A solução de Afonso de Albuquerque à falta crónica de meios humanos e financeiros no Oriente Português

Afonso de Albuquerque (http://mises.org)
Afonso de Albuquerque (http://mises.org)

“Ao Governador (Afonso de Albuquerque) colocava-se um problema, o da falta de efetivos. Com efeito, em resultado do aumento em profundidade e em extensão do que mais tarde convencionou chamar-se o “Estado Português da Índia”, agravou-se a já tradicional carência de homens de armas portugueses, fenómeno que contribuiu para uma crescente utilização de elementos locais nas mais variadas funções.
(…)
Contratadas, num primeiro momento, para servirem sobretudo nas armadas, onde eram elementos preciosos pelos seus conhecimentos sobre as táticas militares navais utilizadas no Oriente, em especial para a chamada “guerra de esteiro”, praticada próximo da costa e nos rios, recebiam da Coroa Portuguesa uma soldada. Ao contrário do que sucedia com os portugueses, essas tropas, nos primeiros anos, apenas recebiam a sua remuneração enquanto andassem embarcadas, sendo o pagamento feito sobretudo em géneros (tecidos ou alimentos, em especial o arroz). Às tropas gentias coube, desde o início, a defesa de Goa, tendo os seus passos sido providos com “peões da terra”, capitaneados por portugueses.”
Vítor Luís Gaspar Rodrigues

Este foi o cenário global que melhor carateriza a origem dos efetivos militares que, primeiro, conquistaram as dezenas de praças que Portugal tomou no Oriente e que, depois, as defenderam até meados do século XX: tropas indígenas enquadradas por oficiais e comandos europeus. Sem o recurso massivo a forças locais nunca poderia ter existido “Império Português do Oriente” essa entidade tão original no contexto do colonialismo europeu quer pela sua durabilidade, quer pelo tipo de autonomia e participação de elementos locais que caraterizou a presença portuguesa no Oriente e que deixou raízes bem profundas até hoje em paragens tão distantes como Goa, Moçambique, Malaca, Macau ou Timor.

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Categories: História, Lusofonia, Os Descobrimentos Portugueses, Portugal | 4 comentários

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4 thoughts on “A solução de Afonso de Albuquerque à falta crónica de meios humanos e financeiros no Oriente Português

  1. Maria da Conceiçao Miranda

    Muito interessante! Afonso de Albuquerque foi um homem de visão e empenhado em governar bem. É pena que atualmente não exista vontade.

  2. exato, Maria: Imaginação e falta de preconceitos, foi o que definiu melhor a presença portuguesa no Oriente… e a melhor explicação para ainda hoje existir quem fale português em Malaca ou quem tenha apelidos lusos no Sri Lanka. Onde estão os testemunhos correspondentes dos posteriores ocupantes ingleses e holandeses?

  3. Afonso de Albuquerque estabeleceu uma máxima e que ainda hoje é aproveitada pela maior marinha do mundo, a dos EUA e que era actuar primeiro e perguntar depois, pouca gente sabe mas de facto os americanos aprenderam com os melhores da história nos vários ramos das forças armadas, e no capítulo da marinhagem aprenderam mais com o modus operanti dos portugueses do que curiosamente com os ingleses e o expoente máximo foi de facto Afonso de Albuquerque, um génio na arte de guerra militar.
    Creio que falta recuperar esse espírito de Albuquerque, fazer primeiro e depois dar satisfações ao mundo ou à Europa.
    Ainda hoje na índia portuguesa se pede o regresso do espírito de Afonso de Albuquerque, o vice-rei das índias.

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