Lições a tirar da Crise Irlandesa

Apesar das rápidas, radicais e decisivas medidas decididas pelo governo irlandês, este país continua a estar no top mundial de países com risco de incumprimento. Os sucessivos orçamentos e pacotes recessivos insistem em não acalmar os nervosos mercados financeiros quanto à segurança da dívida pública irlandesa.

As notações da dívida irlandesa não param de cair, tendo descido de A- para BBB+, ou seja a apenas três degraus do “lixo” onde está atualmente a cotação grega. Isto deveria dizer aos irlandeses e aos europeus em geral que a “receita” clássica de lançar pacotes de contenção da despesa e orçamentos recessivos simplesmente não só não “acalma” os mercados, como não faz mais do que criar recessões. Os juros de 5,8% dos empréstimos do FMI e do Fundo de Emergência europeu são também demasiado elevados em momento de crise e acabarão por revelar-se mais parte do problema do que da solução…

As opções ao dispor dos Estados devem assim ser repensadas. Reembolsar por inteiro todos os credores dos Bancos falidos foi manifestamente um erro, no caso irlandês. E a opção islandesa, de recusar pagar aos investidores estrangeiros parece ter sido – a prazo – mais adequada, já que permitiu anular muito do “lixo tóxico” que contaminava o setor financeiro da ilha nórdica e transferiram o Risco para quem o devia assumir: os Investidores e não o Estado.

Mais lições devem ser tiradas da crise irlandesa: nunca um sistema bancário pode ser deixado livre ao ponto de possuir ativos ao nível dos 900% do PIB que foram registados em 2009, o que criou um buraco monumental e ficou o Banco Central Irlandês a injetar na sua Banca um valor superior a todo o PIB do país num único ano.

A crise irlandesa recorda-nos que a regulação bancária deve ser muito mais vigilante e atuante do que tem sido na Europa, que os Bancos falidos devem ser deixados falir e que uma economia não pode fazer assentar o seu crescimento na especulação financeira e através de uma dívida externa crescente e completamente insustentável para o crescimento da economia real e das exportações. Lições a tirar por todos os países europeus. E especialmente por Portugal de forma a não somar todos os seus problemas o problema da Bolha bancária que assolou de forma tão intensa estas duas ilhas do Atlântico.

Fonte:
http://aeiou.expresso.pt/crise-do-tigre-celta-nao-acalma=f620657

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Categories: Economia, Política Internacional | Etiquetas: , | 34 comentários

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34 thoughts on “Lições a tirar da Crise Irlandesa

    • Odin

      Ortodoxia vs. Heterodoxia – Os casos de Irlanda e Islândia

      Autor: Paul Krugman
      Interessante post do Krugman sobre Ortodoxia e Heterodoxia, comparando as situações de Irlanda e Islândia. Não precisa nem falar que, vindo do Krugman, a heterodoxia sempre vence no final. E é a realidade.

      Países de gelo e ira
      24 de novembro de 2010 | 17h33

      Paul Krugman

      No início de 2009, declarações como a seguinte eram consideradas peças de humor negro e autoironia:

      Qual é a diferença entre Islândia e Irlanda?

      Resposta: Duas letras, um acento e cerca de seis meses.

      Quase dois anos depois, a ironia se voltou contra os piadistas de outrora: apesar da irresponsabilidade épica demonstrada por seus banqueiros, numa escala que faz os banqueiros irlandeses parecerem Jimmy Stewart, no momento atual a situação na Islândia é na verdade um pouco melhor do que na Irlanda.

      Já faz algum tempo que escrevi sobre a surpreendente resiliência da Islândia. Desde então, a Irlanda apresentou um pequeno crescimento, enquanto a Islândia sofreu um modesto retrocesso no primeiro semestre de 2010 (em parte graças ao episódio do vulcão). Recorrendo aos dados da Eurostat, temos agora o seguinte:
      Um desempenho um pouco pior (ainda dentro da margem de erro estatística) no PIB da Islândia, mas um desempenho muito menos desanimador na questão do emprego. E nem me perguntem sobre os revoltantes casos de Letônia e Estônia.

