Fernando Nobre: “a partir da década de 80 do século XX (…) o fosso entre os países mais pobres e mais ricos alargou-se de uma escala de 1 para 14 para a de 1 para 60 ou 70”

“…a partir da década de 80 do século XX (…) o fosso entre os países mais pobres e mais ricos alargou-se de uma escala de 1 para 14 para a de 1 para 60 ou 70. Atualmente, não se equaciona qualquer hipótese de inversão dessa tendência. Os proteccionismos dos países mais ricos acentuaram-se ainda mais, tendo já como resultados a diminuição da ajuda ao desenvolvimento e o adiamento sine die em 2008, dos Acordos de Doha.”
Gritos contra a Indiferença
Fernando Nobre

Recentemente, um especialista africano quando interrogado sobre o que pensava sobre o falhanço dos Acordos de Doha respondeu que mais valeria que o Ocidente parasse com a hipocrisia sobre quantidades de dinheiro de “ajuda” que nunca se acabam por materializar e que quando o fazem acabam por beneficiar sempre empresas dos países doadores e bem menos os países “ajudados”. E de facto, algo tem que estar muito errado neste modelo quando se constata que os níveis de desenvolvimento humano do continente praticamente não melhoraram desde o fim do período colonial. Ao contrário do Ocidente, países emergentes como a China e o Brasil têm optado por outra abordagem. Em vez de enviarem excedentes agrícolas ou industriais, estes países têm oferecido obras públicas em troca de direitos de exploração do subsolo e fazendo nenhumas exigências quanto à regras de boa governança ou à qualidade das instituições democráticas.

Entre os dois modelos: o das “ajudas” que promove a exportação de excedentes enquanto destrói com produtos gratuitos a agricultura local e impõe barreiras alfandegárias e o modelo chinês de celebrar contratos éticamente neutros que trocam recursos naturais (de que a China precisa desesperdamente) por obras públicas, tem que haver um meio termo… Entre o negro e o branco há espaço para o cinzento. Para uma política de ajuda ao desenvolvimento que promova aquilo que ainda não aconteceu que foi a integração de África no comércio global, que baixe barreiras alfandegárias injustas contra os produtos agrícolas africanos, que enviei mais conhecimentos, adubos e ferramentas do que sacas de trigo ou litros de leite e que não se preocupe tanto com a transplantação cega de modelos políticos centralistas de “estados-nação” que numa África descentralizada, tribalista e civicamente e academicamente imatura são inadequados e promovem a aparição de elevados níveis de corrupção. Este seria – nesta visão inspirada pelas palavras de Fernando Nobre – esta alternativa entre o 8 e o 80.

www.fernandonobre.org

Categories: Fernando Nobre, Política Nacional, Portugal | Deixe um comentário

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