História de Sertório (primeira parte)

Recentemente, re-lembrei-me de que o nome deste blogue era também o primeiro nome de uma das personagens mais importantes da História de Portugal: Quintus Sertorius, mais conhecido como Sertório. Assim sendo, pelo que este ilustre romano – tão ligado às origens remotas da nacionalidade – representa e por esta comunhão de nomes penso que merece plenamente uma singela homenagem, razão pela qual passarei a escrever este breve artigo biográfico sobre Sertório.

Quintus Sertorius nasceu na cidade italiana de Nussa na antiga terra dos Sabinos. Devido à morte do seu pai ainda enquanto Sertorius era muito jovem, acabou por ser educado pela sua mãe, Rhea.

Em 105 a.C. os Cimbros e Teutões invadiram a província romana da Gália. As legiões enviadas contra estes germanos foram derrotadas. Sertorius estava entre estes legionários tendo perdido o seu cavalo e ficado ferido. Contudo, conseguiu escapar e atravessar o Rhone a nado. Roma enviaria um segundo exército em 102 a.C. sob o comando de Marius para o qual Sertorius se haveria de voluntariar para servir como espião, atravessar as linhas inimigas e recolher informações sobre as forças inimigas. Conseguiu cumprir com sucesso a sua missão e entregar um relatório – pessoalmente – a Marius. Este feito, torna Sertorius num prestigiado oficial e em 97 a.C. e o seu nome torna a reaparecer na História na Hispânia com a reconquista da cidade de Castulo na mesma noite em que esta é perdida. Algum tempo depois, retoma outra cidade perdida, Oritana, regressando depois a Roma em glória e assumindo aqui o cargo eleito de Quaestor e reaparecendo pouco depois no serviço militar, desta feita na Gália Cisalpina.

É no norte de Itália que tem que enfrentar uma revolta, ficando ferido e perdendo aqui entre 90 e 88 a.C. um dos seus olhos. Regressa a Roma e tenta ser eleito Tribuno do Povo, mas perde esta eleição. Culpa Sulla pela derrota e alia-se politicamente a Marius e aos seus partidários. Mas Sulla assume o poder em Roma e Marius é forçado ao exílio e Sertorius – apesar de todo o seu prestígio militar – fica comprometido e é obrigado a deixar a Cidade Eterna na comitiva do general caído em desgraça em 87 a.C.

Marius não ficaria muito tempo no exílio. Assim que chega ao norte de África começa a preparar um exército e conta para tal com o seu aliado Cinna que reúne também forças aliadas na própria Itália. Marius regressa ao continente europeu e divide o seu exército em três parte, assumindo pessoalmente o comando de uma e deixando a Cinna o comando das forças que este reunira em Itália. Sertorius, dando provas da sua proeminência política e do seu prestígio militar, assume diretamente o comando do ultimo terço do exército de Marius.

Marius impõe um cerco a Roma e ao fim de algum tempo assume o controlo da capital. Mas Marius já não é o mesmo general que Sertorius conhecera na Gália… deixa-se contaminar pelo vírus da vingança e da luxúria e mantêm uma conduta que reprova aos hábitos de muitos romanos e que não agrada ao próprio Sertorius. Entre estes excessos eram particularmente violentos os os escravos alistados pelos revoltosos nos seus exércitos que atinge tal paroxismo que Sertorius é obrigado enfrentá-los pela força das armas, vencendo-os no seu acampamento nos arredores de Roma em 86 a.C. repondo uma situação de relativa tranquilidade na Itália, apesar dos desmandos de Marius começarem a parecerem cada vez sinais de loucura.

Esta paz podre termina em 82 a.C. quando Sulla após ter reunido um exercito na províncias romana da Ásia desembarca na Itália retomando-se assim os combates entre os dois adversários até que enfim encetam negociações para tréguas, mas já Marius e Cinna tinham entretanto falecido pelo que Sertorius assume então um lugar ainda proeminente, mas toma uma cidade ao inimigo e leva assim todo o processo negocial até ao colapso. Sertorius avalia então a situação das forças que lhe restam e observa que muitos dos seus legionários tinham desertado para o campo oposto. Decide então retirar de Itália e partir para a Hispânia de forma a assumir aqui o seu cargo de Propraetor e reorganizar as suas forças, preparando um eventual regresso a Roma. Mas logo que reassumem o controlo da Cidade Eterna, Sulla delega em Caius Annius a missão de bater Sertorius e os seus na Hispânia e a pequena guarnição que Sertorius deixara nos Pirenéus é derrotada, deixando a Sertorius – ainda sem exército digno desse nome – a única alternativa de tornar a retirar, desta feita para o norte de África. Mas enquanto tentava embarcar com os seus homens são atacados pelas legiões de Annius e os navios que já tinham zarpado são forçados a dar meia volta, sem conseguirem evitar uma batalha naval desigual que resulta numa grande derrota para as forças de Sertorius.

Os últimos navios de Sertorius conseguem escapar à frota de Annius e chegam aquilo que nas fontes é descrito como “ilhas atlânticas” que poderão ser ou a Madeira ou as Canárias, naquela que poderá ser a verdadeira descoberta desse arquipélago, muito antes das navegações portuguesas ou espanholas. Sertorius parece interessado em se estabelecer nestas ilhas mas os piratas da Cilícia que compunham o essencial das tripulações dos seus navios têm outros planos: responder a um apelo do príncipe da Mauritânia (o Marrocos atual) de ajuda na sua tentativa de regressar ao trono. Sertorius cede e parte para a Mauritânia em auxílio do príncipe Ascalis. Mas ao chegar, Sertorius encontra forças romanas, enviadas por Sulla sob o comando do general Paccianus. Num breve combate, as forças de Sertório saem vencedoras e os sobreviventes juntam-se a Sertório. Tingis é capturada. Depois de saberem desta vitória, vários representantes das tribos lusitanas chegam à cidade e pedem a Sertório que os lidere na sua luta contra Roma. O general aceita e desembarca na Hispânia com um pequeno exército composto por 2600 romanos, 700 voluntários norteafricanos. A este núcleo juntam-se pouco depois 4 mil infantes e 700 cavaleiros lusitanos.

(fim da primeira parte)

Fonte Principal:

http://ancienthistory.about.com/od/romans/a/sertorius.htm

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Categories: História | 4 comentários

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4 thoughts on “História de Sertório (primeira parte)

  1. Otus scops

    simplesmente adorei!!!
    quando vem a continuação???

    “…e desembarca na Hispânia com um pequeno exército composto por 2600 romanos, 700 voluntários norteafricanos.” – faz lembrar o Tarik em 711…

  2. um dia, um dia…

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