      O mais recente relatório do FMI a respeito da Islândia é bem mais elogioso:

      Sob o programa de recuperação, a recessão da Islândia tem sido menos profunda do que o esperado, e não foi pior do que em países atingidos de modo mais brando. Ao mesmo tempo, a coroa se estabilizou num patamar competitivo, a inflação recuou de 18% para 5%, e o spread de risco de CDS recuou de 1.000 para cerca de 300 pontos-base. Os déficits em conta corrente foram reduzidos, e as reservas de moeda estrangeira puderam se acumular, enquanto concordatas no setor privado levaram a um declínio de mercado na dívida externa, que recuou para aproximadamente 300% do PIB.

      Ah, e enquanto o FMI exige agora que a Irlanda corte os salários mínimos e reduza os benefícios aos desempregados, sua delegação na Islândia elogiou o “foco na preservação do valioso modelo nórdico de bem-estar social neste país”.

      O que está havendo aqui? Em resumo, a Irlanda agiu com ortodoxia e responsabilidade – garantindo o pagamento de todas as suas dívidas, adotando uma austeridade selvagem para tentar arcar com o custo destas garantias e, é claro, permanecendo na zona do euro. A Islândia foi heterodoxa: controle de capitais, ampla desvalorização e muitos casos de dívidas reestruturadas – repare na fantástica frase do FMI no trecho acima, mencionando que “concordatas no setor privado levaram a um declínio de mercado na dívida externa”. Recuperação por meio da falência! Parece brincadeira.

      E adivinhe só: a heterodoxia está funcionando muito melhor do que a ortodoxia.

      http://www.advivo.com.br/blog/droubi/ortodoxia-vs-heterodoxia-os-casos-de-irlanda-e-islandia

      • ora bem… é o que penso: esta obsessão em “salvar” Bancos (e banqueiros) mortos com dinheiros públicos é errada.
        E ainda ninguém ligou realmente ao exemplo islandês… Espanha (mesmo aqui ao lado), por exemplo, devia começar a pensar em reformar o seu sistema financeiro que estará (dizem) 50% morto.

      • Odin

        Ora, se é responsabilidade do Estado salvar os bancos, então que os bancos sejam estatizados. Os banqueiros privados não são capazes de solucionar os seus problemas? Não são capazes de vencer a crise? Cadê a glória do neoliberalismo capitalista? Não era a única opção de desenvolvimento econômico? O Estado não era ruim? Não atrapalhava o mercado ser livre? E agora é o Estado que tem que salvar a iniciativa privada?

        O exemplo islandês talvez tenha sido possível à Islândia devido esta ainda não estar no Euro. Mas quando entrar na UE, eu acho que a Islândia vai seguir o caminho da Dinamarca e da Suécia, ficar com moeda própria. Não sei.

        Agora o FMI é ridículo. A Irlanda segue as suas regras e ainda é um país suspeito. A Islândia tem personalidade forte, toma iniciativas segundo sua visão de economia, foge totalmente as regras do FMI e é elogiada por este. Que raio de fundo monetário é esse?

    • Odin

      China disponível para emprestar cinco mil milhões a Portugal

      http://dn.sapo.pt/inicio/tv/interior.aspx?content_id=1740632&seccao=Media

  1. a troca de que concessões?…
    ainda que seja este Mercado um dos dos mais alimenta este crescimento chinês, de facto…

    • Odin

      “a troca de que concessões
      Só de imaginar as concessões, dá arrepios.

    • Otus scops

      uff, afinal ainda escreves de “facto” como é correcto…

      • Odin

        O (Des)Acordo Ortográfico não prevê a mudança da palavra “facto” em Portugal. A palavra “fato” em Portugal é o mesmo que “terno” no Brasil, um conjunto de roupas. Já “facto” é pronunciada da mesma forma que escrita, então não será mudada. De igual forma, no Brasil permanecerá sendo escrito “aspecto”, “telespectador”, “dicção”, “recepção” porque no Brasil, os “c” e “p” ainda são pronunciados. Há um grande números de palavras com “c” e “p” que em Portugal não são mais pronunciados, mas no Brasil ainda são. O (des)AO não simplificou o idioma, complicou mais ainda.

