Daily Archives: 2011/01/08

Há algo que a Europa não compreendeu. Estes ataques especulativos à Grécia, à Irlanda e a Portugal, não são ataques aos “países periféricos”, são ataques ao Euro

Depois da Grécia, agora a Irlanda foi obrigada pelos seus “parceiros” europeus a pedir ajuda ao Fundo Europeu e ao FMI… No caso irlandês, esta ajuda servirá essencialmente para salvar os seus Bancos que se deixaram envolver na espiral especulativa imobiliária norte-americana, na mira dos lucros fáceis e rápidos. Perante um setor bancário tecnicamente falido, o governo irlandês tinha duas opções: ou assumia todos os depósitos e pagavam aos depositantes ou recapitalizava a Banca, salvando os seus gestores e proprietários. Como o resto do mundo, optou pelo “Bail out”, assumindo assim um défice orçamental monstruoso e incomportável num Estado que sempre exibiu os baixos impostos como argumento decisivo para atrair investimento estrangeiro.

Assim, o setor financeiro que desde 2008 arrastou o globo para a maior recessão desde 2008, continua a receber “bail outs” sucessivos, salvando gestores e banqueiros incompetentes ou ávidos dos seus próprios erros. De salvação em salvação, nada de fundamental mudou no sistema financeiro mundial, já que os “bail outs” não obrigam a Banca a mudar nada na sua conduta e atitude social, dando-lhes bem pelo contrário, a certeza que em futuras asneiras, os Estados estarão sempre disponíveis para salvar os banqueiros.

Mas há algo que a Europa nao compreendeu. Estes ataques especulativos à Grécia, à Irlanda e a Portugal, não ataques aos “países periféricos”, são ataques ao Euro. E a resposta convencional de levar os países atacados a pedirem ajuda ao FMI e ao Fundo de Emergência não podem ser a solução. Desde logo, porque os juros cobrados pelos mercados às dívidas grega e irlandesa nao se alteraram substancialmente depois da intervenção europeia, e depois porque perante a falha desta “solução”, Bélgica, Itália, Espanha e até França, estão também na mira dos especuladores. E não há dinheiro bastante na Europa para salvar economias com a escala da França ou Espanha… a solução tem que ser, portanto, radicalmente diversa.

Estas tentativas de resposta aos especuladores têm ademais uma outra consequência: a disseminação de recessões Europa fora devido aos orçamentos recessivos que são impostos como forma de devolver “confiança” aos especuladores.

A solução não está portanto nem em orçamentos recessivos nem em ajudas do FMI. a solução só pode estar na libertação desta doentia dependência dos Especuladores (sobretudo Bancos) quanto ao financiamento dos governos europeus a juros cada vez mais exorbitantes e injustificados. Há que deixar o BCE emprestar diretamente aos Governos, regular fortemente o setor financeiro, vigiar os Off Shores ou encerrá-los mesmo e devolver à Europa que décadas de Dumping chinês lhe retiraram.

Fonte:
http://aeiou.expresso.pt/robin-hood-de-pernas-para-o-ar=f616848

Categories: Economia, Política Internacional | Etiquetas: | 13 comentários

Lições a tirar do atual vigor da economia da Alemanha

Se existe coisa que espanta muitos economistas é a força da economia alemã que em 2010 foi capaz de ultrapassar em crescimento todas as grandes economias do mundo, incluindo – até – a dinâmica economia norte-americana. É certo que a Alemanha não é a única economia do mundo que se está a sair bem no meio de um ano que foi muito mau para muitos países do globo e especialmente para os países do sul da Europa, como Portugal, para os EUA e para a Irlanda.

Estas diferenças de desempenho merecem uma análise e pode indicar a um país como Portugal possíveis vias de saída da crise.

Em primeiro lugar, esta crise veio encontrar a Alemanha já fora do seu grande desafio económico deste século: a absorção da Alemanha de Leste, feita na época de uma forma que se haveria depois de revelar desastrosa e que passou pela equiparação da moeda do Leste ao marco federal. Tal opção (política) iria sobrevalorizar o custo do trabalho a Leste e criar distorções que ainda hoje estão por sanar. Mas a partir de 2005, os subsídios federais ao Leste começaram a diminuir e a integração dos dois Estado alcançou um novo patamar.

O modelo económico alemão é duradouro e o seu bom desempenho foi apenas afetado recentemente pelos custos da integração do Leste. Sinteticamente pode resumir-se a:
1. Custos de trabalho elevados
2. Educação e Treinamento muito importantes, com grande importância social para os cursos de Engenharia e baixa importância social para os cursos mais “financeiros”.
3. O setor financeiro tem pouco peso no sistema económico alemão.
4. As empresas alemãs são em média pequenas e antigas. Os seus proprietários são poderosos dentro da empresa e impedem os gestores de acometerem aventuras muito arriscadas
5. A maior parte da economia alemã não é rápida ou muito inovadora, mas logo que uma dada tecnologia amadurece a Alemanha torna-se um ator mundial no domínio da mesma, fabricando produtos que a utilizam com grande qualidade e a preços competitivos.
6. O modelo chinês de Capitalismo pode ter assegurado impressionantes números de crescimento do PIB mas a China continua sendo um país onde a riqueza é distribuída de forma muito desigual e não é certo que esta panela social se mantenha por explodir durante muito tempo… Bem pelo contrário, a Alemanha é um dos países do mundo onde a desigualdade de rendimentos é menor, criando assim uma camada social de consumidores influentes e com poder de compra e que amortecem todos os embates internacionais resultantes da natural quebra de consumos em época de crise mundial.
7. A Alemanha não optou pelos “pacotes de estímulo” de biliões de dólares dos EUA, França e Reino Unido. Assim, manteve a sua Dívida externa controlada e a política monetária conservadora determinada pelo BCE (que controla) manteve o Euro alto e estável e reduziu os riscos inflacionistas ao mínimo.

Esta abordagem alemã ao “capitalismo” deve fazer-nos pensar: desde logo porque mostra que é possível construir uma prosperidade sólida e duradoura com bases industriais e produtivas e que economias de Serviços e muito financeirizadas (como a dos EUA ou a do Reino Unido). A possibilidade de manter salários elevados e competitividade internacional é também altamente relevante porque mostra que através de uma aposta na Educação de qualidade é possível vencer a batalha dos “preços baixos” imposta pela China. O sucesso atual do modelo alemão mostra enfim que a raiz do sucesso para um país moderno não está na sua tercialização mas no reforço do seu setor produtivo… uma lição que aqueles que ordenaram o abandono dos nossos campos e o abate da nossa frota pesqueira nunca conseguirão compreender.

Fonte:
http://atimes.com/atimes/Global_Economy/LL03Dj02.html

Categories: Economia, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | Etiquetas: | 3 comentários

Submarinos ou Despesas Sociais? Esta alternativa deve realmente ser colocada?

“(…) não faz nenhum sentido colocar a compra dos submarinos em alternativa às despesas sociais, como repetidamente se tem feito. (…) “Seguindo essa lógica, enquanto houvesse em Portugal uma pessoa com fome não poderia investir-se em mais nada: nem na Defesa, nem na Cultura, nem no Desporto, nem na Ciência, nem em coisa nenhuma.”
(…)
“As nossas águas territoriais e a zona económica exclusiva são dos poucos anéis que restaram ao país – depois da independência das ex-colónias. (…) Mas como poderemos justificar internacionalmente essa soberania se não tivermos meios para a defender?”
José António Saraiva
Sol 23 de dezembro de 2010

Como saberão aqueles que mais de perto vão seguindo o que escrevo no Quintus nunca fui um defensor na aposta nos Submarinos. Não que não reconheça a essa arma naval a sua utilidade como dissuasor, mas porque sendo um meio dispendioso na aquisição e na manutenção nas deveria ser prioritário em relação a meios navais de superfície mais capacitados para funções de vigilância, soberania e no decurso de missões de Paz: fragatas e corvetas. Em vez de dois caros (e provavelmente nunca totalmente operacionais…) submarinos ultramodernos, pelo mesmo custo e com maior facilidade em realizar a montagem final nos Estaleiros nacionais (por exemplo, em Viana do Castelo) do que com os submarinos, que foram completamente construídos na Alemanha.

A opção pelos Submarinos (que data do tempo de António Guterres) foi errada. Errada porque foi dada como prioritária quando meios ligeiros e médios de superfície seriam mais importantes. A opção foi errada, mas a opção pelo Mar foi correta. Há que cessar com a demagogia que pretende trocar o investimento nos Submarinos por Despesas Sociais. Não haverá Sociedade para defender se deixarmos o extenso e potencialmente muito rico Mar Português abandonado e à mercê dos vorazes tubarões internacionais que já percorrem com os seus Arrastões as nossas águas. Os recursos minerais do solo marinho serão num futuro próximo cada vez mais desejados pelas grandes potencias… e o Mar será a derradeira oportunidade que nos resta, perdidos os anéis e os dedos do Império e esgotada a falsa “generosidade” europeia (a troco do abate da frota e do arranque da vinha).

Não troquemos assim Submarinos por Despesas Sociais ou de outro tipo. Troquemos-los por navios médios, construídos em Portugal e desenvolvidos em regime de parceria com outras nações lusófonas com necessidades idênticas às nossas e defendamos o que é nosso: o Mar. Ou rapidamente, outros ocuparão o nosso lugar…

Categories: DefenseNewsPt, Defesa Nacional, Política Nacional, Portugal | 22 comentários

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