“O futebol é hoje um negócio que gera 1.3 mil milhões de euros por ano, o equivalente a 0.8% da riqueza produzida no país em 2009” mas “o impacto nas cidades onde os clubes estão sedeados não é muito relevante do ponto de vista do seu desenvolvimento”

“O futebol é hoje um negócio que gera 1.3 mil milhões de euros por ano, o equivalente a 0.8% da riqueza produzida no país em 2009” mas “o impacto nas cidades onde os clubes estão sedeados não é muito relevante do ponto de vista do seu desenvolvimento”

Ou seja, apesar de serem responsáveis por quase 1% do PIB a maioria de nós não sente qualquer impacto da riqueza assim gerada. Dizem que o Futebol dá emprego a perto de 80 mil portugueses, mas se compararmos tal taxa de emprego com a enormidade do PIB a que corresponde apercebemos-nos que poucas atividades que movimentem tanto dinheiro (1,3 mil milhões de euros!) geram tão pouco emprego… por outro lado, uma vez que as atividades correlacionadas com o Futebol envolvem verbas tão avultadas e em circuito fechado, os benefícios reais e concretos para as comunidades locais que rodeiam as (tantas vezes faustosas) instalações desportivas dos grandes clubes estão isoladas e não contribuem significativamente para o desenvolvimento local: a formação desportiva da juventude (a custo zero ou controlado) é quase nula, a partilha dos espaços desportivos para uso dos cidadãos é reduzida e as exigências às autarquias, em terrenos, verbas e facilidades várias, crescentes. Especialmente em tempo de eleições…

“os clubes e SADs afetos às competições profissionais pagam cerca de 80 milhões de euros de impostos, anualmente”

Espera! Isso quer dizer que o “mundo da Bola”, o mesmo que movimenta 1.3 mil milhões de euros, paga APENAS 80 milhões de euros? Isso significa que a esmagadora maioria das quantias geradas no Futebol escapam ao filtro fiscal, de uma forma legal ou ilegal. Perante um Estado cada vez mais ávido pelos rendimentos de todos os portugueses, desde os cidadãos comuns, às empresas, escapando apenas os mais ricos, que conseguem contratar exércitos de mercenários travestidos de advogados e assim escapar à rede fiscal, é escandaloso que o Futebol pague tão poucos impostos. Tal isenção efetiva demonstra várias coisas: desde logo a presença de uma efetiva cumplicidade torpe entre políticos e Futebol, com personalidades a passarem frequentemente de um mundo para outro, e vice-versa. Demonstra também a aspiração dos políticos da partidocracia em captarem o máximo número de votos de adeptos de futebol, cujo votado é comandado pelas corruptas e imorais chefias mafiosas deste mundo. Tal “evasão” fiscal (entre aspas porque é consentida pelo Estado) demonstra enfim que estamos já muito para além do Estado Mínimo ou Minarquia sonhados pelos neoliberais e que entrámos já claramente naquilo a que Adriano Moreira chama de “Estado Exíguo”, um Estado fraco, manipulado por elites anti-democráticas, sem visão nem estratégia de fundo e reduzido à sua mais baixa expressão de captador de impostos e alimentador de máquinas burocráticas de carimbadores profissionais e bois e bóias partidárias.

Sol 20 de agosto de 2010

Categories: Futebol e Corrupção, Política Nacional, Portugal | 4 comentários

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4 thoughts on ““O futebol é hoje um negócio que gera 1.3 mil milhões de euros por ano, o equivalente a 0.8% da riqueza produzida no país em 2009” mas “o impacto nas cidades onde os clubes estão sedeados não é muito relevante do ponto de vista do seu desenvolvimento”

  1. HSMW

    Interessante. Tenho-me interrogado sobre isto.

    Qual o impacto na economia nacional das presenças dos clubes na competições europeias?

    É que não são propriamente trocos. E se os clubes pagam apenas 80 milhões, vale a pena não esquecer que os jogadores também pagam impostos.

  2. Infelizmente venho informar que desse lado do atlântico uma das poucas diferenças é que o volume de dinheiro perdido é maior e o futebol não chega a responder por 1% do PIB, bem mais um grande problema que cabe a nos resolver de seu e do meu lado do atlântico Clavis.

  3. HSMW

    E se estamos a falar de divida vale a pena lembrar esta:

    “PALOP: dívida a Portugal aumentou 8,4% para 1,556 mil milhões”

    E os 252 milhões de euros perdoados a Moçambique em 2008 e 73 milhões de euros à Guiné.

    O seus novos colonizadores asiáticos certamente que não são tão generosos a perdoar dividias como nós…

  4. Odin

    Os brasileiros são os que mais têm que se conscientizar, mais ainda que os portugueses, de que o futebol é um desporto para entretenimento, para que as pessoas tenham uma distração, esqueçam por algumas horas os seus problemas quotidianos, fujam da rotina da sua dura realidade de vida, não é para se tornar algum tipo de culto. Equipes de futebol e de qualquer outro desporto não é para se tornar uma “causa a ser defendida”, uma “religião”…
    Quanto aos benefícios que o futebol gera para a economia e para a sociedade, com certeza geram mais prejuízos aos cidadãos do que lucro. Gera lucro mesmo é aos donos dos clubes e aos jogadores.

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