Leste na defesa veemente de uma resposta “inclusiva” à crise do euro.

    Mas foram os chefes dos governos da Bélgica, Holanda e Luxemburgo (Benelux) que desferiram os ataques mais duros contra a estratégia de Paris e Berlim, criticando o que é visto como mais uma imposição franco-alemã a juntar-se a várias outras desde o início da crise da dívida grega, há um ano.

    Acima de tudo, os três países insurgiram-se contra o facto de as propostas ignorarem todos os passos de resposta à crise que já estão a ser dados em termos de reforço da governação económica e de disciplina orçamental, e que deverão ser aprovados até ao Verão.

    Benelux opõe-se

    Os três membros do Benelux também se opuseram frontalmente ao fim da indexação entre salários e inflação pretendido por Merkel, recusando desfazer os seus modelos de concertação social. A Irlanda rejeitou qualquer base comum a todos os países para a tributação do IRC, a Itália a harmonização fiscal em geral e a Áustria qualquer imposição europeia de ligação entre a idade da reforma e a evolução demográfica.

    Praticamente todos os membros do euro recusaram qualquer obrigação de inscrição na respectiva Constituição de um travão ao endividamento, como acontece na Alemanha. Esta seria porventura a única proposta que levantaria problemas a Portugal, mas os alemães garantiram aos parceiros que nunca tiveram a intenção de impor uma medida destas, mas apenas o reforço dos compromissos nacionais em termos de disciplina orçamental. Tudo indica assim que Lisboa não tem, por agora, grandes problemas com o novo pacto alemão

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