“Os juros a 10 anos exigidos a Portugal ultrapassaram os 6%, um valor próximo do que era exigido à Grécia um mês antes de recorrer à ajuda internacional”

“Os juros a 10 anos exigidos a Portugal ultrapassaram os 6%, um valor próximo do que era exigido à Grécia um mês antes de recorrer à ajuda internacional. O recurso ao pacote de financiamento externo da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) é visto por um número crescente de economistas, banqueiros e empresários como uma hipótese – e alguns casos uma inevitabilidade.”

Parece claro que a situação atual é insustentável e não já num horizonte de anos (2015, como acreditavam há apenas umas semanas a maioria dos economistas), mas inevitável em poucas semanas e certamente antes do final de 2010. A este ritmo de subida dos juros e dada a crónica dependência de financiamento das despesas correntes pela via do endividamento externo (!) estamos à beira do ponto em que deixará de ser possível ao Estado pagar salários e reformas. Será então necessário recorrer ao FMI e ao fundo europeu de estabilização para evitar a Bancarrota, esperando que estes sejam capazes para absorverem as necessidades simultâneas de cinco países: Portugal, Grécia, Itália, Irlanda e Espanha, já que perante a bancarrota iminente de um, logo os Mercados se encarregarão de afundar os demais.

O problema maior com a Dívida Externa parece estar em que o Governo Sócrates parece incapaz de conter o crescimento do endividamento. Este ano, o Governo não tem sabido conter o crescimento da dívida e – apesar disso – não pára de emitir nova dívida, onerando mais e mais os encargos que as gerações futuras terão que suportar.

Portugal não consegue viver assim, simplesmente. É impossível que um país de dez milhões de habitantes viva eternamente na penúria e de mão estendida aos financeiros do estrangeiro. O problema atual é – na sua vertente mais superficial – simples: o Estado (e os Particulares) gastam muito mais do que aquilo que ganham. A solução é ainda mais simples e dupla: o Estado tem que gastar menos e como essa despesa corrente é hoje essencialmente composta de salários e reformas estes não podem ficar como esta e o Estado tem que cobrar mais impostos. Como a carga fiscal já está além daquele que devia por aqui não há mais margem… o que resta é portanto… cortar. Mas cortar onde? Em salários que já estão muito abaixo da média europeia? Ou simplesmente… encerrar a porta a este Estado que praticamente desde a sua fundação tem sido deficitário e fundar aquela “federação de municípios independentes” de Agostinho da Silva? Declaremos a falência de Portugal, enquanto “Estado Unitário” e cronicamente deficitário e encetemos uma intensa e profunda negociação diplomática que conduza à fundação de União Lusófona em que este Portugal – centralista e unitário – se dissolva e que por intermédio de um alquímico Solve et Coagula renasça numa trans-nacional União de todos os povos de fala portuguesa e onde o foco administrativo, político e económico seja devolvido ao Povo (palavra malquerida nos dias de hoje, mas sempre atual…) retome aquele que é o seu direito, que é o de ver reconhecida a prioridade do Local sobre o Global, da Pessoa sobre o Número e da Liberdade sobre todas as formas de Tirania que os “senhores da Finança” e os seus sabujos da Partidocracia têm lançado sobre nós.

Fonte:
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=444187

Categories: Economia, Portugal | 12 comentários

Navegação de artigos

12 thoughts on ““Os juros a 10 anos exigidos a Portugal ultrapassaram os 6%, um valor próximo do que era exigido à Grécia um mês antes de recorrer à ajuda internacional”

  1. joão dias

    Drº Medina Carreira , o pessimista ou realista ? Ele bem que avisou !!!

  2. sim… uma das pessoas mais pessimistas e…. realistas da atualidade.
    ao menos Saldanha Sanches já não viveu para ver o estado a que chegámos: 430 biliões de euros de dívida!
    impagável!

  3. Fred

    Sabe que já ouvi isso, da dívida externa brasileira.

    hoje é irrisória, dá para pagar sim, tem um preço alto, principalmente para a classe média e para os pobres, mas tem jeito.

