Sobre a ligação entre Religião e Subdesenvolvimento Económico

Segundo um estudo realizado pela conhecida empresa Gallup há uma estranha (ou não) correlação entre os níveis de religiosidade de um país e os patamares de prosperidade material.

A revelação não é propriamente inédita, sendo aliás sobejamente conhecida na sociologia, desde o século XIX e tem raízes na presença nas religiões, de uma forma quase completamente transversal, de um discurso pacificador e que tem uma tonalidade geral de tornar o indivíduo satisfeito e conforme com a sua posição na escala económico-social. Pela concentração de esforço e tempo nas causas transcendentes, as religiões retiram foco ao progresso económico dos seus crentes e fazem-nos cumprir uma série de tarefas que podendo até ser socialmente úteis, do ponto de vista económico não produzem qualquer riqueza, consumindo-a apenas… Prometendo riquezas e felicidade para o Além, enfim, as religiões acabam por assumir a naturalidade e necessidade de uma existência terrena oposta, prosperando assim quanto maior for a pobreza e a miséria de uma sociedade.

Se o Conformismo e a crença na necessidade imperativa da Fatalidade divina, por oposição às capacidades e ao engenho dos povos explicam a relação entre Pobreza nos países europeus de matriz católica, já nos islâmicos do norte de África e do Médio Oriente estamos perante um fenómeno diferente: o atraso económico é explicado pelo desinteresse na Ciência e na Educação criados pelo fanatismo islâmico, captando Capitais financeiros e humanos à economia real e parasitando-a com pesadas e opressivas “taxas” diretas e indiretas.

Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/poder/805103-quanto-mais-religioso-mais-pobre-tende-a-ser-um-pais-diz-pesquisa.shtml

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Categories: Economia, Sociedade | 14 comentários

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14 thoughts on “Sobre a ligação entre Religião e Subdesenvolvimento Económico

  1. Odin

    Religiosidade e subdesenvolvimento.

    O Judaísmo e o Cristianismo Protestante estimulam a prosperidade econômica dos fiéis sim. Mas, mesmo no exemplo judaico, os ortodoxos tendem a ser menos prósperos que os seculares e os demais. Mas é claro que há casos de judeus ortodoxos ricos. E de cristãos protestantes e evangélicos também ricos. Já o Cristianismo Católico tende a rejeitar a prosperidade como algo impuro, como pecado. Vê santidade na pobreza. Vê virtude na ignorância, na falta de escolaridade, sob o pretexto de “humildade”, “simplicidade”. E um pseudomoralismo irritante. Já o caso islâmico, na Idade Média eles eram amantes da ciência, das artes, e me parece que houve uma decadência cultural e científica enquanto na Europa houve o renascimento e o iluminismo. Mas enfim, Marx dizia que a religião é o “ópio” do povo. Realmente, a religiosidade formal, principalmente com ortodoxia, ajuda na ignorância das mentes mais fracas. Mas a espiritualidade factual ajuda no esclarecimento das mentes mais fortes.

    • Otus scops

      Odin

      és o melhor postador sobre assuntos religiosos do Quintus, não apenas aqui, mas em anteriores intervenções. magnifica explanação!
      ou não fosses tu parte do assunto…
      😀

    • pedronunesnomundo

      …citar Marx é sempre um contributo para a iluminação e para o esclarecimento

  2. mas atenção que o Protestantismo não tem nada do carácter radical e abosrvente do catolicismo ou do Islão…

    • LuisM

      Sem dúvida!

      Veja-se o grande atraso das nações europeias de matriz católica face aos países onde o cristianismo protestante tem maior expressão.

      Ainda pior do que o factor económico é o facto destas religiões serem um autêntico garrote ao livre pensamento e desenvolvimento científico.

      E infelizmente, nós portugueses temos muita expriência no garrote católico e aonde isso nos levou.

    • pedronunesnomundo

      ó CP, ‘radical e absorvente’ parece anúncio a coisas brancas, cilíndricas e fofas com um fio pendurado…

  3. pedronunesnomundo

    é velho o depique entre esse prisma e este
    http://www.happyplanetindex.org/

    não tenho grandes dúvidas
    no auge de uma crise criada por este ‘desenvolvimento material’, tão – e tão bem – contestado, é bizarro discorrer argumento sobre como ‘as religiões não contribuem’ para ele
    porque é de patamar de materialidade que se fala com ‘desenvolvimento económico’

    que a presença líquida da ‘religião’ estenda o tapete à infelicidade dos povos, isso já é outra coisa, premissa em que curiosamente não se insiste ou nem sequer se avança

    e de facto desde o séc XIX que a miragem científica do tudo-aqui-já, do bem-estar-conforto-imortalidade, vai chocando aqui e ali com a concepção religiosa que julga contradizê-a

    agora, há dois sofismas imbaseáveis:
    1 – ‘as religiões geram misérias’; não é pela coincidência directa no espaço e no tempo de pobreza e de fugor religioso que tal se pode dizer; é em momentos de miséria, sim, que a causa espiritual mais se mobiliza e intervém na minoração dos seus efeitos
    2 – ‘ as religiões são fontes de conformismo’; o ‘conformismo’ religioso em relação às suas próprias regras e dogmas internos – muitas vezes observável – não é confundível com o ‘Conformismo’ absoluto; não conheço nenhuma religião que incite os seus seguidores a não intervir sobre o que o rodeia ou sobre a sua própria vida, numa atitude dinÂmica – nem sequer uma budista contemplativa

    • Otus scops

      PNM, excelente post.

      a minha interpretação do happyplanetindex é a seguinte:
      os países ricos geram desigualdades, uns tem tudo e vivem num fausto e luxo e outros nada tem, logo ficam frustrados e com inveja. 😀
      quanto aos países super-pobres aí realmente não há esperança acho normal (infelizmente).
      os europeus são tristonhos e nostálgicos por natureza: no norte o clima e a comida não dão alegrias logo entrem-se a trabalhar e a prosperar, os do sul é sol, praia, petiscos até mais não e cambalachos o que gera outras insatisfações… 😀
      admira-me a Polónia ser mais feliz um pouco, será pelos supermercados Bierdonkra ou por ter tido os gémeos Kaczynski no poder, tipo bonecos sempre-em-pé? (eu sei que um já faleceu…)

      o Brasil tem çamba, kaxassa, futebol, mulheres portentosas, praias, é normal que andem contentes.
      agora na América Central é um mistério: será do chilli e das mulheres lindas (tem a maior percentagem de misses universo do planeta, a Shakira, a Jenny Lo, etc…) 😀

      quanto ao tema os teus sofismas são discutíveis, sobretudo o segundo: manipulação é o que normalmente acontece.
      as religiões tem dois segmentos, as doutrinas e as igrejas – esta última é o que dá má fama à religião…

  4. Odin

    Eu li o texto da Folha de SP.
    “…a sociologia tem preferido apostar na tese de que a pobreza facilita a expansão da religião…”
    >Eu também percebo que, em situações de pobreza, dificuldades financeiras, relações familiares conflituosas, problemas relacionados com vícios, tudo o que deixa as pessoas fragilizadas facilita a aceitação às religiões por parte delas. Principalmente as crenças que são ‘novidades’. Por isso que as igrejas evangélicas pentecostais se expandiram tanto no Brasil no fim do século XX, por exemplo. Muitas pessoas se cansaram dos ritos frios, mecânicos das missas católicas romanas. Abraçaram novos tipos de culto, mais emotivos, mais sentimentais, onde há muito louvor, muitas orações e pregações carregadas de emoções. Religiões que trabalham a questão do dízimo e das ofertas e promessas de prosperidade, de melhorar a qualidade de vida de cada membro. E de curas, milagres. Os católicos tentaram reagir com a Renovação Carismática, cujo símbolo mais famoso é o padre Marcelo Rossi. Posso estar enganado, mas me parece que o fervor, que o boom das igrejas está passando. Filosofias de vida também têm ganhado espaço nas vidas das pessoas. Também acho que entre os povos islâmicos, é a triste situação socioeconômica que estimula indivíduos ao fundamentalismo.

    “…mas atenção que o Protestantismo não tem nada do carácter radical e abosrvente do catolicismo ou do Islão…”
    Clavis. Confesso que tenho as minhas dúvidas. No caso do Protestantismo europeu, concordo. No caso dos Estados Unidos principalmente e do Brasil em menor escala, há um radicalismo incômodo por parte de alguns dos líderes evangélicos sim. Mas menos grave que o católico romano e o islâmico. Os líderes evangélicos realmente não procuram fazer proselitismo através da violência. É verdade.
    Agora, falam que as nações católicas são mais atrasadas que as protestantes. A Igreja Anglicana é considerada protestante, mas além de recusar a autoridade do Papa, pelo menos para mim, são praticamente católicos. Não me recordo agora se o clero anglicano pode se casar ou não. Mas a liturgia é a mesma da católica. E a França é uma nação predominantemente católica e não é atrasada. É uma das mais desenvolvidas da Europa e do mundo. Tal como em França, no Quebéc também. São exceções interessantes entre os países católicos, a França, a Bélgica (Valônia) e o Quebéc. Mas noto que igrejas como a Presbiteriana, a Batista, a Metodista, a Adventista do Sétimo dia, os Mórmons, valorizam muito a educação escolar e universitária. A Igreja Católica também tem as suas universidades e colegios.
    O que eu acho errado na religião é quando faz oposição à ciência. Se Deus (ou os deuses), os anjos, o diabo e os demais demônios realmente existem, os cientistas vão acabar por descobri-los. Nem que seja nas viagens espaciais futuras, se vierem a se realizar. Ou através de algum experimento físico-químico que abra passagem para algum universo paralelo, outra dimensão, sei lá. Enfim, se reprimem os cientistas, é porque temem algo. E quem não deve, não teme. Ao contrário, se não têm o que temer, deviam é estimular os cientistas, e não querer silenciá-los.

  5. LuisM

    “não conheço nenhuma religião que incite os seus seguidores a não intervir sobre o que o rodeia ou sobre a sua própria vida, numa atitude dinÂmica”

    Concordo em absoluto!

    O grande problema reside na maneira como determinadas religiões incitam os seus seguidores, em particular quando partem do ponto de vista de serem donos da verdade.

    • pedronunesnomundo

      amigo Luís, é uma ilusão que qualquer ideologia-filosofia-religião não se julgue ‘dona da verdade’… não é segredo e não precisa de ser tabu
      é daí aliás que resulta parte da sua originalidade, muito da sua vitalidade, e em última análise a possibilidade do seu confronto e da sua intersecção
      o desequilíbrio apenas se dá quando é roubado o espaço devido aos que não crêem em nada

  6. Luiz Ely Silveira

    Grande novidade! Para os religiosos e para os polítcos, a pobreza é uma reserva de mercado garantida. A vítima mais propensa a aceitar promessas vazias é sempre o integrande da classe pobre, e é esse o alvo preferencial da religião e da política. Por isso, aqui no Brasil, o governo dá esmolas mas não se preocupa em gerar postos de trabalho desonerando empresas de tantos tributos. Se os pobres deixarem de ser pobres, perdem-se eleitores e também fiéis.

  7. Pedro Paulo Buchalle

    Interessantíssimo o tema, as colocações com extrema propriedade e os comentários pertinentes. Parabéns

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