Há algo que a Europa não compreendeu. Estes ataques especulativos à Grécia, à Irlanda e a Portugal, não são ataques aos “países periféricos”, são ataques ao Euro

Depois da Grécia, agora a Irlanda foi obrigada pelos seus “parceiros” europeus a pedir ajuda ao Fundo Europeu e ao FMI… No caso irlandês, esta ajuda servirá essencialmente para salvar os seus Bancos que se deixaram envolver na espiral especulativa imobiliária norte-americana, na mira dos lucros fáceis e rápidos. Perante um setor bancário tecnicamente falido, o governo irlandês tinha duas opções: ou assumia todos os depósitos e pagavam aos depositantes ou recapitalizava a Banca, salvando os seus gestores e proprietários. Como o resto do mundo, optou pelo “Bail out”, assumindo assim um défice orçamental monstruoso e incomportável num Estado que sempre exibiu os baixos impostos como argumento decisivo para atrair investimento estrangeiro.

Assim, o setor financeiro que desde 2008 arrastou o globo para a maior recessão desde 2008, continua a receber “bail outs” sucessivos, salvando gestores e banqueiros incompetentes ou ávidos dos seus próprios erros. De salvação em salvação, nada de fundamental mudou no sistema financeiro mundial, já que os “bail outs” não obrigam a Banca a mudar nada na sua conduta e atitude social, dando-lhes bem pelo contrário, a certeza que em futuras asneiras, os Estados estarão sempre disponíveis para salvar os banqueiros.

Mas há algo que a Europa nao compreendeu. Estes ataques especulativos à Grécia, à Irlanda e a Portugal, não ataques aos “países periféricos”, são ataques ao Euro. E a resposta convencional de levar os países atacados a pedirem ajuda ao FMI e ao Fundo de Emergência não podem ser a solução. Desde logo, porque os juros cobrados pelos mercados às dívidas grega e irlandesa nao se alteraram substancialmente depois da intervenção europeia, e depois porque perante a falha desta “solução”, Bélgica, Itália, Espanha e até França, estão também na mira dos especuladores. E não há dinheiro bastante na Europa para salvar economias com a escala da França ou Espanha… a solução tem que ser, portanto, radicalmente diversa.

Estas tentativas de resposta aos especuladores têm ademais uma outra consequência: a disseminação de recessões Europa fora devido aos orçamentos recessivos que são impostos como forma de devolver “confiança” aos especuladores.

A solução não está portanto nem em orçamentos recessivos nem em ajudas do FMI. a solução só pode estar na libertação desta doentia dependência dos Especuladores (sobretudo Bancos) quanto ao financiamento dos governos europeus a juros cada vez mais exorbitantes e injustificados. Há que deixar o BCE emprestar diretamente aos Governos, regular fortemente o setor financeiro, vigiar os Off Shores ou encerrá-los mesmo e devolver à Europa que décadas de Dumping chinês lhe retiraram.

Fonte:
http://aeiou.expresso.pt/robin-hood-de-pernas-para-o-ar=f616848

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Categories: Economia, Política Internacional | Etiquetas: | 13 comentários

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13 thoughts on “Há algo que a Europa não compreendeu. Estes ataques especulativos à Grécia, à Irlanda e a Portugal, não são ataques aos “países periféricos”, são ataques ao Euro

  1. LuisM

    De relembrar que nas vésperas deste mesmo ataque ao Euro, a Rússia e a China preparavam-se para abandonar o Dolar nas transações comerciais e optar pela divisa SDR, direitos especiais de saque. O valor do SDR é indexado num cabaz de moedas em que o Dolar joga mais ou menos nas mesmas proporções que moedas como o Euro ou a Libra Esterlina.

    Se voltarmos a 1990 poderemos ver o que aconteceu ao país que na altura ameaçou abandonar o Dolar como moeda de câmbio e transação, entre outras razões.

    Quando estourou esta crise em 2007 indignou-me particularmente e ainda continua a indignar, os europeus não terem feito a pergunta mais que óbvia:

    ” O QUE É QUE PODEMOS FAZER PARA NOS TORNARMOS INDEPENDENTES OU MENOS DEPENDENTES DO SISTEMA ECONÓMICO-FINANCEIRO DOS ESTADOS UNIDOS??? “

    • Otus scops

      LuisM

      “O QUE É QUE PODEMOS FAZER PARA NOS TORNARMOS INDEPENDENTES OU MENOS DEPENDENTES DO SISTEMA ECONÓMICO-FINANCEIRO DOS ESTADOS UNIDOS???”
      DAR UM TIRO NOS CORNOS DESSE DURÃO BARROSO E À COMISSÃO, C******!!!! D:<

      • LuisM

        Caríssimo

        Deixe lá o homem viver.

        Era muito mais importante recambiar os patrões dele para o respectivo continente e o castigo seria o mesmo que as políticas que defende andam a criar:

        Ficar no desemprego!

      • Otus scops

        LuisM

        não acredito que ele alguma vez fique desempregado o que isso o afectasse muito, atendendo ao que já “meteu aos bolso”.
        mas sou capaz de acreditar que os neocons o acolhiam como forma de agradecimento e reconhecimento…

        então este tipo não devia ter iniciado um processo de reforma profundo do sistema financeiro europeu, fazendo sair um Directiva Comunitária a aplicar em todos os bancos centrais para colocar um trela e um açaime neste modelo de banca que temos???
        como fizeram os suíços!

