Daily Archives: 2010/10/17

Sobre a elevada interdependência das colónias portuguesas

 

 

“Talvez o rasgo mais original da colonização portuguesa seja a interdependência que cedo se estabeleceu entre as várias colónias, criando “laços especiais” entre elas, tão ou mais fortes que com a metrópole, sempre carente de recursos financeiros e humanos para acudir às necessidades dos colonos.”
Miguel Jasmins Rodrigues

A História da presença portuguesa no Além-mar é paradoxal: é uma História que revela uma extraordinária força anímica e uma gigantesca capacidade de concretização, cabalmente demonstradas pela fundação do primeiro “império” global da História, com raízes ainda bem firmes quase meio milénio depois, mas é – paradoxalmente – uma história de fraqueza e de engenho, flexibilidade e improvisação em a ultrapassar.

Como bem escrevia Fernando Pessoa: “Portugal era um anão, com braços de gigante,, procurando abraçar o mundo”. Nem mesmo no zénite do processo da Expansão, Portugal teve, com efeito, os meios demográficos e financeiros para sustentar tal empresa. Desde cedo, devido a essas fragilidades, houve necessidade de conceder às parcelas mais remotas do império um grau de autonomia muito elevado, fundando o Vice-Reinado e concedendo grande liberdade aos capitães das praças mais longínquas, como Malaca ou Timor. A distância explica essa grande autonomia da presença no oriente, sendo do próprio oriente que partiam as expedições de socorro quando uma determinada praça ou fortaleza se encontravam em apuros: Lisboa estava a dois anos de distância e frequentemente não tinha uma ideia realista da situação local… foi assim que Malaca e Ceilão foram socorridas várias vezes diretamente por Goa e que, mais tarde, Luanda seria libertada dos holandeses por uma esquadra armada, guarnecida e diretamente comandada por colonos brasileiros…

A razão maior do sucesso e perenidade extraordinária da presença portuguesa no Oriente, de facto bem maior do que a de outras potencias bem mais nutridas, como a França e a Holanda, é a descentralização da administração local. Não somente no aspecto da administração política e militar, vertentes já apontadas no parágrafo anterior, mas até na constituição dos escalões intermédios e altos da administração, amplamente municiados por indígenas (caboverdianos em África e goeses no Oriente) e no exército. No campo militar, a formação de famílias mistas, incentivada por Albuquerque revelou-se fundamental para formar um estrato demográfico conhecido no Oriente como os “casados” que serviriam de comandantes militares e administrativos em todo o Oriente, chefiando forças de origem indígena que constituíam geralmente o grosso dos contingentes militares, sempre raros de tropas metropolitanas (afetadas pelas altas taxas de doença e deserção). Sem esta transferência da Defesa e da Administração para os povos locais, nunca teria sido possível manter uma presença em Goa até 1961 ou em Timor e África até 1975, tamanha era a desproporção de forças para com potentados e impérios locais e para com outras potencias europeias.

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“Será que vamos ter procura que justifique um aeroporto para 22 milhões de passageiros por ano?”

 

Novo Aeroporto (http://www.ipjornal.com)

Novo Aeroporto (http://www.ipjornal.com)

 

“Será que vamos ter procura que justifique um aeroporto para 22 milhões de passageiros por ano, Pergunta Carla Graça, da direcção da Quercus”

Diário de Notícias
29 de setembro de 2010

Não vamos ter, claro que não. Estes números nunca foram realistas, especialmente agora com uma Recessão global que se instalou em 2008 e que deverá afetar a Europa durante os próximos anos. O Pico Petrolífero ditará em breve uma alta de preços dos combustíveis que cedo ditará o fim desta era de “voos baratos” que banalizou as viagens aéreas e que levará à queda abrupta dos voos. Como a quebra da produção petrolífera é inexorável – sobretudo com o aumento brutal do consumo na China – que os preços dos combustíveis aéreos sofram aumentos brutais e que, logo, este número irrealista de 22 milhões de utentes se venha a revelar impossível de cumprir. Neste contexto futuro expectável não faria mais sentido optar pela solução “Portela mais um (Alverca)”, rentabilizando os investimentos já feitos na Portela e expandindo as estruturas já existentes em Alverca para voos “Low Cost”?

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