Daily Archives: 2010/12/26

José Lello: Sobre Angela Merkel e as Presidenciais

Entrevista a José Lello
Jornal Sol de 3 de dezembro de 2010

José Lello (http://www.portugalpost.de)
José Lello (www.portugalpost.de)

“Ela (Angela Merkel) olha muito para as questões internas, falta-lhe a visão estratégica que tinha um chanceler Khol. Até porque a Alemanha é a grande beneficiária do euro: com o espaço da zona euro, as exportações francesas cresceram 5%, as espanholas 10%, as alemãs 29%. São os grandes beneficiários e também serão os grandes perdedores em caso de default.”

> Merkel nas passa de um catavento sem imaginação. Ela lê as sondagens que dizem que mais de metade dos alemães preferiam abandonar o Euro (matando-o no processo) e regressarem ao Marco para – em momento pré-eleitoral – procurar cativar votos. Esta visão de curto prazo, castrada e castrante, expõe com clareza a falta de amplitude mental dos atuais “líderes” europeus. Incapazes de perspetivarem para além do limitado horizonte das eleições seguintes, esta Europa definha, malbarata o seu Capital mental angariado durante décadas e caminha a passos largos para o abismo da extinção.

“Cavaco Silva prometeu uma magistratura activa para um próximo mandato. Como é que entende esta expressão?
São palavras. Não estou a vê-lo numa muito activa. Um indivíduo que, quando lhe anunciam o apoio do Eng. Belmiro de Azevedo, a única coisa que diz é que diz é “vou almoçar; tenho muito apetite”… Não estou a vê-lo com grande capacidade de elaboração de teoria política para poder vir a ser muito activo. Acho que vai cumprindo com a formalidade requerida a sua função, mas sem criar nenhum entusiasmo.”

> Precisamente quando Portugal mais precisava de um Presidente Vivo, Ativo e Interveniente eis que o Abstencionismo nos deixou um gestor de Silêncios e Tabus. Um presidente com “p” pequeno que deixa no rosto um sorriso pífio enquanto um presidente estrangeiro derrama a sua arrogância sobre Portugal. Um presidente que consegue o feito de desaparecer durante semanas seguidas, como se se tivesse eclipsado. Um presidente inculto, incapaz de redigir os seus próprios discursos e que confia cegamente na sua numerosa legião de assessores para o aconselharem sobre todas as suas intervenções públicas. Cavaco não foi e não será nunca um Presidente interventivo, simplesmente porque isso não lhe está no temperamento. Pode tentar vender agora essa imagem “comercial”, mas é uma imagem fabricada pelas empresas de

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Renato Epifânio: “Portugal será lusófono ou não será, isso não significa que, para ser lusófono, tenha que deixar de ser europeu…”

“Portugal será lusófono ou não será, isso não significa que, para ser lusófono, tenha que deixar de ser europeu… A Europa será a Europa dos Povos e das Pátrias ou não será.”
A Via Lusófona
Renato Epifânio

Não temos que renegar a nossa condição de europeus para afirmar a condição de lusófonos, de facto, já que ambas correspondem a dois níveis de identificação comunitária completamente diversos. A condição europeia advém da própria evidência geográfica e da contingência histórica enquanto que a lusófona é muito mais matricial e fundadora. De facto, se – como sonha Saramago – algum azar da natureza nos separasse da Europa e nos largasse em meio do Atlântico, pouco nos adviria dessa separação, porque o fenómeno da integração europeia nunca se afirmou nas realidades culturais profundas de Portugal nem nunca quis transformar-se numa alma nacional, capaz de concorrer ou substituir as almas nacionais dos povos que formam a União Europeia. Não há assim uma verdadeira concorrência entre identidade europeia e identidade lusófona. A primeira é superficial, contingente e interesseira. A segunda está radicada profundamente na realidade viva mais forte e matricial a qualquer Cultura: a Língua. Ambas podem coexistir, como o azeite e a água podem coexistir numa vasilha. Mas nunca se podem misturar, precisamente porque pertencem a níveis de realidade completamente diferentes.

Categories: Lusofonia, Movimento Internacional Lusófono, Política Nacional, Portugal | 15 comentários

“A hipótese de a Espanha – tal como a Itália – necessitar de ajuda é um cenário que põe em causa não só o euro como o edifício europeu”

“A hipótese de a Espanha – tal como a Itália – necessitar de ajuda é um cenário que põe em causa não só o euro como o edifício europeu. Itália e Espanha, a terceira e quarta economia da zona euro, têm mais população e um PIB conjunto maior do que a Alemanha. São grandes de mais para ruir.
(…)
A Itália tem uma dívida pública ao nível das maiores do mundo (120%) do PIB, o dobro de Espanha, uma venda de títulos do tesouro fracassada (…), uma economia ameaçada pelos países emergentes (e minada pela máfia) e um Governo instável são ingredientes de um cocktail indigesto.”
(…)
“A Bélgica sede principal das instituições europeias, fustigada por meses de impasse político após as eleições de Junho e por uma dívida pública elevada, está a fazer com que os juros da dívida comecem a disparar.”

Fonte:
Jornal Sol 3 de dezembro de 2010

Quando os grandes teóricos da Globalização se batiam pela supressão de todas as barreiras alfandegárias, lá na já longínqua década de 90, não anteviam o desfecho dos movimentos tremendos que punham em marcha. A Europa tinha então o invejável estatuto de “fábrica do mundo” e de “maior economia do globo”. Mas ao aceitar que as multinacionais sem rosto nem pátria deixassem de estar submetidas às barreiras nacionais e que encerrassem as suas fábricas em massa, deslocalizando-as em massa criaram a base da situação que hoje arrasta todo o continente para um buraco profundo da recessão longa onde hoje estamos a entrar.

Durante quase 20 anos foi possível iludir esta evaporação do tecido produtivo através da injeção de liquidez massiva e de crédito barato. Mas isto não poderia durar eternamente, porque existem limites máximos ao endividamento que as famílias, empresas e Estados conseguem suportar. E estes já foram ultrapassados há muito pela maior parte dos países europeus. O problema da “dívida soberana” não é um problema único dos “países periféricos”, é de toda uma Europa que se aceitou desindustrializar, tercializar e perder independência económica a favor dos interesses dos financeiros e especuladores. Não é Portugal que está em crise. É toda uma Europa de modelo tercializado, cronicamente dependente do Crédito e do Hiperconsumismo e que deixou que o setor financeiro sobrepusesse todos os demais.

Esta é a Europa que está hoje em imparável implosão, destituída da imaginação e vontade para se renovar num movimento acelerado descendente que o colapso de países “irrecuperáveis” por qualquer “fundo europeu” como a Espanha ou Itália vai inevitavelmente desencadear.

Vivemos uma época histórica, única como nenhuma e que prenunciar uma terrível sucessão de horrores. Aguardemos portanto o Pior que deixámos todos fermentar pela nossa incúria, inacção ou incapacidade.

Categories: Economia, Política Internacional | 28 comentários

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