  2. LuisM

    E a mina pergunta que coloco:

    “O QUE É QUE POSSO FAZER PARA EVITAR A MALDITA CAIXA DE SPAM DO QUINTUS? ”

    :S

    • Otus scops

      “O QUE É QUE POSSO FAZER PARA EVITAR A MALDITA CAIXA DE SPAM DO QUINTUS? ”
      nada… ou fazer F5 de tempos a tempos.

  3. Odin

    “ o setor financeiro que desde 2008 arrastou o globo para a maior recessão desde 2008, continua a receber “bail outs” sucessivos, salvando gestores e banqueiros incompetentes ou ávidos dos seus próprios erros. De salvação em salvação, nada de fundamental mudou no sistema financeiro mundial, já que os “bail outs” não obrigam a Banca a mudar nada na sua conduta e atitude social, dando-lhes bem pelo contrário, a certeza que em futuras asneiras, os Estados estarão sempre disponíveis para salvar os banqueiros.”
    Mas os banqueiros são os “donos” dos políticos democraticamente eleitos. E a história é cíclica.

    “Mas há algo que a Europa não compreendeu. Estes ataques especulativos à Grécia, à Irlanda e a Portugal, não são ataques aos “países periféricos”, são ataques ao Euro. E a resposta convencional de levar os países atacados a pedirem ajuda ao FMI e ao Fundo de Emergência não podem ser a solução. Desde logo, porque os juros cobrados pelos mercados às dívidas grega e irlandesa não se alteraram substancialmente depois da intervenção européia, e depois porque perante a falha desta “solução”, Bélgica, Itália, Espanha e até França, estão também na mira dos especuladores. E não há dinheiro bastante na Europa para salvar economias com a escala da França ou Espanha… a solução tem que ser, portanto, radicalmente diversa.”
    A solução será encontrada se o modelo de capitalismo que hoje vigora for revisto mundialmente. Até a França e a Bélgica? Se deixarem os especuladores fazerem o que quiserem, verão a volta do comunismo e do fascismo no mundo.

    http://www1.folha.uol.com.br/mundo/855145-russos-lamentam-o-fim-da-urss-e-sonham-com-a-volta-dos-dias-de-protagonismo-politico.shtml

    Apesar da reportagem, não será obrigatoriamente na Rússia, poderá ser noutro país o “cérebro mundial” de um “neocomunismo”. Igualmente um “neofascismo” não será obrigatoriamente na Itália ou Alemanha, pode ser noutro país. Mas os regimes totalitários poderão voltar, se a especulação financeira continuar livremente.

    • Otus scops

      excelente artigo este.
      explica quase tudo de forma explícita e coloca questões bem pertinentes!

      (o link é que está trocado para outro assunto, igualmente funesto, mesmo bem funesto – os russos!)

    • Odin

      Otus Scops

      Eu faço críticas ao capitalismo financeiro/consumista porque é um sistema que engana as pessoas e, as faz consumirem muito e muitas vezes consumo desnecessário, através de créditos. Mas, eu entendo que o ser humano tem a necessidade de ter um patrimônio liquido farto, paralelo ao Estado social. A hierarquia de necessidades de Maslow, com quem eu concordo, só são preenchidas por quem consegue ter, no nosso caso R$, e no vosso caso €, em abundância. Mas o sistema consumista cria necessidades de consumo irreais. Se as pessoas só gastam, nunca acumulam e ficam sempre endividadas. Sou defensor do capitalismo produtivo. Por exemplo, você se enriquece de forma justa, se torna um milionário ou até um multimilionário vendendo às pessoas produtos ou serviços, ou ambos, que realmente tenham alto valor para elas no quotidiano, sem lhes destruir a vida, não a nada de imoral em você ser rico. O Bill Gates criou uma tecnologia que transformou a vida da humanidade para melhor, então é justo que ele seja um magnata. Todo aquele que melhora a vida da coletividade é digno de ser um multimilionário. Agora, especuladores na bolsa que só pensam em si mesmos, que não produzem nada de útil não só à humanidade como às outras as formas de vida existentes, egoístas e parasitas, que não medem as consequências do que fazem, querem lucro acima de tudo e de todos, esses o Estado devia interferir para bloqueá-los. Posso estar errado, mas entendo que dar-lhes a liberdade de especular é nocivo a maioria e, devia ser pelo menos infração, não digo crime. Há um consumo básico que toda pessoa tem. Mas há consumos desnecessários que as pessoas não precisam mas são incutidas para consumir.

      • Otus scops

        Odin

        algures no teu (excelente) comentário escreveste “Posso estar errado…” e isso é que está errado!
        😉

        gostei muito!

  4. LuisM não acredito que ele alguma vez fique desempregado o que isso o afectasse muito, atendendo ao que já “meteu aos bolso”. mas sou capaz de acreditar que os neocons o acolhiam como forma de agradecimento e reconhecimento… então este tipo não devia ter iniciado um processo de reforma profundo do sistema financeiro europeu, fazendo sair um Directiva Comunitária a aplicar em todos os bancos centrais para colocar um trela e um açaime neste modelo de banca que temos??? como fizeram os suíços!

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