      • Otus scops

        Odin

        assim é que é falar: em português que nos entendemos! 😉

        no entanto gostaria de dizer o seguite:
        em Portugal “terno” é alguém que tem ternura.
        ” “aspecto”, “telespectador”, “dicção”, “recepção” porque no Brasil, os “c” e “p” ainda são pronunciados. ” cá também, mas o critério não deve ser fonético mas sim etimológico, daí a minha revolta! se assim fosse os brasileiros podia suprimir os “rr” e os “ll” no final de montes de palavras porque pura e simplesmente não os pronunciam… entre outras coisas.

        hoje a conversa está pouco cordata, linguísticamente falando. 😀

      • facto é uma das exceções…
        excepção, não! 😉
        (e por acaso, discordo…)

      • Otus scops

        CP

        com todo o respeito, a tua opinião ao (des)AO é suspeita. parece-me que o motivo da tua adesão a esta devassa linguística é apenas por motivos de lusofonia.
        podes “cascar-me” forte e feio aqui à frente de todos se estiver errado e se for o caso peço desculpa…
        🙂

  2. O (Des)Acordo Ortográfico não prevê a mudança da palavra “facto” em Portugal. A palavra “fato” em Portugal é o mesmo que “terno” no Brasil, um conjunto de roupas. Já “facto” é pronunciada da mesma forma que escrita, então não será mudada. De igual forma, no Brasil permanecerá sendo escrito “aspecto”, “telespectador”, “dicção”, “recepção” porque no Brasil, os “c” e “p” ainda são pronunciados. Há um grande números de palavras com “c” e “p” que em Portugal não são mais pronunciados, mas no Brasil ainda são. O (des)AO não simplificou o idioma, complicou mais ainda.

  3. Otus scops

    CP

    tanta esquisitice com a caixa de SPAM e não deixas publicar os comentários “cá da malta” sem o teu “lápis azul” e agora tem aparecido estes e estas “comentadores(as)” anglo-saxónicos alojados em http://qualquercoisa.co.cc a repetir alguns dos comentários…
    será que a CIA já segue este espaço de livre debate e pensamento, incluindo as asneiras e tudo???
    que se passa???

    • Odin

      Também estou curioso. O que acontece por aqui no Quintus? Um comentário do Otus Scops lá no assunto das favelas e do BOPE foi replicado. Aqui foi um comentário meu replicado. E esses nicks em língua inglesa? O que será que está acontecendo?

      • bem, a caixa de spam, não está bem…
        de facto, já a desliguei (a aprovação) há algum tempo, mas continua a funcionar…
        é um bug do wordpress que tenho que reportar…

  4. Odin

    Sócrates arranca 2011 a negociar dívida com Dilma

    José Sócrates estará no dia 1 de Janeiro em Brasília a assistir à posse da nova presidente e a
    tentar vender dívida.

    http://economico.sapo.pt/noticias/socrates-arranca-2011-a-negociar-divida-com-dilma_107454.html

    • é um bocado patético… mas se não podemos contar com os “novos” amigos (norte europeus), só nos restam os verdadeiros.

    • Odin

      Quanto ao FMI, ninguém merece o castigo de ser seu devedor.

    • Odin

      Portugal é o quinto destino do investimento brasileiro

      Portugal é o quinto destino dos investimentos brasileiros a nível global, incluindo os paraísos fiscais, num ‘ranking’ divulgado ontem pela imprensa brasileira. Na Europa, Portugal é o terceiro destino do investimento brasileiro no exterior, atrás do Luxemburgo e da França.

      http://dn.sapo.pt/bolsa/interior.aspx?content_id=1742908

      • como já disse algures:
        felizmente podemos contar com os Amigos de sempre. Porque com os “novos” do norte da Europa…

      • Otus scops

        querem ver que o Luis deixou escola???
        😀
        voltamos a ressuscitar o fantasma das “amizades”…
        que conversa de treta!
        mas onde é que o Brasil (ou demais CPLP) tem sido “amigo de sempre”??? (pelos vistos “não se chega à frente” para comprar dívida soberana portuguesa – coisa que não critico ou condeno)
        desde quando é que a nossa entrada na CEE foi dito que era para algum clube de amigos???

        ai, ai, tanta Lusofonia tira-te o discernimento…

      • Odin

        Mas os norte-europeus são “novos” amigos? A Inglaterra não tem aliança com Portugal desde a Idade Média? E os batavos(holandeses) e flamengos(belgas de língua holandesa)não são parceiros comerciais de longa data dos lusos? Antes de o Brasil existir?

