Daily Archives: 2010/10/02

União Lusófona: “A resistência a esse capitalismo trans-nacional só se pode fazer num grande Bloco, num grande Movimento inter-nacional” (Renato Epifânio)

"A Via Lusófona" (http://www.almedina.net)

"A Via Lusófona" http://www.almedina.net

“A resistência a esse capitalismo trans-nacional só se pode fazer num grande Bloco, num grande Movimento inter-nacional. A União Lusófona poderá ser, para nós, esse bloco. No seu conjunto, os países dessa futura União Lusófona têm força suficiente para promoverem um outro tipo de sistema económico. E serem um eventual exemplo para outros países, para outros Blocos…”
A Via Lusófona
Renato Epifânio

A União Lusófona para ser uma entidade coesa e perene – não transitória e conjuntural como o é a União Europeia – tem que encontrar fundamentos além da existência de uma língua comum e de uma natural e indiscutível comunhão sentimental e cultural. Uma União Lusófona terá também que saber revestir-se de modelos políticos e económicos consistentes e que permitam alicerçar este edifício comum sob bases sólidas.

Nenhuma forma concebível de União Lusófona poderá jamais desprezar ou renunciar a responder aos problemas de caráter económico que sempre estiveram na base de todas as preocupações humanas. Não se trata de defender o estéril Economicismo que obcecou até à exaustão os Eurocratas, mas de recordar as palavras de Agostinho da Silva segundo as quais “não se pode filosofar de estômago vazio”. Qualquer sistema económico e político que pretenda oferecer-se como alternativa a um estafado sistema neoliberal globalizante tem também que incorporar uma alternativa económica.

A Declaração de Princípios e Objetivos do MIL permite construir o essencial dessa alternativa: Economias Locais que privilegiam as Comunidades e Cooperativas locais e não multinacionais egoístas e sem fibra moral. Moedas Locais que favoreçam as economias locais e a manutenção local das riquezas e empregos localmente gerados. Um sistema económico alternativo em ambiente de profunda descentralização municipalista e de evaporação dos poderes que hoje os Estados monopolizaram em hipertrofiadas “capitais” e que os teóricos da Globalização querem afastar ainda mais dos cidadãos através da criação de entidades supranacionais não democráticas como a União Europeia ou a NAFTA.

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Fernando Nobre: “a partir da década de 80 do século XX (…) o fosso entre os países mais pobres e mais ricos alargou-se de uma escala de 1 para 14 para a de 1 para 60 ou 70”

“…a partir da década de 80 do século XX (…) o fosso entre os países mais pobres e mais ricos alargou-se de uma escala de 1 para 14 para a de 1 para 60 ou 70. Atualmente, não se equaciona qualquer hipótese de inversão dessa tendência. Os proteccionismos dos países mais ricos acentuaram-se ainda mais, tendo já como resultados a diminuição da ajuda ao desenvolvimento e o adiamento sine die em 2008, dos Acordos de Doha.”
Gritos contra a Indiferença
Fernando Nobre

Recentemente, um especialista africano quando interrogado sobre o que pensava sobre o falhanço dos Acordos de Doha respondeu que mais valeria que o Ocidente parasse com a hipocrisia sobre quantidades de dinheiro de “ajuda” que nunca se acabam por materializar e que quando o fazem acabam por beneficiar sempre empresas dos países doadores e bem menos os países “ajudados”. E de facto, algo tem que estar muito errado neste modelo quando se constata que os níveis de desenvolvimento humano do continente praticamente não melhoraram desde o fim do período colonial. Ao contrário do Ocidente, países emergentes como a China e o Brasil têm optado por outra abordagem. Em vez de enviarem excedentes agrícolas ou industriais, estes países têm oferecido obras públicas em troca de direitos de exploração do subsolo e fazendo nenhumas exigências quanto à regras de boa governança ou à qualidade das instituições democráticas.

Entre os dois modelos: o das “ajudas” que promove a exportação de excedentes enquanto destrói com produtos gratuitos a agricultura local e impõe barreiras alfandegárias e o modelo chinês de celebrar contratos éticamente neutros que trocam recursos naturais (de que a China precisa desesperdamente) por obras públicas, tem que haver um meio termo… Entre o negro e o branco há espaço para o cinzento. Para uma política de ajuda ao desenvolvimento que promova aquilo que ainda não aconteceu que foi a integração de África no comércio global, que baixe barreiras alfandegárias injustas contra os produtos agrícolas africanos, que enviei mais conhecimentos, adubos e ferramentas do que sacas de trigo ou litros de leite e que não se preocupe tanto com a transplantação cega de modelos políticos centralistas de “estados-nação” que numa África descentralizada, tribalista e civicamente e academicamente imatura são inadequados e promovem a aparição de elevados níveis de corrupção. Este seria – nesta visão inspirada pelas palavras de Fernando Nobre – esta alternativa entre o 8 e o 80.

www.fernandonobre.org

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Butão: Uma variante diferente de desenvolvimento

O professor Jeffrey Sachs é um conselheiro das Nações Unidas e um dos mais reputados Professores de Economia do mundo, com cátedra na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos.