    Não ache que decretar falência vai ajudar, vide moratória Argentina.

    uma das soluções é consumir produtos nacionais, formando um mercado interno de consumo sustentado, vide Brasil.

    Parar de contratar empresas não portuguesas ou pelo menos diminuir e cobrar as contrapartidas das que forem estrangeiras contratadas.

    O estímulo a indústria e serviços nacionais é fundamental para gerar empregos.

    Parou de pedalar, a bicicleta cai!

    Mundo globalizado é pensar localmente.

    Mas essa é apenas a minha visão de leigo e de fora do problema.

  4. sim, tudo correto…
    com uma excepção: a Europa não nos deixará aplicar uma só dessas medidas “proteccionistas”.
    Essa seria a saída, assim como o uso da flutuação da moeda, para estimular as exportações e dissuadir as importações, mas até essa ferramenta cambial já perdemos para a Europa!
    Por isso é que estou muito pessimista, muito mesmo!

  5. Fred

    Nadar amarrado em piscina funda é meio difícil 😉

    • Otus scops

      Fred

      é difícil mas é uma oportunidade para desenvolver guelras!!!
      😉

      • Fred

        Verdade, Her Otus, tudo tem um lado bom, quem sabe a dificuldade não crie uma conciência política um pouco mais desenvolvida?
        Não é assim muito melhor que guelras, mas já é alguma coisa! 🙂

        Coisa que falta por aqui também, tem até atriz pornô candidata a deputada, se o povo se cansar de votar nos filhos, capaz da mãe ganhar!

        Não que tenha nada contra a profissão, foi só para não perder a anedota.

        abraços

        • Odin

          Ahahahahahahahahah… gostei da anedota! 😉

        • Otus scops

          excelente Fred!!!
          😀
          😀
          😀
          😀
          😀
          😀
          😀

          p.s. – o CP já colocou um chat, porque não experimentam???

        • sim… eu já vi filme reunindo alguns dos vossos candidatos e, de facto…seja estranho que alguns (Tiritica) tenham 900 mil votos, nas sondagens!

          • Otus scops

            DECLARAÇÃO:

            venho por este meio informar que por lapso apoiei a mulher-melão.
            corrijo a situação declarando o meu inequívoco e incondicional apoio à MULHER-PERA!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Site no WordPress.com.

Eleitores de Portugal (Associação Cívica)

Associação dedicada à divulgação e promoção da participação eleitoral e política dos cidadãos

Vizinhos em Lisboa

A Vizinhos em Lisboa tem em vista a representação e defesa dos interesses dos moradores residentes nas áreas, freguesias, bairros do concelho de Lisboa nas áreas de planeamento, urbanismo, valorização do património edificado, mobilidade, equipamentos, bem-estar, educação, defesa do património, ambiente e qualidade de vida.

Vizinhos do Areeiro

Núcleo do Areeiro da associação Vizinhos em Lisboa: Movimento de Vizinhos de causas locais e cidadania activa

Vizinhos do Bairro de São Miguel

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos

TRAVÃO ao Alojamento Local

O Alojamento Local, o Uniplaces e a Gentrificação de Lisboa e Porto estão a destruir as cidades

Não aos Serviços de Valor Acrescentado nas Facturas de Comunicações !

Movimento informal de cidadãos contra os abusos dos SVA em facturas de operadores de comunicações

Vizinhos de Alvalade

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos de Alvalade

anExplica

aprender e aprendendo

Subscrição Pública

Plataforma independente de participação cívica

Rede Vida

Just another WordPress.com weblog

Vizinhos do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos do Areeiro

MDP: Movimento pela Democratização dos Partidos Políticos

Movimento apartidário e transpartidário de reforma da democracia interna nos partidos políticos portugueses

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

THE UNIVERSAL LANGUAGE UNITES AND CREATES EQUALITY

A new world with universal laws to own and to govern all with a universal language, a common civilsation and e-democratic culture.

looking beyond borders

foreign policy and global economy

O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade

%d bloggers like this: