Daily Archives: 2011/01/29

Balanço sobre o atávico (?) atraso de Portugal

António Cândido Franco

António Cândido Franco

“…as terríveis e descabeladas imperfeições do presente, como a monopolização viciosa da vida política portuguesa pelos partidos, ou a curta visão geopolítica dos que nos governam, ou ainda a escandalosa falta de distribuição de riqueza, têm todas as condições para ser ultrapassadas dentro do ideário republicano”
António Cândido Franco
Revista Nova Águia
Número 6

Terão, decerto, e prova disso mesmo nos é dada pelo exemplo das outras repúblicas europeias que nestes cem anos continuam a serem mais desenvolvidas, do ponto de vista económico, social, cultural e científico que nós… O mal não reside na questão do regime. O atraso atávico (e fatal?) de Portugal não assenta numa opção errada ou certa em Monarquia ou República… é de facto irrelevante se quem se senta no mais alto assento da nação se auto-intitula “Rei” ou “Presidente”, como escrevia Alexandre Herculano… Um mau Rei pode sempre ser legalmente deposto e um mau Presidente pode sempre perder eleições… um Rei competente (ainda que destituído de Poder Político explícito) pode motivar ao progresso de um Estado e um Presidente (com tantos poderes como “a rainha de Inglaterra”) pode também pela via do Exemplo e das intervenções públicas contidas e cirúrgicas no seu conteúdo e precisão ultrapassar em muito a influência teórica das suas funções presidenciais… assim o queira fazer, o que não tem sido o caso com Cavaco Silva, deve dizer-se…

O grande tumor do regime, não é efetivamente a sua forma… é a sua apropriação por uma clique de famílias que desde finais do século XVIII controlam efetivamente o país, repartindo o poder político e económico entre si e a uma camada subalterna de sabujos e lacaios. Ao longo destes últimos 3 séculos e meio mudaram de forma e nome várias vezes, mas mantiveram sempre a pureza do seu sangue casando entre si, mantendo as fortunas em mãos próprias e disponíveis para alavancar a ascensão de representantes seus ao Poder e criando estruturas e mecanismos que lhes permitiam manter-se no Poder, alternando a sua posse explícita entre Famílias, de forma a induzir as massas sobre a ilusão da existência de uma “alternância” ou “rotativismo”…

É devido ao Império e ao Sequestro da Res Publica promovido, orquestrado e exercido por estas Famílias que Portugal segue sendo, hoje, ao fim de mais de cem anos de República, ainda um dos países mais desiguais da Europa, onde a chocante exibição de riqueza e luxo mais coexiste com salários de miséria, desemprego crónico e pobreza infantil. Hoje, como em todas as crises económicas dos ultimos cem anos, os Ricos continuam a não serem afetados, nem fiscalmente (o Estado que eles dominam, não quer criar mecanismos que criem Justiça Fiscal), nem economicamente… mas a cada crise, são diminuídos os direitos das camadas inferiores desta pirâmide social e os níveis de controlo são fortalecidos… ontem usavam a Inquisição, depois a PIDE e a Censura… Hoje usam o controlo total dos Media e das “empresas de sondagem” para preservarem o seu monopólio…

A esta cáfila de parasitas que se desenvolve em, talvez, pouco mais de 400 famílias portuguesas (muitas deles com nomes estrangeiros) não tem uma visão estratégica ou de Futuro para o país. Se Portugal não tem rumo definido, tal deve-se ao facto desta sua “elite” ter escolhido não o ter desde meados do século XVIII. Aos nossos “senhores” interessa apenas manter o Status Quo, um equilíbrio podre mas conveniente que os mantêm no topo da pirâmide ecológica e transforma a grande mole dos portugueses em escravos dóceis e passivos, pela via da religião, da repressão ou – mais modernamente – da injeção de doses massivas de imbecilidade e passividade pela televisão, pelo seu controlo total dos Media e pela disponibilização de meios de alienação mental muito eficazes como o Futebol ou o Medo (do desemprego, da fome, da miséria, etc).

Cândido Franco acredita que esta “ditadura dos 400” pode ser vencida dentro do sistema republicano… nós também. Mas ansiamos em ver sinais do fim deste sequestro da República por esta grande “famiglia”… e queremos antevê-los em certos fenómenos recentes, como a aparição de uma candidatura presidencial realmente independente da partidocracia, a de Fernando Nobre e a Petição em prol de uma verdadeira democracia representativa.

Categories: História, Política Nacional, Portugal | 2 comentários

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