        Realmente, creio que a guerrilheira inimiga do regime militar atenderá ao desejo do engenheiro filósofo sim. Agora, será que o Brasil ajudará de verdade a Portugal? A questão é: o que é realmente ajudar Portugal? Se falsidade, sem hipocrisia. O que seria ajudar Portugal e seu povo? Se for para o povo votar no partido do pinóquio de novo ou na oposição neoliberal(PSD)… 😦

        • Otus scops

          olha outro!!! 😀

          Portugal tem uma aliança com a Inglaterra – a mais antiga do mundo – e tem dado bons resultados ao longo de séculos.

          “E os batavos(holandeses) e flamengos(belgas de língua holandesa)não são parceiros comerciais de longa data dos lusos?” esta desconhecia, queres-me elucidar???

          já aqui foi escrito que as relações internacionais tem pouco de amistosas, o que tem são interesses, quando são convergentes chamam-se amizade, quando são divergentes são adversários… se o sistema político e ideológico for oposto passam a ser inimigos.
          não vamos misturar as coisas.
          os Portugueses precisam de aprender a lição e nesse sentido os europeus até estão a ser “muito amigos”.

          “A questão é: o que é realmente ajudar Portugal?” e “Se for para o povo votar no partido do pinóquio de novo ou na oposição neoliberal” excelentes questões! embora a dívida soberana da nação seja apenas… dinheiro e este não tem ideologia.

          o que nós precisamos é de investimento para criar emprego. não me importava nada de trabalhar para uma empresa brasileira.

        • Odin

          “o que nós precisamos é de investimento para criar emprego. não me importava nada de trabalhar para uma empresa brasileira.”

          Outra forma de ajudar é o livre comércio de alguns produtos. Por exemplo, o governo português podia tentar conseguir isenção de taxação para vender vinho e azeite para o Brasil. Em troca, o Brasil exporta alguns produtos sem taxação também, como frutos tropicais. Não é necessário um livre comércio pleno, mas apenas de alguns produtos, por enquanto. No futuro, veriam se vale a pena o livre comércio total.

        • Otus scops

          “o livre comércio”
          sim, é uma boa ideia.

          contudo não sou a favor de isenções ficais, podia haver algumas bonificações, facilidades aduaneiras e administrativas mas é uma boa base de partida.

          agora azeite e vinho versus frutos tropicais é pouco, há muitas coisas muito mais interessantes para ambos os países – tecnologia!

  5. Odin

    Corte do rating de Portugal “difícil de compreender”

    O Ministério das Finanças considera que, “no actual momento”, é “difícil de compreender” que a Fitch tenha cortado a classificação da dívida soberana de Portugal de AA- para A+, sublinhando que “os resultados orçamentais mostram gradualmente os efeitos das medidas correctivas”.

    A agência de notação financeira Fitch cortou hoje o rating de Portugal de AA- para A+, justificando com maiores dificuldades de financiamento tanto do Estado como dos bancos desde a última revisão publicada. A Fitch manteve ainda um outlook negativo e acrescentou que este corte é justificado também pela redução menos pronunciada do défice externo português.
    À Lusa, o Ministério das Finanças refere, no entanto, que “Portugal tem aprovado o Orçamento do Estado para 2011, com as medidas de consolidação e controlo orçamental reforçadas de modo a corrigir o défice público de 7,3% para 4,6%”. A tutela sublinha ainda que “foi definido um calendário para implementar medidas importantes de reforço da competitividade da economia” e que se aproxima o final de 2010 “com os resultados orçamentais a mostrarem gradualmente os efeitos das medidas correctivas”.
    Quanto ao sistema bancário português, o ministério de Teixeira dos Santos reiterou que este é “sólido e resiliente e, por isso, continua a enfrentar com segurança e com níveis de capital adequados os riscos que enfrenta, as dificuldades de acesso à liquidez que resultam da crise de dívida soberana que tem ameaçado a estabilidade financeira da Zona Euro”. Para a tutela, “a nova ronda de testes de stress a realizar em 2011 contribuirá para melhorar a percepção pública da solidez dos bancos portugueses”.
    Relativamente ao financiamento da República, “tem-se processado a preços desproporcionados mas com regularidade e sem qualquer sobressalto quanto ao cumprimento das obrigações para com os detentores de títulos”, argumenta o Ministério das Finanças.

