José Manuel Barbosa: “Os reis asturleoneses eram coroados em Compostela, Oviedo ou Leão. Os reis falavam galego”

Santiago de Compostela (http://cache.virtualtourist.com)

Santiago de Compostela (http://cache.virtualtourist.com)

“Os reis asturleoneses eram coroados em Compostela, Oviedo ou Leão. Os reis falavam galego e mesmo os filhos dos reis eram criados por tutores da aristocracia galega que marcavam o caráter dos futuros monarcas, marcavam a política e mesmo a diplomática da época, como nos comenta André Pena (1985). (…) Afonso VI perante a morte do seu filho Sancho, herdeiro do trono, na batalha de Uclés em 1109. A língua na que chora o Rei não pode ser outra diferente da que o Monarca tinha por sua: o galego-português e não o castelhano.”
José Manuel Barbosa
Alguns aspectos da pré-história da língua

Este foi apenas uma das muitas “limpezas étnicas” da História promovidas por Castela-Madrid para aculturar toda a Península. Castela, a partir da unificação imperial promovida pelos Reis Católicos, procurou identificar Espanha com uma versão ibérica de Castela, em torno da qual distribuiu todas as nacionalidades “periféricas” encetando um processo de anexação que foi particularmente agudo na Galiza, com a proibição do uso da língua portuguesa da Galiza nos serviços religiosos, na administração pública, nos atos notariais e judiciais e, sobretudo, no Ensino. Acantonada no mundo rural, a “língua própria” conseguiu sobreviver até ao século XX mas vive hoje um período difícil, de quase extinção, sobretudo pela fraca adesão ao galego entre as camadas mais jovens e na população urbana (os “urbanitas” dos estudos demográficos).

Paradoxalmente, Castela-Madrid e os seus lacaios locais na Galiza, tiveram que reescrever o passado e forjarem fontes para diminuírem o “galego” à categoria de dialeto e promoverem a antecedência do castelhano, mas a quantidade e persistência dos seus arremedos contra a língua portuguesa da Galiza arrisca-se a ser bem sucedida a muito curto prazo e a levar o Galego ao triste estatuto de “língua morta”, quanto esta língua portuguesa tem todas as condições para se tornar “extenso e útil”. Assim queiram os galegos continuarem a manterem uma identidade nacional própria e nós – os da outra banda da raia do Minho – os quisermos ajudar.

Anúncios
Categories: Galiza, História, Movimento Internacional Lusófono, Portugal | 3 comentários

Navegação de artigos

3 thoughts on “José Manuel Barbosa: “Os reis asturleoneses eram coroados em Compostela, Oviedo ou Leão. Os reis falavam galego”

  1. Odin

    Pela foto, como Santiago de Compostela é bonita! 🙂

    • Otus scops

      é uma cidade muito bonita, tal como a Galiza em geral.

      acho que vais gostar de conhecer, o sagrado e o profano andam lado-a-lado, a tradição e a modernidade, a cultura local e o cosmopolitanismo.

      quem sabe se um dia não serei o teu cicerone para Santiago de Compostela??? 🙂

      • Odin

        Quem sabe um dia? Conhecer a Finis Terrae do litoral sul (Algarve) ao litoral norte (Galiza), ao menos as principais cidades? Se algum dia eu for conhecer Portugal, vou querer conhecer de sul à norte e mais a Galiza também, numa só viagem. E depois voltar com muitas fotos e muitas lembranças para mostrar às pessoas aqui no Brasil. 🙂

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Create a free website or blog at WordPress.com.

Eleitores de Portugal (Associação Cívica)

Associação dedicada à divulgação e promoção da participação eleitoral e política dos cidadãos

Vizinhos em Lisboa

A Vizinhos em Lisboa tem em vista a representação e defesa dos interesses dos moradores residentes nas áreas, freguesias, bairros do concelho de Lisboa nas áreas de planeamento, urbanismo, valorização do património edificado, mobilidade, equipamentos, bem-estar, educação, defesa do património, ambiente e qualidade de vida.

Vizinhos do Areeiro

Núcleo do Areeiro da associação Vizinhos em Lisboa: Movimento de Vizinhos de causas locais e cidadania activa

Vizinhos do Bairro de São Miguel

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos

TRAVÃO ao Alojamento Local

O Alojamento Local, o Uniplaces e a Gentrificação de Lisboa e Porto estão a destruir as cidades

Não aos Serviços de Valor Acrescentado nas Facturas de Comunicações !

Movimento informal de cidadãos contra os abusos dos SVA em facturas de operadores de comunicações

Vizinhos de Alvalade

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos de Alvalade

anExplica

aprender e aprendendo

Subscrição Pública

Plataforma independente de participação cívica

Rede Vida

Just another WordPress.com weblog

Vizinhos do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos do Areeiro

MDP: Movimento pela Democratização dos Partidos Políticos

Movimento apartidário e transpartidário de reforma da democracia interna nos partidos políticos portugueses

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

THE UNIVERSAL LANGUAGE UNITES AND CREATES EQUALITY

A new world with universal laws to own and to govern all with a universal language, a common civilsation and e-democratic culture.

looking beyond borders

foreign policy and global economy

O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade

%d bloggers like this: