António Cândido Franco: “o entendimento federalista da Península trará vantagens incalculáveis ao Brasil”

António Cândido Franco (http://www.triplov.com)

António Cândido Franco (www.triplov.com)

“É possível que a unidade política do mundo lusófono, sonhada como geopolítica alternativa para o medíocre Portugal europeu de hoje, dependa em absoluto da reconstrução da casa ibérica, pois o entendimento federalista da Península trará vantagens incalculáveis ao Brasil, que encontrará assim um motivo efetivo para se ligar a Portugal, já que esse laço será um forte estímulo para federar a América de origem ibérica, transformando o mundo de matriz ibérica num grande bloco mundial decisivo para a construção da futura civilização planetária, mais ética que económica e menos financeira que santa, ainda que necessariamente laica.”
António Cândido Franco
Revista Nova Águia
Número 6

Esta argumentação poderá ser confundida com a defesa do Iberismo… Mas tal não seria correto. Concebemos também (como António Cândido Franco) formas de unificar a Península que não podem ser equiparadas ao “iberismo” defendido por alguns e que, de facto, mais não é do que a afirmação do poder “imperial-colonial” de Castela-Madrid sobre o todo peninsular, dando assim satisfação aos sonhos de Filipe e dos Reis Católicos.

Com efeito, a forma de federação ibérica que defendemos é bem diversa daquela que Madrid gostaria de desenhar… Ao invés de uma Península com capital em Madrid, com sede na monarquia dos Bourbons e com a língua espanhola como língua oficial, defendemos – na linha de Agostinho da Silva – uma forma de federação, que passaria primeiro pela transformação dos dois Estados peninsulares em “federações de municípios livres semi-independentes” e depois, numa segunda fase, pela independência da Galiza, Catalunha e País Basco.

Todas estas independências teriam que ser naturalmente sufragadas em referendos livres e em pleno respeito pelas vontades dessas comunidades. Mas uma vez conseguidas, poder-se-ía começar a trabalhar na construção de um novo tipo de federação ibérica – bem diferente do centralismo castelhano de hoje – que usa as “regiões” ou “comunidades autónomas” como máscaras hipócritas de um centralismo e avidez anexadora… Uma vez realmente livres, galegos, bascos, catalães, castelhanos e até, portugueses poderiam ter realmente a liberdade de escolherem reunir-se num todo l consciente das suas diferenças, mas ciente das suas semelhanças.

Não temos dificuldade em antever este tipo de “federação ibérica”. Pelo contrário, temos alergia a qualquer forma de unificação que passe pela pura e simples união política entre Portugal e Espanha, mantendo-se esta nos mesmos moldes centralistas e espanholistas da atualidade… tal cedência aos antigos sonhos iberistas de Madrid só poderia representar – a prazo – a anexação de Portugal e o fim da nossa História enquanto país livre e independente. Tornar a Espanha numa federação de nacionalidades livres e independentes e, depois, referendar a união de Portugal com esta Federação seria contudo coisa bem diversa… tanto mais porque – como bem aponta Cândido Franco – tal união ibérica poderia simplificar e tornar mais atraente a ideia de uma união política com o Brasil e com a América de língua castelhana, a prazo…

Categories: Brasil, Lusofonia, Movimento Internacional Lusófono, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | 6 comentários

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6 thoughts on “António Cândido Franco: “o entendimento federalista da Península trará vantagens incalculáveis ao Brasil”

  1. Otus scops

    peço que tenham paciência comigo, mas não percebi nada deste post, nem da ideia de A.C.Franco nem dos desenvolvimento do CP…
    só consigo ver contradições.

  2. Lusitan

    Não querendo ser desmancha-prazeres vejo com alguma estranheza esta ideia de que uma federação ibérica traria vantagens ao Brasil. Primeiro porque uma federação ibérica baseada na igualdade entre povos só seria possível após o desmembramento da Espanha enquanto país, caso contrário teríamos sempre um domínio de Castela sobre os demais povos ibéricos. Depois mesmo se formasse esta federação, de que é que ela valeria se em seguida se desse a indepêndencia a metade dos povos ibéricos?
    Segundo, se o Brasil algum dia conseguir ultrapassar as rivalidades existentes na América do Sul e assim criar uma federação latino-americana (muito dificil), porque razão precisaria da Península Ibérica e por que razões geostratégicas é que iria pôr em causa o seu domínio sul-americano para se meter no que seria provavelmente uma zona europeia instável (para que o Brasil se ingerisse em questões europeias, provavelmente os EUA teriam perdido o seu papel de potência dominante no Atlântico Norte provavelmente por se terem virado para o Pacifico para conter a China, a União Europeia teria deixado de existir, e provavelmente exisitiria um clima de guerra fria na Europa, com a Russia a aliar-se à Alemanha, e só nesse caso seria minimamente plausível que o Brasil surgi-se como defensor da Peninsula ibérica). Mais rápido vejo o Brasil interessar-se em criar uma ligação com os PALOP, criando assim uma espécie South Atlantic Treaty Organization, por forma a garantir os seu domínio sobre o Atlântico Sul.
    Terceiro porque uma federação municipalista leva a que os municipios se comportem como cidades-Estado, e como tal não estão dispostos a dispender os seus impostos em projectos agregantes que levam à perda da sua influência.

  3. Odin

    “…o medíocre Portugal europeu de hoje…”
    >Discordo do António Cândido Franco. Por que o país que foi pioneiro nas grandes navegações, ousou desafiar a superstição medieval européia, que foi a primeira superpotência do planeta, cujo idioma está entre os dez mais falados no planeta, é medíocre? Pode não ser um dos primeiros da Europa, como Alemanha, França e Reino Unido. Mas medíocre não é não. Portugal não é o único que está em crise financeira na Eurozona. Grécia, Irlanda, Espanha também estão. O Sócrates e o Cavaco Silva não erraram sozinhos. O Zapatero na Espanha também errou. O Berlusconi na Itália também errou. Até o Bush nos EUA, no Gordon Brown e o Tony Blair erraram na Grã-Bretanha. O que quero esclarecer, que o problema não é exclusivamente em Portugal. É o sistema do mundo! Os vossos políticos colocaram o vosso país na UE e no Euro com a intenção de acertar, quiseram o melhor para vocês. Deviam ter consultado a opinião popular antes, mas não parecem ter agido mal intencionados, apenas foram ingênuos quanto a aceitar que o país vivesse de turismo e serviços, sem agricultura, pesca e indústria. Mas confiaram na seriedade da UE, não fizeram por mal. Hoje, o MIL propõe que os povos lusófonos confiem uns nos outros. Quem garante que o Brasil ou Angola, por exemplo, não vão falhar e decepcionar o povo português de forma pior que a UE? Quem garante que Portugal realmente estará seguro com o Brasil e os Palop? Ou que os Palop estarão seguros com Portugal e o Brasil? Ou que o Brasil estará seguro com Portugal e os Palop? E se a próxima grande crise financeira derrubar a economia do Brasil?
    “…o entendimento federalista da Península trará vantagens incalculáveis ao Brasil, que encontrará assim um motivo efetivo para se ligar a Portugal, já que esse laço será um forte estímulo para federar a América de origem ibérica…”
    >Novamente discordo do António Cândido Franco. Não é uma federação ibérica que vai inspirar os povos (cidadãos comuns) do Brasil e dos seus vizinhos de língua espanhola a se unírem entre si. Quem estava inspirando era a União Européia, principalmente o Euro. O que é a Federação Ibérica? É Castela definitivamente convencendo Portugal à aceitar a união entre os dois países. Talvez, a Catalunha, o País Basco e a Galiza se tornem mais autônomos, e Portugal tenha autonomia na federação. Mas jamais a união entre Portugal e Espanha vai estimular o Brasil a querer se ligar à Portugal. O Brasil não abandona a sua soberania política e monetária só para ter vantagens econômicas, tanto que a ALCA não veio a existir. Jamais o Brasil vai querer se ligar à Portugal após este ter se ligado à Espanha.
    Clavis, eu mesmo não sou contra que o Brasil se una à Portugal novamente, porque conheço e compreendo a proposta espiritual do V Império. Por isso simpatizo com a proposta da Portugaliza (Portugal + Galiza unidos), e a posterior união da Terra de Vera Cruz com a Finis Terrae ibérica. Mas, nesta época em que nós vivemos, nesta geração, não vai funcionar! Vai fracassar! Porque há muitos preconceitos e ressentimentos mútuos que ainda não foram superados. E sinceramente, não sei quando os povos lusófonos vão estar preparados para formarem o V Império espiritual. Só sei que agora e nos próximos 50 anos, não há possibilidade do V Império vir a existência. Terá que ser numa era pós-capitalista no futuro. Talvez nenhum de nós viverá para ver. E da minha parte, os lusófonos podem se unir não só com os de língua castelhana como até com os de língua italiana, francesa… não acho ruim. Mas não para já.

  4. Odin

    Clavis Prophetarum,
    o vosso príncipe herdeiro também é lusofonista.
    http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1724450

    • Otus scops

      quer recuperar o império, mas como daqui não leva nada parece que mudou de táctica e quer enganar os mais ignorantes: http://dn.sapo.pt/inicio/pessoas/interior.aspx?content_id=1724656
      comportamento típico da monarquia lusa desde séc XVII…
      precisamente por um personagem destes ser candidato a rei é que me sinto republicano até à medula!!!

      • Odin

        D.Duarte quer ser cidadão do Timor? Bem… se eu fosse Português, até não seria tão contra o regime monárquico em si, mas seria contra esse aí ser o próximo rei. Depois dessa! O descendente de D.Miguel aí superou até o Tiririca. 🙂
        Quanto a recuperar o império, lamento informar, mas nem a França e a Inglaterra vão conseguir restaurar os seus impérios coloniais de antes. Não é sábio dar ao povo esperanças de recuperar o império para ter apoio para conseguir assumir o trono e a coroa. Porque depois o povo vai ver que ele não vai conseguir cumprir a promessa. E aí?

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