    http://dn.sapo.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1741903

  6. Odin

    Otus Scops

    Você se refere a ajudar Portugal. Na minha forma de ver, não é “dar o peixe”, e sim “ensinar a pescar” que é ajudar. Se o Brasil quer ajudar mesmo a Portugal, deve ir na contra-mão da UE. Como assim, ir na contra mão da UE? Não é com subsídios, comprando dívidas, exigindo medidas de austeridade e parar por aí. E sim, fazer os portugueses ressuscitarem sua indústria e sua agricultura. O vinho português, produzido na região do Porto, tem fama mundial e qualidade incontestável. Nunca li ou ouvi críticas depreciando o vinho do Porto. No Brasil há indústria do vinho, no Rio Grande do Sul está a mais antiga. E quem trouxe a cultura do vinho para o Brasil foram os portugueses e os italianos. Somando o vinho brasileiro com o argentino e chileno, é certo que vocês encontrariam concorrência forte aqui sim. Mas o vinho português se sustenta no mercado brasileiro se for removida a alta tributação. Já o azeite, vocês concorreriam com os espanhóis e argentinos principalmente. Não encontrariam concorrência brasileira propriamente. O azeite que vocês produzem para o seu próprio mercado interno é excelente, mas o azeite que vocês exportam para o Brasil, com exceção do extra virgem, é uma porcaria. Não se sabe a razão. Eu entendo que deve ser por causa da taxação que encarece demais e, não conseguiriam vender muito aqui no Brasil um azeite de boa qualidade. A culpa ao meu ver é do governo do Brasil que não exige melhoria na qualidade do azeite que vem daí para cá, e que taxa alto a importação sem necessidade, pois não há produtores de azeite nacionais para defender. Então para quê tributação? O que mais Portugal poderia exportar para o Brasil? Ressuscitando a pesca, peixes típicos do Atlântico Norte, como bacalhau que os brasileiros amam comer, e frutos típicos de clima frio. Tecnologia? Mas que tecnologia o Brasil pode exportar para Portugal sem prejudicar a indústria portuguesa e nem os empregos dos portugueses? Aviões da Embraer? E que tecnologia Portugal pode exportar para o Brasil sem prejudicar a indústria brasileira e nem os empregos dos brasileiros? Componentes eletrônicos que exportam para a NASA? O Brasil devia trabalhar ou com Portugal ou com a Argentina uma estratégia de complementação econômica. A economia de um complementa a do outro. Ou com ambos, pois o Brasil é muito grande e muito populoso. Azeite e vinho em troca de frutos tropicais é apenas uma proposta de começo. Por etapas. A forma correta de ajudar vocês é abrir o nosso mercado sem prejudicar os nossos empregos. E o Brasil tem que ser um cliente exigente, enjoado e chato quanto a qualidade dos produtos portugueses, assim como Portugal também tem que ser um cliente exigente, enjoado e chato quanto a qualidade dos produtos brasileiros, senão a indústria não se preocupa com a qualidade e não consegue status mundial. O Brasil tem que ajudar a pôr a indústria portuguesa para funcionar, e os cientistas portugueses para investigar. O que você proporia quanto a um livre comércio entre Portugal e Brasil? Em quais áreas os dois países deveriam trabalhar juntos ao invés cada um por si?

    • Otus scops

      Odin

      1.”Você se refere a ajudar Portugal.”
      não fui eu, foste tu que o fizeste no comentário em 2010/12/27 às 21:50. eu sou mais do tipo “Deus ajuda a quem se ajuda a si próprio”.
      2. “Na minha forma de ver, não é “dar o peixe”, e sim “ensinar a pescar” que é ajudar”
      completamente de acordo, muitos portugueses habituaram-se a mamar na teta dos subsídios e agora estão destreinados para arriscarem, tomarem iniciativas e competirem… sobretudo certas classes supostamente liderantes.
      3. “comprando dívidas, ”
      comprar dívida não é propriamente “ajudar” ou fazer caridade. pode ser um acto de boa vontade e amizade diplomática por parte de algum país que estabeleça O PAGAMENTO DA DÍVIDA com juros mais baixos do as condições terríveis com que os mercados financeiros financeiros actualmente exigem. temos que pagar na mesma…
      4. “O vinho português, produzido na região do Porto, tem fama mundial e qualidade incontestável.” esse é o Vinho do Porto (um vinho generoso) produzido no Douro (a 1ª região vitivinícola demarcada do Mundo) embora os vinhos de mesa sejam ainda melhores. em vinho temos muito mais.
      5. “Já o azeite, vocês concorreriam com os espanhóis e argentinos principalmente.” não sabia que os argentinos eram olivicultores também.
      6. “mas o azeite que vocês exportam para o Brasil, com exceção do extra virgem, é uma porcaria.”
      não sabia… o motivo deve ser porque nós próprios temos dificuldade em sermos autosuficientes (estamos perto de o conseguir) e mandam algo que deve ser misturado. realmente há trafulhas em todo o lado.
      7. “sem prejudicar a indústria portuguesa/brasileira e nem os empregos dos portugueses/brasileiros?”
      este princípio é contrário à abertura dos mercados e do livre comércio.
      8. permite-me sugerir este vídeo para ficares a compreender um pouco melhor o potencial científico de Portugal actualmente:
      http://ww1.rtp.pt/icmblogs/rtp/comciencia/index.php?k=1-parte-do-Com-Ciencia-de-2010-12-15.rtp&post=29491
      tenta ver todo ou pelo menos a partir do minuto 10 a fantástica entrevista.
      depois surpreende-te a seguir à mesma, para um país pequenino sem riquezas é obra!
      9. “Em quais áreas os dois países deveriam trabalhar juntos ao invés cada um por si?”
      sinceramente não sei, todas??? 🙂

    • Odin

      Otus Scops

      “1.”Você se refere a ajudar Portugal.”
      não fui eu, foste tu que o fizeste no comentário em 2010/12/27 às 21:50.”
      É verdade. Fiz a frase “você se refere…” para provocá-lo, Coruja. Pensei que você fosse me responder usando a expressão “pá!” 😀
      “eu sou mais do tipo “Deus ajuda a quem se ajuda a si próprio”.
      Ken, barúch Hu leôlam vaêd!
      “comprar dívida não é propriamente “ajudar” ou fazer caridade. pode ser um acto de boa vontade e amizade diplomática por parte de algum país que estabeleça O PAGAMENTO DA DÍVIDA com juros mais baixos do as condições terríveis com que os mercados financeiros financeiros actualmente exigem. temos que pagar na mesma…”
      É por aí mesmo. Comprar dívida não é propriamente “ajudar”. É apenas “tornar o peso mais leve”. Poder ser que o Brasil seja um credor mais generoso que a China e que o FMI.
      “7. “sem prejudicar a indústria portuguesa/brasileira e nem os empregos dos portugueses/brasileiros?”
      este princípio é contrário à abertura dos mercados e do livre comércio.”
      Mas eu sou contra o neoliberalismo. Porém, sou favorável a alguns pontos da doutrina. Produtos que não vão tirar empregos de brasileiros podem ser importados sem tributação ou baixa tributação. E os portugueses devem valorizar os produtos portugueses, que garantam os empregos aí. O vinho e o azeite portugueses não vão provocar desemprego no Brasil. Simplesmente o livre comércio absoluto não vai ajudar a maioria dos portugueses e nem dos brasileiros. O Brasil pode contribuir para que a comida de um modo geral fique mais barata em Portugal, uma vez que nos próximos anos serão de austeridade? (Por exemplo)
      Sim, eu vi 11 minutos do vídeo da RTP2. Eu já vi outras reportagens sobre o potencial tecnológico português. Imagino o quê cientistas brazucas e portugas poderiam fazer em parceria!! Até que o Sócrates tem o bom senso de estimular as crianças e adolescentes a se inclinarem para a investigação científica. Eu apóio que os dois países se unam para um futuro programa espacial em conjunto, quando tiverem diminuído os problemas internos. E também oceânicos. E em ambos os programas, incluir a robótica.
      “sinceramente não sei, todas???”
      Acho que uma indústria de cinema luso-brasileira conforme o exemplo de Hollywood (que é só norte-americana, mas tem muitos estrangeiros famosos por lá) seria mais forte do que uma indústria só brasileira ou só portuguesa. Filmes e seriados. Na área da agricultura, como eu já disse, ambos os países podem muito ajudar um ao outro. O Brasil pode aprender com Portugal a usar fontes de energia ecologicamente corretas, como a eólica, e o Brasil acabaria por ser autosuficiente em energia. Ambos sofrem problemas de incêndios florestais. Podem fazer alguma coisa em conjunto? Não? E ensinar português como língua estrangeira por imersão para os estrangeiros não-lusófonos, é uma forma de gerar empregos em ambos os países, e fazer entrar dinheiro. Fazer uma parceria para o ensino da língua (e ajudar a torná-la língua universal como inglês e espanhol).

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