Se o espanhol se sabe finito, o português sente-se incompleto pela ausência no seu corpo nacional da sua metade anímica galega e esse sentimento é reforçado pela aparente infinitude do Atlântico que o limita apenas pelas bandas do Ocidente

“Rui Martins, num interessante artigo intitulado “Pascoaes: Um Testemunho Vivo das Maleitas e dos Tormentos do Portugal de Ontem e de Hoje”, explica a identidade de Portugal no seio da Península Ibérica e a necessidade da Galiza para completar o seu ser nacional: “Se o espanhol se sabe finito, o português sente-se incompleto pela ausência no seu corpo nacional da sua metade anímica galega e esse sentimento é reforçado pela aparente infinitude do Atlântico que o limita apenas pelas bandas do Ocidente.”
Boletim da AGAL 2010

Ficamos gratos a estas amáveis palavras, naturalmente, já que “Rui Martins” é de facto um dos nossos alter-egos, mas não queremos também deixar de aproveitar esta oportunidade para regressar a um dos nossos temas de eleição: Portugal não pode ser Portugal se persistir numa via egoísta de virada de costas ao que se passa do outro lado da raia nortenha.

A realidade galega, o seu sentimento de afirmação nacional frente a uma “Espanha” centrípeda e aglutinadora não pode deixar de merecer a maior das simpatias e dos sentimentos de solidariedade frente a um povo submetido a um severo risco de extinção identitária e cultural. Assim como quando a repressão linguística, cultural e colonial da Indonésia atingia o seu paroxismo e o país se erguia no mundo conseguindo assim o impossível que foi o de levar dois pequenos países (Portugal e Timor) a conseguirem vencer a maior nação islâmica do globo, a Indonésia, com todos os seus numerosos e poderosos aliados, agora, Portugal, se quiser e se for necessário, pode também mobilizar-se nesse derradeiro salvamento de um povo irmão… assim queiram os galegos receber essa ajuda (como quiseram os timorenses em noventas). E essa é que é na “questão galega” a verdadeira questão: os galegos querem mesmo ser ajudados? Alguns querem ser, decerto, como o desejam alguns bons amigos que mantemos do outro lado da raia, mas… até que ponto é que são maioritários estes sentimentos de autonomia cultural e linguística? Esta é que é a verdadeira questão da sobrevivência da lusofonia na Galiza.

Categories: Galiza, Lusofonia | 6 comentários

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6 thoughts on “Se o espanhol se sabe finito, o português sente-se incompleto pela ausência no seu corpo nacional da sua metade anímica galega e esse sentimento é reforçado pela aparente infinitude do Atlântico que o limita apenas pelas bandas do Ocidente

  1. Odin

    E viva a Galiza independente!

  2. Santis

    Que se libertem de Castela e se juntem a uma união lusófona, um estado federar com todos regiões que usem a língua portuguesa.

  3. Odin

    Não consigo parar de provocar o Otus Scops 😀

    • Odin

      Mas os mapas apresentados no vídeo estão equivocados.
      O mapa correto devia ser próximo a este:

      http://portugalicia.atspace.com/

      Não é Otus? 😉

      • Otus scops

        😀

        andas à procura de confusão, ai andas, andas!!!

        quanto à música do Paulo Bragança confesso-te que é a minha favorita, tem uma combinação de sonoridades do norte muito bem fundidas.

        quanto ao mapa é engraçado, mas ia dar confusão, os galegos são problemáticos.

        agora não te percebo, primeiro bradas a independência da Galiza, a seguir já a incorporas em Portugal, como ficamos, afinal o que é que V.Exª quer para estes tristes do noroeste peninsular???

        olhando para o texto com atenção, esse Rui Martins não percebe patavina de História e sobretudo é um graxista para agradar aos boletineiros desse autêntico Clube de “Nacionalistas” Mortos chamado AGAL!!!
        😀 😀 😀

        • Andam por ai uns nomes que me dizem qualquer coisa, mas nao me vem nada de substancial ‘a memoria…
          O que digo ‘e que os galegos devem ter liberdade para decidirem dos seus destinos. Se deciderem sair de Espanha, e juntarem-se a Portugal, tanto melhor. Se decidirem formar um novo pais, com o norte de Portugal, apenas, estou radicalemente contra.

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