O economista publicou recentemente uma fascinante narrativa da sua viagem ao reino budista do Butão produzindo uma série de ensinamentos que podem ser aplicados em qualquer outra economia.

A dura realidade geográfica do Butão criou uma população de resistentes agricultores e pastores, habituados a vencerem um clima agreste e inclemente. A estrutura cultural que permitiu o desenvolvimento da forma especial de criar uma estrutura económica tão resiliente como a butanesa é o budismo.

Tradicionalmente, o principal traço distintivo da economia butanesa é a sua autosuficiência, mas isso começou a mudar quando o país teve a sorte de poder contar com uma sucessão de monarcas que encetaram um conjunto consistente e ambicioso de programas de modernização que se estenderam das estradas, à energia, passando pela Saúde e Educação. Em simultâneo abriam-se laços comerciais com a Índia e a incorporar níveis crescentes de democracia naquela que era em finais do século XX uma das monarquias mais absolutistas do mundo.

O Butão não foi o único país da região a modernizar-se. Mas fê-lo de uma forma única ao deixar que este processo de transformação interna fosse liderada pela forma budista de estar e encarar o mundo. Com efeito, o Butão procurou compatibilizar a modernização da sua economia com a Cultura do seu país e com o bem-estar da sua população.

O primeiro factor que diferencia o Butão é o enfoque nao no deformado PIB (Produto Interno Bruto) mas no crescimento do produto nacional de felicidade (GNH, em inglês). O GNH, contudo, é aplicado de uma forma não absoluta, mas flexível e decorrente de um processo ativo e deliberativo interno.

Os critérios do GNH adotados no Butão são compostos por um agregado que resulta da composição de uma série de necessidades básicas, como Saúde, redução da mortalidade materno-infantil, melhoria do sistema educativo e das infraestruturas de água, saneamento e distribuição de energia elétrica. Este enfoque no GNH permite produzir uma imagem económica mais realista de um país onde o PIB é baixo e as exportações, limitadas.

O Butão procura também desenvolver a sua economia sem colocar em causa a sustentabilidade ambiental, havendo um grande empenho em preservar as grandes florestas deste país asiático, salvaguardando este património natural e a sua grande biodiversidade.

O desenvolvimento butanês busca também preservar a cultura especial deste país budista, procurando formas de encontrar a estabilidade psicológica num ambiente de rápidas transformações e sem cair nos destrutivos (em termos pessoais e ambientais) padrões de hiper-consumo que caraterizam a economia ocidental. O hiper-consumo tem várias consequências muito nefastas para o indivíduo, como elevados níveis de agressividade e solidão que provocam desequilíbrios emocionais profundos que geram – em ondas – níveis de desordem social crescentes. Tal viragem para o indivíduo e desvio do primado da comunidade sobre o Eu tem sido provocado por máquinas bem oleadas e de escala global de marketing e publicidade. Não haveria hiper-consumismo (nem as suas consequências) sem Publicidade de massas.

É contra este hiper-consumismo que carateriza o papel do cidadão-consumidor no Capitalismo moderno que o Butão tenta encontrar um modelo alternativo: conciliando o bem-estar essencial disponibilizado pela tecnologia moderna e pela plena satisfação das necessidades básicas com uma economia desenvolvida. Para esta satisfação são necessárias – pelo menos numa primeira fase – divisas estrangeiras prara pagar importações dos bens necessários à satisfação dessas necessidades básicas e, felizmente, estas estão disponíveis graças à exportação de energia hidroeléctrica para uma Índia cada vez mais carente desta. Com estas divisas, o governo butanês está a modernizar os sistemas públicos de Saúde e Educação e a construir as infra-estruturas que nunca existiram neste país.

Mas o maior ensinamento do Butão é o seu objetivo de conciliar o Budismo – o eixo central da sua Cultura – com Desenvolvimento: neste inédito trabalho de conciliação a felicidade surge não através da obtenção de uma quantidade máxima de bens mas pela reflexão interior e pela satisfação das necessidades primarias. Um exemplo em que há que refletir.

Fontes:
http:/www.project-syndicate.org
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=442181

Categories: Economia, Política Internacional | Etiquetas: | 8 comentários

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