Sam Cyrous: Crítica ao Hiperconsumismo

“É inquestionável que o modelo dominante português e internacional de desenvolvimento depende da manutenção do consumo vigoroso de bens materiais. Os próprios índices de progresso e prosperidade são feitos com base na capacidade de consumo e acumulação de objetos e confortos materiais.”
Sam Cyrous
Revista Nova Águia
Número 6

Não há futuro para um modelo económico que exige – para sobreviver – um aumento do consumo exponencial. Simplesmente, num dado ponto (num futuro cada vez mais próximo) há de chegar o ponto em que os recursos e a energia ao dispor da economia são insuficientes para sustentar este crescimento e então, dar-se-á o colapso de um Sistema económico que se julgava eterno e eternamente mutável e adaptável…

Sendo inevitável o colapso do Capitalismo, não já pela aplicação de qualquer “desígnio histórico” marxista, mas pelo esgotamento das condições materiais que o sustentam, temos que, todos, começar a trabalhar suavizar os impactos negativos desse colapso e por começar a pensar, ensaiar e introduzir sistemas alternativos. O Capitalismo de Estado ou Sovietismo (confundido por muitos com “Socialismo”, demonstrou a sua incapacidade de forma magistralmente cabal em finais da década de 80… Assim, importa encontrar um modelo alternativo de desenvolvimento entre Esquerda e Direita, fora desta ultrapassada dicotomia sistémica que se esgotou e que quase levou o próprio planeta ao esgotamento total.

Esta alternativa económica não será assim nem de Esquerda, nem de Direita e muito menos de um indefinido e pífio “Centro”. Será oriunda de um horizonte novo e profundamente radicado nas comunidades locais, nos interesses da pessoas, dos locais onde vivem, estudam, trabalham e morrem. Será (queremos sonhar) um sistema económico onde o consumo desenfreado e patológico de Bens observado por Sam Cyrous foi encarado como aquilo que efetivamente é: uma patologia social e tratado injetando na sociedade uma nova Ética de responsabilidade social e ambiental que retornou os Consumidores ao seu estado original de Cidadãos.

O hiperconsumismo da atualidade – induzido por torrentes esmagadoras de Publicidade e pelos Meios de Comunicação Social – é de facto a maior ferramenta de condicionamento mental do Sistema Capitalista atual. Um consumidor preocupa-se sobretudo em consumir, por exibir esse consumo no círculo social, e assim galgar degraus numa pirâmide social onde os patamares mais elevados estão ocupados por aqueles que mais consomem.

Esta alienação tem que ser substituída por uma integração do Homem no seu Meio. No seu Local, na sua Comunidade e a “Economia dos Bens” em que vivemos tem que ser transformada na “Economia das Pessoas”, onde – sem prejuízo da produção de bens essenciais – o grande foco passa a ser o Homem, a sua realização pessoal, pela via da transformação de todos em agentes e produtores de bens e serviços culturais. Precisamos mesmo de trocar de carro de 2 em 2 anos? Dos últimos televisores de plasma ou LCD? Dos últimos Pentium? Do mais recente gadget da Apple? Ou seríamos mais felizes se conseguíssemos cumprir as necessidades básicas e além disso conseguíssemos ir ao cinema, teatro, dança, ler livros, jornais e revistas e simultaneamente participar ativamente na própria produção desses bens e serviços culturais?

Essa é a grande revolução da Língua e da Cultura, antevista pelos grandes poetas e profetas da Lusofonia sob a forma do “Quinto Império”: a revolução pacífica e o império da cultura que poderá assim oferecer uma alternativa sustentável e de futuro ao hiperconsumismo capitalista cuja explosão nos ameaça de forma tão patente…

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Categories: Economia, Nova Águia, Política Nacional, Portugal, Sociedade Portuguesa | 1 Comentário

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One thought on “Sam Cyrous: Crítica ao Hiperconsumismo

  1. Odin

    É a principal regra do capitalismo. Vender muito para acumular muito dinheiro. Todos sabem. Mas, se você enxerga os graves erros da ortodoxia capitalista, e alerta o mundo para rever os conceitos, os beneficiados pelo sistema vêm furiosamente taxá-lo de “comunista”, “de esquerda”, “vagabundo que quer viver às custas do Estado sem trabalhar”, entre outros adjetivos. Há aqueles produtos e mercadorias que não é possível consumir pouco, como os alimentos, não se pode sobreviver com boa saúde só com uma refeição por dia. Mas o que comer, a qualidade dos alimentos, o modo de preparo, pode influir ao mesmo tempo na saúde e no bolso também. E os alimentos considerados como melhores na atualidade quanto a saúde são os agrícolas mesmo, frutos, legumes, verduras, cereais… e não os industrializados. Agricultura orgânica de preferência. Mas o pessoal insiste em consumir fast food, como os ‘McDonalds’ da vida. Querem consumir Coca-cola e Pepsi ao invés de sucos naturais (sem o açúcar tipo sacarose, de preferência). O sistema econômico é de tamanha perversidade que praticamente obriga as pessoas ficarem doentes para dar lucro a indústria dos remédios, medicamentos. É claro que cada um consome o que quiser, não é nem tento questão de regular a vida das pessoas. Mas o poder hiperconvincente das propagandas, praticamente hipinotiza o consumidor. O sistema de trabalho nem sempre permite aos trabalhadores um espaço de tempo ideal para uma refeição saudável.

    “Um consumidor preocupa-se sobretudo em consumir, por exibir esse consumo no círculo social…”
    >O consumidor é programado para acreditar que só tem mérito como ser humano se tiver muitos bens. É emocionalmente, sentimentalmente muito provocado. É um bombardiamento de propagandas cobrando, exigindo o consumo de produtos que talvez nem vão ser usados, ou muito pouco usados. Cada era da história com a sua alienação.

    Não sou contra pessoas serem ricas, terem riquezas. Eu mesmo quero ser rico. Mas consumir, só quero consumir aquilo que eu sei que realmente necessito. E não o que o sistema acha que eu necessito.

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